Estava dormindo, quando acordei assustado
Não queria acreditar no que tinha sonhado
É que não sei se foi como uma premonição
foi como ver meus medos numa revelação

Eu vi igrejas fechadas, celebrando a glória
vi pessoas andando perdidas, mundo afora
Gritos de ódio saindo dos slogans de amor
hipocrisia se revelando com todo esplendor

Estive num grupo de oração
sem uma palavra de perdão
Passei até por manifestação
toda de caras de reprovação

Em todas aquelas casas com o sinal da cruz
Jesus encarou pecado onde devia haver luz
Aqueles quarenta dias sem ter nenhum pão
eram desperdiçadas em mesas de perdição

Participei de louvor ungido
passei a mão no óleo vivo
Fui em cultos de consagração
neles não ouvi dizerem não

Prédios construídos todos cheios do poder
poder daquele que dizem que ninguém vê
Os cegos guiados por quem diz o conhecer
ignorantes de tudo aquilo que é o real saber

Estive na mesa de uma nova inquisição
o diabo e as testemunhas de acusação
trocando suas farpas com aquele varão
O mesmo que não quis abrir a sua mão

Ternos, trajes, todos na última moda
o reflexo de uma vida que se enrola
As marcas do peixe gospel brilhante
grudada na lataria do carro possante

Pobres sobrevivendo sem amor
abandonados junto com sua dor
A prostituta correu com temor
Da revolta dos justos do Senhor

Tudo isso foi nos meus sonhos que eu vi
Mas não sei acordar, não sei como lutar
Me parece que, na verdade, eu não dormi
Mas, no fundo, a verdade foi que eu nasci

 

Sonhos de um profeta

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