Igreja

Nos reinventamos. Recriamos a roda, tentamos fazê-la quadrada, tentamos fazê-la triangular, e no final das contas descobrimos que a melhor forma de fazer uma roda rodar é fazendo ela redonda. Cansamos da igreja tradicional. Dos hinos antigos, das vestes sacerdotais e dos papéis de pastor, diácono e presbíteros.

Fizemos movimentos. Não éramos mais igrejas, éramos Igreja. Lá, podíamos ir mais longe – fazer coisas que a burocracia eclesiástico-institucional inviabilizava. Nos envolvemos em lutas importantes: fomos contra o voto de cabresto – ganhamos fama no país inteiro ao lutar contra as influências e coações pastorais que influenciavam eleições.



Mostramos como era terrível que um pastor tivesse poder de definir as eleições através dos votos de suas ovelhas e como era maléfico dar espaço de culto para candidatos. E estamos nessa luta até hoje.

O problema é que tentamos fazer uma roda quadrada – tentando ensinar as pessoas a refletir criticamente. Um processo que dói, um processo que é difícil, e que acaba envolvendo muito mais do que apenas uma reunião dominical (ou em qualquer outro dia da semana, afinal não somos igreja, mas durante a semana é complicado, sábado à noite tem outras coisas pra fazer e aí sobrou ele mesmo, o domingo): envolve a família, envolve educação formal, envolve estudos de filosofia e sociologia, matérias que nem em três anos de ensino obrigatório conseguem se provar importantes para seus estudantes. É impossível libertar pessoas e ensiná-las a pensar por si próprias quando o próprio contexto social que elas se encontram inviabiliza o tempo necessário para isto – e quando a nossa própria agenda política se põe no caminho.

Tentamos fazer uma roda triangular – e nos diferenciamos, em cursos de formação política com vieses de esquerda e de direita, para que as pessoas pudessem compreender como uma doutrina social ou outra poderiam auxiliar a alcançar fins que seriam de interesse da Igreja (com i maiúsculo, não é mesmo?). E não se engane: ambos movimentos eclesiásticos, tanto de direita quanto de esquerda, tem essa intenção: a agenda da esquerda busca dar dignidade através de políticas públicas; a agenda da direita busca dar dignidade através da liberdade e auto-determinação. O escopo é o mesmo, e são igualmente válidos. Mas mesmo assim, criamos problemas – não é todo mundo, da mesma forma, que está disponível, interessado ou que vê a importância desse envolvimento.

Foi quando arrendondamos nosso projeto de roda, e ficamos tão felizes por ele funcionar que não paramos pra pensar no que diabos estamos fazendo. As recentes cartas, manifestos e posturas, de todos os lados, mostram que o voto de cabresto ainda é uma realidade muito forte dentro das igrejas e movimentos eclesiásticos.

Se anos atrás lutávamos contra uma liderança que falava “vote em FULANO, porque Deus está com Ele”, hoje nos vemos em um jogo mais sujo: falamos em indiretas, nas entrelinhas. “Convocamos a assembleia dos santos a exercer sua cidadania terrena à luz de sua cidadania celestial”, “como cristãos, rejeitamos e denunciamos com veemência a corrupção, a iniquidade, a impunidade e o ataque ao Estado Democrático de Direito” – tudo isso ligado a um espiritualismo condenável, de orações, jejuns e até mesmo avivamentos.

Reinventamos a roda – mas trazemo-la mais maligna, mais dissimulada. Enfim, mais hipócrita.



Leia:

O Manifesto da Teologia Brasileira;

O Manifesto da Missão na Íntegra.

Igreja

essainternet



O messias de hoje não seria cristão. ‘É preocupante quando os principais valores que norteiam os cristãos nas eleições foram “alternância de poder”; “recessão técnica” e “revolução comunista”. Expressões como “fome”; “justiça social” e “verdade” passaram longe de qualquer corrente de whatsapp.

Engraçado reparar como os seguidores de Jesus conseguem se afastar da Bíblia em quase todas as escolhas sociais que precisam fazer: é só dar um palanque para um cristão para vê-lo cair.

Se seguidores de Jesus fôssemos, estaríamos preocupados não com a bolsa de valores, o índice de ativos ou o valor da Petrobras, mas com o nosso irmão que passa fome e sede. Não me recordo de Jesus estar preocupado com o alto preço dos cavalos (ou jumentos, já que o jumentinho era quase uma BMW, né?) ou com a exportação da safra de trigo.

Da mesma forma, Jesus estaria preocupado com o desemprego da população que o seguia, com os padeiros e os fazendeiros que tinham perdido todos os seus trabalhadores que passaram a “vagabundar” pela Galiléia, e não teria partido um pãozinho vagabundo e dado de comer e beber aqueles que o seguiam. Será que realmente os cristãos deveriam combater o bolsa-família, que dá estupendos setenta reais a quem cumpre uma série de pré-requisitos, e lutar para que as pessoas parem de ganhar o peixe e sejam ensinadas a pescar?

O movimento LGBT precisa ser detonado pelos cristãos para acabar com qualquer chance de ditadura gay. O casamento é só para nós, o Estado não deve servir para defender suas atitudes pecaminosas, assim como Jesus foi o primeiro a pisotear e apedrejar a mulher adúltera.

Às vezes, parece que a igreja é a corrente contra a qual temos que nadar, por mais underground que ela pareça.

Utilidade Pública

Evil Abed

Noruega proibiu a Arábia Saudita de financiar mesquitas

Se não há igrejas na Arábia Saudita não haverá mesquitas na Europa. A Noruega proibiu a Arábia Saudita de financiar mesquitas, enquanto não permitirem a construção de igrejas no seu país. O governo da Noruega acabou de dar um passo importante na hora de defender a liberdade da Europa, frente ao totalitarismo islâmico. Jonas Gahr Store, ministro dos Negócios Estrangeiros, decretou que não seriam aceites os donativos milionários da Arábia Saudita, assim como de empresários muçulmanos para financiar a construção de mesquitas na Noruega

Segundo o referido ministro, as comunidades religiosas têm direito a receber ajuda financeira, mas o governo norueguês, excepcionalmente e por razões óbvias, não aceitarão ofinanciamento islâmico de milhões de euros.

Jonas Gahr Store argumenta que: Seria um paradoxo e anti-natural aceitar essas fontes definanciamento de um país onde não existe liberdade religiosa. O ministro também afirma que a aceitação desse dinheiro seria um contra-senso»,recordando a proibição que existe nesse país árabe para a construção de igrejas de outras religiões.

Jonas Gahr Store também anunciou que a «Noruega levará este assunto ao Conselho da Europa», donde defenderá esta decisão baseada na mais estrita reciprocidade com a Arábia Saudita.

Via Midia Gospel


A internet, meus caros, é um grande telefone sem fio. Por exemplo, essa notícia, acima, da proibição de mesquitas na Noruega – todo mundo lembra a preula que deu quando um cartunista dinamarquês resolveu que seria uma boa ideia desenhar o profeta Maomé (maior profeta reverenciado pelos muçulmanos) usando um turbante-bomba, há cinco anos atrás. Surgiu então, na minha timeline um link, de um blog aparentemente duvidável, falando sobre a suposta proibição da construção de mesquitas na Noruega. Fui pesquisar. Uma das notícias que apareceu nas pesquisas é essa acima, e acreditem, apesar do nome do site, é uma das referências mais concretas com a notícia.

Quando li a notícia, percebi três erros crassos:

(1) O suposto ministro de “negócios estrangeiros” (embora a tradução oficial seja Assuntos Estrangeiros) saiu do cargo em 2012; 
(2) Não é de competência nem do Ministro de Assuntos (ou Negócios) Estrangeiros legislar sobre o tema, nem mesmo do Ministro da Economia/Fazenda Pública (cargo que ele ocupa hoje), mas do Parlamento;
(3) Só tem essa notícia em blogs cristãos (que não são bem conhecidos pela sua imparcialidade.

Fui à pesquisa. Como não encontrei nenhuma referência concreta à proibição seja de financiamento de mesquitas pela Arábia Saudita (o governo saudita investiria recursos públicos na construção de mesquitas no exterior? Como se proibir particulares de gastarem seu dinheiro em objetos específicos sem causar um incidente internacional?), resolvi mudar o foco da pesquisa. Fui procurar a proibição saudita de se construir/plantar/fundar novas igrejas no país. Cravando resultados no Google, encontrei mais notícias estranhas. Segue:

Destruição de igrejas católicas é exigida por autoridade islâmica

Meca (Segunda-feira, 26-03-2012, Gaudium Press) O grão-mufti sheikh Abdul Aziz bin Abdullah, alta autoridade clerical da Arábia Saudita, exigiu a destruição de todas as igrejas existentes na região do Golfo Pérsico. A decisão do governo do Kuwait de proibir a construção de novas igrejas no país, foi elogiada pelo sheikh, mas segundo ele a medida é pouca, pois é necessário destruir as igrejas que já existem. A exigência de Abdullah só não seria aplicada à Arábia Saudita, pois ali, não existe qualquer local de culto não muçulmano e qualquer outra manifestação religiosa já está proibida.

 

Além de ser a mais alta personalidade do clero da Arábia Saudita, o grão-mufti da Arábia Saudita foi considerado o 14º muçulmano mais influente do mundo pelo Real Centro Islâmico de Estudos Estratégicos, no ano de 2011. Nos países do Golfo Pérsico os cristãos são uma minoria, sendo sobretudo imigrantes. Em países como a Jordânia, Palestina, Iraque, Egito, Líbano e Síria, há comunidades cristãs significativas, mas o clima de perseguição religiosa tem aumentado também nesses países. (EPC)

Com informações da Rádio Vaticano.

Fonte: Associação Religiosa N. Sra. das Graças

Ok, vamos lá. Então nem repentinamente a Arábia Saudita começou a proibir a construção de Igrejas, nem a Noruega impediu coisa alguma – na verdade eu não sei o que a Noruega tem a ver com a história até agora. Mas uma coisa nesse link me chamou a atenção: a fonte. Fui então pesquisar no Gaudium Press, site dito como referência no início do texto, porém nenhuma das pesquisas retornou resultado.

Mesmo assim, eu já tinha uma história a seguir. Alguém tinha dito alguma coisa no Oriente Médio (tá vendo o problema da mídia cristã?). Foi então que encontrei o site da Agência Oficial de Notícias do Vaticano. Explico: por mais que Vaticano seja a sede da Igreja Católica, ainda assim é um país, e tem uma reputação a zelar (ou pelo menos deveria) no que tange à relações internacionais. Na NEWS.VA, há uma notícia que diz “O xeque Abdul Aziz bin Abdullah, Grão Mufti da Arábia Saudita (…) declarou que “é necessário destruir todas as igrejas da região”. A notícia continua:


A declaração do mufti foi feita depois que um parlamentar kuaitiano, Osama Al-Munawer, anunciou no mês passado, na rede social “Twitter”, a intenção de apresentar um projeto de lei para a construção de novas igrejas e lugares de culto não islâmicos no Kuwait. Recentemente, por ocasião da consagração de uma Igreja católica nos Emirados Árabes, os cristãos locais auspiciaram “a abertura de negociações para construir uma Igreja na Arábia Saudita”, visto que no Reino Saudita, segundo estimativas, vivem de 3 a 4 milhões de cristãos, trabalhadores imigrantes que desejam ter uma Igreja. Em junho de 2013, o Card. Fernando Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos povos, consagrou a nova Igreja de Santo Antônio nos Emirados Árabes Unidos, nas proximidades de Dubai , e uma nova Igreja dedicada a São Paulo está sendo erguida em Abu Dhabi. No início de 2013, o Rei de Bahrein doou à comunidade cristã um terreno para a construção de uma nova Igreja, a Catedral de Nossa Senhora da Arábia.

Fonte: News.Va

Então já temos um contexto: Após um parlamentar do Kuwait dizer que gostaria de fazer um projeto de lei para liberar a construção de igrejas no país, alguém disse que deveriam destruir todas as igrejas da região, e não construir mais. Só nos resta a pergunta: quem raios é Grão Mufti Abdul Aziz bin Abdullah? O site da Rádio do Vaticano (que tinha sido citada anteriormente), explica: Grão-Mufti é uma alta autoridade clerical, que pode emitir fatwas. Fatwa (ou fátua, abrasileirado) é um pronunciamento legal da religião islâmica – assim como Papas emitem Bulas Papais, que são consideradas leis religiosas para católicos e assim como Assembleias e Conselhos Eclesiásticos determinam doutrinas aos fiéis evangélicos, as Fatwas são ordenamentos aos muçulmanos, geralmente vindos de interpretações do Alcorão. Transportando para uma realidade ocidental, é como se um pastor evangélico dissesse, no morro carioca, que deveriam fechar todos os centros de umbanda e terreiros de candomblé. Não que isso seja realidade, é apenas uma suposição que pode coincidir com histórias reais.

Mas calma, não vamos discutir sobre a justiça ou injustiça desses ordenamentos religiosos. A internet é sim, um grande telefone sem fio. Um líder religioso da Arábia Saudita disse que precisavam destruir igrejas. Um líder da Arábia Saudita disse que precisavam destruir igrejas. Arábia Saudita vai destruir igrejas. É nesse ponto que entram pessoas mal-intencionadas, nessa bagunça de repostagem e mídia 2.0, o jornalismo que não é jornalismo e por isso não precisa de credibilidade, e acrescenta uma história  completamente bisonha, como essa da Noruega impedir financiamento de mesquitas. Em tempo: sim, na Arábia Saudita, assim como no Kuwait, é proibida a manifestação pública de outras religiões senão a muçulmana (nesse momento, um líder evangélico candidato nessas eleições coça sua barbixa enquanto pensa no paraíso que poderia criar com esse poder), como informa relatório do Departamento de Estado dos EUA:

The government claims to provide for and protect the right to private worship for all, including non-Muslims who gather in homes for religious services. This right was not always respected in practice and is not defined in law. Moreover, the public practice of non-Muslim religions is prohibited, and the Commission for the Promotion of Virtue and Prevention of Vice (CPVPV) and security forces of the Ministry of Interior (MOI) continued to raid private non-Muslim religious gatherings. Although the government also confirmed its stated policy to protect the right to possess and use personal religious materials, it did not provide for this right in law, and the CPVPV sometimes confiscated the personal religious materials of non-Muslims. Religious leaders and activists continued to face obstacles in expressing their views against the religious establishment.

Fonte: US Departament of State

“O governo diz que provê e protege o direito de culto privado para todos, inclusive não-muçulmanos que se reúnem nas casas para prestarem cultos religiosos. Esse direito não foi sempre respeitado na sua prática, e não está definido em lei. Além disso, a prática pública de religiões não muçulmanas é proibida e a Comissão para a Promoção de Virtude a Prevenção do Vício (CPVPV) e as forças de segurança do Ministério do Interior (MOI) continuaram a fazer batidas policiais em reuniões privadas de não-muçulmanos. Embora o governo também confirme a sua política de proteger o direito de possuir e usar acessórios religiosos, não há legislação nesse tema, e o CPVPV costuma confiscá-los de não-muçulmanos. Líderes religiosos e ativistas ainda enfrentam obstáculos em expressar suas visões contra o status quo religioso.”


Igreja

 AH

Mentiram para nós. Eu vejo agora e é como se estivéssemos olhando alguns anos de mentiras. Nós não somos nada. Não somos geração alguma. Deus não nos separou para conquistar o mundo, e Ele não reservou nenhum propósito dançante ou cantante. Não somos nós que vamos celebrar a glória ou vê-Lo saltando pelos montes para trazer os novos tempos. Não somos nós que vamos conviver com o reinado da besta, seja através de chips ou de códigos de barra implantados na nossa mente.


Não fomos nós que causamos a perdição, e não somos nós que traremos a salvação para toda a Terra. Lembra daquela conversa de “você é especial?” Não, você não é. É como qualquer outro, de Sete a Salomão, de Davi a Nicodemos. Você não vai comandar o Exército dos Exércitos ou advogar pela Salvação. Do jeito que lá vai, nem escudeiro de um soldado raso nessa guerra espiritual você vai ser.

Acostume-se com isso. Engula a verdade ao invés de se apegar às mentiras que têm nos sido enfiadas pela garganta nos últimos anos. Não vivemos tempos triunfalistas. Não somos o primeiro nem o último ano da seca ou das vacas magras. Estamos bem ali, no meio, onde ninguém lembra.

Somos uma daquelas gerações de Números ou de Deuteronômio que as pessoas insistem em não dar importância. Somos parte daquele povo que maldisse o próprio Deus enquanto caminhava no deserto, a despeito de toda a Glória nos nossos dias. Maldizemos o sol, embora ele seja a esperança de uma nova vida. Amaldiçoamos o calor, por mais que ele nos traga o caminho. Praguejamos contra o frio por mais que ele nos lembre do nosso foco. Se formos uma geração, somos uma geração inteira de Nínive, que não vale a pena salvar.

Estamos perdidos, e nos agarramos desesperadamente a uma crença de que estamos perdidos por algum motivo especial, fora a nossa própria torpeza. Vivemos como marionetes, comemorando anos de vida e fingindo que não estamos abraçando desesperadamente nossas teologias de libertação e consagração, como se elas se diferenciassem de qualquer outra brisa refrescante de doutrina velha com cara de nova.

É como se tivéssemos um ar-condicionado que só funciona a ventilação e fingíssemos pra nós mesmos que é pra isso mesmo que ele serve. Mas não é para isso que Ele está aqui. Não é para nos fazer ricos, nem para trazer dinheiro ao pobre. Não é para que sejamos felizes ou tenhamos um propósito de vida, como tanto sonhamos com viagens épicas ao Santo Graal da Verdade.

Se na Idade Média sonhavam com uma Verdade contida num cálice de ouro, hoje sonhamos com uma Verdade contida numa felicidade, num propósito que seja tangível – e estamos tão errados como sempre estivemos, desde que Moisés recebeu as leis até o surgimento de um cara que descobriu que era Deus porque sentiu que ele estava falando consigo mesmo durante uma oração.

Somos medíocres. Normais. E quanto mais cedo percebermos isso, melhor para a Igreja de Cristo.


Opinião

Alô internet!

Há muito tempo eu venho pensando nesse post e foi nessa madrugada de ontem pra hoje que eu resolvi finalmente fazer esse post. Temos aqui agora, exclusivamente para vocês, o melhor do melhor, o supra-sumo da internet cristã-protestante-evangélica-neopentecostal-jovem-l0k4-por-Jesus:

OS CINCO MELHORES VÍDEOS DO MEU, DO SEU, DO NOSSO: PASTÔ LUCINHO!

Conhece esse cara?

Claro, não pegamos todos os vídeos, mas aqueles que são o ponto alto do programa dele: quando ele responde perguntas dos fiéis pela TV no seu programa-cópia-do-Danilo-Gentilli, Nunca é Tarde. Não, não basta copiar o formato, o estúdio e uma banda de gosto duvidoso (conseguiram até achar uma banda de gosto duvidoso gospel) – precisava copiar até o nome do programa. Ainda bem que Deus é o Deus de todas as coisas inclusive criatividade (imagina se não fosse).

Sem mais delongas, vamos aos vídeos! Lembramos que: (a) Se você passar mal, a culpa é única e exclusivamente sua, por ser burro e tapado suficiente para ver vídeos em série desse rapaz. Sempre levante e tome um copo d’água entre um vídeo e outro. (b) Se você tiver acessos de fúria, vide letra a. (c) Se você tiver acessos de riso e não conseguir mais levar nada a sério, vide letra a. (d) Se você for demitido por rir alto demais no trabalho, vide letra a. LOGO esse post é NSFW (Not Safe for Work). Prossiga assim como você prosseguia no Assutadorpontocompontobr, por sua própria conta e risco:


(1) POSSO FAZER MÁGICA PARA ENTRETENIMENTO??

Não, não basta a pergunta ser sobre magia negra satânica ocultista invocadora de satã, ele fala sobre RPG. Pego a melhor citação do vídeo para você se preparar pelo que vem pela frente:

RPG é um jogo que você literalmente brinca com o destino e com o futuro dos outros invocando espíritos



(2) PASTÔ, O QUE A BIBRA DIZ SOBRE BARALHO??

Entra no google, que você vai ver que o rei no baralho é o diabo. A Valete, a senhora (mas valete não era homem?) é Maria. E a Copas (o naipe inteiro?) é filho (não era A copas?) é o filho do cruzamento do diabo com Lúcifer (tipo Lilith?)

O engraçado que ele responde a pergunta em três segundos “A bíblia não fala de baralho”. Aí… eu não sei nem como comentar esse vídeo, sem cometer uns 4 ou 5 pecados aqui. Mas chegue até os 2:50 e imagine a conversa entre Deus e Lucinho que ele elucida sobre brincadeiras. “Vá brincar de dormir e de comer” talvez seja o melhor conselho desse vídeo. Mas como de Deus não se zomba, do pastô pode!



(3) ASSISTIR FILME DE TERROR É PECADO??

A citação do vídeo, já entrego de bandeja:

O filme de terror é uma sessão espírita de macumba na sua casa.

Mas com certeza vale a pena assistir o vídeo pra ver o Pastorcito de 40 anos: (1) admitindo, meio sem-querer que tem medinho de filme de terror; e (2) quando recebeu uma contra-argumentação tão estapafúrdia quanto o argumento que ele propôs, falando ser herético – já pode entrar pro Reforma que Passa, hein Lucinho! Manda Currículo. Ah, se alguém entender a história que o vocalista do Ultraje a Rigor Gospel contou sobre o cowboy, me avise.



(4) UM CRENTE PODE FAZER YOGA??

A palavra Yoga significa acorrentar-se, e a base da Yoga foi para unir o corpo da pessoa com os deuses do budismo. Aos grandes deuses do hinduísmo. Eu posso falar porque eu estive na Índia.

Eu mesmo posso falar de curandeirismo das tribos guaranis porque já fui no Pará. Fico feliz também pelo Pastor Lucinho ter resolvido todas as diferenças entre budistas e hinduístas que já tem aí seus mais de 5 SÉCULOS de distanciamento, além de agrupar todos os budistas num grupo só. Podia ajudar e fazer isso com as milhares de denominações protestantes também, não? Ou juntar os protestantes e eles com os católicos é pecado?


Fica, além disso, a remissão a este vídeo, que ele usa a mesma argumentação para afirmar que pode sim fazer acupuntura. Vai entender….

(5) UM CASAL CASADO PODE FREQUENTAR MOTEL?

Talvez a melhor resposta. Talvez seja essa realmente a resposta que aclamará a importância desse cara no mundo. Não, é sério.

Você consegue imaginar o Pai, o Filho e o Espírito Santo entrando no motel?

E Jesus conheceu a prostituta na padaria, naturalmente.

Observação importante: segundo o menino Lúcio Barreto Júnior, a pomba é figura do diabo, não do Espirito Santo.


BÔNUS

Esse nem é uma pergunta, mas tá aqui pra vocês fortes, resistentes que viram até aqui esses vídeos. Se você não sofreu, nem por um minuto, vergonha alheia, prepare-se, porque AGORA VAI:

Mesma lembrança de sempre: para melhor entender a pataquada, a babaquice, o nível de transtorno mental do cidadão pastor ungido, assista o vídeo até o final, mesmo que isso custe a sua sanidade.


E você? Sobreviveu até aqui? Se achar algum vídeo que poderia ser incluído nessa lista, comenta aí!

Saiu primeiro no Twitter, depois invadiu o facebook e aí sim passou para os portais de notícias: Traficantes evangélicos expulsavam os membros do candomblé (praticante do candomblé parece errado, imagina praticantes do arminianismo – se bem que aí faz sentido) porque… sim.

Sim, a maior parte das igrejas que entram nas comunidades são neopentecostais, sim, boa parte das doutrinas neopentecostais se baseiam, entre outras distorções no evangelho, em um preconceito com religiões diversas, principalmente as de origem africana, e que os neopentecostais se afastam bastante de outras denominações protestantes já é bem sabido e espalhado por aí.


Mas o engraçado é que nos rincões evangélicos das redes sociais, nos becos protestantes diferenciados, aqueles mesmos, os diferentes porque não usam terno, os que não escolheram esperar e acham que são superiores, entre outras manifestações claramente espirituais que os tornam mais e melhores que toda a massa crescente de lixo que se tornou o universo, resolveram focar a parte dos traficantes evangélicos.

Não foram dois ou três tweets, não foram meia dúzia de comentários, mas uma avalanche de críticas ao fato de traficantes serem evangélicos. Claro, porque quem se converte, nunca mais pecará. Porque a vida de alguém que conheceu a Jesus muda de tal forma que ela não peca, não erra e não faz nunca mais nada de errado. Com certeza esses traficantes não entenderam o evangelho como nós, diferenciados, seres humanos dotados de intelecto superior, entendemos.

Afinal, eu nunca mais errei. E saí de todos os meus pecados e vicissitudes (olha só) automaticamente quando confessei que Jesus Cristo era Senhor e Salvador da minha vida.

Por favor, né…


Annie :(


Um dia acordei depois de sonhar que não estava aqui
num dia sonhei depois de acordar sentindo você aqui
nesses dias confundi ida e volta do caminho a seguir
me vi perdido estando tão longe e tão perto de mim

Pensei que estivesse errado,
talvez eu até tivesse viajado
sua história tivesse forçado
Acordei sem acreditar em você

Um dia eu pensei que pudesse ser diferente
– num sonho eu fugiria dessa vida indigente
mesmo envergonhado eu seria da sua gente
Meu salvador, agora estaria tão indiferente?

Nesse dia acordei assustado
com pensamento embriagado
pensando estar abandonado
Se não fosse você, o que seria de mim?

Nesse dia eu orei tão desesperado, pedindo
desse sonho acordei tão frustrado, clamando
busquei você onde eu achava estar, sofrendo
e quando quase desisti foi que te vi, sorrindo
Me chamando para mais perto de ti

Um dia acordei depois de sonhar que não estava aqui
Num dia sonhei depois de acordar sentindo você aqui
nesses dias eu te busquei onde ninguém mais podia ir
e te encontrei, junto com a paz que eu tanto persegui

Você nunca foi embora
e nunca vai me abandonar
mesmo que eu sonhe
ou até deixe de acreditar
você estará comigo
até quando paro de sonhar


Todo fanático tem um objetivo simples em mente: construir um mundo melhor. Claro, ninguém considera que sua ideologia, sua crença ou princípios fariam sua vida pior – nem mesmo os satanistas acham que ele é um cara tão mau assim.

Todo fanático tem a certeza de que, assim que todos entenderem os seus princípios, e os seguirem, o mundo será melhor. Se todos forem comunistas, todos vão ter o suficiente; se todos forem meritocráticos, todos vão se esforçar suficientemente para obter os seus desejos; se todos forem islâmicos, todos entrarão no Paraíso e viverão de acordo com a moral; se todos forem cristãos, o mundo será mais pacífico e seguro – e assim por diante.


As crenças, as filosofias de vida trazem algo bom para a humanidade. Apesar da  ATEA resmungar o contrário, a crença em algo não é por si só, algo prejudicial. O problema é quando bate na pessoa aquele espírito de tia, sim aquele espírito de que você é obrigado a seguir aquele caminho, porque aquele caminho é legal.

boo

Todo mundo já conheceu uma tia (mesmo que não fosse de sangue) cujo único objetivo de vida era colocar a sua conversão a uma fé como assunto central de um grupo de pessoas. Seja no almoço de família, na ceia de Natal, nas topadas sem-querer na esquina da sua casa (Não, tia, que isso, não estou te evitando), sempre tem aquela pessoa que precisa te converter ao pensamento dela.

O problema da síndrome de tia é quando ela acontece com grupos inteiros, e não com pessoas inofensivamente inconvenientes. Um grupo de tias pode facilmente se formar em lugares como faculdades, escolas, empresas, até em praças. São pessoas que se reúnem pra conversar sobre aqueles princípios que elas definiram que eram bons pra elas e sentem-se compelidas (talvez pela mentalidade de grupo) a expandir aquilo de uma forma a obrigar os outros a verem a sua verdade.

São grupos de partidários que ao invés de discutir política, estão panfletando sobre o as injustiças do capital na fazenda de Paranaguá do Norte, divisa de Roraima com o Amazonas. São grupos de evangelismo que de repente, ao invés de evangelizar, estão orando e decretando a conversão da cidade toda – ou de terceiros.

Pode não parecer, mas não só é extremamente inconveniente ter pessoas manifestando publicamente que você está errado, como é uma atitude extremamente babaca que só faz as outras pessoas afastarem do seu ideal – por melhor que ele seja.

Atitudes como essa apenas favorecem a criação de grupos antagônicos, com a intenção e força contrária aos grupos originais. Provocando discussões, rixas, divisões e toda a história da humanidade como a conhecemos.


Ontem foi daqueles dias que a gente sai cedo do serviço com um monte de planos na cabeça e milhares de coisas pra fazer que vão facilitar a vida daqui pra frente – aquela hora que a gente acha que tá entendendo mais ou menos como as coisas funcionam e temos algumas certezas sobre o que queremos e o que temos que fazer.

Mas aí caminho pra casa fui assaltado. Levaram celular, surgiu uma leve pancadaria por ali, mas tá tudo bem. Um dos motoristas que parou pra tentar ajudar ligou pra Polícia (ainda bem que eu nunca manifestei contra a existência da polícia ostensiva) e em pouco menos de cinco minutos que os três ladrões saíram correndo, uma viatura chegou falando que tinham enquadrado um grupo de moleques que a descrição batia, uns sete quarteirões pra cima de onde rolou a confusão toda.

Subi na viatura e fomos pra lá, dos quatro que tinham sido juntados, só um fazia parte do grupo que me assaltou, e outro parecia um pouco, mas eu acreditava que não estava, mas as características que passei pra PM na ligação, logo depois da correria batiam como uma luva. Por via das dúvidas, ele foi encaminhado pra PM também, junto com a mãe – claro que os três eram menores de idade.


Escrevo aqui não porque roubaram o meu celular, ou porque três ladrões decidiram começar uma briga contra um cara (que ainda não sou o Jack Chan, então levei a pior), ou porque eles eram todos menores de idade e não vão ficar presos.

O que me deixou esquisito mesmo foi ver a mãe de um dos guris, descendo a rua, desesperada, perguntando DE NOVO? pra ele. Eu vi todo aquela agonia que eu já vi várias vezes na cara das mães que acompanhei em alguns bairros da cidade com a igreja, senti aquela tristeza de já ter ido buscar menor em vários cantos da cidade – por estar na hora errada, com as companhias erradas – e sim, dessa vez ele não tinha culpa, não era esse guri mesmo.

Mas chegando na DP o PM me passou a ficha dele. Foi apreendido com uma arma paraguaia, que ia repassar pra uma boca-de-fumo, já foi pego com carteiras variadas – e a lista continua. Olhar pra mãe daquele guri, de cabelos brancos, mãos ásperas de quem fica na vassoura e rodo o dia inteiro, e o olhar de quem já não sabe mais o que fazer, mas ainda não desistiu do seu filho.

Não sei, isso me deixou ruim. O que fazer? Como fazer? Existe uma solução? Como trabalhar com uma família tão destruída, nessa altura do campeonato? Não sei, mas isso não sai da cabeça.

(A série Um café com… é baseada na interpretação dos livros e das mensagens passadas por algumas pessoas. Ficção, baseada em impressões. Não chega nem perto de uma tentativa de biografia, é apenas uma quase-homenagem)

Quando eu cheguei, ele já estava lá. Sentado, com uma xícara na sua frente, eu diria que a sua pontualidade é inglesa, se isso não fosse meio incomodante pra qualquer irlandês, por maior que o seja. Quando sentei, o cumprimentei, e ele abriu um sorriso de quem já se acostumou a ouvir qualquer desculpas acerca do trânsito, da vida ou de fatores quase sobrenaturais para os atrasos alheios – nem me arrisquei a abrir a boca e entrar por este caminho.


Pelo contrário, ofereci-lhe pagar por outra bebida – que depois vim a descobrir ser água tônica. Diferente, porém compreensível. Acho que nunca vi uma bebida que definisse alguém de uma maneira tão completa – aquele gosto suave, refrescante mais ao mesmo tempo que puxa um pouco para o amargo, remete muito à literatura que aquele homem escreveu durante seus longos anos nessa caminhada que foi do ateísmo absoluto à entrega completa.

Seus livros ficcionais descrevem com uma clareza quase cegante a maravilha da Criação e dos planos e propósitos de Deus nos fazem sonhar, até que a natureza humana é mostrada na sua face mais crua – aquele gosto amargo do final da água tônica.

Conversamos levemente, sobre qualquer coisa de leve que eu não me lembro bem quais eram. Eu só tenho certeza que ele conseguia falar de alguma coisa que me remetia à teologia, sem nunca falar claramente; parecia que o Evangelho saía naturalmente de tudo que ele era e fazia, de uma forma tão impactante que não me restou muita coisa além de buscar todas as mensagens que aquele homem dizia, fazendo ligações e conexões com tudo que aprendi, estudei e vivi. Parecia que algumas coisas iam ao encontro de tudo que eu passei, como se ele estivesse estudado a minha vida; outras abriam novas perspectivas sobre coisas que até então eu me mantinha irredutível.

Lembro vagamente de alguns princípios de relacionamentos amorosos enquanto falávamos sobre a seleção irlandesa de futebol; alguns comentários sobre a plenitude divina enquanto falávamos sobre o café que nos encontramos; e até mesmo os problemas de se reduzir Deus à nossas teologias e convicções enquanto caminhávamos para fora do café (mesmo que eu não me lembrasse de ter levantado, ou pagado a conta).

Mas foram suas últimas palavras antes de entrar no táxi que ecoaram na minha mente por tanto tempo que, até hoje, enquanto escrevo esse texto, elas não desceram, entaladas na minha garganta.

Era algo assim “Não use o conhecimento de Deus para classificar as Suas ações, efeitos e transformações. Viva. Sinta. O resto, vem. Não se preocupe com o que é a manifestação da graça comum, como ela acontece e seus efeitos. A reconheça. A viva. A sinta. E reforce sua vida para servi-Lo.”

“Agora vejo como o senhor do mundo silencioso modificou você. Existem leis conhecidas por todos os ‘“hnau”, leis de piedade, justiça, vergonha etc., e uma destas é o amor aos seus semelhantes. Ele ensinou você a desobedecer a todas elas, exceto esta última, que não é uma das maiores. Ele deturpou-a de tal maneira que a transformou em loucura e tomou conta de seu cérebro onde governa tudo como se fosse um pequenino Oyarsa cego. Nada mais lhe resta senão obedecê-la; apesar disto, se lhe perguntarmos porque ela é uma lei, você não poderá dar uma razão diferente da que faz as outras serem leis; estas, no entanto, embora maiores que ela, são desobedecidas.”

(Além do planeta silencioso, C. S. Lewis)