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Com a maturidade, o crescimento, ficamos racionalistas (racionalistas, não racionais). Tentamos justificar e agir da maneira racional, buscando respostas neutras e justificativas que nos deem base para andar com pés firmes, sem medo de cair.

Na dúvida, muitas vezes, nos calamos – é preferível manter-se calado a falar alguma besteira, a sociedade (e as redes sociais) nos ensina isso. Questionamos as bases de tudo. Se alguém foi preso, não queremos saber da vida da pessoa, do porquê ela poderia ter feito isso, qual o impacto para os seus dependentes (se é que tem) dessa prisão – só perguntamos: a prisão é justa? Se sim, ignoramos todo o resto da vida da pessoa, para o nosso próprio bem eles dizem.

Se, dentro do contexto religioso, alguém (Deus me livre!) peca, antes de saber algo sobre o que ela fez, antes de procurar lembrar do que a Bíblia diz acerca de pecado, vida e salvação, nos afastamos e ficamos extremamente frustrados com esses pecadores que estão no meio de nós.

Se uma pessoa se suicida, é mais fácil balançar a cabeça e dizer que ele era fraco ou covarde do que tentar entender a nossa omissão enquanto ela pedia desesperadamente por socorro, ou mesmo o que se passava entre um distúrbio psicológico e outro.

Somos muito absolutistas. Vemos o mundo em preto e branco, e se algo aparenta ter traços de cinzento, jogamos na vala comum do erro (seja o erro preto ou branco). Não gostamos do que nos traz dúvida, ou de quem traz a dúvida. Não gostamos de questionamentos levantados, nem daqueles que tem a ousadia de pensar diferentemente – a esses, o fogo do inferno da justiça divina.

Somos convencidos a conviver com uma dualidade entre justiça e misericórdia divina, como se fossem dois fatores independentes (Deus é bom mas é justo), sendo que a Justiça de Deus é boa – e misericordiosa.

Nos fortalecemos todos os dias para avaliar uns aos outros sob nossos critérios absolutos. E ai de quem errar conosco. E ai de  quem ser como nós, falhos e ignorantes.


Somos racionais, somos ignorantes.

Categoria: Opinião
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