Marketing Digital

(Esse texto é uma paráfrase/adaptação livre do conteúdo postado originalmente em inglês no site da Ignite Social Media por Jim Tobin; clique no link para prosseguir para o texto original)

Uma pesquisa do Ignite Social Media mostrou que o novo algoritmo utilizado pelo Facebook para montar o feed de notícias (as postagens na página inicial) nesse mês de dezembro está punindo páginas de marcas, independentemente de quantos fãs estejam interessados no conteúdo publicado por elas.

A análise feita levou em conta 689 postagens de 21 páginas (todas de grande relevância, de vários produtos) e descobriu que desde o começo de dezembro, o alcance orgânico (não-pago) diminuiu 44% em média (e algumas páginas viram seu alcance diminuir até 88%!).

E não só isso: com o efeito cascata, enquanto o alcance diminuía, o número de usuários engajados (envolvidos em postagens, curtindo, compartilhando, comentando) também caiu, numa média de 35% – com vales de até 76% em algumas.

Isso traz algumas mudanças nos discursos da equipe do Facebook: uma vez afirmaram que os posts de marcas alcançavam aproximadamente 16% dos seus fãs – hoje, com essas mudanças, mal passa dos 2,5% (uma notícia animadora para as empresas que investiram, hein?).

Ainda piora: uma pesquisa da Forrester and Wildfire mostrou que os usuários engajados (aqueles que o Facebook está distanciando das marcas), são, de fato, os melhores (e maiores) consumidores dos produtos: com menos usuários engajados, as empresas tem menos consumidores.

Neste vão deixado pelos usuários engajados, o Facebook oferece a compra de alcance para que as empresas promovam seu conteúdo, porém, essa mesma pesquisa demonstrou que os usuários orgânicos (os 3% alcançados normalmente pela empresa) são melhores, ou mais aptos a consumir que os 16% que foram alcançados através de anúncios pagos dentro da rede social.

A pergunta que todos estã querendo responder é qual deveria ser a postura das grandes marcas, se elas não conseguem alcançar nem mesmo aqueles que curtiram as páginas?

Com marcas investindo mais de US$6bi no Facebook, parece improvável que os impactos que essa mudança trouxe nos algoritmos fossem intencionais – até mesmo porque o modelo de negócios do Facebook é misturar o conteúdo orgânico com o pago.

O problema não é alterar as regras do jogo – Mark está certo em tentar otimizar a experiência do usuário. O problema é fazê-lo com base num chutômetro de que, de repente, todos os usuários acordaram com vontade de ver apenas o que seus amigos postaram, e não estão nem aí com as páginas que curtiram.

Os dados das pesquisas (tanto da Ignite Social Media como da Forrester and Wildfire) já foram entregues à equipe do Facebook, que está os revisando, e estamos otimistas quanto à sua aceitação. O problema é que essas mudanças vieram numa época delicada, quando agências estão planejando o orçamento de 2014, e uma mudança dramática no Facebook pode fazer com que agências mais conservadoras retraiam seus investimentos.

Algumas coisas eu luto, luto, luto – e não consigo tentar entender. Não sei se são as convicções que, bom, não são tão convictas assim, se o mundo dá voltas rápido demais ou se as coisas realmente não fazem sentido. Porque tem alguns valores muito contraditórios em cena, durante as frases prontas.


Em tempos de citações de ClariSSe Lispector e Caio de Abreu, não se sabe mais quem disse o que e como disse; mas pelo menos uma certa ordem deve-se ter: a pessoa que cita, cita por um motivo: concorda com aquilo, sente aquilo, vive aquilo.

Um cristão cita a Bíblia porque as Escrituras fazem sentido no processo de mudança e transformação que ele acredita estar passando. Um advogado cita um famoso jurista porque tem intenção de salvar seus interesses de acordo com aquele pensamento (nunca vi advogado citar tese contrária à que está defendendo como se fosse correta). Um professor ensina aquilo que acredita ser verdade. Todo mundo fala do que acredita.

Então, o que eu não consigo entender, é como a mesma pessoa que pega aquela corrente de começo de Orkut Usamos as pessoas e amamos as coisas, claramente falando que deveríamos nos importar mais com o ser humano, deveríamos amar uns aos outros, buscar o bem, harmonia, paz mundial e mais tudo que caiba em uma pitada do cigarrinho de palha pode virar e citar Nietzsche e dizer odeio quem me rouba a solidão sem me oferecer verdadeira companhia.

Porque, pombas. Você odeia que usem as pessoas, mas você mesmo só as tem como objetos para satisfazer as suas necessidades . Ou será que não é tão errado usar as pessoas assim? Ainda não entendi. Quem sabe um dia não tenho uma iluminação sobre isso? Aí eu compartilho com vocês.

Enquanto isso, peço desculpas a quem eu não ofereci verdadeira companhia, seja lá o que isso for. Provavelmente satisfazer todos os desejos de maneira incondicional – e disso, meu amigo, você pode esperar sentado. E a quem me ofereceu verdadeira companhia, já agradeço, ao mesmo tempo que peço desculpas. Porque provavelmente não ofereci de volta.

Já viu aquele tanto de promoção no Facebook anunciando o novo iPhone do ano, antes mesmo dele ser lançado no Brasil? Fotos com caixas e caixas e um simples pedido – curta a nossa página e compartilhe essa foto pra concorrer ao iPhone [n]. Sempre foi assim, não sei bem dizer se desde o primeiro iPhone ou desde o começo do Facebook (sinceramente, você acha que os brasileiros são tão bons que só por aqui que existem essas presepadas? Os e-mails de banqueiros nigerianos virem em inglês é a prova de que hoax é muito mais do que brasileiro emporcalhando rede social, como vivem dizendo).


Falando em banqueiros nigerianos, vem à lembrança de que isso começou não foi nem em redes sociais. Foi nos e-mails, que a AOL e a MSN iriam dar 1 centavo pra cada email que fosse compartilhado (essa praga é antiga mesmo, rapá) por aquela família carente em algum lugar esquecido pelo mundo. Ou mesmo a foto de meninos desaparecidos que, bem, nunca nem saíram de casa direito.

A verdade é que sempre rolou esses hoax que, no fundo no fundo, só produzem lixo virtual. Ah, entope caixa de email, entope facebook, entope as minhas veias de tanto ódio de gente-que-acha-que-está-fazendo-o-bem-sem-levantar-a-bunda-da-cadeira, mas cara… Cedo ou tarde você vai aprender que a vida é assim.

Que as pessoas vão e vêm pelas suas necessidades. Necessidade de amizade, necessidade de romance, necessidade de sentir a consciência limpa diante de tantas mazelas; satisfazer essas necessidades é totalmente diferente de realizar essas ações.

Se declarar amigo de alguém é muito mais fácil do que realmente ser amigo dessa pessoa – e bater de frente com ela. Se declarar para alguém é muito mais fácil do que arregaçar as mangas e estar pronto pro que der e vier com elas, e fazer o seu tudo para continuar assim – ou até mesmo reconhecer os limites de cada um. Sentir a consciência limpa é algo que para muito aquém da ação de ajudar os outros. Participar de sorteios fake é muito mais fácil do que trabalhar e gastar milhares de reais com o novo iPhone.


Somos todos compartilhadores de sorteios. Somos todos replicadores de correntes de e-mails. Com preguiça, desacostumados a fazer o que nos propomos – ou só fingindo que nos propomos a algo para satisfazer ninguém além de nós mesmos.

Quando eu vejo alguém compartilhando sorteio dizendo Vai que é verdade, né?  eu penso em quão pobre de espírito eu também sou, agarrado à minha ilusão de que um dia algo vai cair do céu, e bom, vai que dá, né?


Não acho que essa seja uma geração apática. Pelo contrário, nunca se discutiu tanto sobre tanta coisa como no Facebook e Twitter – nunca tantos jovens se engajaram a falar tanto sobre tanto como nos últimos anos. Sexo, religião, música, cultura, demarcação de terras indígenas, eficiência e eficácia do Judiciário, qualidade de programas de TV, desenvolvimento de tramas, livros em geral, adaptação de vários tipos de artes, costumes internacionais, desastres naturais e humanos – tudo vira discussão nas redes sociais.

Fazemos até metadiscussões – uma discussão sobre porque discutimos um assunto discutido. Então porque esse estigma de geração sem valor, apática, perdida? Eu tenho uma teoria pra isso, e para falar sobre ela, precisamos revisar um dos maiores ícones do brega brasileiro – Falcão.

Com o seu tipo de completo ridículo, Falcão representou o absurdo no começo dos anos 90, quando o Brasil enfrentava uma de suas maiores crises, que culminou no primeiro impeachment (numa fase que não se sabe se os jovens eram completamente alienados e obedeciam cegamente à Globo; ou se eram os últimos jovens extremamente ativos e por isso derrubaram o presidente e toda uma forma de governo ultrapassada – chegaremos nesse mérito em breve), trazendo o que hoje chamam de cultura inútil, fazendo troça e ignorando os maiores temas políticos que aconteciam na época.

(O interessante é que do mesmo modo que Falcão fez sucesso e os Mamonas Assassinas estouraram no Brasil inteiro fazendo humor e troça de várias maneiras politicamente incorretas que nem se imaginava existir, ignorando as necessidades e aspirações político sociais de todo o país, vários artistas da década de 80 são criticados e tidos como alienadores (assim como a própria TV) por não sustentarem uma posição contra a ditadura.)

Mas o que ninguém se lembra é que Falcão foi o maior profeta do que se tornariam as discussões dessa bela rede mundial de computadores. Com sua retórica insuperável, uma construção lógica indiscutível e um raciocínio pra nenhum debatedor pôr defeito, Falcão propõe algumas premissas que não se vê falha argumentativa alguma – e premissas essas que podem ser colocadas como conclusões sem nenhuma perda científica relevante.


Homem, meu caro leitor, é homem. Menino – é menino, sem negar o fato de que viado é viado e isso não se discute.

O problema é quando todos os argumentos giram em torno disso. Você não consegue ter uma discussão política sem discutir meia hora sobre o que é direita, o que é esquerda e a pessoa enfim conseguir desviar o assunto de tal maneira que depois que ela vê que o assunto não era nem esquerda nem direita, e que ela até concordava com você (a crise era se você era de direita ou de esquerda, como se isso alterasse a validade do seu argumento).

Aí o problema não é só política – é religião, futebol, música, cultura, leis, sociedade –tudo, cara, tudo é a máxima de homem é homem. Quando a pessoa não vira e fala – mas isso é SUA opinião. Amigo, meu blog, meu facebook, meu twitter – eu vou colocar opinião de quem?

Desde ali pela época do vestibular, quando o Orkut ainda era por convite, o Youtube estava dando seus primeiros passos e câmeras digitais com 5 megapixels eram sonhos de consumo (você pode imprimir fotos do tamanho A4 com elas!), as pessoas repetem um comportamento (e eu nem estou falando de falar que tal rede social está uma porcaria, isso já é senso comum) no mínimo estranho.

Toda vez que: (i) precisam estudar; (ii) precisam se concentrar em algo específico; (iii) tem algum tipo de frustração com as pessoas; (iv) são criticadas por suas atitudes; (v) terminam um relacionamento; (vi) entram num novo emprego; (vii) [insira aqui outro problema] a primeira coisa que essas pessoas fazem é se afastar da internet (ou até mesmo excluir seus perfis) – afinal, a internet é uma perda de tempo.

Em 2006, época que estávamos ressuscitando o mIRC, e que era modinha ter uma rádio online, juntamos um grupo de vestibulandos num canal, #Estudantes, onde as pessoas podiam tirar dúvidas, e havia um programa noturno de rádio debatendo sobre temas de História, Política, textos de Literatura e outros assuntos pertinentes – chegamos a tecer comentários sobre química orgânica no canal (com toda a parafernalha de sobrescrito e subscrito que era exigida pra digitar uma fórmula dessas na web) – tudo isso feito por estudantes, sem nenhum professor monitorando ou coordenando o processo.

Resultado: muitos de nós estudávamos quando estávamos na internet, matando tempo, e acabávamos estudando mais para poder participar mais ativamente do canal. O que é isso? Sonho, ilusão? Não, foco.

Hoje, pleno 2012, há muito mais recursos para se estudar online do que antigamente. Ao invés de um programa de rádio, hoje há podcasts que podem ser salvos, carregados em MP3, há possibilidade de se gravar vídeo-aulas no Youtube, há grupos de discussão no Facebook e ter um blog é infinitamente mais fácil e te dá muito mais ferramentas. Afinal, não adianta reclamar que a escola ainda vive no séc. XIX e no quadro negro-caderno-cópia, se você mesmo em casa sempre volta pra esse modelo antigo. Aproveite o que o séc. XXI tem pra oferecer e use o que melhor se adequar aos seus estudos. Vai fazer diferença.

Não se afaste dessa gama de recursos, dessa possibilidade de você se envolver mais ainda com seus estudos fugindo da internet e das redes sociais. Seja responsável, amadureça e saiba como usar o que você tem – pode ser um diferencial, assim como foi para nós.