Tombos fazem parte da vida, é o que todo mundo pensa, enquanto junta forças (e coragem) pra levantar do chão, sem olhar em volta, com medo dos outros rirem. Quanto pior o tombo, pior a nossa vergonha, como se houvesse algum problema em cair, ainda mais quando não estamos falando de uma queda física.

Acreditar demais em algo que desapareceu, ter esperanças destruídas, levar tapas na cara, frustrar-se consigo mesmo e pessoas à volta, com relacionamentos seja quais forem, não faz o menor sentido se envergonhar disso, por mais estranho que essa ideia pareça.

Se há um motivo para se envergonhar é de tentar se proteger, esconder seus defeitos e fingir que não quer nem precisa saber de ninguém, enquanto se morre por dentro. É melhor apanhar por se arriscar, do que viver na omissão do dia-a-dia.

Não se preocupe em cair, em se frustrar, em tentar explicar pra si mesmo o que foi que deu errado dessa vez – não se preocupe em tentar esconder dos outros como você fez besteira ou exatamente onde foi que tudo deu errado. Não tente criar conclusões enquanto ainda estiver no chão, no calor (ou frio) da situação.

Quando cair, concentre-se em levantar. Só nisso. Se reconstrua, jogue algumas coisas fora, pegue outras, troque, compartilhe, viva. Seja. Se concentrar em levantar vai muito mais além do que tentar dar um pulo, mesmo que todos que caíram junto com você já estejam em pé à muito tempo.

Leve seu tempo. Respeite seu corpo, suas dores. Não adianta sair pegando muletas ou se apoiar em outras pessoas se você chegou a quebrar algo – tome seu tempo. Por mais que os outros já estejam longe (provavelmente tentando passar de novo por baixo da cordinha, mesmo depois de cair), e estejam mais recuperados que você, respeite a si mesmo.

Nada pior que viver sob o paradigma dos outros – eu aprendi isso.

Os homens e seus tombos mágicos.

Categoria: Opinião
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