Utilidade Pública

O Plano Nacional de Segurança Pública começou a entrar em vigor nesta terça-feira (06 de junho), mesmo rechaçado por diversas entidades sociais. Divulgado pelo então ministro da Justiça Alexandre de Moraes (que encabeçou uma polêmica indicação para Ministro do STF), o Plano consiste em uma série de 62 slides apresentados à mídia e só.



O que é o Plano Nacional de Segurança Pública?

C0m as premissas de integração, cooperação e colaboração o plano põe três objetivos:

  • Redução de homicídios dolosos, feminicídios e violência contra a mulher
  • Racionalização e modernização do sistema penitenciário
  • Combate integrado à criminalidade transnacional



Esses objetivos seriam conquistados através da capacitação do policial (os slides prevêem a criação de uma matriz curricular (?) pelos diretores das Academias de Polícias e elaboração de estatísticas de eficácia); desenvolvimento da inteligência (implantação de núcleos de inteligências em todos os estados que reúna PMs, PRFs, PFs, PCs, o sistema carcerário e o Ministério Público, bem como interligação dos sistemas de videomonitoramento, padronização das principais ocorrências, compartilhamento de informações entre as forças de segurança, aquisição de 837 câmeras para patrulha da PRF, um aumento de 954% do número de câmeras em operação); e atuação conjunta (foco na identificação das armas de fogo e munições, ampliação da inserção de dados de perfis genéticos no banco de dados de DNA, compartilhamento do banco de dados de digitais, instalação de um laboratório central de perícias, ampliação dos laboratórios da PF que serão compartilhados com os Estados, ampliação da Força Nacional.

As metas do plano são:

  • Diminuir os homicídios dolosos nas capitais em 7,5% ainda em 2017 e nas outras cidades em 2018;
  • Acelerar a resolução de processos de violência doméstica em 20% das cidades;
  • Diminuir a superpopulação carcerária em 15% até o final de 2018;
  • Aumentar em 10% a quantidade de drogas e armas apreendidas em 2017 e 15% em 2018;



Com essas metas, porquê algumas pessoas são contra o Plano Nacional de Segurança Pública?

O grande problema é que o plano dá bons resultados – a primeiro plano. Só que a médio e longo prazo, a tendência é que as metas alcançadas não só revertam de volta para a situação atual como piorem o status quo, principalmente na superlotação dos presídios.

1) O Fórum Brasileiro de Segurança Pública demonstrou que 78% das práticas anunciadas pelo plano de Alexandre de Moraes são praticadas desde 1995 e tem relação direta com o ponto em que chegamos. A modernização dos presídios proposta evoca não a melhoria das condições estatais, mas a aquisição de mais instrumentos de controle – inclusive armamentos.

2) Além disso, o plano prevê a criação de 20 a 25 mil vagas nos presídios: número este que não faria a menor diferença no déficit de vagas e incentiva a continuidade do encarceramento, já que não garante que essas vagas serão utilizadas apenas por quem já está preso. Veja bem: o plano não coloca nenhuma meta de julgamento dos mais de 40% dos presos no país. Ou seja, quase metade das vagas já existentes tem o potencial de ser liberadas, um número que supera – em muito – o previsto de vagas para construção.



3) Fora (Temer) isso, não há previsão de alocação de recursos nas Defensorias Públicas – como pretende o Governo Federal promover um mutirão de audiências de custódia se até hoje muitas comarcas não têm defensoria? Sem defesa, os mutirões acumulariam audiências suspensas, interrompidas ou até mesmo nulas, caso realizadas.

4) Ao contrário de recomendações da Human Rights Watch e da ONU, o Plano Nacional de Segurança Pública reforça a guerra contra as drogas, endurecendo as penas.

5) O Plano ainda prevê uma medida ainda mais polêmica: a privatização de estabelecimentos prisionais, inspirado no modelo dos Estados Unidos (os quais já abandonaram a prática)

E a prática do Plano Nacional de Segurança Pública?

Até então, a única medida do PNSP foi o envio de 380 PRFs para o Rio de Janeiro, divulgado anteontem. Porém, na mídia, as falas dos responsáveis são contraditórias. O Ministro Raul Jungmann (Ministério da Defesa) afirmou para o G1 que:

Mas eu seria irresponsável se dissesse que vamos ter resultados maravilhosos no curto prazo […] Não estamos visualizando vitórias espetaculares no curto prazo

Porém, em outra matéria o (então) presidente Michel Temer afima que o Plano no Rio terá a duração de 18 meses.

Jailton de Carvalho, em matéria opinativa ao Jornal O Globo mostra ceticismo, concluindo:

Muitas vezes governos apresentam ideias mirabolantes, mas nunca tocam em questões fundamentais como a reforma das polícias civis e militares, várias delas crivadas de denúncias de desvios, de incompetência. Uma polícia forte seria mais eficaz contra a violência urbana. Mas também seria um incômodo no combate à corrupção. E isso, pelo que se vê na Lava-Jato, não é prioridade em governo algum. (grifo nosso)



Além disso, o próprio O Globo mostra que o plano de Temer para a Segurança Pública ficou preso ao papel por um ano, sofrendo críticas  de todos os lados. Portela, presidente do Colegiado Nacional de Secretários de Segurança Pública afirmou na reportagem:

Foi muito bom que o governo tenha se predisposto a anunciar um plano de segurança, mas é preciso formatá-lo melhor, pois ali só estão os pontos gerais. Depois disso, temos que trabalhar na implantação (grifo nosso)

Ratton (UFPE) na mesma matéria é mais incisivo:

O que significa mandar cem ou 200 homens para um estado? Serve apenas para dar uma resposta à opinião pública. É uma medida inócua do ponto de vista de política pública. (…) O problema é que as medidas ocorrem sempre por causa de alguma emergência e, depois dos anúncios, ninguém sabe se foram efetivamente implementadas.

E então, o que esperar do Plano de Segurança Pública?

Na minha opinião, marketing.

 

 

 


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Igreja

Nos reinventamos. Recriamos a roda, tentamos fazê-la quadrada, tentamos fazê-la triangular, e no final das contas descobrimos que a melhor forma de fazer uma roda rodar é fazendo ela redonda. Cansamos da igreja tradicional. Dos hinos antigos, das vestes sacerdotais e dos papéis de pastor, diácono e presbíteros.

Fizemos movimentos. Não éramos mais igrejas, éramos Igreja. Lá, podíamos ir mais longe – fazer coisas que a burocracia eclesiástico-institucional inviabilizava. Nos envolvemos em lutas importantes: fomos contra o voto de cabresto – ganhamos fama no país inteiro ao lutar contra as influências e coações pastorais que influenciavam eleições.



Mostramos como era terrível que um pastor tivesse poder de definir as eleições através dos votos de suas ovelhas e como era maléfico dar espaço de culto para candidatos. E estamos nessa luta até hoje.

O problema é que tentamos fazer uma roda quadrada – tentando ensinar as pessoas a refletir criticamente. Um processo que dói, um processo que é difícil, e que acaba envolvendo muito mais do que apenas uma reunião dominical (ou em qualquer outro dia da semana, afinal não somos igreja, mas durante a semana é complicado, sábado à noite tem outras coisas pra fazer e aí sobrou ele mesmo, o domingo): envolve a família, envolve educação formal, envolve estudos de filosofia e sociologia, matérias que nem em três anos de ensino obrigatório conseguem se provar importantes para seus estudantes. É impossível libertar pessoas e ensiná-las a pensar por si próprias quando o próprio contexto social que elas se encontram inviabiliza o tempo necessário para isto – e quando a nossa própria agenda política se põe no caminho.

Tentamos fazer uma roda triangular – e nos diferenciamos, em cursos de formação política com vieses de esquerda e de direita, para que as pessoas pudessem compreender como uma doutrina social ou outra poderiam auxiliar a alcançar fins que seriam de interesse da Igreja (com i maiúsculo, não é mesmo?). E não se engane: ambos movimentos eclesiásticos, tanto de direita quanto de esquerda, tem essa intenção: a agenda da esquerda busca dar dignidade através de políticas públicas; a agenda da direita busca dar dignidade através da liberdade e auto-determinação. O escopo é o mesmo, e são igualmente válidos. Mas mesmo assim, criamos problemas – não é todo mundo, da mesma forma, que está disponível, interessado ou que vê a importância desse envolvimento.

Foi quando arrendondamos nosso projeto de roda, e ficamos tão felizes por ele funcionar que não paramos pra pensar no que diabos estamos fazendo. As recentes cartas, manifestos e posturas, de todos os lados, mostram que o voto de cabresto ainda é uma realidade muito forte dentro das igrejas e movimentos eclesiásticos.

Se anos atrás lutávamos contra uma liderança que falava “vote em FULANO, porque Deus está com Ele”, hoje nos vemos em um jogo mais sujo: falamos em indiretas, nas entrelinhas. “Convocamos a assembleia dos santos a exercer sua cidadania terrena à luz de sua cidadania celestial”, “como cristãos, rejeitamos e denunciamos com veemência a corrupção, a iniquidade, a impunidade e o ataque ao Estado Democrático de Direito” – tudo isso ligado a um espiritualismo condenável, de orações, jejuns e até mesmo avivamentos.

Reinventamos a roda – mas trazemo-la mais maligna, mais dissimulada. Enfim, mais hipócrita.



Leia:

O Manifesto da Teologia Brasileira;

O Manifesto da Missão na Íntegra.

Opinião

Gritos de guerra são dados pelo PSOL – principalmente em posts de Jean Wyllys e Chico Alencar (aqui e aqui) porque o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ter definido a votação para a Comissão Especial de Impeachment como secreta. Rolou briga, confusão, quebra de urnas eletrônicas e várias tentativas de se barrar o que muitos chamaram de “estímulo à traição” que Eduardo Cunha realizava.



Os fatos são que o Regimento da Câmara fala sobre votação para composição da mesa diretora da Comissão Especial. Que o pedido de impeachment aceito por Cunha, assinado por Reale Jr., Janaína Paschoal e Hélio Bicudo, tem fundamentação jurídica, apesar das ressalvas feitas pelo próprio Cunha, que limitaram o objeto de estudo de uma comissão a ser feita. Que depois de se aceitar o pedido de impeachment, ele tem prioridade nas pautas e é de urgência definir a comissão para analisar o pedido.

Se o momento escolhido pelo Presidente da Câmara é oportuno ou não, é outro debate; bem como as artimanhas utilizadas para marcar a votação para o mesmo horário em que a Comissão de Ética avaliaria o pedido de sua própria cassação – até mesmo ter pressionado a base governista para não ser cassado usando o pedido de impeachment como troféu.

Mas precisamos de brigar com as pessoas certas pelos motivos certos: conforme bem apontado por George Marques em sua conta do Twitter, as votações para formação de Comissões Especiais devem ser secretas por ordem do próprio Regimento Interno da Câmara dos Deputados, conforme se vê:

Art. 188. A votação por escrutínio secreto far-se-á pelo sistema eletrônico, nos termos do artigo precedente, apurando-se apenas os nomes dos votantes e o resultado final, nos seguintes casos:

III – para eleição do Presidente e demais membros da Mesa Diretora, do Presidente e Vice-Presidentes de Comissões Permanentes e Temporárias, dos membros da Câmara que irão compor a Comissão Representativa do Congresso Nacional e dos 2 (dois) cidadãos que irão integrar o Conselho da República e nas demais eleições;

Não existe, portanto, conforme arguido pelos deputados, uma tentativa de cooptar votos da base governista para se instalar um impeachment – ao menos não neste ponto, conforme já dito.

Agora o que realmente impressiona é como a cultura do “não li, mas finjo que sim e aceito as regras” realmente está intrínseca ao brasileiro. Não se trata mais de apenas termos de uso de redes sociais ou de e-mails, que violam direitos pessoais. Não se trata de contratos firmados entre empresas, financiamentos bancários, que prejudicam financeiramente uma pessoa ou um pequeno grupo.

Se trata dos representantes do povo, eleitos democraticamente em eleições gigantescas, morosas e impressionantemente caras e que recebem diversos benefícios, privilégios e incentivos para buscar os melhores caminhos por nós – e nem essas regras do jogo eles leram.



É como um fotógrafo não saber configurar sua câmera na hora de fotografar o beijo do casal; o designer utilizar treze fontes diferentes e cores contraditórias em suas montagens para spots; o advogado não saber quantos dias ele tem para peticionar e perde prazo; o contador recolher impostos com a aliquota errada.

Faz parte da profissão política conhecer o Regimento Interno da sua Casa. Se esta regra, a do voto secreto para Mesa Diretora das Comissões Especiais, está errada ou deveria ser revista, caso nossos nobres colegas cidadãos tivessem a visto antes, ou reparado na sua injustiça, poderiam tê-la consertado antes de vários “incentivos à traição” ocorrerem: afinal de contas, esta não é a primeira vez que se instaura uma Comissão Especial desde que a regra foi imposta, em 2006 (inclusive, quem a assina é Aldo Rebelo, do próprio PT).

O problema é: quais são os interesses por trás do voto secreto? E do voto público? A quem interessa que os deputados não “traiam” o partido? Ao governo ou aos cidadãos?

Utilidade Pública

Não existem paralelos numa discussão entre desiguais. Se você parar pra pensar, até que os desiguais consigam se encontrar em um piso comum para não serem mais tão desiguais, não há como uma conversa, um debate, ter frutos.

Não, não é que as pessoas precisem discutir só entre seus pares (o que nem chega a ser discussão, mas uma grande masturbação coletiva), mas na verdade a gente precisa sempre entender os contextos alheios – o que, é claro, é muito mal visto. Tentar compreender o contexto alheio não é sororidade, compaixão ou humanismo. Não é colocar a pessoa humana acima das ideias: é relativismo.



Relativismo, o grande pecado para a igreja contemporânea, o pior erro de um justiceiro social, o único meio de se aproximar dois extremos para impedir de ver o outro (o estranho, o diferente) como um pária, mas sim um indivíduo. Não podemos ser relativistas, não podemos debater com pessoas que discordam de nós. Ah, Deus não existe? Fora do meu feed. O quê, contra o aborto? Block nele! Acha que o liberalismo vai salvar a economia do país? Seu conservador liberalóide leitor de veja! Acredita que o governo ainda deve manter as ações do Banco do Brasil e Petrobrás? Seu comunistinha de merda!
O relativismo só é visto como erro quando as suas idéias são mais importantes que os outros indivíduos. Seja a sua fé, a sua ideologia ou o seu conceito de, veja só, o que o governo deve investir no que diz respeito à educação pública, tudo isso deve ser encarado de uma forma a compreender que bom, o outro pode discordar dessas coisas.
E discordar não precisa necessariamente ser ruim, como todos nos disseram, seja no seminário de formação política, seja na escola dominical. Quem discorda das suas brilhantes não é burro, alienado ou perdido. Apenas tem concepções diferentes das suas, viveu e experimentou situações que moldaram quem ele é hoje. Você não precisa mudar a sua opinião, votar num plebiscito a favor da ditadura comunista (ou militar), ou aceitar qualquer um na sua concepção de paraíso (seu universalista!) – mas aceitar que nem todo mundo entende assim e que as pessoas podem ter opiniões e conceitos diversos dos seus, e nem por isso você precisa matá-las ou cortá-las da sua vida.


Ouvir e compreender a opinião alheia, discutir em pé de igualdade e respeitar (pra recair nas falas de DCEs) a vivência alheia. Não estou falando que você precisa ouvir desaforos, que você precisa sentar calado respeitando um racista, um misógino, por exemplo. Mas até chegar nesse extremo, há milhares de pessoas que simplesmente discordam de você em menor grau que, se estiverem tão comprometidas com você a encontrarem um ponto comum (ou a menos compreender aonde vocês querem chegar), a discussão caminhará e o respeito, o pássaro do respeito não precisará morrer.
Pode parecer engraçado, mas muitas feministas querem igualdade. Muitos neros quem igualdade. Muitos cristãos, muçulmanos, árabes, indígenas, produtores rurais, políticos, empresários, comunistas, policiais e até mesmo muitos aventureiros da justiça social só querem construir um lugar melhor para todos.

Mas pra chegarem lá, precisam se lembrar que as pessoas para as quais esse mundo precisa ser melhor são mais importantes do que o caminho ou a ideologia seguida para construção desse mundo. Se não, é demagogia.



Opinião

Já se faz um ano que eu vim para o Mato Grosso do Sul, e deixei a minha Minas Gerais, depois de passar por tantos cantos desse Brasil – São Paulo, Rio de Janeiro, o Distrito Federal. E nesses dias, eu nunca me senti tão vulnerável. É simples, não existe Estado no Mato Grosso do Sul.



Já precisei do Estado como advogado, no caso de uma grávida precisava de um remédio para sobreviver, ela e o bebê. Já faz três meses que o que era um feto se tornou um ser humano, nascido e vivo e, com uma liminar, um embargo de declaração e uma execução processual, ainda não se viu a cor do remédio – nem mesmo resposta alguma do Estado, ausente em todos procedimentos fora a contestação da inicial.

Não é só o Estado representado pelo Procurador – é o Judiciário Estadual, cujo juiz não move o processo sem que haja um pedido para fazê-lo. Não há o menor respeito pelo princípio da celeridade ou da economia processual. Não há a menor intenção de se fazer algo de ofício. Tive petições apagadas por acidente no cartório do Fórum, e mesmo com protocolo, ninguém soube me dizer o que aconteceu por uma semana com o pedido de uma medida liminar. Tive petições que demoraram mais de uma semana para entrar no sistema, que é completamente digital.

Já precisei do Estado policial, de várias maneiras distintas. Com uma oficina de som automotivo, cujo som era ensurdecedor a três quarteirões de distância, com uma denúncia de tráfico, com uma denúncia de violência contra a mulher, com uma denúncia de quadrilha de assaltos à mão armada. Uma das vezes, cheguei a ir no destacamento policial duas vezes. Na segunda, pra avisar que não havia mais necessidade – o sargento responsável teve a cara de pau de olhar no meu rosto e dizer que a viatura tinha se descolado para lá. Não, não tinha. Nem mesmo a denúncia de uma gangue realizando assaltos à mão armada provocou alguma resposta. A Polícia Militar afirmou que não era da alçada deles por estarem em rodovia federal, a Polícia Rodoviária Federal, que tinha um posto há 30 km do local não tirou o carro da garagem pra dar um rolêzinho e ver se cruzava com a galera. De todas as vezes que alguma polícia foi acionada enquanto estive presente, não dá pra contar na mão o número de vezes que uma viatura foi ao local: exatamente, zero.

Caetano cantava que o império da lei há de chegar no coração do Pará, mas bem que os bandeirantes da Constituição Federal poderiam fazer uma escala no Pantanal.



Opinião



Vivemos impelidos a fazer as coisas pelos resultados. Não basta aprender, precisamos passar no vestibular. Não basta passar no vestibular, precisamos passar em primeiro. Não basta passar em primeiro no vestibular, precisa ser da melhor faculdade. Precisamos estar na melhor escola. Fazer o melhor curso de inglês. Comer o melhor e mais saudável lanche. Ter o melhor relacionamento, com a melhor pessoa – se alguém falhou conosco, não podemos continuar juntos, não podemos perder tempo. A nossa diversão precisa ser a melhor, não há espaço para frustração ou erros quando se trata de nosso tempo livre, nós precisamos ser a vitória. E nós estamos matando o esporte.

Primeiro, porque queremos torcer sempre pro vencedor – se alguém perde demais, não basta abandonar, nós precisamos odiá-lo. Aprendemos a odiar Rubinho Barrichelo simplesmente porque ele não era o bastante. Desprezamos Felipe Massa, temos asco do Anderson Silva. Meligeni foi um breve desapontamento pra nós, que nunca mais lembramos que saibro era um tipo de quadra de tênis.

Segundo, porque cobramos demais. Cobramos demais a nós mesmos, e aqueles por quem torcemos – nós somos o time, o lutador, a equipe que torcemos. E se alguém ganha de nós, ah meu amigo, coitado de quem ganha de nós, ou fica feliz quando estamos derrotados. É nosso adversário. Nosso rival. Arqui-rival. Inimigo.

Aparentemente, os times com torcida mais sanguinária são os times mais vitoriosos – e que conseguem mais adeptos e novos religiosos radicais, também conhecidos como torcedores. Não adianta culpar a instituição das organizadas – é como culpar a Igreja pelos pecados de seus membros. Não adianta culpar o Ministério Público. A polícia. O resultado. O futebol.

Terceiro, porque nem tudo é lado A ou lado B. A vida não é um baile funk dividido ao meio cinco segundos antes da porrada comer. Votar no partido A ou B, acreditar em um ou em outro, não é tão grave como parece ser. Quantas das nossas convicções políticas, religiosas e ideológicas em geral não vieram da vontade única de estar certo e fazer as coisas do que acreditamos ser nosso jeito (por menos que tenhamos algo a ver com a construção desse ideal que compramos).



Só precisamos levar a vida menos no preto-e-branco. Lembrar que nem tudo é uma disputa, nem tudo merece tanta atenção assim. A pretensa melhor faculdade nem é tão boa assim. O já estigmatizado melhor time nem consegue se sustentar vitorioso por tanto tempo. A nossa obrigação, nosso sofrimento pode ser apenas parte do que era pra ser nossa diversão.E talvez, apenas talvez, estejamos errados acerca da correta quantidade de água necessária para salvar alguém do inferno.

Daí quem sabe, possamos ter amigos menos falsos, relacionamentos mais duradouros e sermos mais auto-confiantes nas nossas escolhas.

No dia 22 de dezembro, a presidente reeleita Dilma Rouseff disse, em coletiva aos jornalistas “Vocês terão, nesses dias que tem pouca matéria, vocês terão – pode ser duas levas – vocês terão muita matéria” – mal sabíamos que ela realmente estava sendo exata em suas palavras.

Na entrevista, disponibilizada na íntegra pelo Palácio do Planalto, a presidente anunciou alguns dos futuros Ministros que tomarão posse de seus cargos no novo governo, a ser inaugurado no dia 1º de janeiro. Algumas pessoas, porém, são… discutíveis. Vamos à (preocupante) lista dos Sujos & Mal-Lavados de Dilma para 2015!



Aguinaldo Ribeiro (PP) – Ministério da Integração Nacional

  • Em 2010, foi acusado de dispensar licitações fora das hipóteses legais, porém o processo foi extinto por prescrição, não havendo julgamento de mérito;

Armando Monteiro (PTB) – Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

  • Acusado de dano ao erário público em 2006, ao lado do presidente Lula e Renan Calheiros. O processo foi extinto por incompetência do STF, sem julgamento de mérito;
    • Dano ao Erário Público (Art.10, Lei 8.429/92): Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres de entidade que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de órgão público bem como daquelas para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com menos de cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita anual.
  • Acusado de levar esposa e filho em avião da FAB para Cuba, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República em fevereiro de 2013. A denúncia foi arquivada porque considerou-se que a carona não gerou custos ao governo federal.

Ricardo Berzoini (PT) – Ministério das Comunicações

  • Como Senador, embora não haja dados de suas participações em sessões (nem pleárias nem de comissões), gastou 1.015.722,38 da verba parlamentar, praticamente 45% com passagens e despesas de locomoção e hospedagem.



Cid Gomes (PROS) – Ministério da Educação

  • Acusado em 2009 por nepotismo ao contratar Ivo Ferreira Gomes em cargo de confiança; o processo foi arquivado pela demissão de seu irmão;
    • Nepotismo (Súmula Vinculante Nº 13, STF): É vedada a nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.
  • Em 2011, enquanto governador do Ceará, ao enfrentar uma greve de quase um mês de professores da rede estadual, afirmou que professores deveriam trabalhar por amor, não pelo salário.

Edinho Araújo (PMDB) – Secretaria de Portos (tem status de Ministério)

  • Foi condenado por improbidade administrativa em 1ª instância por atos cometidos enquanto prefeito de Sâo José do Rio Preto. O acusado entrou com recurso até o STJ, que ainda não foi julgado;
    • Improbidade administrativa (jus): ato ilegal ou contrário aos princípios básicos da Administração Pública, cometido por agente público, durante o exercício de função pública ou decorrente desta.
  • Das mais de 900 sessões (plenárias e de comissão) que deveria ter participado, faltou sem justificativa a apenas 3 (0,32%), tendo utilizado R$1.083.592,35 da cota parlamentar e verba indenizatória;

Eduardo Braga (PT) – Ministério de Minas e Energia

  • Acusado em 2008 por utilizar a máquina pública para promoção pessoal e improbidade administrativa. O Ministério Público do Amazonas não apresentou provas consideradas suficientes para caracterizar os crimes durante o processo, que foi extinto;
    • Improbidade administrativa (jus): ato ilegal ou contrário aos princípios básicos da Administração Pública, cometido por agente público, durante o exercício de função pública ou decorrente desta.
  • Acusado em 2007 de contratação irregular de aproximadamente 3000 (três mil) trabalhadores temporários, entre professores e auxiliares administrativos, alguns há mais de 10 anos em serviço –  o valor da causa é de R$1.000.000,00(um milhão de reais). O processo ainda corre;
  • Acusado em 2009 de promover edital de contratação irregular de pouco mais de 150 trabalhadores temporários, entre médicos e odontólogos, com valor de causa, novamente, de R$1.000.000,00 (um milhão de reais). O processo ainda corre;
  • Acusado em 2011 de dano ao erário público, ao construir um monumento que, logo depois, seria destruído para construção de anel viário no local. O valor de causa é de R$5.545.474,80 (cinco milhões, quinhentos e quarenta e cinco mil, quatrocentos e setenta e quatro reais e oitenta centavos). O processo ainda corre;
    • Dano ao Erário Público (Art.10, Lei 8.429/92): Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres de entidade que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de órgão público bem como daquelas para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com menos de cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita anual.
  • Acusado em 2009 de contratação temporária irregular de mais de 60 trabalhadores temporários – o valor de causa é de R$1.000.000,00 (um milhão de reais). O processo ainda corre;
  • Acusado em 2009 de promover, irregularmente, funcionários do Corpo de Bombeiros, com valor de causa de R$1.000,00 (mil reais). O processo ainda corre;
  • Acusado, em 2009, de utilizar revista Labaredas para fazer propaganda de Governo, com valor de causa de R$1.000,00 (mil reais). O processo ainda corre;
  • Acusado, em 2010, de promover edital de contratação irregular de 729 trabalhadores temporários para a Secretaria de Saúde, com valor de causa de R$1.000.000,00 (um milhão de reais). O processo ainda corre;
  • Acusado, em 2012, de desordem eleitoral pelo Inquérito 3521/2012, cujo processo corre no STF;
  • Como Senador, embora não haja dados de suas participações em sessões (nem plenárias nem de comissões), gastou R$785.690,55 de cota parlamentar, pouco mais de 70% com passagens.



Eliseu Padilha (PMDB) – Secretaria de Aviação Civil (tem status de Ministério)

  • Acusado de contratar uma funcionária fantasma no inquérito INQ-3552/2012, arquivado pelo STF por se tratar de produção ilegal de provas. Não houve sentença de mérito ainda. A investigação continua por peculato.
    • Peculato (Art. 312, Código Penal): Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio:
      Pena – reclusão, de dois a doze anos, e multa.
      § 1º – Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário.
  • Condenado em 1997 pelo TCE-RS ao pagamento de multas por irregularidades durante a gestão na Secretaria de Trabalho, Cidadania e Assistência Social, no Processo Nº 003804-0200/96-2;
  • Acusado de improbidade administrativa pelo MPF no Escândalo dos Precatórios, ainda em julgamento pelo TRF-1;
    • Improbidade administrativa (jus): ato ilegal ou contrário aos princípios básicos da Administração Pública, cometido por agente público, durante o exercício de função pública ou decorrente desta.
  • Acusado de lavagem ou ocultação de bens, direitos ou valores, formação de quadrilha, corrupção passiva e ativa, entre outros, ainda em julgamento pelo TRF-4;
    • Lavagem ou ocultação de bens, direitos ou valores (Art. 2º, Lei 12.683/12): Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal;
    • Formação de quadrilha (Art. 288, Código Penal): Associarem-se 3 (três) ou mais pessoas, para o fim específico de cometer crimes;
    • Corrupção ativa (Art. 333, Código Penal): Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício;
    • Corrupção passiva (Art. 317, Código Penal): Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem.
  • Acusado de corrupção passiva no Inquérito INQ-2097/2004, que está há 10 anos no STF, esperando julgamento;
  • Das pouco mais de 500 sessões (plenárias e de comissão) que deveria ter participado enquanto deputado faltou sem justificativa a apenas 35 (7%), tendo utilizado R$ 1.352.510,21 da cota parlamentar e verba indenizatória;

George Hilton (PRB) – Ministério do Esporte

  • Acusado, em 2005, de evasão de divisas no PET-3581, o qual foi apensado ao ao INQ-2248, que ocorreu em segredo de justiça;
    • Evasão de divisas (Art. 22, Lei 7.492/86): Efetuar operação de câmbio não autorizada, com o fim de promover evasão de divisas (saída de dinheiro) do País.
  • Foi expulso do PFL, em 2005, após ter sido flagrado no aeroporto de Belo Horizonte transportando dinheiro proveniente de doações de fiéis da igreja Universal;
  • Das pouco mais de 700 sessões (parlamentares e de comissão) que deveria ter participado, faltou sem justificativas a 83 (12%), e gastou R$ 1.603.335,04 de cota parlamentar.

Gilberto Kassab (PSD) – Ministério das Cidades

  • Acusado em 2010 por improbidade administrativa, juntamente com  o falecido ex-prefeito de São Paulo, Celso Roberto Pitta, por violação aos princípios administrativos. O processo está correndo no STF;
    • Improbidade administrativa (jus): ato ilegal ou contrário aos princípios básicos da Administração Pública, cometido por agente público, durante o exercício de função pública ou decorrente desta.
  • Acusado por crimes contra a flora em 2004, arquivado a pedido do Procurador-Geral da República;
  • Acusado de aliciamento eleitoral em 2002, ao divulgar doações com fins eleitoreiros, o processo foi extinto por prescrição, não havendo julgamento de mérito;
    • Aliciamento eleitoral (jus): tentativa de convencer o eleitor, utilizando-se de meios ilegais, a votar em candidato ou partido diferente daquele em que naturalmente votaria.
  • Acusado em 1996 por dano eleitoral qualificado, o processo também foi extinto por prescrição, não havendo julgamento de mérito;
  • Responsável pela violência e trulência da PM-SP durante as manifestações de julho de 2013, que levaram à eclosão de protestos em todo o país;
  • Responsável, juntamento com governos estaduais anteriores, pela crise da água enfrentada atualmente pelo Estado de São Paulo;
  • Alvo de um pedido de impeachment que corre na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Helder Barbalho (PMDB) – Ministério da Pesca e Aquicultura

  • Incluído em 2008 na lista dos ficha-suja da AMB (Associação dos Magistrados do Brasil), por responder a um processo de improbidade administrativa por veicular informes publicitários pessoais na mídia com utilização de recursos públicos, de quando era prefeito de Ananindeua, desejando à população feliz natal e ano novo, o qual foi arquivado (SENTENÇA);

Jacques Wagner (PT) – Ministério da Defesa



Kátia Abreu (PMDB) – Ministério da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento

  • Acusada, em 2014, de cometer crime contra a fé pública, através da utilização indevida do brasão da República em cobranças do Conselho Nacional da Agricultura, enquanto senadora, pelos inquéritos: INQ-3830, INQ-3834, INQ-3843 e INQ-3861, todos arquivados por falta de provas que liguem diretamente a senadora ao crime em questão;
  • Eleita, pelo Greenpeace, Miss-Desmatamento, razão pela qual, processou o Greenpeace, não obtendo êxito;
  • Eleita, pelo jornal britânico The Guardian, a congressista brasileira mais perigosa, pelo papel na flexibilização do Novo Código Florestal Brasileiro;
  • Como Senadora, embora não haja dados de suas participações em sessões (nem pleárias nem de comissões), gastou R$1.125.264,50 da cota parlamentar, quase 48% com aluguel de imóveis para escritório político e aquisição de material de consumo para eles.

Miguel Rossetto (PP) – Ministério da Integração Nacional

  • Acusado de nepotismo enquanto vice-governador do Rio Grande do Sul pelo Ministério Público, razão pela qual processou o MP exigindo danos morais – e perdeu;
    • Nepotismo (Súmula Vinculante Nº 13, STF): É vedada a nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.

Pepe Vargas (PT) – Ministério da Defesa

Ricardo Berzoini (PT) – Secretaria de Relações Institucionais (tem status de Ministério)

  • Em 1999, enquanto Prefeito de Caxias do Sul, foi acusado de ilegalidade ao utilizar slogans partidários nas publicidades da administração;
  • Acusado, em 2004, enquanto Prefeito de Caxias do Sul de ser responsável pela demolição de casa aonde ainda haviam bens e mercadorias de valor de um indivíduo, sob pretexto de que esta estaria abandonada;
  • Multado, em 2007, pelo Tribunal de Contas do RS enquanto Prefeito de Caxias do Sul, relativo à prestação de 2002, na qual haveria um débito de, segundo o TCE, R$ 1.008.860,98 (um milhão, oito mil, oitocentos e sessenta reais e noventa e oito centavos), entre pagamentos irregulares a servidores e irregularidades em contratos diversos. O processo ainda corre;
  • Acusado, em 2012, de irregularidade na prestação de contas relativa ao período entre 1998 e 2000, no qual haveria um débito de R$21.135,45 (vinte um mil, cento e trinta e cinco reais e quarenta e cinco centavos). O processo ainda corre;
  • Como Deputado Federal, faltou sem justificativas a 5% das sessões (plenárias e de comissão) que deveria frequentar, tendo gasto R$ 1.129.062,44 como verba parlamentar.



Igreja

essainternet



O messias de hoje não seria cristão. ‘É preocupante quando os principais valores que norteiam os cristãos nas eleições foram “alternância de poder”; “recessão técnica” e “revolução comunista”. Expressões como “fome”; “justiça social” e “verdade” passaram longe de qualquer corrente de whatsapp.

Engraçado reparar como os seguidores de Jesus conseguem se afastar da Bíblia em quase todas as escolhas sociais que precisam fazer: é só dar um palanque para um cristão para vê-lo cair.

Se seguidores de Jesus fôssemos, estaríamos preocupados não com a bolsa de valores, o índice de ativos ou o valor da Petrobras, mas com o nosso irmão que passa fome e sede. Não me recordo de Jesus estar preocupado com o alto preço dos cavalos (ou jumentos, já que o jumentinho era quase uma BMW, né?) ou com a exportação da safra de trigo.

Da mesma forma, Jesus estaria preocupado com o desemprego da população que o seguia, com os padeiros e os fazendeiros que tinham perdido todos os seus trabalhadores que passaram a “vagabundar” pela Galiléia, e não teria partido um pãozinho vagabundo e dado de comer e beber aqueles que o seguiam. Será que realmente os cristãos deveriam combater o bolsa-família, que dá estupendos setenta reais a quem cumpre uma série de pré-requisitos, e lutar para que as pessoas parem de ganhar o peixe e sejam ensinadas a pescar?

O movimento LGBT precisa ser detonado pelos cristãos para acabar com qualquer chance de ditadura gay. O casamento é só para nós, o Estado não deve servir para defender suas atitudes pecaminosas, assim como Jesus foi o primeiro a pisotear e apedrejar a mulher adúltera.

Às vezes, parece que a igreja é a corrente contra a qual temos que nadar, por mais underground que ela pareça.

Utilidade Pública

Evil Abed

Noruega proibiu a Arábia Saudita de financiar mesquitas

Se não há igrejas na Arábia Saudita não haverá mesquitas na Europa. A Noruega proibiu a Arábia Saudita de financiar mesquitas, enquanto não permitirem a construção de igrejas no seu país. O governo da Noruega acabou de dar um passo importante na hora de defender a liberdade da Europa, frente ao totalitarismo islâmico. Jonas Gahr Store, ministro dos Negócios Estrangeiros, decretou que não seriam aceites os donativos milionários da Arábia Saudita, assim como de empresários muçulmanos para financiar a construção de mesquitas na Noruega

Segundo o referido ministro, as comunidades religiosas têm direito a receber ajuda financeira, mas o governo norueguês, excepcionalmente e por razões óbvias, não aceitarão ofinanciamento islâmico de milhões de euros.

Jonas Gahr Store argumenta que: Seria um paradoxo e anti-natural aceitar essas fontes definanciamento de um país onde não existe liberdade religiosa. O ministro também afirma que a aceitação desse dinheiro seria um contra-senso»,recordando a proibição que existe nesse país árabe para a construção de igrejas de outras religiões.

Jonas Gahr Store também anunciou que a «Noruega levará este assunto ao Conselho da Europa», donde defenderá esta decisão baseada na mais estrita reciprocidade com a Arábia Saudita.

Via Midia Gospel


A internet, meus caros, é um grande telefone sem fio. Por exemplo, essa notícia, acima, da proibição de mesquitas na Noruega – todo mundo lembra a preula que deu quando um cartunista dinamarquês resolveu que seria uma boa ideia desenhar o profeta Maomé (maior profeta reverenciado pelos muçulmanos) usando um turbante-bomba, há cinco anos atrás. Surgiu então, na minha timeline um link, de um blog aparentemente duvidável, falando sobre a suposta proibição da construção de mesquitas na Noruega. Fui pesquisar. Uma das notícias que apareceu nas pesquisas é essa acima, e acreditem, apesar do nome do site, é uma das referências mais concretas com a notícia.

Quando li a notícia, percebi três erros crassos:

(1) O suposto ministro de “negócios estrangeiros” (embora a tradução oficial seja Assuntos Estrangeiros) saiu do cargo em 2012; 
(2) Não é de competência nem do Ministro de Assuntos (ou Negócios) Estrangeiros legislar sobre o tema, nem mesmo do Ministro da Economia/Fazenda Pública (cargo que ele ocupa hoje), mas do Parlamento;
(3) Só tem essa notícia em blogs cristãos (que não são bem conhecidos pela sua imparcialidade.

Fui à pesquisa. Como não encontrei nenhuma referência concreta à proibição seja de financiamento de mesquitas pela Arábia Saudita (o governo saudita investiria recursos públicos na construção de mesquitas no exterior? Como se proibir particulares de gastarem seu dinheiro em objetos específicos sem causar um incidente internacional?), resolvi mudar o foco da pesquisa. Fui procurar a proibição saudita de se construir/plantar/fundar novas igrejas no país. Cravando resultados no Google, encontrei mais notícias estranhas. Segue:

Destruição de igrejas católicas é exigida por autoridade islâmica

Meca (Segunda-feira, 26-03-2012, Gaudium Press) O grão-mufti sheikh Abdul Aziz bin Abdullah, alta autoridade clerical da Arábia Saudita, exigiu a destruição de todas as igrejas existentes na região do Golfo Pérsico. A decisão do governo do Kuwait de proibir a construção de novas igrejas no país, foi elogiada pelo sheikh, mas segundo ele a medida é pouca, pois é necessário destruir as igrejas que já existem. A exigência de Abdullah só não seria aplicada à Arábia Saudita, pois ali, não existe qualquer local de culto não muçulmano e qualquer outra manifestação religiosa já está proibida.

 

Além de ser a mais alta personalidade do clero da Arábia Saudita, o grão-mufti da Arábia Saudita foi considerado o 14º muçulmano mais influente do mundo pelo Real Centro Islâmico de Estudos Estratégicos, no ano de 2011. Nos países do Golfo Pérsico os cristãos são uma minoria, sendo sobretudo imigrantes. Em países como a Jordânia, Palestina, Iraque, Egito, Líbano e Síria, há comunidades cristãs significativas, mas o clima de perseguição religiosa tem aumentado também nesses países. (EPC)

Com informações da Rádio Vaticano.

Fonte: Associação Religiosa N. Sra. das Graças

Ok, vamos lá. Então nem repentinamente a Arábia Saudita começou a proibir a construção de Igrejas, nem a Noruega impediu coisa alguma – na verdade eu não sei o que a Noruega tem a ver com a história até agora. Mas uma coisa nesse link me chamou a atenção: a fonte. Fui então pesquisar no Gaudium Press, site dito como referência no início do texto, porém nenhuma das pesquisas retornou resultado.

Mesmo assim, eu já tinha uma história a seguir. Alguém tinha dito alguma coisa no Oriente Médio (tá vendo o problema da mídia cristã?). Foi então que encontrei o site da Agência Oficial de Notícias do Vaticano. Explico: por mais que Vaticano seja a sede da Igreja Católica, ainda assim é um país, e tem uma reputação a zelar (ou pelo menos deveria) no que tange à relações internacionais. Na NEWS.VA, há uma notícia que diz “O xeque Abdul Aziz bin Abdullah, Grão Mufti da Arábia Saudita (…) declarou que “é necessário destruir todas as igrejas da região”. A notícia continua:


A declaração do mufti foi feita depois que um parlamentar kuaitiano, Osama Al-Munawer, anunciou no mês passado, na rede social “Twitter”, a intenção de apresentar um projeto de lei para a construção de novas igrejas e lugares de culto não islâmicos no Kuwait. Recentemente, por ocasião da consagração de uma Igreja católica nos Emirados Árabes, os cristãos locais auspiciaram “a abertura de negociações para construir uma Igreja na Arábia Saudita”, visto que no Reino Saudita, segundo estimativas, vivem de 3 a 4 milhões de cristãos, trabalhadores imigrantes que desejam ter uma Igreja. Em junho de 2013, o Card. Fernando Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos povos, consagrou a nova Igreja de Santo Antônio nos Emirados Árabes Unidos, nas proximidades de Dubai , e uma nova Igreja dedicada a São Paulo está sendo erguida em Abu Dhabi. No início de 2013, o Rei de Bahrein doou à comunidade cristã um terreno para a construção de uma nova Igreja, a Catedral de Nossa Senhora da Arábia.

Fonte: News.Va

Então já temos um contexto: Após um parlamentar do Kuwait dizer que gostaria de fazer um projeto de lei para liberar a construção de igrejas no país, alguém disse que deveriam destruir todas as igrejas da região, e não construir mais. Só nos resta a pergunta: quem raios é Grão Mufti Abdul Aziz bin Abdullah? O site da Rádio do Vaticano (que tinha sido citada anteriormente), explica: Grão-Mufti é uma alta autoridade clerical, que pode emitir fatwas. Fatwa (ou fátua, abrasileirado) é um pronunciamento legal da religião islâmica – assim como Papas emitem Bulas Papais, que são consideradas leis religiosas para católicos e assim como Assembleias e Conselhos Eclesiásticos determinam doutrinas aos fiéis evangélicos, as Fatwas são ordenamentos aos muçulmanos, geralmente vindos de interpretações do Alcorão. Transportando para uma realidade ocidental, é como se um pastor evangélico dissesse, no morro carioca, que deveriam fechar todos os centros de umbanda e terreiros de candomblé. Não que isso seja realidade, é apenas uma suposição que pode coincidir com histórias reais.

Mas calma, não vamos discutir sobre a justiça ou injustiça desses ordenamentos religiosos. A internet é sim, um grande telefone sem fio. Um líder religioso da Arábia Saudita disse que precisavam destruir igrejas. Um líder da Arábia Saudita disse que precisavam destruir igrejas. Arábia Saudita vai destruir igrejas. É nesse ponto que entram pessoas mal-intencionadas, nessa bagunça de repostagem e mídia 2.0, o jornalismo que não é jornalismo e por isso não precisa de credibilidade, e acrescenta uma história  completamente bisonha, como essa da Noruega impedir financiamento de mesquitas. Em tempo: sim, na Arábia Saudita, assim como no Kuwait, é proibida a manifestação pública de outras religiões senão a muçulmana (nesse momento, um líder evangélico candidato nessas eleições coça sua barbixa enquanto pensa no paraíso que poderia criar com esse poder), como informa relatório do Departamento de Estado dos EUA:

The government claims to provide for and protect the right to private worship for all, including non-Muslims who gather in homes for religious services. This right was not always respected in practice and is not defined in law. Moreover, the public practice of non-Muslim religions is prohibited, and the Commission for the Promotion of Virtue and Prevention of Vice (CPVPV) and security forces of the Ministry of Interior (MOI) continued to raid private non-Muslim religious gatherings. Although the government also confirmed its stated policy to protect the right to possess and use personal religious materials, it did not provide for this right in law, and the CPVPV sometimes confiscated the personal religious materials of non-Muslims. Religious leaders and activists continued to face obstacles in expressing their views against the religious establishment.

Fonte: US Departament of State

“O governo diz que provê e protege o direito de culto privado para todos, inclusive não-muçulmanos que se reúnem nas casas para prestarem cultos religiosos. Esse direito não foi sempre respeitado na sua prática, e não está definido em lei. Além disso, a prática pública de religiões não muçulmanas é proibida e a Comissão para a Promoção de Virtude a Prevenção do Vício (CPVPV) e as forças de segurança do Ministério do Interior (MOI) continuaram a fazer batidas policiais em reuniões privadas de não-muçulmanos. Embora o governo também confirme a sua política de proteger o direito de possuir e usar acessórios religiosos, não há legislação nesse tema, e o CPVPV costuma confiscá-los de não-muçulmanos. Líderes religiosos e ativistas ainda enfrentam obstáculos em expressar suas visões contra o status quo religioso.”


Opinião

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A Copa nem começou e já ganharam a Copa. Os croatas dançando Ai se eu te pego numa laje em SP, o mexicano que pegou ônibus no sentido errado e acabou fazendo um tour em Fortaleza, o guri de escola pública em Salvador que conheceu Podolski, o jogador alemão que foi homenageado em seu aniversário por Pataxós, os cariocas que viram os holandeses apanharem do mar em Ipanema. Já são milhares de histórias que ao contrário dos gritos de protesto, mostram que sim, a Copa é pra todo mundo.

A Copa do Mundo não é da FIFA, por mais que ela queira – a Copa é de todo mundo. E essa Copa acontecer no meio desse caos todo dentro da FIFA justo no Brasil é uma importante lembrança de que os cartolas não são donos do futebol. Seja os R$40 do Criciúma vs Chapecoense de quarta-feira seja dos R$5000 da final da Copa, o último lugar que o futebol é jogado é dentro de campo, me perdoem os narradores. O futebol não é a loja de shopping vendendo camisas oficiais do time por uma fatia gigantesca do salário mínimo.

O futebol é jogado dentro dos bares, o futebol é o camelô com a camiseta que nem disfarça ser pirata vendida a R$25 no camelódromo do centro da cidade. É o amarelo do sorriso sujo de cigarro do senhor de idade vendendo um apito verde-e-amarelo, é o vermelho da timidez de um chileno com a bandeira do seu país perdido no interior do Mato Grosso do Sul há mais de cinco anos e que é zoado por todos brasileiros à sua volta mas mantém orgulho das suas origens, é o grito de alegria do uruguaio que foi encontrar seu cachorro 2 mil km longe de casa.

Me desculpem os protestantes que dizem que não vai ter copa, mas já teve copa pra mais de metro. O que for feito dentro de campo é mero detalhe perto de tudo que já aconteceu e ainda vai acontecer entre um jogo e outro. Obrigado ao cobrador de ônibus que não sabe falar espanhol, ao camelô que toca vuvuzela incessantemente, aos protestantes e a todas as presepadas que estão tornando essa copa a Copa mais sincera.

Vai ter Copa, inclusive nas cidades em que vai ter copa.