Cheers

Tenho visto muita coisa andando por alguns becos desse país. Gravar o #NaEstrada durante essas viagens talvez tenha sido uma das minhas melhores ideias, quase tão boa quanto viajar. Já encontrei uma família inteira que acolhe viajantes pela sua cidade, encontrei excelentes amigos de alguns dias só e nunca mais verei, já encontrei coisas bizarras e me meti em muitas situações inusitadas nesse pouco mais de um mês que resolvi contar na internet o que tenho visto.

O que poucos sabem é que eu tenho uma gigantesca queda pelo Bragantino, desde o início dos anos 90, e nesse fim-de-semana tive a oportunidade de ir até Bragança Paulista, fazer uma prova de concurso público. O útil se juntou ao agradável e lá fui eu conhecer o Nabib Abi Chedid (ex e eterno Marcelo Stéfani para todo torcedor do Massa Bruta). Entrei no Restaurante, que tem vista pro gramado, além de fotos de momentos históricos, e fui dar a volta no Estádio, tentando arrumar uma forma de entrar nas arquibancadas quando vi que o portão que dava acesso ao gramado estava aberto.

Quando eu fui pensar, já estava lá dentro, pisando naquela grama. E isso só torcedor de futebol sabe como é. Pisar na mesma grama daqueles jogos que você viu, ou no meu caso, do interior de Minas, ouvi nos rádios pela internet, imaginando a torcida, os jogadores e todas aquelas bolas dos últimos anos que acompanhei.

Quando eu estava lá, fotografando, apareceu um senhor, com uma lata de Skol na mão e eu pensei “É agora que vou ser expulso”. Me aproximei dele, cumprimentei, e começamos a conversar. Contei a história da minha ida, sobre a minha camisa do Bragantino que tinha ficado em Campinas depois de uma chuva de granizo e ele me convidou para um churrasco que eles estavam fazendo ali, embaixo da arquibancada.

Ué, porque não? Afinal eu sou brasileiro, e convite para comer carne não se recusa nunca. Ou eu tô errado? Chegando ali, encontrei boa parte do corpo administrativo do Braga fazendo um churrasco, conversando, rindo, brincando, de um jeito que eu não vejo no futebol, mesmo no interior, há muito tempo.

Nenhum time que estivesse na posição do Bragantino na série B faria um tipo de churrasco daqueles, e acredito que em alguns que estão acima na tabela, cabeças estão rolando. Isso acontece porque os times grandes viraram reféns de sua própria grandeza – precisam apresentar ganhos, lucros, tabelas de crescimento e tudo aquilo que a profissionalização nos faz crer que precisamos; e, por outro lado, os times pequenos, quase sem exceção querem virar grandes.

O futebol deixou de ser profissional pra ser profissionalista. O futebol deixou de ser assunto discutido com um copo na mão e passou a ser discutido em planilhas, até mesmo para alguns torcedores. Uma derrota não é um acontecimento triste, uma derrota é um fracasso moral de todo o time e diretoria, e merece ser recompensando com sangue.

Reuniões de diretoria não são encontros de pessoas que querem encontrar um caminho para que vá levar a um futebol melhor, mas sim a um show melhor. As contratações não são uma busca por um time com mais qualidade técnica, mas por astros que são mais do que estrelas do rock.




E me peguei pensando nisso tudo entre uma carne e outra, entre uma risada e outra – e no fim, acabei ganhando o maior presente que um torcedor poderia ganhar. O que, alegria? Não, uma camisa oficial do Braga mesmo:

O sonho de um pequeno torcedor

Categoria: Opinião
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