Eu gosto muito de Isaac Asimov. Passei muito mais tempo do que o normal lendo os contos de Fundação e a coleção Eu, Robô do que as crianças que eu convivi e nunca tive com quem conversar muito sobre robôs, cibernética e todos os assuntos do universo que aquele russo genial criou.

Mas a verdade é que pra quem cresceu em volta das histórias de robôs trabalhando nas minas de Mercúrio e acompanhou a criação de robôs que tinham uma psicologia própria – sendo capazes de raciocinar, eis que esses dias nós demos um passo gigantesco rumo à ficção científica (que continua tendo mais cara de Isaac Asimov do que de Matrix).


No mundo real, temos alguns passos que, embora pequenos, têm caminhado para o lado certo. No começo de 1994 o MIT desenvolveu o primeiro robô com desenvolvimento cognitivo, ou seja: que era capaz de aprender (realizar tarefas que fosse ensinado, não programado). Dois anos depois a Honda conseguiu desenvolver o primeiro robô autônomo – que não precisava de cabos de força ou de computadores externos para permanecer ativo.

O mais famoso robô com certeza é o ASIMO, também da Honda, que foi desenvolvido em 2000, o primeiro androide a realmente começar a parecer um humano, com articulações nas mãos que o capacitam a realizar tarefas que somente humanos (e seu polegar opositor) eram capazes.

Olha o Exterminador chegando
Não era beem o que você esperava, né?

Lá pros idos de 2004, a  Aberystwyth University, uma universidade do País de Gales (onde?) tinha desenvolvido um robô que era capaz de fazer trabalhos simples dentro de laboratórios – tornando a mítica figura do estagiário obsoleta (já pensou na multidão de estagiários sem emprego por causa de robôs?). O robô, chamado Adam, é capaz de não só fazer experimentos científicos como compreender seus resultados e desenvolver hipóteses próprias para aquele resultado. Basicamente, foi o primeiro robô do mundo capaz de realizar avanços científicos. Bizarro, né? Não, meu filho, isso é notícia velha.

Na Cornell University (que faz parte da Ivy League – oitos universidades dos EUA, consideradas as melhores do país), construiu-se um robô, em 2009 que era capaz de entender e identificar algumas simples leis da natureza, como a Lei da Gravidade – e interagir com elas.

Ao contrário dos robôs que estamos acostumados a ver, como os androides da Honda, que imitam os humanos em sua aparência, ações e movimentos, os robôs universitários de Cornell e Aberystwyth, são capazes de raciocínio próprio, tendo uma visão de mundo que é baseada em suas experiências.

Agora o que vem realmente bagunçar com os limites entre realidade e ficção científica: o projeto ConceptNet, encabeçado pelo MIT. A ideia do projeto é construir uma rede de conhecimentos básicos para robôs. Sobre o quê? Sobre tudo. Para você ter uma ideia, o ConceptNet 4 (penúltima versão da rede), tinha o QI de uma criança de quatro anos. Parece pouco?

São mais de um milhão de conceitos em inglês e várias outras línguas que vão desde o básico “cachimbo => usado para => fumar” (O cachimbo é usado para fumar), abrangendo conceitos naturais, culturais e científicos que permitirão aos robôs, no futuro, o desenvolvimento cognitivo. O o que?

Robôs poderão pensar.

E é baseado nisso que a Cornell University apresentou seu último desenvolvimento, há pouco mais de três meses atrás: um robô que:

(1) Vê você com uma vasilha;

(2) Identifica que a vasilha que está nas suas mãos é de comida;

(3) Sabe que o lugar de vasilhas de comida é na geladeira;

(4) Conclui que você deve estar levando a vasilha de comida para a geladeira;

(5) Se antecipa e abre a porta da geladeira pra você.

Caras, isso é demais.

Eu não sei vocês, mas eu já estou começando a decorar as três leis fundamentais da robótica:

O futuro ainda não chegou, mas os robôs estão perto.

Categoria: Opinião
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