Na profundeza dos mares, onde o sol nunca há de chegar
dentro dos mais obscuros oceanos, histórias de arrepiar
Lendas de um passado que inutilmente ainda evita pensar
memórias de tesouros que se naufragaram no além-mar

Com seu coração avarento, que quer tudo conquistar
suspirou impropérios ao vento, a quem queira escutar
Esquecendo as dores, voltando ao hábito de colecionar
perdido em sabores, cadê o amargor que lhe fez chorar?

Só mesmo um poeta, com quem não se gasta um olhar
quiçá o exegeta, com textos bíblicos o pode aconselhar!
Sábios senhores, muitos se perderam ao lhe ignorar
porque esses, nosso bobo poeta iria conseguir superar?

Pegou seu caminho, nem chegou a ouvir todos a clamar
juntou suas tralhas num barquinho e pôs-se a navegar
Um homem solitário, com apenas seus sonhos a desejar
Fez do mar seu calvário, e por anos a fio ficou a derivar

Encalhou um dia, com seu barquinho quase a se quebrar
uma índia lhe sorria, que ironia – os seus sonhos a realizar
A nativa sem saber, era tudo que ele sonhava encontrar
não viu seu querer, pois a sua alma se ocupava em apenas – voar.

O Encantado

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