Eu já falei algumas vezes que não gosto de misturar política com religião, e que tenho alguns pés atrás (não são só um ou dois) com candidatos evangélicos, ou pior: missionários que se candidatam, deixando o seu chamado evangelístico de viajar pelas nações em segundo plano. Mas fazer o quê, cada um tem a sua opinião e o mundo segue em frente – só devo discordar novamente de quem diz que é necessário ter um evangélico no poder para garantir nossos direitos e ajudar a igreja, e a história e a própria bíblia colaboram contra isso.


O negócio é que ser um político cristão, e agora estou falando em um político eleito, independente da campanha que você tenha feito, significa, necessariamente ou que você é um péssimo político ou que você é um péssimo cristão. CALMA, CARA. Antes de me xingar e comentar dizendo que parou de ler aqui, force um pouquinho o seu cérebro que ele pega no tranco, pra você poder discordar de mim com argumentos.

Primeiro porque ser representante do povo é diferente de representar uma classe específica – por exemplo, o cargo de vereador existe para fiscalizar, reger e cuidar do bem público, dentre outras maneiras, legislando assuntos de interesse local. Sim, é claro que um vereador cristão está duplamente legitimado (pelo seu cargo e sua religião) a colaborar com os mais necessitados, a buscar maior justiça social e zelar pelo bem comum. O problema do bem comum é que ele pode, e muitas vezes vai contra os interesses da igreja.

Fazer um show evangelístico é legal, é bacana, a igreja quer, mas não é toda a sociedade que apoia – poxa, vereador, tá sendo contra a igreja? Por outro lado, usar a sua influência como político para conseguir um local pra fazer show, utilizar recursos públicos, descolar uns alvarás aí, é ser um péssimo político, que usa a máquina pública em interesse próprio. Com prefeitos, piora – e a cada nível hierárquico da política, concessões em nome da igreja ou em nome do cargo terão que ser feitos.

A Igreja não precisa de ter quem a defenda na política e não tem interesse algum que seja relevante para o Estado proteger. A Igreja não precisa de recursos públicos pra fazer o bem (fazer boa ação com dinheiro dos outros é mole, né, qualquer ONG que pega recurso público faz). A Igreja não precisa ter alguém pra sobreviver, conseguindo alvarás à torto e à direito pra ficar mais confortável em seus processos.

Na verdade tudo isso acaba matando a igreja. Pense antes de votar num político cristão. Pense antes de apoiar um candidato evangélico – você pode estar matando sua igreja, não ajudando-a.

Político cristão?

Categoria: Igreja
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