Community - Season 3

Edward Snowden é um ex-funcionário da CIA e ex-prestador de serviços para a NSA que, há pouco tempo, resolveu expor várias ações e bancos de dados do governo norte-americano, que iam desde um projeto de monitoramento global até grampos em cidadãos norte-americanos e de outros países – inclusive alguns brasileiros.

Com os documentos fornecidos por Snowden, que comprovam várias quebras de acordos internacionais, e muitos debates surgiram no exterior e aqui no Brasil sobre a comunicação, os limites de investigações e que tipo de Estado nós estamos realmente vivenciando, independente do que anda escrito nas Constituições mundo afora.


As declarações do governo americano têm se tornado cada vez mais radicais quanto ao ex-funcionário. Obama disse dias atrás que não considera Snowden um patriota, e que fez o vazamento da forma errada. Levison, dono do servidor de emails utilizado por Snowden, o Lavabit, decretou o encerramento de seus serviços depois de receber uma ordem judicial de busca e apreensão que ele não pode nem falar sobre o que estariam procurando, e disse que “se as pessoas soubessem o que ele descobriu sobre emails, nunca mais usariam”.

O que está em jogo é um pouco maior do que tudo isso. Não é apenas a transparência ou truculência do governo norte-americano, mas a própria filosofia dos Estados Unidos. Pergunte a qualquer jurista qual é o principal direito no Brasil: a vida. A vida é o que temos de mais sagrado na ordem jurídica, e é por causa dessa construção constitucional-filosófica a pena de morte é um assunto pacífico na legislação.

Porque isso? Porque a importância do direito à vida no Brasil é equivalente à liberdade de expressão nos Estados Unidos. É por causa dessa extrema liberdade de expressão que a Igreja Batista de Westboro se tornou famosa por dizer disparates como o casamento gay ser o motivo de tornados em Oklahoma e não sofrer nenhuma retaliação judicial por isso. Essa extrema liberdade garante que programas como The Daily Show continuem no ar apesar das pesadíssimas críticas e caricaturas de políticos e personalidades – e por aí afora. Se nem mesmo um caso de extrema irrelevância e busca pelos holofotes através de preconceito gerou censura, o que seria censurável?

Toda essa liberdade está em jogo na própria terra da liberdade. Não sei dizer muito bem o que vem por aí, ou quais os planos do governo Obama até o final do seu mandato, mas eu tenho cada vez mais a impressão de que há muito mais por baixo desse buraco que Snowden começou a cavar.


O preço da liberdade – a Constituição Americana e Ed Snowden

Categoria: Opinião
0
34 views

Deixe uma resposta