Hoje o post pode ser um pouco maior (sim, maior) do que vocês estão acostumados, e talvez um pouco mais chato, embora eu ache um assunto mais empolgante. Depois que o PSC foi presenteado com a Comissão de Direitos Humanos, eu fui conversar com algumas pessoas, dentre elas o sempre saudoso Paiva, e comecei a me preocupar um pouco mais com o paradigma político para 2014.


Preocupar não seria bem a palavra certa, está mais pra desesperar – racionalmente falando. Bom, está claro pra todo mundo a força que os evangélicos têm, ou pelo menos o fascínio que eles exercem sobre os políticos. Alianças foram costuradas em 2012 à torto e à direito, no maior voto de cabresto que já se viu com alguma classe (eu realmente não sei porque evangélico gosta de ser tratado como classe, mas tudo bem), e chegamos em 2013 com ela totalmente dividida em alguns fronts.

Podemos pegar aqui os maiores (e, portanto, que vão ter maior atenção não só da mídia como do povo) e que são os que vão acabar movimentando e levando os outros grupos menores – importante lembrar que, embora cheios de diferenças entre si, alianças entre igrejas evangélicas não são raras de acontecer para atingir um objetivo específico (ETA galerinha cheia das estratégias).

Já envolvidos fortemente na política nós temos três grupos: O de Bolsonaro (PP – diz ser católico, embora não frequente nenhuma instituição depois de 10 anos como batista, e mantenha uma forte base evangélica conservadora); o de Marcos Feliciano (PSC – pastor da Igreja Catedral do Avivamento); e de Silas Malafaia (a grande incógnita da vez, que não participa da política, mas apoiou Marina Silva em 2010, depois Russomano e Serra em 2012 nas eleições de São Paulo e – eis aí um fator interessante, Ratinho Jr. em Curitiba, candidato pelo PSC, isso mesmo, o do Feliciano).

Alguns estados tiveram uma pulverização maior nas igrejas – [a Batista da Lagoinha teve -ignorem, interpretei o texto errado e a IBL nada tem a ver com essa história] a Aline Barros apoiando o Eduardo Paes, numa parceria inédita com Silas Malafaia (PMDB-RJ), enquanto todo o resto neopentecostal (Universal, Internacional e Mundial apoiaram Marcelo Freixo, do PSOL). A salada no Rio piora quando a gente lembra que Anthony Garotinho, presbiteriano é uma figura política importante na cidade, e apoiou o Rodrigo Maia (DEM).

Vamos pra um meio mais nacional? A Frente Parlamentar Evangélica, do Congresso Nacional, tem, segundo suas próprias contas, 56 parlamentares. Deles, 11 (20%) são do PSC, 9 (16%) são do PR, 8 (14%) são do PRB e o resto de vários partidos: PTB, PRTB, PMDB, PSDB, PDT, PSL, DEM, PP, PV, PSB e PT. Nessa contagem estamos falando em membros/pastores das igrejas Metodista, Presbiteriana, Assembleia de Deus, Maranata, Internacional, Mundial, Universal, Nova Vida, Cristã Evangélica, Brasil Para Cristo, Quadrangular, Sara Nossa Terra, Catedral da Fé, Shamá e Cristã do Brasil. São 15 igrejas espalhadas em 14 partidos diferentes, apenas no cenário mundial – e a única com unidade partidária é a Universal, no PRB.

Como vocês podem imaginar, quando três denominações que vivem se atacando (Universal, Internacional e Mundial, uma filha da outra, praticamente) se reúnem para um objetivo comum, tá na hora de querer entender mais ou menos o que tá pegando. Dentre as causas defendidas pela Bancada Evangélica, encontramos:

  •   São contrários à ampliação das hipóteses legais de aborto;
  •   São contrários ao casamento entre pessoas do mesmo sexo;
  •   São contrários às tradições católicas no país (inclusive o Sr Bolsonaro, que se diz católico);
  •   São contrários à fidelidade partidária;
  •   São contrários à especificação dos tipos criminais relativos à homofobia;
  •   A Bancada Evangélica do DF instituiu o Dia do Evangélico
  •   A Bancada Evangélica de SP impediu criação de locais para prática umbandistas perto dos cemitérios
  •   A Bancada Evangélica de MS luta contra o reconhecimento de utilidade pública da Associação de Travestis de Mato Grosso do Sul.

Só ideia boa, fala sério. Pra melhorar, o Gospel+ ainda nos brindou com o fato de que mais da metade dos membros da Bancada (ou Frente) Evangélica têm processos pendentes na Justiça, com acusações que vão desde estelionato, fraude nas prestações de conta de campanha, compra de votos, corrupção eleitoral, improbidade administrativa, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, abuso de poder, crimes contra o patrimônio genético e peculato.


Só nego gente boa participando dessa bancada, é a turma que você queria sentar no recreio da escola, pode falar.

Ok, as coisas tão más: e o prognóstico pra 2014? Tá ladeira abaixo. As perspectivas pras próximas eleições estavam no fundo do poço e encontraram a porta para o porão. O problema das eleições de 2014 é que elas são proporcionais – para deputados e senadores, assim como para vereadores, não se vota necessariamente no candidato, mas no partido.

São 14 partidos que fazem parte dessa quizumba chamada Bancada Evangélica – e os que estão lá tem preferência pra continuar, essa é a pegadinha da história. Cuidado com o seu voto em 2014 – você que defende os interesses da comunidade LGBT, você ateu, até mesmo você católico. Você evangélico que não tem as mesmas ideias descritas lá em cima: você tem um papel primordial nessas eleições – você PRECISA alertar aqueles que acham que ter um evangélico no poder é melhor do que ter um administrador.

Tudo indica que em 2014 a bancada evangélica vai aumentar, e é bastante improvável que não aumente, até pela quantidade de partidos envolvidos, dos mais diferentes ideais. Gente, pelo amor de Deus, parem de assinar petição no Avaaz pedindo pro Renan Calheiros se voluntariar a sair, parem de assinar petição pro Marcos Feliciano não assumir a Comissão de Direitos Humanos, e pelo amor de Deus, comecem a cobrar das pessoas nas quais vocês votaram (e nas que não votaram também) por uma postura melhor.

Caras, não é muito difícil. É só participar do bagulho que dá certo. Eu tenho fé. Tenho mais fé em vocês do que na Bancada Evangélica.

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Prognóstico Evangélico para as Eleições de 2014. Estamos lascados.

Categoria: Opinião
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