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Mentiram para nós. Eu vejo agora e é como se estivéssemos olhando alguns anos de mentiras. Nós não somos nada. Não somos geração alguma. Deus não nos separou para conquistar o mundo, e Ele não reservou nenhum propósito dançante ou cantante. Não somos nós que vamos celebrar a glória ou vê-Lo saltando pelos montes para trazer os novos tempos. Não somos nós que vamos conviver com o reinado da besta, seja através de chips ou de códigos de barra implantados na nossa mente.


Não fomos nós que causamos a perdição, e não somos nós que traremos a salvação para toda a Terra. Lembra daquela conversa de “você é especial?” Não, você não é. É como qualquer outro, de Sete a Salomão, de Davi a Nicodemos. Você não vai comandar o Exército dos Exércitos ou advogar pela Salvação. Do jeito que lá vai, nem escudeiro de um soldado raso nessa guerra espiritual você vai ser.

Acostume-se com isso. Engula a verdade ao invés de se apegar às mentiras que têm nos sido enfiadas pela garganta nos últimos anos. Não vivemos tempos triunfalistas. Não somos o primeiro nem o último ano da seca ou das vacas magras. Estamos bem ali, no meio, onde ninguém lembra.

Somos uma daquelas gerações de Números ou de Deuteronômio que as pessoas insistem em não dar importância. Somos parte daquele povo que maldisse o próprio Deus enquanto caminhava no deserto, a despeito de toda a Glória nos nossos dias. Maldizemos o sol, embora ele seja a esperança de uma nova vida. Amaldiçoamos o calor, por mais que ele nos traga o caminho. Praguejamos contra o frio por mais que ele nos lembre do nosso foco. Se formos uma geração, somos uma geração inteira de Nínive, que não vale a pena salvar.

Estamos perdidos, e nos agarramos desesperadamente a uma crença de que estamos perdidos por algum motivo especial, fora a nossa própria torpeza. Vivemos como marionetes, comemorando anos de vida e fingindo que não estamos abraçando desesperadamente nossas teologias de libertação e consagração, como se elas se diferenciassem de qualquer outra brisa refrescante de doutrina velha com cara de nova.

É como se tivéssemos um ar-condicionado que só funciona a ventilação e fingíssemos pra nós mesmos que é pra isso mesmo que ele serve. Mas não é para isso que Ele está aqui. Não é para nos fazer ricos, nem para trazer dinheiro ao pobre. Não é para que sejamos felizes ou tenhamos um propósito de vida, como tanto sonhamos com viagens épicas ao Santo Graal da Verdade.

Se na Idade Média sonhavam com uma Verdade contida num cálice de ouro, hoje sonhamos com uma Verdade contida numa felicidade, num propósito que seja tangível – e estamos tão errados como sempre estivemos, desde que Moisés recebeu as leis até o surgimento de um cara que descobriu que era Deus porque sentiu que ele estava falando consigo mesmo durante uma oração.

Somos medíocres. Normais. E quanto mais cedo percebermos isso, melhor para a Igreja de Cristo.


Sabe qual a unção especial derramada para essa geração?

Categoria: Igreja
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