As palavras sempre foram meu refúgio, meu livramento. Sempre fui covarde, e quando vi que estava perdido, fugi pro meu esconderijo. Foram nas maiores dores que escrevi os meus melhores textos. Foi nos momentos de mais agonia que eu expressei de uma maneira praticamente perfeita tudo o que eu queria, e foi em momentos como esse que eu encontrei pessoas que se sentiam assim como eu, e fiz as mais fortes amizades.

Quando comecei a sentir a agonia dos últimos dias, logo corri e comecei a escrever. Só que não contava que eu iria perder isso. Já era tão difícil conseguir escrever de modo a acompanhar meus pensamentos, que comecei a digitar. Digitar cada vez mais rápido, digitar num suspiro agoniado, que fazia o corretor do Word trabalhar de forma que quase travava o programa. Digitar sem pausa pra respirar, sem tempo pra olhar pontuações, sem ler o que saía. E apertar o enter para publicar, como dar a descarga e mandar toda aquela lista de pensamentos embora, para não sentir as náuseas que aquele fedor do desespero das minhas palavras me provocava.

Só que a vida tem todo um jeito trágico, se não fosse cômico de lidar comigo. E, ao mesmo tempo que me deu situações que me fazem desesperar para escrever e desafogar todo esse ímpeto de palavra que existem dentro de mim, me tirou, mesmo que temporariamente, a velocidade. Não estou só com a mão direita imobilizada. Eu estou sem a válvula de escape. E com pressão me apertando de todos os lados – não resta mais nada a não ser contorcer.

E tentar liberar tudo o que está em mim com o mínimo que eu tenho disponível. Quase nada. Uma medida inútil, desesperada. Mas é tudo o que eu tenho.

Perdi meu refúgio

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