Quem acompanha o blog e o meu twitter, viu algumas das críticas que eu fiz às campanhas eleitorais, à inefetividade de algumas ações e à permanência no mesmo bê-a-bá desde que alguém resolveu que santinhos eram uma coisa legal. Vários blogs, não só eu, falavam sobre utilizar os hotsites e os perfis no twitter como um grande panfleto online gratuito. E quais os problemas disso.

Inclusive poucos eram os que criticavam a Marina, éé, a #Marina43, que se tornou Santo Expedito da internet, servindo pra toda sorte de maledicências e amarrações; críticas essas que se tornaram verdade.

Agora, após a contagem dos votos, como a onda verde morreu na praia, boa parte dos analistas (my ass) web, já estão vomitando teorias e hipóteses sobre porque Marina, a salvadora dos excluídos e das minorias, ficou atoladinha nas algas (relembrando o melhor tweet, do @gusrezende “onda verde pra mim é alga”).

Culpam a imaturidade da internet atual, que não tem relevância social suficiente para alterar a realidade (tenho tanta preguiça dessa mania de chamar aquilo que está fora da internet como real; como se o virtual fosse algo paranormal). Justificam a sua teoria pelo aumento de votação em Marina, que provavelmente, sem a campanha virtual, não passaria dos 10% de intenções de voto, ou de voto de fato.

Ainda usam dados de pesquisas de intenções de voto, já que na USP, Marina levaria a faixa presidencial pra casa (se ela não ficasse presa nas sobrancelhas, naturalmente); já que a elite intelectual que domina a web e as ferramentas de mídias sociais.

BULLSHIT.

Marina não levou porque, embora tenha conseguido uma movimentação estrondosa na internet, principalmente no twitter, não conseguiu utilizá-la. Se não fosse A Marina, este seria o maior fail da campanha virtual brasileira, já que nela não se conseguiu tornar os apoiadores em cabos eleitorais efetivos.

Onda verde pra mim é alga

O Gustavo foi muito feliz nessa expressão. Porque alga é aquele negócio verde, grudento, nojento, que, bom, ninguém gosta. Tem gente que come, mas eu duvido que realmente tenha prazer nisso. É aquela coisa que você sabe que deve fazer bem, mas evita. Assim como a Marina.

Mas não é esse meu ponto principal. O meu ponto principal é o grudento e nojento. Impressionante como todos os Marinatards (os seguidores fiéis que não admitem haver falhas) despejavam frases de ódio aos carros de som, mas faziam exatamente a mesma coisa em sua timeline, retwittando frases prontas de campanha que deixavam muito mais a desejar que muito jingle que eu ouvi por aí.

“Votar na Marina é dizer que você tem cérebro, e usa ele”, foi um dos tweets mais repassados dessa onda verde.

O importante não é se foi uma campanha oficial, ou se foi criado por A ou B. O importante é: qual o conteúdo que essa mensagem leva? Nenhum. Quantas pessoas leram esse tweet e se convenceram em votar na Marina? … Quantas pessoas tomaram desgosto, e nojo da Marina e deram unfollow em várias pessoas por causa de mil frases como essa? Eu posso dizer que fui um.

Aí, surgiu uma coisa pior. Um twittaço. E não só isso: Marina convocou os seus apoiadores a participar do twittaço. São todos os apoiadores e Marina, retwittando a mesma mensagem para seus seguidores. Num post anterior eu disse porque odeio twittaços, e se você leu, e ainda gosta deles, você tem problemas. E não é probleminha.

Receber a mesma mensagem duas vezes, vai. Três, talvez. A partir da quarta, você se irrita. Mas receber pelo menos CINQUENTA vezes a mesma frase na sua timeline em um espaço de dois minutos é DETESTAVEL.

É nojento, porque você não suporta, é grudento porque você não se livra deles; resumindo: é um carro de som virtual.

Marina tinha a faca e o queijo na mão. Grande maioria da twittosfera a apoiava. Era questão de apenas trabalhar com essa maioria, só isso. É fato que o twitter é uma ferramente para debate. É fato que quem está no twitter está sujeito a entrar facilmente em uma discussão, e twitteiro ser convencido racionalmente em debate não é uma coisa tão rara assim – ainda mais com os argumentos e planos de governo do PV.

Mas… o que aconteceu? Uma vez que Marina tinha a maioria na twittosfera, ao invés de cabos eleitorais, de suportadores de campanha, o que se montou foi, no final das contas, uma torcida organizada. As pessoas, as mensagens não eram de campanha, eram de torcida.

E torcida de futebol não convence a outra a mudar de posição, por mais que o time adversário seja ruim.

Ih, rapaz! E o dinheiro?

Alvoroçados pelas verbas arrecadadas em doações provenientes do hotsite da campanha de Obama, todos os candidatos à presidência resolveram fazer uma boquinha na web. Todos. De Plínio à Eymael. O que não exclui nenhum candidato. Porque Obama conseguiu verbas e Dilma/Serra/Marina/[incluaseunomeaqui] não?

Novamente, mesma resposta. Porque a web nos EUA já estava madura e blábláblá. Conversa mole pra boi dormir – até campanhas que foram extremamente criticadas no próprio twitter, como os R$5 mil pra reforma da casa do Lucas Celebridade, fizeram sucesso. Esperavam juntar os 5 mil em um mês, juntaram o dobro em menos de dez dias.

Porque as pessoas doavam 5, 10 reais pro Lucas Celebridade, e não doavam pra Marina-salvem-as-sobrancelhas nem um barão?

Oportunismo. Os hotsites eram voltados para doação. Eram aquelas coisas cuti-cuti, pra que você, eleitor que sabe o que quer, não só votasse, mas ajudasse o Brasil a ser um lugar melhor.

E esse discurso, já cansou. Veja bem, o site de Obama, oferecia a oportunidade de você participar do processo, era um convite. Os sites brasileiros pediam a sua ajuda, quase clamavam por ela.

Em Obama, você acreditava na mudança, e queria estar lá quando ela acontecesse (ela aconteceria com ou sem você, veja só. Ela convocava aqueles que NÃO votavam em Obama, em votar e colaborar), no Brasil, você ajudaria a revolução. A revolução só seria capaz de acontecer, se você doasse o dinheiro, e sem o seu dinheiro, rapaaz, as coisas iam ficar pela metade. Você é importante para nós (já dizia a CTBC – tem alguém que acredita nisso?). Os hotsites de campanhas brasileiras foram criados para você que já apóia e já definiu seu voto. Não pros 30% de indecisos das primeiras campanhas eleitorais. É pagar pra ter aquilo que já é seu.

Deste modo, os hotsites, aliados aos perfis no twitter, ao invés de aproximar o candidato dos eleitores em geral, afastaram os candidatos do eleitorado geral, isolando-o numa redoma com seus seguidores/eleitores/fanáticos.

E, ter à sua volta só aqueles que te apóiam, que não te criticam, rapaz, isso é problemático. Por isso, 100% dos candidatos e dos analistas (your ass) web contratados pelos candidatos, estavam 100% confiantes que iriam ser eleitos.

Política – você está fazendo isso errado (I – Redes Sociais)

Categoria: Opinião
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