Já martelava a vovó, há muito tempo: Essa, essa é uma geração perdida. Colocava a culpa na música. Essa batida sem sentido, esse tumtumtum que dói na cabeça da gente, estraga os neurônios. Na letra delas, talvez. Não há mais o menor sentido, cadê a poesia do Caetano, do Chico? Não se vê mais uma música que todo mundo ame, mais. Ou as roupas Esses pedacinhos que as meninas chamam de roupa, dá pra ver tudo – e essas calças que os meninos usam nos joelhos? Tão pensando que é caneleira, é? Ou a falta de vergonha, mesmo. Todo mundo beija todo mundo, é uma pegação geral, eles transam como se fosse tão comum quanto dar bom dia. A grosseria, quem sabe? Esses jovens não têm respeito, ficam os panguás tudo sentado, com uma senhora idosa, em pé no ônibus, é um absurdo!


De todos os culpados, sempre há um fator comum, sem dúvidas: a geração está perdida pela falta de apego ao tradicionalismo. Mas será mesmo que é por falta de tradição que estamos perdidos? É provável mesmo que com um pouco de apego ao tradicional, todos os nossos problemas estivessem resolvidos?

Eu acho que não.

Na verdade, eu até concordo em parte. A grosseria, a falta de conteúdo, a falta de vergonha, tudo isso pode ser resumido em um só fator: falta de educação. Tem um cara que martela isso desde o começo da década de 90. A educação, aquela vem de casa. Até a própria vovó sabe que os meninos de hoje são mal-educados – uma questão de deficiência mesmo.

Mas porque, de repente, parece que quase todos os pais do mundo, não souberam educar uma criança? Porque, se a grande maioria dos jovens estão perdidos, a grande maioria dos pais não soube, ou não teve como educar seus filhos?

Será possível mesmo que uma geração INTEIRA de pais foi incapaz de educar? Eu digo que sim. Uma geração inteira de pais, que viveram numa época ímpar no mundo: a dos workaholics. Uma geração inteira de pais, que viveram numa época que o trabalho, o dinheiro, as conquistas financeiras, eram mais importantes que os relacionamentos.
E foi nessa época, que instituições familiares, como o casamento, ruíram. O casamento caiu por terra, o relacionamento com os filhos caiu por terra.
Uma geração de pais que buscou dar aos filhos o sustento financeiro, com medo da crise, e deixou pra segundo plano o sustento emocional – e não viram a crise maior ainda que se aproximaria.
Hoje, a pior crise da atual geração, não é a crise financeira. Pessoas ainda morrem de fome, mas os abismos sociais não mudaram tão fortemente – na verdade, pouco mudou, na esfera financeira. Aqueles que se mataram de trabalhar, continuam ganhando o mesmo que estavam, e, embora alguns tenham mudado de vida, entrado na classe média, não são felizes.

Porque, a crise financeira, foi evitada. Mas se abriu espaço pra crise moral.
Uma crise, que é pior do que qualquer uma que já se imaginou.

Para onde vamos? – E se for de São Geraldo, eu não vou.

Categoria: Opinião
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