Desde ali o começo dos anos 90, quando cresceram as igrejas baseadas em lideranças únicas ainda vivas que começaram a se envolver mais com a comunidade na qual estavam inseridas, o evangélico começou a ter uma ou outra cara os representando. Não por uma votação, mas por uma participação mais ativa, que ia totalmente de encontro com a maneira de se fazer igreja até então.

Com o avivamento, veio a hiperatividade e o impacto na sociedade – de repente caiu a ficha de que a igreja não deveria ficar só entre quatro paredes nos sábados e domingos, mas que deveria fazer algo no resto dos dias, além de trabalhar, estudar e dormir. E aí essas igrejas baseadas em apenas uma figura tornaram-se referencial dos novos evangélicos, e essas pessoas os representantes naturais.


Temos aí Edir Macedo, R. R. Soares, Valdomiro Santiago, René Terra Nova, Silas Malafaia e uma galera que começou a despontar com seus ministérios atuando de uma forma na sociedade que nunca tinha sido visto alguma religião fazer em terras tupiniquins. Com exposição em mídia, com agitação em eventos, com congressos, passeatas e manifestações que quebraram o conceito antigo de tradicionalismo aos quais os evangélicos ainda eram vistos (sim, houve uma época que ser evangélico significava ser passivo a ponto da omissão).

E surgiram os vários representantes do povo evangélico e do Brasil Cristão – a entrada na política é uma evolução natural para um povo que acabou de se reunir com interesses em comum.

Interessante, evolução, natural, faz parte, e hoje mesmo essas mesmas lideranças são motivos de crise dentro desse povo que se via como (ou agia como se fosse) um só. E aí hoje os evangélicos reformados, neoreformados, vendo essa crise e se sentindo mal-representados, tentam desesperadamente juntar-se em um grupo para levantar novas lideranças que as representem melhor.

Representantes estes que serão tão bons quanto o Silas já foi, aclamado em mesas de suco e de refrigerante por todo o país, por tatuados e por usuários de gravatas. O problema é que não perceberam que o problema não eram os líderes antigos, e esses mesmos problemas vão se repetir. O problema é levantar representantes, como se fossem um padrão a se seguir, ou um padrão do que se é.

Se houve uma coisa que o povo judeu não aprendeu durante toda aquela viagem que foi o Antigo Testamento, que os Apostólicos Romanos não entenderam e que nós Protestantes ainda não conseguimos sacar é que a representação não só é desnecessária, como atrapalha.

Os evangélicos não precisam de representantes melhores de sua fé. Os evangélicos precisam se representar melhor, individualmente. Não precisam levantar novas figuras underground, emergentes ou neoreformadas. Precisam ser melhores, e cobrar de si mesmos e uns dos outros posturas melhores – para que individualmente, esse esforço faça a diferença, de um em um, e assim como o Evangelho no primeiro século, esse vírus contamine indivíduo a indivíduo, formando um corpo só.

Sem mais representantes evangélicos, por favor.

Categoria: Igreja
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