Não sei se você lembra bem os fatores que te levaram à conversão – muito menos se as suas lembranças tem algo a ver com a verdade dos fatos (muitas vezes nossas memórias se confundem com nossas fantasias), mas raramente, nas conversões e entregas, um só fator é responsável por todo o processo.

Foi no mínimo um conjunto enorme de coisas que não só nos deixaram em dúvida de tudo que acreditávamos, mas nos deu certeza que tudo aquilo não poderia ser só mais uma coincidência da vida, ou que era alguém tirando um grande sarro da sua cara. Não foi simplesmente uma bíblia aberta no Salmo xis da conversão, ou uma oração forte durante a ceia de natal.

Claro, nas horas certas isso faz toda diferença. Um abraço, um carinho, um conselho, ver uma dinâmica familiar legal, uma pessoa que não se contenta em oferecer o mínimo, ver como as pessoas conseguem se preocupar uma com as outras de uma forma até meio constrangedora – ter uma reflexão sobre o que queremos ser, o que temos que ser e qual nosso papel por aqui; querer ser melhor do que o fracasso que somos e poder sentir o alívio de estar participando de algo que não é só o que tá à vista de todo mundo.

Conversão é fruto da revelação. É fruto de um processo de quebrantamento interior que cada um sente (e passa) de uma maneira diferente – de frustrações, de decepções, e cansaços e de desesperos único. Não foi uma pregação que converteu uma multidão. Mas foi o contexto dela, onde estávamos e o que estava acontecendo à toda nossa volta.

Se a nossa conversão não dependeu de uma só pessoa, porque quando já passamos por tudo aquilo, começamos a cobrar dos outros a conversão de seus amigos e familiares? Por que de repente aquele processo que passamos, aquela confluência de fatores se torna um número numa tabela de eficiência? Por que o processo dá lugar ao resultado? Por que a confluência de fatores dá lugar à responsabilidade moral do cristão pelo sangue dos seus conhecidos?

Nunca vou conseguir entender o que se passa na cabeça daqueles que querem enfiar o Espírito Santo pela goela das pessoas à sua volta, como se a resposta estivesse na pílula colorida de Morpheus, e não no processo que motivou a escolha pela Verdade.

Revelação

Categoria: Igreja
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