A terceirização sempre foi um tema bastante espinhoso nas discussões sociais. Embora bem embasadas na teoria de gestão, afinal de contas, terceirização teoricamente implicaria na entrega de uma função para um terceiro tecnicamente mais preparado para exercê-la, descentralizando a gestão e tornando-se menos burocrático, na prática essa descentralização traz mais problemas do que soluções. Porém, grande parte dos problemas trazidos pela terceirização não são frutos da prática em si, mas são reprodução dos mesmos problemas encontrados em funções que não-terceirizadas.

A terceirização é largamente aplicada para enxugar a folha de pagamentos (e dividir responsabilidades) da empresa, isso é claro. Contratar um escritório de contabilidade, em vez de empregar um contador. Contratar um escritório de advocacia, no lugar de assumir os vencimentos salariais de um advogado. Contratar uma empresa de limpeza. De segurança.



Isto não quer dizer que o trabalho será precarizado – embora essa seja a grande realidade atual – mas se observarmos de perto, o trabalho é, e tem sido cada vez mais, precarizado independente de terceirizado ou não. É complicado falar em caracteres gerais sobre como o trabalho vem sendo precarizado quando até pouquíssimo tempo atrás – dois anos – o pagamento do FGTS de trabalhadores domésticos não era obrigatório.

Quantos funcionários conseguem fazer a hora de almoço? Quantos saíram do emprego para descobrir que nunca tiveram seu FGTS depositado? Quantos marcam corretamente as suas horas-extras e cumprem o limite de horas extras permitidos? Quantos vendem apenas o permitido pela CLT de suas férias? Ou desligam os celulares e não entram em regime de plantão resolvendo pequenos problemas durante a noite e finais de semana?

Vou lhe dar uma dica: não são apenas os terceirizados. Como no texto anterior, o problema continua sendo a cultura de empreendedorismo no país. Seja contratado via CLT seja terceirizado, o trabalho é precário. A terceirização, ao contrário do que muitos afirmam, não é um instrumento de precarização.

Arrisco ainda a fazer uma pequena previsão: para terceirizar a operação, o chão de fábrica (que supostamente serão os maiores atingidos, segundo a propaganda partidária), os gigantescos conglomerados não vão realizar contratos individuais com cada um dos milhares de funcionários de cada uma – ou você vê universidades, shoppings e eventos contratando individualmente vários seguranças e vários agentes de limpeza?

Não – havendo a terceirização da operação, serão contratadas grandes empresas que fornecerão milhares de funcionários. E me chame de louco, mas para realizar as operações nos maquinários são necessários alguns dias (meses?) de treinamento – acho bem difícil existir uma rotatividade alta ou contratação por diária que já não aconteça atualmente.

Lutar contra a precarização do trabalho é necessário, é premente. Mas ela já está aí, com ou sem terceirização.



Se a terceirização fosse boa – Precarização do Trabalho

Categoria: Terceirização
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