Nós não ensinamos os homens. Depois de rebater vários argumentos feminazis, de entrar em discussões que sempre achei sem nexo e relativizar muitas questões, cheguei à mesma conclusão que todas as feministas já chegaram:  nós não ensinamos os homens.

Foi a pesquisa “Chega de Fiu-Fiu” feita pela Karin Hueck, editora da Super Interessante, que me fez repensar um pouco e algo, que considerava exceção vi tornar-se a esmagadora maioria. Quem corre por aqui e pelo twitter já viu diversas discussões sobre a falta de postura dos homens, em relação, principalmente ao contexto evangélico e relacionamentos – mas mesmo assim, estamos falando de 20% do total de homens desse país – e mesmo nesse meio nós vemos abusos à torto e à direito cometido por membros que são abafados dentro da própria comunidade.

Se aos homens evangélicos falta iniciativa construtiva – no sentido de construir um relacionamento, de lidar com os problemas dele e de assumir suas responsabilidades, no homem-médio brasileiro não falta iniciativa destrutiva. O papo aqui nem é sobre relacionamento, responsabilidades ou cristianismo: é sobre vida mesmo.

Eu, pessoalmente, achei que quando o verbo pedreirar fora atribuído ao ato de mexer com desconhecidas todos nós (ou pelo menos a maioria de nós) já tivéssemos entrado em consenso que isso não se faz – apesar de todas implicações e generalizações más que isso traz com a classe dos pedreiros. Caso não tenha ficado claro, cantar, dar em cima ou elogiar desconhecidas não é algo agradável. Não deveria nem ser discutido isso mais.

Não é errado cantar uma amiga sua. Não é errado elogiar uma conhecida sua. Não é errado dar em cima de alguém. Claro que não. O problema é exatamente a contextualização da situação. Não é só com contextos literários que as pessoas tem problema, e não sabem interpretar um texto completamente – muitos tem problemas em contextualização social.

Mas por que exatamente pedreirar? Por que não lavrar, frentistar ou advogar? É simples: temos num imaginário social, o pedreiro como o nível mais baixo de moral – é aquele homem bárbaro, que anda sujo, não tem bens, ensino nem cultura. Ok, antes desse texto sair completamente do estilo de escrita do blog e recair numa vala de feminismo exagerado ou de politicamente correto (sobre o qual eu realmente acho que vocês deveriam ler esse texto), concluo: o pedreiro, assim como outros operários manuais, é aquele cara que não tem nada a perder.

Socialmente, ele não tem para baixo – tudo que vier é lucro. A figura do pedreiro, então, como aquele cara sujo, inconveniente e tarado é a visão que todo homem tem de seu próprio nível mais baixo. Porque mesmo que pedreirar seja o pior nível que um homem pode chegar, ele ainda é um nível tido como viável, dependendo das circunstâncias.

Ora, o que teria eu a perder ao elogiar uma garota bonita que passou por mim na rua? Nada, afinal, minha namorada, meus pais nunca saberiam – essa mina nem me conhece. Vai que ela sorri. O que teria eu a perder ao passar relando na guria no ônibus? O ônibus tá cheio mesmo, acontece, tô no lucro. Esse pensamento, meus caros, evolui.

Como uma mulher, indo sozinha do ponto de ônibus pra casa, à noite, se sente quando passa um homem e fala que delícia! (e olha que “que delícia” nem é tão mal visto assim)? Ela é um objeto pra ele – algo que ele gostaria de ter, que ele poderia ter se quisesse pra se satisfazer, e o que ela tem como garantia que aquilo é somente um elogio e ele não vai decidir que ele merece ter um pouco de prazer? Exatamente: nada. Por que? Porque ela não faz ideia de quem seja aquele cara.

O ser humano – e acrescento agora as mulheres nesse balaio – evoluiu? Nem um pouco. Fazemos o que é socialmente certo porque somos socialmente obrigados. E machucamos, exploramos e tornamos a vida para os outros o mais difícil possível o máximo que pudermos.

Afinal, para muitos homens, a mulher nada mais é que um cuspidor de esperma.

Pedreiragem: o homem que ainda não aprendeu a viver em sociedade.

Categoria: Utilidade Pública
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