Um Momento pode Mudar Tudo, cartaz
IndicaSanto

No IndicaSanto de hoje Marina Batista traz pra gente o filme You are not you (Você não é você, ou com o título em português, Um Momento Pode Mudar Tudo). Dirigido por George C. Wolfe, foi lançado em 2014 e é a história de uma improvável amizade que surge entre Bec, uma universitária de vida conturbada, e Kate, que tem de uma doença terminal (ELA –  Esclerose Lateral Amiotrófica).

Parêntesis: a própria Marina, neste Moments do Twitter, mostra como a pessoa com deficiência é marginalizada até mesmo em assuntos como abusos sexuais, conforme mostrou reportagem da Folha.



Marina, que tem AME (Amiatrofia Muscular Espinhal), bate um papo com a gente sobre a deficiência física e como os relacionamentos de amizade e familiares acabam sendo desgastados pelo próprio dia-a-dia, e mostra como o filme traz uma série de cuidados e até mesmo a questão da escolha da pessoa com deficiência de definir o seu futuro.

É uma coisa meio que cultural nossa acreditar que todo mundo é obrigado a fazer tudo pelo deficiente. E não é (Marina)

Sobre a convidada:

Marina BatistaMarina Batista é especialista em Design Estratégico de Marcas, twitteira e criadora do site Rodando Pela Vida. Tem vários espaços de interação com o público nos quais tira dúvidas sobre deficiência física e ELA.

Links:

Twitter, Rodando Pela Vida, CuriousCat.

 

 

 

 

 

 

 



IndicaSanto

OPA! Chegamos em um especial!

O IndicaSanto de hoje, além de ser muuuuuuuuuuuito black mirror, ainda é um pouco diferente dos dois anteriores! O episódio de hoje fala sobre Urso Branco, o 2º episódio da 2ª temporada de Black Mirror, que abre toda uma série de discussões que você já viu circulando pela internet.

Viva o espetáculo!



Sobre o convidado:

Kadu Fernandiz se define como inquieto e questionador – é juizaforano, mora em Curitiba desde decidiu porque sim e presta consultoria em Marketing Digital e de Experiência – além de ser curador de conteúdo.

Twitter; Facebook; LinkedIn; Site.

IndicaSanto

No segundo episódio dessa primeira temporada Cristiano Machado nos traz um outro livro – dessa vez gratuito para download no site oficial, a Antologia de Textos Filosóficos (editado pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná – sim, cacofônico mas é o nome do órgão) , um compilado de textos de (e sobre!) filósofos clássicos.

Para quem sempre quis ter uma base de filosofia um pouco maior ou tem curiosidade de algum filósofo em específico, taí uma dicona!



Links

Antologia de Textos Filosóficos

Notícia do lançamento da Antologia

Indicações da Olimpíada de Filosofia, com textos gratuitos para download legal

 

Sobre o Convidado:

cristiano-machado

Cristiano Machado é pai da Sarah e da Sofia, marido da Letícia, acadêmico de Filosofia, um dos fundadores da Igreja do Armazém e idealizador & líder anarquista do Crentassos Produções Subversivas

 

Twitter; Facebook

 

 

 

 

A igreja era pra ser um local de paz, de procura de Deus – a igreja era pra ser a comunhão dos irmãos, onde eu busco corrigir e ser corrigido; onde as pessoas tentam me ajudar a crescer enquanto eu sirvo de apoio para o crescimento dos outros. Hoje, na verdade há muito tempo, o que acontece na igreja é só condenação. Se não seguir uma cartilha – está condenado. Se não obedecer – está condenado. Se pecar – está condenado. Mas todos nós vamos pecar, todos nós vamos merecer o inferno, e é pela Graça que seremos salvos. Então porque a igreja condena tanto, ao invés de nos ajudar a levantar e a nos dar Graça?

A última reforma que houve na igreja foi esta. Na verdade, ela ainda acontece – são várias pessoas em vários lugares, de várias denominações se libertando do jugo que foi imposto por lideranças, pastorados e membros de uma hierarquia humanamente criada e superior, e vendo que a vida com Deus não é bem daquele jeito que foram ensinadas, cheia de passos em falso e armadilhas espirituais.

Essas pessoas tem aprendido a viver em comunidade, a exortarem e serem exortadas, a crescerem, se abraçarem e se entenderem de uma forma que nunca tinham conseguido – e tem se sentido livres cada vez mais para confessar seus pecados e buscar ajuda para os seus erros. Abaixar as máscaras e se encontrar no meio de pecadores confessos e tão sujos quanto eles. Tão condenáveis, mas ao mesmo tempo tão lavados pela Graça divina. Tão pecadores mas tão desesperados na busca pela santidade.

O problema é que nessa ânsia de nos libertar da igreja tradicional, por fim, viramos o jogo. Se antes nós éramos julgados pelas atitudes e condenados ao inferno por pastores vestidos de ternos e com bíblia na mão, assim como aquelas tias de igreja tradicionais que amarram tudo que veem pela frente, hoje somos nós que bradamos incessantemente a condenação sobre eles. E, de fato, o pior feitor é aquele que já foi escravo.

Não hesitamos ao condenar um pastor ao inferno, uma pessoa tradicional ao farisaísmo e uma tia qualquer à obsolescência. Não nos contentamos a seguir o que fazemos dentro do nosso pequeno grupo, mas nos enfurecemos com aqueles que representam algo que antes nos machucou. Não sabemos demonstrar a graça, a piedade ou o amor que tanto falamos, da mesma forma que eles. E aí buscamos todo e qualquer tipo de justificativa para o que fazemos – e não percebemos que nosso discurso se igualou ao deles. Eles venceram? Não, todos nós perdemos.

Perdemos quando somos seletivos no nosso amor, e não amamos a tia que diz que tatuado vai para o inferno; perdemos quando imitamos as atitudes que um dia foram responsáveis por nos afastar da Igreja. Perdemos quando não reconhecemos os nossos erros e ensinamos outros a cometê-los, sob as mais diversas justificativas.

Sempre perdemos. Sabe quando vamos ganhar? Quando reconhecermos que o jogo já está perdido – para nós mesmos, mas mesmo assim lutar pela vitória. E não a nossa vitória, mas a de todos. Ganharemos quando soubermos jogar com o nosso time, e não contra o nosso time.


Sexta passada eu estava em Recife, em uma das coisas mais bonitas que já participei, durante a minha vida. Há exatos sete dias, eu pisava em Recife Antigo, pra conhecer toda a cultura e animação que a cidade promete a todos os visitantes. Não era uma sexta de feriado, nem estávamos em alta temporada – muito pelo contrário, no auge do inverno pernambucano, estavalam 25º nos medidores de temperatura, e os ventos faziam os habitantes tremerem, se perguntando porque não levaram casaco (sim, assustador isso).

Multiculturalismo igual eu nunca pensei imaginar, só mesmo da Manguetown, terra que Chico Science uniu maracatu com rock, pra existir. Em pouco mais que cinco quarteirões, palcos nas ruas disputavam atenção do público – enquanto rolavam músicas ao vivo em barzinhos e ainda tinha espaço pra balada.

Só de caminhar por aquelas ruas, você via o aniversário de um motoclube, ao gostoso som da Radiola, que tocava Rock Clássico (de Deep Purple a Pink Floyd), um metal quase melódico, algumas rodinhas de samba e pagode, o baile funk que rola no segundo andar (onde mulheres entram de graça a noite toda), um tributo a John Mayer e Janis Joplin, um DJ residente em um quase pub e é claro, o clássico maracatu.

Grupos iam de palco em palco, de bar em bar ouvir um pouco de cada, e participar de tudo – desde hippies com pupilas dilatadas participando de rodas de mosh até metaleiros de coturno tentando dar alguns passos ao som do reggae, eu vi de tudo nas poucas horas que o meu cansaço me permitiu ficar bem-humorado.

Legal, bacana. Porém com um lado negro bem forte. Não é nem da bebida generalizada, ou das pegações entre casais. Mas parece que com toda a leveza, a flexibilização de estilos musicais e de culturas, o bom-mocismo, muita coisa se perdeu, muitos limites básicos. Carros que passavam raspando nos pedestres que andavam pelas ruas (que não sei porque não estavam fechadas, já que tinham palcos e mesas de bares no meio do caminho), todo tipo de droga passando, sendo oferecida e consumida sem o menor pudor e – sei lá. Acho que sou meio velho pra esse tipo de coisa.

Nunca vi um povo que fuma tanto (cigarro mesmo, além de derivados ilícitos), em tão pouco tempo. Vi um grupo de quatro pessoas terminar um maço inteiro em pouco mais de 3 horas, e alguém sair pra comprar outro. Todos fumam, em Recife, a toda hora. É uma pena.

É uma pena porque toda aquela alegria, a agitação, o multi-culturalismo, a efervescência de Recife fede. Fede a cigarro.