Sexta passada eu estava em Recife, em uma das coisas mais bonitas que já participei, durante a minha vida. Há exatos sete dias, eu pisava em Recife Antigo, pra conhecer toda a cultura e animação que a cidade promete a todos os visitantes. Não era uma sexta de feriado, nem estávamos em alta temporada – muito pelo contrário, no auge do inverno pernambucano, estavalam 25º nos medidores de temperatura, e os ventos faziam os habitantes tremerem, se perguntando porque não levaram casaco (sim, assustador isso).

Multiculturalismo igual eu nunca pensei imaginar, só mesmo da Manguetown, terra que Chico Science uniu maracatu com rock, pra existir. Em pouco mais que cinco quarteirões, palcos nas ruas disputavam atenção do público – enquanto rolavam músicas ao vivo em barzinhos e ainda tinha espaço pra balada.

Só de caminhar por aquelas ruas, você via o aniversário de um motoclube, ao gostoso som da Radiola, que tocava Rock Clássico (de Deep Purple a Pink Floyd), um metal quase melódico, algumas rodinhas de samba e pagode, o baile funk que rola no segundo andar (onde mulheres entram de graça a noite toda), um tributo a John Mayer e Janis Joplin, um DJ residente em um quase pub e é claro, o clássico maracatu.

Grupos iam de palco em palco, de bar em bar ouvir um pouco de cada, e participar de tudo – desde hippies com pupilas dilatadas participando de rodas de mosh até metaleiros de coturno tentando dar alguns passos ao som do reggae, eu vi de tudo nas poucas horas que o meu cansaço me permitiu ficar bem-humorado.

Legal, bacana. Porém com um lado negro bem forte. Não é nem da bebida generalizada, ou das pegações entre casais. Mas parece que com toda a leveza, a flexibilização de estilos musicais e de culturas, o bom-mocismo, muita coisa se perdeu, muitos limites básicos. Carros que passavam raspando nos pedestres que andavam pelas ruas (que não sei porque não estavam fechadas, já que tinham palcos e mesas de bares no meio do caminho), todo tipo de droga passando, sendo oferecida e consumida sem o menor pudor e – sei lá. Acho que sou meio velho pra esse tipo de coisa.

Nunca vi um povo que fuma tanto (cigarro mesmo, além de derivados ilícitos), em tão pouco tempo. Vi um grupo de quatro pessoas terminar um maço inteiro em pouco mais de 3 horas, e alguém sair pra comprar outro. Todos fumam, em Recife, a toda hora. É uma pena.

É uma pena porque toda aquela alegria, a agitação, o multi-culturalismo, a efervescência de Recife fede. Fede a cigarro.

Recife Antigo – cultura, alegria e cigarros.

Categoria: Opinião
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