Utilidade Pública

Não existem paralelos numa discussão entre desiguais. Se você parar pra pensar, até que os desiguais consigam se encontrar em um piso comum para não serem mais tão desiguais, não há como uma conversa, um debate, ter frutos.

Não, não é que as pessoas precisem discutir só entre seus pares (o que nem chega a ser discussão, mas uma grande masturbação coletiva), mas na verdade a gente precisa sempre entender os contextos alheios – o que, é claro, é muito mal visto. Tentar compreender o contexto alheio não é sororidade, compaixão ou humanismo. Não é colocar a pessoa humana acima das ideias: é relativismo.



Relativismo, o grande pecado para a igreja contemporânea, o pior erro de um justiceiro social, o único meio de se aproximar dois extremos para impedir de ver o outro (o estranho, o diferente) como um pária, mas sim um indivíduo. Não podemos ser relativistas, não podemos debater com pessoas que discordam de nós. Ah, Deus não existe? Fora do meu feed. O quê, contra o aborto? Block nele! Acha que o liberalismo vai salvar a economia do país? Seu conservador liberalóide leitor de veja! Acredita que o governo ainda deve manter as ações do Banco do Brasil e Petrobrás? Seu comunistinha de merda!
O relativismo só é visto como erro quando as suas idéias são mais importantes que os outros indivíduos. Seja a sua fé, a sua ideologia ou o seu conceito de, veja só, o que o governo deve investir no que diz respeito à educação pública, tudo isso deve ser encarado de uma forma a compreender que bom, o outro pode discordar dessas coisas.
E discordar não precisa necessariamente ser ruim, como todos nos disseram, seja no seminário de formação política, seja na escola dominical. Quem discorda das suas brilhantes não é burro, alienado ou perdido. Apenas tem concepções diferentes das suas, viveu e experimentou situações que moldaram quem ele é hoje. Você não precisa mudar a sua opinião, votar num plebiscito a favor da ditadura comunista (ou militar), ou aceitar qualquer um na sua concepção de paraíso (seu universalista!) – mas aceitar que nem todo mundo entende assim e que as pessoas podem ter opiniões e conceitos diversos dos seus, e nem por isso você precisa matá-las ou cortá-las da sua vida.


Ouvir e compreender a opinião alheia, discutir em pé de igualdade e respeitar (pra recair nas falas de DCEs) a vivência alheia. Não estou falando que você precisa ouvir desaforos, que você precisa sentar calado respeitando um racista, um misógino, por exemplo. Mas até chegar nesse extremo, há milhares de pessoas que simplesmente discordam de você em menor grau que, se estiverem tão comprometidas com você a encontrarem um ponto comum (ou a menos compreender aonde vocês querem chegar), a discussão caminhará e o respeito, o pássaro do respeito não precisará morrer.
Pode parecer engraçado, mas muitas feministas querem igualdade. Muitos neros quem igualdade. Muitos cristãos, muçulmanos, árabes, indígenas, produtores rurais, políticos, empresários, comunistas, policiais e até mesmo muitos aventureiros da justiça social só querem construir um lugar melhor para todos.

Mas pra chegarem lá, precisam se lembrar que as pessoas para as quais esse mundo precisa ser melhor são mais importantes do que o caminho ou a ideologia seguida para construção desse mundo. Se não, é demagogia.



Foto: REUTERS/Kevin Lamarque

(texto de Jack Shafer, publicado originalmente em inglês na Reuters. Tradução livre)


O New York Times e o Wall Street Journal apostaram em fatos mutuamente exclusivos nessa última quarta-feira quando realizaram a cobertura do discurso de Obama sobre os militantes sunitas que tem alvoroçado o Iraque nos últimos dias.

Enquanto o Times estampou em sua manchete “Obama deve considerar ataques aéreos limitados contra militantes sunitas”, colocando o presidente como um guerreiro, o Journal pintou o presidente como parte da turma do deixa-disso ao publicar “Estados Unidos não consideram ataques aéreos: Presidente Barack Obama busca estratégias alternativas”.

Manchetes contraditórias aparecem em na maior parte dos jornais cotidianamente – as notícias acabam se chocando por várias razões, até porque dois canais podem interpretar diferentemente dados econômicos recentes ou até mesmo discordar nas suas análises mais profundas sobre um novo projeto de lei que está sendo votado. Mas na maioria das vezes, a solução é mais simples: alguém entendeu errado.

Mas nos jornais de quarta-feira não são os jornais que se contradizem – mas as suas fontes anônimas. Tentar precisar o número de fontes anônimas que são confiáveis tanto no Times quanto no Journal é como tentar encontrar contar o número de corvo s que aparecem nas cenas de “Os Pássaros”, de Alfred Hitchcock – um trabalho tanto excruciante como frustrante.

Os corvos que grasnam pelo Times incluem: “um funcionário sênior da administração” (citado seis vezes); “um funcionário sênior” (citado uma vez, embora possa ser o funcionário sênior da administração); “atuais e antigos funcionários da administração”; “um antigo general dos EUA no Iraque” (duas vezes); “funcionários” (particularmente pode ser qualquer pessoa, inclusive todos os citados anteriormente na história); e “atuais e antigos funcionários do Exército Norte-Americano”.

São pelo menos oito – talvez mais – fontes. O Wall Street Journal não é muito diferente:

“Funcionários”; “Um funcionário sênior da administração” (citado quatro vezes); “Funcionário do Governo dos Estados Unidos”; “funcionários”; “Um funcionário sênior dos Estados Unidos”; “atuais e antigos funcionários”; “funcionários do governo”; e “funcionários”.

Foram três fontes? Seis? Nove? Por favor, alguém me dê uma bebida, eu me perdi.

Agora, ou o New York Times ou o Wall Street Journal acertaram. O presidente não pode estar considerando ataques aéreos e os excluindo ao mesmo tempo, afinal de contas. Se fôssemos bastante compreensivos, poderíamos dizer que as histórias se contradizem porque os jornais fizeram a cobertura de dois momentos distintos – quando os ataques aéreos que não eram opção passaram a ser ou vice versa (embora eu duvide disso). De fato, ambas histórias podem estar erradas! O presidente pode estar viajando, num mundo igualitário, onde pensamentos distintos podem conviver em perfeita harmonia e planejando atacar e não atacar ao mesmo tempo.

Não me culpe pela teoria conspiratória de que as fontes anônimas do governo possam estar deliberadamente forjando histórias para os jornais de modo a confundir os líderes dos militantes sunitas, para que estes, no meio de seu café da manhã (ou chá da tarde) não saibam como proceder nas próximas semanas – se fechar em bunkers ou agir a céu aberto. Outras administrações já ganharam guerras diplomáticas ao fazer ameaças veladas através da mídia.

Qual história acreditar, afinal? Bom, você pode guiar sua decisão pelos seus sentimentos quanto a cada um dos jornais, ou quanto à credibilidade dos jornalistas que trabalham nele. Eu estou paralisado, pessoalmente. Quando as matérias são construídas baseadas em fatos dados por fontes anônimas que você não pode verificar por si mesmo, as coisas ficam arriscadas.

Nós não vamos saber quem está certo de fato até que alguém atire alguma bomba ou vá à público dizer de fato o que está acontecendo – ou mesmo que o Times ou o Journal prossigam e respondam quem ganhou. Agências de notícias que sobrevivem graças a fontes anônimas devem estar preparadas para morrer por elas, preferencialmente pelo corte da própria espada caso suas fontes as enganem.

(A Reuters, que me emprega, confia em fontes anônimas. A sua história sobre a possibilidade de ataques aéreos, “Estados Unidos considera bombardeios aéreos no Iraque, mas espera conversa com Irã” as inclui, mas cita a fala de John Kerry, secretário de Estado, que afirma que bombardeiros “são uma das opções”).

Talvez, ao invés de ficar murmurando sobre as manchetes contraditórias, eu deveria estar agradecendo ao Times e ao Journal por desmistificar quem exatamente são esses funcionários atuais e antigos, seniores e militares que deram informações anônimas. Afinal, depois dessas manchetes de quarta-feira, nenhum leitor com discernimento vai encarar fontes anônimas da mesma maneira.


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Uma vez, era o Luciano Huck. Pinta de bom-moço, com alguma meia-dúzia de haters no bolso (mas isso é porque ele pegava a diva da infância deles), programinha de gincana estilo Xuxa na Globo com um quê de questionável, mas um cara sussa. Tranquilo, suave, não tinha falado mal de ninguém nem se envolvido em polêmicas. Tá, vamos ignorar o passado em programas apelativos, mas até aí convenhamos, nada que um trabalhador normal não faria pra garantir o leite das crianças e a cerveja do final-de-semana.


Mas isso lá vai uns quinze anos, o Caldeirão tá quase debutando e dançando valsa com papai-mamãe-titia-vovô e a pessoa que vai tirar sua virgindade (ou pelo menos vai poder dizer isso para todo mundo), e de lá pra cá, o bom-moço que queria fazer um programa legal em que ele ajuda as pessoas enquanto as faz de trouxas, uma diversão considerada muito saudável pela maioria da população brasileira, parece ter mudado um pouco seu estilo de vida.

Culpe o casamento, a sociedade, a pressão por metas e audiência ou a simples cultura da zuera o antigo bom-moço contratado pela Globo tem se revelado um Justin Bieber da meia-idade. Não foi apenas por toda a treta que o envolveu na demissão de Russo, que deixou a emissora com uma mão na frente e outra atrás depois de cinco pontes de safena (e foi receber ajuda da concorrência), ou as diversas tretas do Peixe Urbano que envolveram autuações do PROCON, ou pela desagradabilíssima ação de marketing que envolveu um negro, comer uma banana e lançar uma camiseta sobre isso.

Alguma coisa aconteceu de errado nesses últimos quinze anos – o apresentador do programa que estreou quase todo em gincanas beneficentes (e que inclui Russo, o que saiu pelas portas dos fundos, nas suas memórias) parece ter perdido o rumo de sua vida por aí.

Como toda mãe preocupada nos perguntamos: seriam as companhias? Teria o Luciano começado a ouvir aquelas bandas de rock pesado que incentivam os jovens a perderem a linha? Foram os videogames de violência? Será que o Huck está jogando Magic: The Gathering

Nem mesmo aquele tal cara que cheira bíblia pastor soube nos responder. Mas os novos fatos, o nosso amigo Daniel Vieira expôs no seu Facebook em termos que até mesmo os mais obtusos conseguiriam entender qual o problema.

Em tempos de campanhas contra Turismo Sexual e da tentativa de se conscientizar contra o tráfico humano, eis que o apresentador ex-boa pinta manda essa:


Escreve Daniel:
“atualmente temos um número absurdo de mulheres (e homens também) sofrendo com o tráfico de pessoas para exploração sexual. São pessoas que foram iludidas com falsas promessas, talvez promessas como essa feita pelo Luciano Huck, e são levadas para outros países para trabalhar com a venda do próprio corpo em função do dinheiro e prazer alheio.” (leia a íntegra e compartilhe essa mensagem)

Para não ficar apenas nesse vazio, indica-se a quem ainda tenha alguma dúvida ou queira saber mais o documentário brasileiro que tem sido apresentado nas sedes da Copa do Mundo FIFA pelo O Outro Lado da Moeda:

Manipular informações é algo usual na nossa convivência – e nem sempre é necessariamente mentir, é visto quase como uma visão positiva ou dependente do ponto de vista. Os números existem a rodo, e as estatísticas hoje podem ser muito mais completas com a possibilidade de se acessar quase todos os bancos de dados oficiais com meia dúzia de cliques.


Todo mundo quer mostrar um paradigma melhor pro cliente, ou pro chefe, mesmo que para isso tenha que mudar um pouquinho qual seja esse paradigma. Isso na publicidade é mais normal do que dar cano em gráfica – desde os 9 em cada 10 dentistas que recomendam uma certa pasta de dentes (e esconder o fato de que eles recomendam QUALQUER TIPO de pasta de dentes), até aprovação em vestibulares.

Cursinho pré-vestibular é mestre em trabalhar com isso. Se existem muitos alunos, trabalham com o porcentual de alunos aprovados/vagas do curso: 75% das vagas de Direito são nossas, mas são 100 vagas pra direito, tiveram 75 aprovados. Claro que eles não avisam que tinham aproximadamente 350 alunos prestando Direito, e a porcentagem mais realista de aprovação deles foi de 21% dos alunos que prestaram.

O marketing digital também é cheio disso. Hoje mesmo vi um dado de que apenas 5% dos brasileiros reclamam das empresas nas redes sociais. Nossa, que povinho parado, né? O problema é que só 45% dos brasileiros tem acesso à internet. Desses 45%, apenas 38% acessam a internet diariamente, o que é um tempo além de jogar CS e Farmville. Isso quer dizer que apenas 17% dos brasileiros tem acesso constante na internet para ter tempo de reclamar sobre empresas. Oras, o dado final é que praticamente 30% dos brasileiros que tem acesso diário à internet reclamam nas redes sociais. Um terço é muita coisa, não?

E qual o problema dessas manipulações de dados? Com a informação errada, ou pelo menos com o ponto de vista errado, investimentos tidos como certos vão por água abaixo, publicidades para atingir um público-alvo falham miseravelmente e a empresa vira vilã ao invés de ser consumida e campanhas políticas e evangelísticas inteiras não tem resultado nenhum.

Ter a informação e não saber geri-la pode ser pior do que não ter informação alguma e ser cauteloso. Cuidado no que for falar pro seu chefe, ou pro seu cliente só pra poder cobrar um pouco mais no serviço.

Hoje o post pode ser um pouco maior (sim, maior) do que vocês estão acostumados, e talvez um pouco mais chato, embora eu ache um assunto mais empolgante. Depois que o PSC foi presenteado com a Comissão de Direitos Humanos, eu fui conversar com algumas pessoas, dentre elas o sempre saudoso Paiva, e comecei a me preocupar um pouco mais com o paradigma político para 2014.


Preocupar não seria bem a palavra certa, está mais pra desesperar – racionalmente falando. Bom, está claro pra todo mundo a força que os evangélicos têm, ou pelo menos o fascínio que eles exercem sobre os políticos. Alianças foram costuradas em 2012 à torto e à direito, no maior voto de cabresto que já se viu com alguma classe (eu realmente não sei porque evangélico gosta de ser tratado como classe, mas tudo bem), e chegamos em 2013 com ela totalmente dividida em alguns fronts.

Podemos pegar aqui os maiores (e, portanto, que vão ter maior atenção não só da mídia como do povo) e que são os que vão acabar movimentando e levando os outros grupos menores – importante lembrar que, embora cheios de diferenças entre si, alianças entre igrejas evangélicas não são raras de acontecer para atingir um objetivo específico (ETA galerinha cheia das estratégias).

Já envolvidos fortemente na política nós temos três grupos: O de Bolsonaro (PP – diz ser católico, embora não frequente nenhuma instituição depois de 10 anos como batista, e mantenha uma forte base evangélica conservadora); o de Marcos Feliciano (PSC – pastor da Igreja Catedral do Avivamento); e de Silas Malafaia (a grande incógnita da vez, que não participa da política, mas apoiou Marina Silva em 2010, depois Russomano e Serra em 2012 nas eleições de São Paulo e – eis aí um fator interessante, Ratinho Jr. em Curitiba, candidato pelo PSC, isso mesmo, o do Feliciano).

Alguns estados tiveram uma pulverização maior nas igrejas – [a Batista da Lagoinha teve -ignorem, interpretei o texto errado e a IBL nada tem a ver com essa história] a Aline Barros apoiando o Eduardo Paes, numa parceria inédita com Silas Malafaia (PMDB-RJ), enquanto todo o resto neopentecostal (Universal, Internacional e Mundial apoiaram Marcelo Freixo, do PSOL). A salada no Rio piora quando a gente lembra que Anthony Garotinho, presbiteriano é uma figura política importante na cidade, e apoiou o Rodrigo Maia (DEM).

Vamos pra um meio mais nacional? A Frente Parlamentar Evangélica, do Congresso Nacional, tem, segundo suas próprias contas, 56 parlamentares. Deles, 11 (20%) são do PSC, 9 (16%) são do PR, 8 (14%) são do PRB e o resto de vários partidos: PTB, PRTB, PMDB, PSDB, PDT, PSL, DEM, PP, PV, PSB e PT. Nessa contagem estamos falando em membros/pastores das igrejas Metodista, Presbiteriana, Assembleia de Deus, Maranata, Internacional, Mundial, Universal, Nova Vida, Cristã Evangélica, Brasil Para Cristo, Quadrangular, Sara Nossa Terra, Catedral da Fé, Shamá e Cristã do Brasil. São 15 igrejas espalhadas em 14 partidos diferentes, apenas no cenário mundial – e a única com unidade partidária é a Universal, no PRB.

Como vocês podem imaginar, quando três denominações que vivem se atacando (Universal, Internacional e Mundial, uma filha da outra, praticamente) se reúnem para um objetivo comum, tá na hora de querer entender mais ou menos o que tá pegando. Dentre as causas defendidas pela Bancada Evangélica, encontramos:

  •   São contrários à ampliação das hipóteses legais de aborto;
  •   São contrários ao casamento entre pessoas do mesmo sexo;
  •   São contrários às tradições católicas no país (inclusive o Sr Bolsonaro, que se diz católico);
  •   São contrários à fidelidade partidária;
  •   São contrários à especificação dos tipos criminais relativos à homofobia;
  •   A Bancada Evangélica do DF instituiu o Dia do Evangélico
  •   A Bancada Evangélica de SP impediu criação de locais para prática umbandistas perto dos cemitérios
  •   A Bancada Evangélica de MS luta contra o reconhecimento de utilidade pública da Associação de Travestis de Mato Grosso do Sul.

Só ideia boa, fala sério. Pra melhorar, o Gospel+ ainda nos brindou com o fato de que mais da metade dos membros da Bancada (ou Frente) Evangélica têm processos pendentes na Justiça, com acusações que vão desde estelionato, fraude nas prestações de conta de campanha, compra de votos, corrupção eleitoral, improbidade administrativa, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, abuso de poder, crimes contra o patrimônio genético e peculato.


Só nego gente boa participando dessa bancada, é a turma que você queria sentar no recreio da escola, pode falar.

Ok, as coisas tão más: e o prognóstico pra 2014? Tá ladeira abaixo. As perspectivas pras próximas eleições estavam no fundo do poço e encontraram a porta para o porão. O problema das eleições de 2014 é que elas são proporcionais – para deputados e senadores, assim como para vereadores, não se vota necessariamente no candidato, mas no partido.

São 14 partidos que fazem parte dessa quizumba chamada Bancada Evangélica – e os que estão lá tem preferência pra continuar, essa é a pegadinha da história. Cuidado com o seu voto em 2014 – você que defende os interesses da comunidade LGBT, você ateu, até mesmo você católico. Você evangélico que não tem as mesmas ideias descritas lá em cima: você tem um papel primordial nessas eleições – você PRECISA alertar aqueles que acham que ter um evangélico no poder é melhor do que ter um administrador.

Tudo indica que em 2014 a bancada evangélica vai aumentar, e é bastante improvável que não aumente, até pela quantidade de partidos envolvidos, dos mais diferentes ideais. Gente, pelo amor de Deus, parem de assinar petição no Avaaz pedindo pro Renan Calheiros se voluntariar a sair, parem de assinar petição pro Marcos Feliciano não assumir a Comissão de Direitos Humanos, e pelo amor de Deus, comecem a cobrar das pessoas nas quais vocês votaram (e nas que não votaram também) por uma postura melhor.

Caras, não é muito difícil. É só participar do bagulho que dá certo. Eu tenho fé. Tenho mais fé em vocês do que na Bancada Evangélica.

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Tinha um filme bem bacana, que eu vi uma vez no SBT – sente a depressão. Deve ter uns três ou quatro anos, e mudou bastante a minha concepção de Judas, e chegou a fazer mais sentido depois que, conversando com o Ariovaldo sobre Lady Gaga (pelo menos não era Nicky Minaj, né?), as coisas começaram a se encaixar.


O filme, chamado Judas e Jesus – a história da traição, é algo mais pra ser levado como uma possibilidade para abrir a mente do que como uma verdade absoluta contrastando com o mito de que Judas era praticamente um demônio, e mostra um rapaz cheio de boas intenções mas que não entendeu nada do que Jesus estava propondo – como muitos de nós boa parte do tempo.

O que Judas ansiava, segundo o filme, era uma entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, com um exército para que, tendo o poder político, a mensagem do Evangelho se espalhasse mais rápido e com mais apoio. Era mais ou menos o que os judeus esperavam de um Messias, pra falar a verdade – alguém que viesse como Rei, governar seu povo e libertá-los dos romanos, mais ou menos na mesma pegada de Moisés com os egípcios, mas de preferência sem 40 anos de caminhada.

E quando eu olho essa história, faz sentido a traição. Faz sentido Judas entregar Jesus para que então, Jesus fosse forçado a mostrar o seu poder, porque daí, se estivesse nas vias de ser morto, Ele iria lutar pela sua vida – só que não era bem o plano de Jesus continuar sua vida e seu ministério. Judas então passa a ser não um demônio, mas uma pessoa que assim como nós, muitas vezes seus defeitos e anseios de grandeza tampam nossos olhos.

E até hoje vemos lapsos deste mesmo Judas em todos os cantos – buscando um Jesus forte, uma nação e instituição poderosas para que aí então vá alcançar os povos. Precisamos de evangélicos fortes no poder; precisamos abrir instituições com CNPJ para conseguir imunidade tributária; precisamos de ONGs para conseguir recursos públicos para fazer o bem à comunidade; precisamos de um prédio bacana, com ar-condicionado, som zero bala e refletores (de preferência alguns lasers) pra atrair a galera e fazer algo massa. São tantas necessidades de grandeza e de poder que nós procuramos que cada vez mais parece haver menos de nós e mais dele – de Judas.


Eu não quero ter um salário confortável pra aí sim poder me dedicar. Eu não quero ter uma família formada, estável, pra aí sim me entregar. Eu não quero lutar por direitos dos evangélicos ou cristãos em geral. Eu não quero ser um paladino da justiça que defende Yaweh dos comentários da ATEA. Eu não quero ganhar a minha vida – eu já a perdi.

Quase ninguém curte Testemunha de Jeová, tanto que já virou piada no país inteiro, e uma das mais repetidas no Twitter, com a maior variação de contextos. Mas o problema do testemunha de Jeová não é querer pregar a Palavra de Deus, nem querer discutir sobre isso. O problema é o jeito.

Isso pode nunca ter acontecido com você, mas você já detesta os Testemunhas de Jeová porque eles batem na porta da casa dos outros em horários extremamente inconvenientes (tipo às 8h da manhã de um domingo que você ia dormir até mais tarde, matando a escola dominical) – você pode até nunca ter cruzado com um na sua vida, mas no momento que você ver um na rua, com aqueles panfletinhos, todo o ódio social pelos testemunhas de Jeová vai ser canalizado através de você naquele instante e você vai tentar fugir da presença dele o máximo possível.


Você fará, pelos próximos 15 passos o objetivo da sua vida: 1) não estabelecer contato visual com ele; 2) ocupar as suas mãos e seus ouvidos para que ele desista/não note sua existência; 3) acelerar o passo o máximo que puder. Você vai evitá-lo mais do que evitou qualquer panfleteiro em toda sua vida, e por mais que você esteja de saco cheio de dentistas e compro/vendo ouro, eles não chegam aos pés do que você sente por uma pessoa/religião que nunca teve contato.

Agora, porque que eu to falando isso? Ofensa gratuita aos testemunhas? (Por favor, não considerem como ofensa, na boa) Na verdade não. Eu estou falando isso porque tudo pode ser discutido. Sério, você pode falar de tudo, discutir e debater sobre tudo, questionar sobre tudo sem ser cretino. Eu juro.  Seja futebol, sexo, drogas ou rock’n’roll (Linkin Park é rock ou new metal?) tudo é debatível.

Mas na – preferimos ser chatos e pedantes. O protestante, por exemplo, é o próximo dessa lista – e está se tornando o chato da vez, mais do que o próprio testemunha (será que eles vão ver alguém de terno ou camiseta de Chessus e vão tentar evitá-los em alguns anos? O mundo dá voltas…). Mas protestantes, e não vou colocar apenas os tradicionais/neopentecostais no meio, a totalidade dos protestantes, até mesmo você, rapaz emergente que quer se afirmar como liberal, revisionista e se afastar dos outros protestantes (que são piores que você, claro) – amigo você é chato da mesma forma.

E, veja só, correndo lado a lado com os protestantes está uma não-religião! Isso mesmo, senhoras e senhores, o neo-ateísmo consegue ser tão ou mais chato que os protestantes e quase tão detestado quanto os testemunhas de Jeová. Tentar provar que as pessoas são ruins, contradições dos outros era bonitinho quando se tinha entre 13 e 15 anos e discussões eram acompanhadas de palmas e eu não deixava! NÓÓÓÓH! Sai dessa! depois disso ficou meio chato (inclusive fica aí uma dica pros debates eleitorais, já que agora tem gente vaiando e batendo palma a cada réplica).


Eu não sei, mas acho que o objetivo geral de todo mundo é pegar o trono de primeiro lugar entre os mais reconhecidos (nem que seja reconhecidamente chatos) do mundo. Não, o problema não é discutir, conversar, trocar ideias. Eu faço isso e adoro, quem acompanha o blog sabe (quem não acompanha, pode olhar todos os posts pra trás – esses dias rolou um dia inteiro de tretas no Twitter por causa de homossexualismo/homossexualidade, e ninguém morreu ou gosta menos do outro por causa disso). O problema é a sua inconveniência ao fazê-lo. Existem alguns comportamentos meio óbvios (alguém tem que falar do óbvio, já dizia o Rossatto) em discussões que num mundo ideal (e acho que todos querem chegar lá, por menos que acreditem em qualquer coisa), seriam levadas em conta, tanto para discussões religião VS ateísmo; tradicionais VS emergentes; e bom, qualquer outra designação sua.

1)      Independente do que você acredite, ou não acredite, em todas as religiões, o homem, ou o próximo é tão ou mais importante que você. A ética mesmo não tem religião, e esse é um dos pressupostos da cidadania (conceito laico) – então, decorrência lógica: seu argumento não é mais importante que alguém.

2)      Se você segue alguma religião e a pessoa tem outra, vou te dar uma dica: se a pessoa não acredita em inferno, não adianta ameaçá-la com ele, ou com maus-espíritos, ou trabalhos espirituais. Além da ameaça ser algo feio, que vai contra a primeira dica de bons costumes de um mundo ideal, bom, se a pessoa não acredita, é como te ameaçar com uma chifrada de unicórnio.

3)      Estabeleça muito bem o que você está atacando: a religião da pessoa ou as pessoas que seguem determinada religião. Esse é um problema gigantesco, principalmente quando se discute sobre as religiões abraâmicas (aprendi na Wikipedia, gente): islamismo não é a mesma coisa que Jihad; catolicismo não é a mesma coisa que celibato e padre pedófilo; protestantismo não é a mesma coisa que pastor ladrão de dízimo homofóbico e ateísmo não é a mesma coisa que PC Siqueira. Quer falar sobre como as pessoas distorcem os princípios de sua religião é uma coisa, quer falar sobre contradições da sua religião é outra. Um debate é sobre a prática, outro é sobre a teoria.

4)      Se uma pessoa segue uma filosofia/religião/ideal diferente do seu e é sobre ele que vocês estão debatendo, parta do princípio que, embora essa pessoa possa ter uma visão parcial do que ele segue, ela conhece mais daquilo que você. Ouça e aprenda, o máximo que vai acontecer é você ter ganhado um pouco de conhecimento, por mais absurdo que seja e você ter o que falar no boteco (ou na vigília) com os amigos (irmãos) – tipo o hippie que falou que os chineses eram predestinados a dominar o mundo e ele (o hippie, não o mundo) ia passar por cima do meu corpo com um trator (isso dá um post, né?).


Ah, ele tá cagando regra! Não, amigo, eu to só tentando te dar umas dicas pra você não vir depois falar que não dá pra conversar à sério no Facebook/Twitter/internet ou religião esporte política orientação sexual língua estrangeira xenofobia bullying  vida morte seu apelido escroto não se discute. Discute sim.

Já leu esse texto aqui? Ótimo, então você já viu uma parte do programa do Malafaia e a gente discutiu alguns pontos de teologia pura. Agora para falar sobre homossexualidade, eu gostaria muito, de todo meu coração, que você lesse esse texto aqui, logo antes do que você tá lendo agora, onde eu coloco um pouco dessa discussão de surgimento da homossexualidade, dou minha opinião e peço pra você colaborar comigo pra eu ter uma ideia melhor desse tema.

Então vamos à segunda parte do programa – e pra mim foi aqui que a Marília Gabriela se perdeu. Esqueça que é o Silas Malafaia. O que o Silas Malafaia reclama da PL-122 é o maior problema jurídico dela, não o que alguém acredita. Em momento algum o Malafaia se disse contra os homossexuais– pode conferir o vídeo até de trás pra frente.


E aí vem a Marília Gabriela e diz “nem todas as pessoas tem a formação que você tem ou um tipo de esclarecimento”. Amiga Marília Gabriela – a resposta do Silas foi genial: “Então vamos cortar programas de televisão, vamos cortar filmes porque podem ensinar a matar”, e ela apelou dizendo que ele estava querendo tolher os direitos dos homossexuais, e entrou numa argumentação cíclica: os homossexuais precisariam de ter uma lei os defendendo porque eles tem uma lei os defendendo – LEMBRE-SE: eu estou falando de Direito, não de sociologia.

E aí ela partiu pro ataque pessoal por uns bons 10 minutos, e quando eu pensei que o menino Silas ia fechar bem quando disse “eu não estou aqui para condenar A, B, ou C, estou para condenar os pecados” – o qual é o papel dos profetas, e ele está certíssimo. O problema foi ele ter dito logo antes que Jesus falava mais de inferno do que de céu. Estatisticamente? Pode até ser, não parei pra contar. Teologicamente? E daí? Sim, não entendi o que ele quis dizer com isso. Deus é amor. Amor é justiça, justiça leva à retidão. Ponto.

Gabi ainda levantou outro ponto completamente inepto, dizendo que a bíblia proíbe o divórcio – outro mito. Leiemos Mateus 5:31-32 e 1Coríntios 7:15. A partir daí, eu não tenho mais nada a discutir. Silas Malafaia se mostrou muito mais são, racional, do que Marília Gabriela. “Eu posso ser o mais veemente possível para defender as minhas teses, mas isso não quer dizer que eu os odeie. […] [Se o meu filho fosse homossexual] Eu o amaria 100%, e discordaria dele 100%. Quem disse que pra amar precisa concordar?” E a Gabi responde “Você ia fazer o inferno dele” – ué Maria Gabriela, como assim?

“Você coloca homossexuais lado a lado com bandidos” – desculpa, Gabi, mas o direito diz que são iguais. Sim, são. Eu também sou igual a um homossexual, e a um bandido. E você também, Gabi! Poxa, você é melhor do que um bandido? Alguém aqui pode se dizer melhor do que o outro?

“O que a religião não pode fazer é tentar se enfiar pela goela das outras pessoas” Malafaia, Silas.

Sério que vocês tão xingando o Silas por causa disso? Desculpa, cristãos emergentes descolados, mas dessa vez, eu fiquei com o Malafaia, viu?


IMPORTANTE: Antes de ler esse post com todos os conceitos de textos cristãos que você já leu, saiba: em momento algum eu fui contra a homossexualidae; em momento algum eu afirmei para onde vão os homossexuais; e em momento algum eu coloquei em xeque ou disse o que é certo e o que é errado. Discussões serão extremamente bem-vindas, xingamentos serão ignorados solenemente. Eu não só posso como devo estar errado em algum (ou muitos) ponto(s). Por favor, se tem algo a acrescentar, faça-o. Eu quero aprender (juro).

A maior guerra travada com os evangélicos é sobre o homossexualismo ser pecado. Eu fiz esse post separado porque a questão é um pouco maior e mais problemática – e todas as consequências que o assunto traz.


Existem várias hipóteses sobre o homossexualismo e o surgimento deste (inclusive já me meteram numa discussão dessas colocando palavras na minha boca). Eu vou separar duas dessas hipóteses, e depois mostrar que o surgimento da homossexualidade/ismo não faz a menor diferença quando se tem o foco certo na Palavra:

1)  A homossexualidade é genética? – a homossexualidade é uma pré-disposiçã, assim como a cor de pele, e tentar forçar a heterossexualidade das pessoas é ir contra a natureza.

2)  A homossexualidade é fenótipa? (desenvolvida através da interação dos genes com o meio externo – ambiente, sociedade, etc)

  • Argumentos pró: O DNA humano foi mapeado e não se encontrou nenhum gene responsável pela orientação sexual (o que não quer dizer nada, existem várias funções dos genes que ainda não encontramos e provavelmente nunca iremos conhecer);  a maioria dos homossexuais foi abusado/violentado em algum período da sua vida (existem pessoas que nunca sofreram abusos tradicionais mas mesmo assim se descobriram homossexuais.

Não, não existe resposta para isso ainda. Ninguém consegue dizer com certeza porquê existe a homossexualidade, e é uma questão que eu não vejo muito a necessidade da igreja se preocupar. Consideremos:

  • Se a homossexualidade for genética, como a igreja deve lidar? Ora, não sei se vocês conhecem, mas descobriu-se a uns anos um gene que é o responsável pela obesidade. A diabetes também é uma doença. Sabe como se faz para lidar com o temido gene da obesidade para não recair na gula (que é pecado)? Pratica-se exercícios e luta-se contra ele. A obesidade é algo genético e é algo que, segundo o cristianismo, não só pode, como deve ser evitado (apesar da Ana Paula Valadão falar besteira, precisamos realmente cuidar do nosso corpo – isso demonstra muito sobre nós), mesmo sendo genético. Seria então o portador do gene da obesidade e o portador do gene da homossexualidade pessoas que sofrem com maldições, fruto de uma divindade injusta e sádica? Claro que não! Paulo mesmo alertava sobre o espinho na carne – e essa passagem nunca poderia ser mais literal que agora.
  • Se a homossexualidade surgir/se desenvolver, assim como outros hábitos, seja por influência cultural, ambiental ou de qualquer outro modo, ela não é uma característica inalienável da pessoa, assim como outros fatores psicológicos. Uma criança calma pode se tornar um adolescente agressivo, e com o devido tratamento, aprender a lidar com a raiva – assim como uma pessoa desorganizada pode se tornar meticulosa; uma pessoa sem autoconfiança pode chegar até a dar palestras sobre autoestima.

Não existe porque a Igreja tentar imiscuir nesse debate proposto pela ciência (e as consequências disso, eu já falei num texto sobre Igreja e as ciências), mas apenas fazer o seu papel: aceitar a todos, e ajudá-los a serem o seu melhor. Se o homossexual se sentir constrangido na sua homossexualidade, ele vai procurar ajuda nossa, e vamos orar por ele, e viver mais ainda próximos dele. Até que ele decida e tome uma atitude pessoal, entre ele e Deus sobre o que quer fazer.


Não existe pessoa alguma que possa te convencer de que uma atitude sua é certa ou errada. Você faz isso internamente, e só você, numa crise, pode escolher o caminho que quer seguir. Todo o resto de discussão cristã que passar disso é bobagem.

Silas Malafaia se tornou famoso pelas suas pregações através da TV. Com seu jeito espalhafatoso, revoltado, seus gritos durante as pregações eram considerados um tanto quanto fortes demais, mas sempre disseram que valia a pena pela mensagem que ele passava. Com seu bigode e pastor de uma igreja tradicional, a Assembleia de Deus, Silas se tornou famoso.


Não acho que o seu jeito de falar seja pretencioso, ou que a sua argumentação muitas vezes violenta e em torno de voz alta seja um sinal de desrespeito. Ao final da entrevista o mesmo pediu desculpas pelo seu jeito, e disse que tem tentado mudar, mas que é difícil manter a compostura e a voz baixa no meio da zoeira que vira, por exemplo, quando ele é convidado a ir no Congresso falar sobre o PL-122. E nisso, eu concordo com ele – quando xingam sua mãe sua tia e sua avó, manter a voz baixa e tentar falar tranquilo não dá.

E então, alguns anos atrás, junto com uma cortada de Gilette atravessada, Silas se juntou a Mike Murdock e mudou alguns de seus pensamentos e doutrinas – nada contra quem faz isso, eu mesmo já mudei tantas vezes de ideia que leio alguns textos antigos (desse blog e de anteriores) e começo a rir de tanto que eu era meio bobo. Mas daí, com essa nova roupagem, desbigodada, Silas começou a mudar um tanto o foco das suas pregações, e de um dos pastores mais famosos, começou também a ser um dos mais controversos – por um dos pontos que até foi debatido no primeiro bloco do programa – a Teologia da Prosperidade.

Seja trocando Bíblias por ofertas 900 (e agora 1000) reais – com comentários mais distorcidos do que sala dos espelhos, seja xingando os seus opositores ou ainda com posições firmes acerca do homossexualismo/homossexualidade e todos seus aspectos.

Mas então o menino Silas, tendo abandonado seu bigode e entrado em pontos controversos do cristianismo protestante foi convidado a participar do De frente com Gabi, neste domingo (03.02). Quem não viu, pode conferir a íntegra do programa:

Vamos no ponto a ponto?

HEY, PSIU! Eu não vou entrar no mérito se Silas Malafaia tem 300 milhões ou 4 milhões como ele afirma dizer, isso pra mim tanto faz, não é o dinheiro ou a falta de dinheiro que vai provar o seu caráter. E quem fala Ah, ele podia dar tudo pros pobres, eu só cito Judas e a história da mulher que gastou todo o perfume com Jesus, sendo que podia ser dado aos pobres. Vamos ter cuidado com certas atitudes e julgamentos. Se ele tem mais de 300 milhões, amigo, que bom pra ele.

Mas eu não entendi porque ele fala (1:54) que ele é pastor a apenas dois anos e meio, e logo depois afirma que é pastor há trinta anos (4:25). Não, sério, não saquei qual foi a dele no começo, de desconsiderar todo período que esteve embigodado – só mostra que quando o tema é a sua credibilidade, principalmente a financeira, ele não sabe como se portar. Como ele já xingou todo mundo que fazia isso e tinha acabado de elogiar a Gabi, ele se enrolou.

Diz Malafaia que pastores devem ganhar um bom salário, e diz ele ter fundamentações bíblicas – que o pastor deve ser bem tratado. Amigos, eu não sei se vocês conseguem ver a diferença entre ser bem-tratado e receber um salário (independente dele ser de só mil e quinhentos reais, como ele afirma em 39:00). Quando uma visita vai à sua casa, ela é uma pessoa a ser bem-tratada, mas você não dá 500R$ na mão dela em agradecimento a ter visitado. Se você for uma pessoa muito bondosa, a trata bem, a ajuda com o que precisa, e até dá um quarto para essa visita – assim como uma certa história a partir de 1Reis 17:09.


Esse é um dos problemas da interpretação bíblica do Silas Malafaia – considerar os pastores/profetas como dignos de algum conforto, pelo seu papel de liderança (sempre vale lembrar a diferença entre o conceito de liderança meritocrático e o bíblico).

Logo em seguida, o Malafaia faz uma diferenciação muito importante (8:04): o besteirol da teologia da prosperidade e o que a bíblia fala sobre a prosperidade – ele faz uma distinção perfeita, mas incrivelmente cai em desgraça no próximo ponto, em sua interpretação de Salmos (112 e 01, nessa ordem) exatamente como se promete pelo que ele chamou de besteirol da prosperidade – quando diz das bênçãos de Deus, ele, assim como toda a teologia da prosperidade esquece a outra parte do mandamento, de pegar a sua cruz.

Mas CAUMA – ele ainda se salva em parte: “Sabe o que é prosperidade? Você tá aqui ganha mil reais, o da direita ganha 4 mil e o da esquerda 5 mil. Mas você vive melhor que eles, você tem alegria e paz na sua casa, não deve agiota. Isso é prosperidade bíblica” – e é mesmo.

Ele ainda comete mais um erro um pouco complicado (9:40), quando diz que ele tem pessoas de todas as classes sociais. Ôpa, pasto, você é o dono do rebanho, e da igreja? Calma lá, rapaz, você não tem aquelas ovelhas lá não, tá só cuidando delas enquanto o Dono vem.

Quando você pensa que o primeiro bloco não pode piorar, aos 10:45, Malafaia diz que Deus trabalha com uma forma de recompensa o tempo inteiro, por conhecer como funciona o homem – eu já acredito que não é bem assim. Exatamente por conhecer o homem, Deus não espera nada, e é só através do espírito dEle que conseguimos ter lapsos de bondade – e se é através dEle que somos bons, que mérito há nisso para sermos recompensados? Pô, Malafaia, aí pegou pesado!


Os próximos blocos vêm a seguir:

[Pausa] Homossexualidade e Igreja. Você já parou pra pensar (direito)?

Retratos de uma tristeza: Silas Malafaia vs Marília Gabriela e Repercussões na Internet. [Parte II]