Eu gosto de debates – acho que todo mundo já sabe disso. Gosto de perguntar, responder, replicar e fazer perguntas difíceis, e gosto mais ainda de respostas que me façam entrar em crise. Gosto de ser surpreendido pela revelação do que não entendo. De descobrir porque certas atitudes vêm de certas pessoas, e porquê elas pensam assim, porquê vivem assim.

Gosto de entrar em crise com meus conceitos e de me fazerem pensar e repensar tudo o que defini da minha vida (talvez isso seja o medo de estar errado), e nunca tive crises em mudar de atitude e pensamento depois de ser confrontado. Gosto de crescer e amadurecer e de poder agradecer às pessoas que me ajudaram nisso.

Mas eu descobri que crescer, que amadurecer, agir, descobrir qual é o caminho que devo seguir, descobrir a Verdade e não errar, não tropeçar e não estar enganado é só o começo do processo de acertar.

Acertar o caminho não é só não errar, é muito mais do que isso. Saber que sou eu quem tem que puxar a responsabilidade e agir diferente é só o começo da carreira. Afinal, ninguém (fora construções públicas) tem como momento principal a colocação da pedra fundamental. Eu já estar com a minha pedra fundamental não me garante nada, fora dias de chuva na cabeça e areias nos olhos toda vez que ventar. Serei só mais um idiota me vangloriando por ter uma casa construída na rocha, enquanto não percebo que meia dúzia de tijolos não me protegerão de nada.

A verdade é que não basta você estar no caminho certo, se você não sabe como trazer as pessoas pra ele também; e, se você sabe o que é certo, a sua responsabilidade por quem possa estar parado ou alheio é muito maior – afinal, ou ele não sabe para onde vai (Lc 23:34), ou ele está construindo um abrigo de barro, enquanto você faz um de tijolos. Ambos vão ser suficientes; é uma questão de estilo e estética – desde que a pedra fundamental esteja fixada na rocha (e não parar por aí!).

Descobri que quando minha crítica se torna motivo de mágoa, é porque eu falhei – e não soube o quê, quando e como falar. Afinal, a Reforma que eu quero pra Igreja, e pratico em mim não pode, em momento algum, ser prejudicial a alguém (Rm 14:13), de maneira alguma. Não se trata mais de limpar a Igreja, ou de expulsar aqueles que são hipócritas, todos os somos.

Outra coisa que descobri, mais interessante ainda é que Jesus expulsou quem vendia no templo (João 02:14-17), e não quem comprava. Ele nunca apontou o dedo na cara de alguém que comprou um terreno no céu ou pagou o trízimo adiantado e o condenou a lugar algum. Mais interessante ainda é que Jesus não tem atitudes de quem estaria na Marcha Para Si Mesmo ou criticaria quem participa delas. Não criticou alguém que deu todo seu dinheiro para uma instituição (Marcos 12:41-44) que ele veio para modificar (e que iria rejeitá-lo). Ele sempre criticou líderes, não seguidores.

Mas mesmo criticando líderes de instituições e da sua própria religião (o judaísmo), Jesus ainda assim, preferiu criticar Pedro, que estava no Reto Caminho, a criticar Pilatos, representante de toda a sujeira que era o Império Romano – exatamente porque Pedro estava no caminho reto.

Jesus sempre exortou quem tinha conhecimento de causa e mesmo assim falhou, ao invés de criticar quem caiu de pára-quedas. Não poupou críticas aos fariseus, mas nunca dirigiu uma maledicência a quem os seguia.

É dessa parcimônia que eu preciso – saber quem criticar, como criticar e em que momento. Pegar aquele entendimento de que o Espírito dá a cada um revelação suficiente para que a pessoa creia em Deus, e que essa crença se manifesta de diversas formas, e começar a engoli-lo. E tê-lo como verdade absoluta.

É ler Lutero dizendo que é melhor chamar algo demoníaco de divino do que chamar algo divino de demoníaco, e começar a fazê-lo. Modificar o direcionamento das minhas críticas, ser mais compreensivo. E conseguir resumir mais meus textos e pensamentos.

O que eu aprendi nos últimos dias.

Categoria: Opinião
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