A igreja era pra ser um local de paz, de procura de Deus – a igreja era pra ser a comunhão dos irmãos, onde eu busco corrigir e ser corrigido; onde as pessoas tentam me ajudar a crescer enquanto eu sirvo de apoio para o crescimento dos outros. Hoje, na verdade há muito tempo, o que acontece na igreja é só condenação. Se não seguir uma cartilha – está condenado. Se não obedecer – está condenado. Se pecar – está condenado. Mas todos nós vamos pecar, todos nós vamos merecer o inferno, e é pela Graça que seremos salvos. Então porque a igreja condena tanto, ao invés de nos ajudar a levantar e a nos dar Graça?

A última reforma que houve na igreja foi esta. Na verdade, ela ainda acontece – são várias pessoas em vários lugares, de várias denominações se libertando do jugo que foi imposto por lideranças, pastorados e membros de uma hierarquia humanamente criada e superior, e vendo que a vida com Deus não é bem daquele jeito que foram ensinadas, cheia de passos em falso e armadilhas espirituais.

Essas pessoas tem aprendido a viver em comunidade, a exortarem e serem exortadas, a crescerem, se abraçarem e se entenderem de uma forma que nunca tinham conseguido – e tem se sentido livres cada vez mais para confessar seus pecados e buscar ajuda para os seus erros. Abaixar as máscaras e se encontrar no meio de pecadores confessos e tão sujos quanto eles. Tão condenáveis, mas ao mesmo tempo tão lavados pela Graça divina. Tão pecadores mas tão desesperados na busca pela santidade.

O problema é que nessa ânsia de nos libertar da igreja tradicional, por fim, viramos o jogo. Se antes nós éramos julgados pelas atitudes e condenados ao inferno por pastores vestidos de ternos e com bíblia na mão, assim como aquelas tias de igreja tradicionais que amarram tudo que veem pela frente, hoje somos nós que bradamos incessantemente a condenação sobre eles. E, de fato, o pior feitor é aquele que já foi escravo.

Não hesitamos ao condenar um pastor ao inferno, uma pessoa tradicional ao farisaísmo e uma tia qualquer à obsolescência. Não nos contentamos a seguir o que fazemos dentro do nosso pequeno grupo, mas nos enfurecemos com aqueles que representam algo que antes nos machucou. Não sabemos demonstrar a graça, a piedade ou o amor que tanto falamos, da mesma forma que eles. E aí buscamos todo e qualquer tipo de justificativa para o que fazemos – e não percebemos que nosso discurso se igualou ao deles. Eles venceram? Não, todos nós perdemos.

Perdemos quando somos seletivos no nosso amor, e não amamos a tia que diz que tatuado vai para o inferno; perdemos quando imitamos as atitudes que um dia foram responsáveis por nos afastar da Igreja. Perdemos quando não reconhecemos os nossos erros e ensinamos outros a cometê-los, sob as mais diversas justificativas.

Sempre perdemos. Sabe quando vamos ganhar? Quando reconhecermos que o jogo já está perdido – para nós mesmos, mas mesmo assim lutar pela vitória. E não a nossa vitória, mas a de todos. Ganharemos quando soubermos jogar com o nosso time, e não contra o nosso time.

O pior feitor é aquele que já foi escravo – versão emergente.

Categoria: Igreja
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