Vamos recapitular um pouco. O Movimento Passe Livre puxou atos contra o aumento na tarifa de algumas capitais, principalmente Rio-SP. Em São Paulo, até quinta feira, o normal de sempre – até que veio a pancadaria da Polícia. De repente, todos os jornais estavam a favor do movimento: a polícia militar bateu primeiro, sem provocação. Isso foi manchete na Folha, na Globo, GloboNews, Band, Record, só não foi no SBT porque eles tavam ocupados passando Chaves.


Putz, a mídia estava falando uma coisa em favor dos manifestantes. Datena e Marcelo Resende vociferavam contra a PM que eles sempre defenderam. A partir daí já começaram os conspiracionistas (mas isso fica pra outro post).

Com a convocação geral, o anúncio era Não são mais 20 centavos. É a nossa liberdade que estão querendo tirar. É contra um Estado que violenta quem protesta pelos seus direitos. É contra uma PM que bate antes de perguntar – isso é o que foi defendido em TODAS AS REDES SOCIAIS.

Aí as manifestações pularam de 100 mil pra 500 mil pessoas – óbvio, MPL já não tinha mais controle. Era uma coisa linda, pessoas todas juntas, insatisfeitas, demonstrando que não era mais legal aquilo que tava rolando – isso segunda feira. São Paulo tomou 3 pontos vitais da cidade, e ninguém iria nos parar.

Eram milhares de pedidos, de pessoas desesperadas. Cada um esteve lá com um propósito: demonstrar a sua insatistação com o jeito que as coisas estão.

Minha opinião: a população não precisa chegar com propostas prontas pro Governo. Quem tem especialistas, quem tem uma rede de estudos e tem todos os dados são os governantes, não a população.

A partir daí, começaram a criticar o movimento: falta foco. Marcelo Resende começou a defender essa falta de foco, porque unia as pessoas. O ideal não era mais vinte centavos. Era toda uma vida, toda uma estrutura estatal que precisa ser mudada. E a população não tem os dados suficientes pra mudarem isso.

Estão pedindo por liderança: deixa eu te contar – é exatamente por existirem lideranças que os Partidos e as instituições dos anos 90 estão sendo escurraçadas das manifestações. Líderes transformam as propostas em taxativas, e tornam a manifestação proibitiva a algumas pessoas. E é isso que está começando a acontecer.

Democracia nos anos 2000 é uma democracia líquida. São pessoas exigindo seus direitos e um governo justo – e os governantes precisam saber balancear esses direitos para satisfazer a todos. Não é a sociedade civil que precisa organizar as melhorias a serem realizadas. É o governo.

Novas lideranças vão trazer de novo a responsabilidade de pauta para a sociedade, e essa pauta vai novamente causar divisões, cessões e a morte desses movimentos: assim como a reforma agrária, assim como a CUT, assim como o próprio PT. Vamos mesmo repetir a história e pedir por liderança e foco?

[Protestos no Brasil] Formação de lideranças e pautas

Categoria: OpiniãoProtestos Brasil
119 views