Eu não sei vocês, mas quando eu vou contar uma história que uma pessoa demonstrou uma coragem (ou covardia) além do normal, nível quase épico, eu não consigo muito bem descrever. Afinal, a história por mil motivos vai ficando mais neutra, sem tantas emoções e nem sempre a gente consegue dissertar momentos de tensão como Tolkien, e se perde falando sobre o verde das árvores ou como a água do rio corre diferente em Valfenda (assuma, você pulou pelo menos uns três parágrafos nessa parte).

É para isso, visando o bem comum, o sentido das suas histórias e a honra (ou desonra) dos personagens principais, apresento o ranking Abigobaldense de medidas de coragem, covardia, frangueza e coisas afins – um parâmetro tão justo e correto quanto um bêbado fazendo 4 pra esposa.

Biggles (Monty Python): No esquete Inquisição Espanhola (The Spanish Inquisition), o Cardeal Biggles confessa seus pecados quando a ameaça nem dirigida a ele era. No menor sinal de perigo (mesmo distante), seu instinto de sobrevivência falava mais alto. É aquele tipo de pessoa que vê um assalto no filme que está passando na TV e já morre de medo pelos personagens, ou que tenta ajudar o protagonista dos filmes de terror ‘Praí não, idiota! Olha pra trás, pra tráááÁÁIMEUDEUSPAI!’

Chunk – o gordinho de Goonies (Goonies): Afinal, quando você disser o nome dele, ninguém vai saber de quem se trata. Chunk, o gordinho de Goonies é um referencial quando se trata de medo, se assustando com qualquer coisa e confessando coisas inimagináveis no menor risco de perigo. Aquele amigo seu, que quando o monitor de pátio pega matando aula confessa até a pichação no banheiro anos atrás e o peido alemão naquela festa junina semana passada (aquele que todo mundo tinha acreditado que era o cara vestido de mala).

Morgan Grimes (Chuck): é o tipo mais comum – aquele cara que grita pro mundo inteiro que é corajoso, mas na hora que recebe alguma responsabilidade ou tarefa tenta desesperadamente se livrar dela, e na hora de fazer dá alguma cagada (ou recebe alguma ajuda) e consegue fazer tudo direito. Aí é hora de se achar de novo.

 

Coragem (Coragem, o Cão Covarde): o tipo contrário do Morgan. Coragem, o cão, passa os episódios inteiros com medo, dependendo da ajuda de um computador cínico pra fazer qualquer coisa, mas  no final, vai e dá um jeito, mesmo com as pernas bambas. É aquele cara que ajudou o Morgan, mas ninguém viu.

Papa Léguas (Papa Léguas): O papa-léguas é o cara que é bom e sabe disso – e passa perto do perigo só pra provocar. É quase um motoqueiro, que passa por entre os carros a 80 km/h, só pra sentir a adrenalina e se sair bem da situação, rindo de quem ficou com medo.

Eufrazino (Pernalonga): Pra quem não sabe era o pistoleiro que perseguia o Pernalonga em alguns episódios do desenho. Cheio de auto-estima e ansioso para mostrar do que é capaz, é aquele cara que se fecha em torno de seu plano e não vê o que está acontecendo à sua volta – até que é tarde demais e ele já se lascou. É muito barulho pra pouca ação, e muita preocupação com o ego, assim como todo dono de carro tunado.

Meriadoc Brandybuck (O Senhor dos Anéis): Meriadoc, ou Merry é um hobbit com apelido afeminado que cai meio de gaiato nas guerras da Terra-Média e de repente surpreende a todos durante a batalha de Isengard, conseguindo não só convencer os ents a os ajudar como a batalhar contra Saruman – acabando com um inimigo quase tão poderoso quanto Sauron (o original malvado da história). Merry é aquele cara que ninguém põe moral, até a hora H.

Tallahassee (Zumbilândia): Com certeza o melhor exemplo de coragem, sangue-frio e sanguenozói do cinema nos últimos anos. Sem os momentos de reflexão do Rocky, sem a maldade de todos anti-heróis ou o apelo emocional no meio das lutas com papos de “I’ll be back, baby”, o negócio de Tallahasse é alcançar o status de Morte Zumbi da Semana, de preferência conseguindo um ou dois Twinkies pelo caminho. Não tem como não gostar dele.

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Os níveis da (falta de) coragem

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