Opinião

Vocês me conhecem (pelo menos 94% do público do meu blog segundo o Analytics me conhece, e se você faz parte desses 6% perdão por já começarmos a relação assim) então sabem como eu me estresso com fotógrafos. Não, não os fotógrafos amadores, ou aquelas pessoas que compram câmeras DSLR e já se acham profissionais ou quem cobra $20 pra fazer um ensaio. Na verdade é exatamente este tipo  de mimimi que me estressa.



Os novos fotógrafos

Sempre que converso sobre mercado de trabalho e bom, meu papel e o de amigos, a conversa vadia (do verbo vadiar)pro mesmo assunto “ser fotógrafo é complicado, né”. E sim, ser fotógrafo não é fácil (existe algo que o seja?), com certeza. E tem se tornado cada vez mais difícil, devido a inúmeros fatores (que já já eu citarei), e não é à toa que, se a fotografia era responsável por praticamente 70% dos meus rendimentos a exatos 12 meses atrás, hoje é responsável por pouco menos que 32% (se você é parte dos 6% já mencionados ali em cima, eu sou fotógrafo e advogado. Ah, e refrigerólogo) – mas não foram os novos fotógrafos os culpados por isso.

Sim, existe uma multidão de novos fotógrafos. Alguns que não estudaram nada, outros que estudaram bem pouco. Uns vão se guiando pela prática, outros vão se debruçar em tutoriais e guias, e mais terceiros irão a fundo, tentando entender a física ótica, temperatura de cores e possibilidades de iluminação. Sim, a maioria desses novos fotógrafos vão cobrar preços baixos ou fotografar de graça para montar portfólio, se submetendo a condições (muitas vezes degradantes – o que não é raro acontecer com fotógrafos com portfólio montado e milhares de curtidas no facebook). Talvez, na verdade é até bem provável, que as fotos desses novos fotógrafos não tenham a mesma qualidade que a sua, afinal você tem algo que eles, estudando ou não, não tem: experiência.

Duplo clique do Everson Tavares
Duplo clique do Everson Tavares

Pasmem – ninguém nasce com experiência, nem você mesmo, fotógrafo pica das galáxias que lê esse texto a convite de um amigo. Existe uma mania ególatra no mercado fotográfico (como deve se repetir em outras profissões artísticas) que foi comprovada pelo André Rabelo no flickr (leiam o texto completo do Leandro Neves, é fantástico), que insiste em criticar fotos consagradas pela história (e vendidas a US$265k) baseando-se simplesmente em: meu próprio trabalho e como eu faria.

Mas deixa eu te contar um segredo: esses novos fotógrafos não vão roubar seu cliente. Não vão saturar o mercado de uma forma que o seu trabalho se torne inviável, ou você precise baixar o preço ridiculamente. A não ser, é claro, que seu trabalho seja medíocre (da palavra mediano, sem algo especial, que chame atenção, mais um dentre vários do mercado) e você, no fundo no fundo, seja um desses novos fotógrafos, mas está com a câmera à mais tempo que eles. Essa visão de que quanto mais pior, só existe no coração de fotógrafos e fãs de cultura pop.

O grande problema é que a grande maioria dos fotógrafos desiste ou não consegue ganhar seu espaço no mercado porque não está preparado pro mercado. Não adianta ter uma técnica excelente, um tratamento refinado se você não estudou o mercado. Não adianta horas de cursos, vídeo-aulas, workshops e tutoriais se você não frequentou ao menos um cursinho de 12h gratuito do SENAC sobre como estudar, planejar e se posicionar no mercado. Você vai quebrar: e talvez você não seja tão ruim assim.

Clique do Evandro Sudré
Clique do Evandro Sudré

Aí você vê fotógrafos que talvez não sejam tão bons como você (pelo menos segundo você acha), deslanchando e conseguindo contratos e convites melhores – porque você não sabe empreender. Aí você diz mas eles oferecem um serviço a um preço muito menor aff, não tem como competir. Mas meu amigo, a Jogê não compete com o Saldão das Lingeries. A TNG. não concorre com a Fábrica da Moda. A SmartFit não concorre com a academia da esquina ou com as academias públicas que ficam nas praças. E tem mercado para os dois – e não hesito em afirmar que todos estes que comentei que cobram preços altos estão melhor na crise do que os seus concorrentes populares.

Cá entre nós – se o cliente não se importa que o recém-nascido dele esteja roxo como uma beterraba, a noiva esteja laranja como uma cenoura e as fotos sensuais pareçam ter saído de um catálogo de filmes pornôs de extremo mal-gosto, provavelmente ele não seria uma boa adição ao seu portfólio, né?

“Esses novos fotógrafos não vão roubar seu cliente (…) a não ser que o seu trabalho seja medíocre.”

Uma lição: sempre vai ter alguém que vai fazer mais barato (e pior) que você. Sempre vai ter alguém que vai fazer melhor (e mais caro) que você. Saiba se posicionar no mercado com o produto e serviço que você oferece e voilà: você não precisará se preocupar com a 25 de março fotográfica.

As dificuldades de se trabalhar

Você já viu um fotógrafo reclamando – na verdade não é muito difícil ver um fotógrafo reclamando, né. Mas essa é mais genérica: você já viu uma pessoa reclamando dos outros fotografando com celular. Em casamento, puxar um celular durante uma cerimônia é pedir pra ouvir bufadas e reclamações de um profissional contratado praquele serviço. Tudo bem, pessoas fotografando atrapalham, e volta e meia tem um noção que se enfia na frente do fotógrafo pra mandar um snap – já chegaram a pedir pra eu tirar uma foto com o celular deles.

Clique da Mônica Fadul
Clique da Mônica Fadul

Shit happens. Toda profissão tem isso – e a gente é assim nas outras profissões, mesmo que não perceba. O médico enfrenta o tio do paciente que leu sobre um tratamento experimental na Tasmânia no Facebook; o advogado tem o amigo do cliente que fez direito, não conseguiu passar na prova da OAB mas sabe como fazer aquele processo melhor que você (sim, existe); o designer já tem a figura conhecida do sobrinho que mexe nessas coisas de Corel.  E nós temos essas pessoas que insistem em atrapalhar o desenvolvimento do nosso trabalho. Como lidar com elas? Uma dica, tem 16 letras e faz parte da ementa daquele curso do Senac que comentei ali em cima: profissionalismo.

Ah, mas eu tô falando no Facebook, uma mídia pessoal. Claro. Sem sombra de dúvidas. Desculpe, você está certo.



Não, não é tudo perfeito.

Apesar de parecer, não, não está tudo perfeito – na verdade anda mal e piorando cada vez mais. Na internet não existe crise, pelo menos para críticos da mídia, mas empresas (e pessoas) estão cada vez mais cortando gastos. De repente, aquela campanha publicitária não tem mais o orçamento de R$5 mil para fotografia; o casamento com 300 convidados no buffet vira uma festa para a família em casa; o álbum impresso é substituído pelo virtual; e as pessoas passam a ter que escolher entre um bebê-conforto e aquele ensaio de newborn. Sim, isso é uma das grandes dificuldades hoje: fotografia não é mais considerada essencial para o cliente.

Clique do Mak Cézar
Clique do Mak Cézar

Some-se a isso o impacto na alta do dólar sobre os equipamentos fotográficos (de rebatedores a corpos de câmera) e nos serviços necessários (impressão, diagramação, divulgação, freelancers) à equipe fotográfica. Acrescente-se aí que o mercado de fotografia é um dos mais conservadores, e boa parte da responsabilidade disso é do cliente: ele quer a foto que ele viu no Pinterest. Não quer tentar algo novo, não quer ousar: ele quer repetir o que já viu anteriormente.

E, por incrível que pareça, em relação a esses dois problemas, só existe uma pessoa no mundo que pode mudar isso: você mesmo, fotógrafo. Você precisa convencer o cliente da verdade – que a fotografia é sim essencial. Que é sim, legal aquela foto que ele viu, mas que fica bem melhor quando se cria uma ideia nova em conjunto. Por incrível que pareça, só depende de você.



Sugestães*

*eu sei.

Não adianta falar, falar, falar e não dar dicas, né. Então vão alguns locais/pessoas/cursos para vocês se ligarem e desenvolverem mais as suas habilidades.

Curso de Fotografia – autoexplicativo. Tem dicas, técnicas, fala sobre câmeras e ainda dá algumas inspirações legais. Recomendo fortemente ainda acompanhar o trabalho do Pyro, o Everson Tavares, que é um dos membros da equipe.

Photography Marketing (ENG)- o próprio Pyro me indicou este podcast sensacional, disponível no iTunes, sobre marketing fotográfico e possibilidades de mercado pouco exploradas, que podem fazer a diferença no seu trabalho.

IPED – Se você tá com preguiça de ir ao Senac, o IPED tem um curso de empreendedorismo online com um plano gratuito, é simples e dividido em três capítulos.

Planet Black’n’White – Instagram que divulga trabalhos em preto e branco e tons de cinza – pra desmistificar um pouco o lance de que a foto PEB só serve para salvar fotografias coloridas com problemas de exposição. Eles também tem uma página no Facebook.

Clique do Lelo Marchi, d'O Vértice.
Clique do Lelo Marchi, d’O Vértice.

Evandro Sudré – fotógrafo nômade, missionário – com fotografias documentais estarrecedoras.

Mak Cézar – fotógrafo de Uberlândia, especializou-se em fotografia arquitetônica, com fotos de natureza exuberantes.

Nika Fadul – o portfólio dela fala por si mesmo. Juro.

O Vértice – equipe fotográfica do Mato Grosso do Sul, com destaque em casamentos e eventos sociais.

E, claro, a minha página no Facebook. E porque não, um destaque pra promoção que está em vigor até o carnaval:

Afinal, o leitinho das crianças não vai se pagar sozinho, não é mesmo?
Afinal, o leitinho das crianças não vai se pagar sozinho, não é mesmo?

 



Opinião

Cada dia mais se torna mais difícil (e ingrato) produzir conteúdo. Você pesquisa um tema, lê sobre ele, corre atrás, entrevista e conversa com várias pessoas, produz o material, faz o tratamento, publica e no final das contas ninguém quer saber daquele conteúdo tão preciosamente refinado – só de quem está falando.



Vejo cada vez mais pessoas próximas sendo seduzidas por uma dicotomia burra – direita/esquerda; feminismo é para mulheres; GLBT são para quem cuja sexualidade é oprimida pela sociedade. Vejo debates sobre quem tem mais poder de fala com os critérios utilizados pela Zambininha à sério, bem como afirmações estapafúrdias de que “homens não querem aprender”, “brancos só sabem oprimir” e “héteros são excluidores desde o nascimento”.

A luta de classes explicitada pelos estudos marxistas, a pedagogia do oprimido de Paulo Freire aplaudida pelo mundo se transformaram numa guerrilha de classes e na Revolução Francesa do Oprimido, levada a cabo por milhares de Robespierres sedentos por sangue. A nossa sede por transformar o mundo, por experimentar um pouco do gosto da mudança social é tão grande que não cansamos de torcer, distorcer, retorcer e inventar palavras e citações de um inimigo comum à nossa causa.

Assim como na época do fatídico plebiscito do Estatuto do Desarmamento, no qual ambos lados foram punidos por mentir ao público (e ambos utilizaram seu tempo para dizer que o outro tinha mentido, esquecendo das suas próprias mentiras e das suas próprias propostas), vivemos tentando fazer religiões pagarem impostos, proibindo mulheres de terem auxílio estatal para criar seus filhos, defendendo ataques a protestos políticos e apoiando a barbárie – só porque acreditamos que o locutor do momento não esteja de acordo com o estereótipo definido pelo grupo social.

Sim, estereótipo. Falar que um homem não serve para falar sobre o feminismo é apoiar-se em estereótipos. Falar que uma mulher branca não pode falar sobre a luta de mulheres negras é não só manter o estereótipo, mas reforçá-lo. Excluir heterossexuais da luta LGBTQQI é reforçar o isolamento social que deu origem a esses grupos de luta. Não sei exatamente quando surgiu essa aversão ao academicismo, ou quando histórias de vida, testemunhos e vivência começaram a se tornar tão auto-suficientes.

Na verdade, se houve um momento no meu contexto social que testemunhos se sobrepuseram e excluíram o academicismo, foi quando começaram a surgir denominações neopentecostais – sim essas mesmas que todos reclamam que formam um gueto cristão, excluindo-se da sociedade e criando aberrações como os políticos que temos hoje em dia e boa parte do senso comum deturpado acerca de sexualidade e outras causas sociais.

Não é uma questão de unidade do movimento – os neopentecas também tentam soltar essas contra nós: se trata de lutar pela justiça social. Sou um homem que está em lugar de fala. Um branco cristão debatendo assuntos que não me convém. Um heterossexual usurpando o protagonismo. Mas sabe por quê? Porque eu não vivo nessa sociedade para defender os meus direitos. Não estudei Direito para defender o meu umbigo. Não entreguei a minha vida a um Deus que eu acredito para ter a minha Salvação e tocar o foda-se pro resto do mundo.

Não vou subir no palanque. Não vou fazer guerrilha. Mas não ouse tentar me excluir dos debates. Não tente me retirar das conversas. Não venha me dizer o que eu devo ou não devo fazer. Venha conversar, venha debater.



——————–

(Para quem não sabe, eu sou um homem que escreve n’O Feminista e um não-deficiente que escreve no Eficientes)

Opinião

Muitos, na verdade quase todos vocês não sabem, mas eu fundei esse blog há (quase) cinco anos. Fundei esse blog porque precisava de um espaço específico pra escrever sobre tudo. Precisava ter um espaço em que eu pudesse me referenciar, deixar algumas coisas escritas que acredito, que sinto e que vivo fáceis de se acessar para citar para outras pessoas. É praticamente impossível encontrar um post que você fez em 2011 no Facebook sobre um assunto específico sem ter o link direto dele guardado. E foi mais ou menos assim que isso aqui começou.

No começo, foi um depósito para meus versos (podem olhar se quiserem, mas não recomendo muito não) mas logo ele passou a hospedar o que hospeda, no fundo, até hoje. Reflexões, conversas e ideias que vão de discussões sobre o Período Eleitoral de 2010 até o sensacionalíssimo Prêmio Lindolfo Pires, que teve sua segunda edição ano passado.



Creia ou não, todas essas histórias se desenvolveram de conversas pelo Twitter. Você que só tem seus conhecidos e meia dúzia de redes de notícias no seu feed pode até não acreditar, mas o Twitter tem um potencial de amizade que nem o mais ingênuo ChatUOL ou o mais cabaço Facebook Gospel que possa existir. As pessoas e histórias que só foram possíveis na minha vida através dessa que era chamada de micro-rede social lá pros idos de fevereiro de 2008, quando me inscrevi, chegam ao ponto da surrealidade.

E hoje é o dia que eu chego ao 499º post nesse blog – e último dia como @Abigobaldo naquela rede social. Conheci várias cidades simplesmente porque alguém olhou pro meu twitter e deu um voto de confiança em mim. O Cristiano Machado e o Rafael Faria me hospedaram em suas casas. O Cleber de Sá me deixou viver com sua família por alguns dias pra entender o trabalho e a vida deles. O Thiago Paiva me colocou pra dentro da sua família e da família que seria a dele alguns meses depois. O Bruno Figueredo apostou sua reputação em mim, ao me indicar para um emprego que eu não tinha a menor experiência, mas que queria feito louco. O Ronnedy comprou a ideia e levou um bando de desconhecidos pra sua própria casa. O Tig Vieira resolveu mudar completamente de vida e me inspirou a fazer o mesmo – de maneira até levemente parecida (e nunca pediu royalties, graças a Deus). O Fayson Merege, compartilhou uma amizade de casais que virou uma amizade entre homens e viajou comigo pra subir num palco de desconhecidos. Perdi e recuperei a amizade da Verônica Acosta por tantas vezes que em uma delas até decidi namorar logo com ela, pra impedir ela de fugir mais uma vez de mim. De repente, não eram 30, 40 pessoas, eu estava falando com mil. Conheci o projeto de mestrado do Leonardo Rossatto, artigos acadêmicos da Déborah Vieira – e até alguns amigos dela.

Entrei em grupos estranhos (que não podem ser nomeados), com gente esquisita que me fez sentir cada vez mais em casa. Fui inconformado, descrente e agora presbiteriano, todos graças a amigos feitos nesse sítio. Falei com pessoas de longe o que não falava nem pra mim mesmo – ouvi histórias que fizeram meu tempo de pastor de jovens parecer, com o perdão da expressão, brincadeira de criança. Tentei ajudar aos outros máximo que pude, mas fui ajudado muito mais do que consegui ajudar a qualquer um. Ganhei presentes, lembranças, cartas e recomendações inesperadas. Fui tachado de imoral, de irresponsável, de hipócrita e babaca até pelos que já tinham sido mais queridos, e ganhei alguns tweets de apoio e consideração que valeram todo o resto. Fui julgado, fui crucificado de maneiras que atrapalharam até o relacionamento com meus pais por um período (e pouquíssimos acompanharam isso, todos esses pouquíssimos conhecidos nessa rede, e que se mantém comigo até hoje).



Mas, enfim, o dia chegou. O dia de se despedir dessa arroba que tanto transformou a minha vida. Foram 7 anos que valeram a pena. E deixem a numerologia gospel fazer seu trabalho sobre a importância desse tempo. Talvez eu escreva sobre isso. Talvez seja melhor deixar no imaginário. Mas estar com vocês foi bom. Muito bom.

Um adendo:

Esse abandono, embora já planejado há alguns dias, não é voluntário. Na verdade, em 2012, no mesmo ano que este mesmo blog foi invadido pelo Anonymous (sério, isso aconteceu de verdade, caras), alguém alterou a minha senha e eu perdi acesso a conta. Ok, recuperar a conta é fácil, o problema é que o e-mail que eu tinha cadastrado o Twitter não existia mais. Sem o e-mail, é impossível recuperar o acesso à conta do Twitter, já fui garantido disso por vários funcionários diferentes da empresa ao longo desses anos. Então o mais digno pareceu me despedir desse usuário, enquanto começo a twittar pelo @santoirgo. Estamos lá (:



(de k80soccer)
Opinião

(Do Manual do Quero Ficar Famoso Na Internet Sem Ter Novidade Alguma)

(de k80soccer)



1) Comece a gravação gritando o nome do programa. Sério, GRITANDO. Se você acha que o morador do 402 não ouviu, grite de novo (mesmo o prédio com quatro andares mais próximo esteja a três quadras de você);

2) Deixe os participantes do podcast se apresentarem com comentários engraçadinhos, como se a gravação fosse uma seleção dos piores momentos da festa de aniversário do seu sobrinho. Não importa se o tema é a guerra da cisjordânia, aborto ou as indicações ao Oscar, quanto mais rasa e manjada a piada, melhor;

3) Primeiro conteúdo: leitura do feedback! Leia e-mails longos, comentários gigantescos e impopulares que causarão enormes discussões e posts em outros blogs que tenham a ver com qualquer assunto que não seja o do podcast que está sendo ouvido. Não importa se é a primeira vez que o ouvinte está ali, ou se ele acabou de chegar – se ele não ouviu o episódio anterior, a culpa é toda dele! Não deixe essa parte da programação durar menos do que uma hora, por mais que o podcast inteiro tenha 1 hora e 20 minutos.

 



Utilidade Pública

Evil Abed

Noruega proibiu a Arábia Saudita de financiar mesquitas

Se não há igrejas na Arábia Saudita não haverá mesquitas na Europa. A Noruega proibiu a Arábia Saudita de financiar mesquitas, enquanto não permitirem a construção de igrejas no seu país. O governo da Noruega acabou de dar um passo importante na hora de defender a liberdade da Europa, frente ao totalitarismo islâmico. Jonas Gahr Store, ministro dos Negócios Estrangeiros, decretou que não seriam aceites os donativos milionários da Arábia Saudita, assim como de empresários muçulmanos para financiar a construção de mesquitas na Noruega

Segundo o referido ministro, as comunidades religiosas têm direito a receber ajuda financeira, mas o governo norueguês, excepcionalmente e por razões óbvias, não aceitarão ofinanciamento islâmico de milhões de euros.

Jonas Gahr Store argumenta que: Seria um paradoxo e anti-natural aceitar essas fontes definanciamento de um país onde não existe liberdade religiosa. O ministro também afirma que a aceitação desse dinheiro seria um contra-senso»,recordando a proibição que existe nesse país árabe para a construção de igrejas de outras religiões.

Jonas Gahr Store também anunciou que a «Noruega levará este assunto ao Conselho da Europa», donde defenderá esta decisão baseada na mais estrita reciprocidade com a Arábia Saudita.

Via Midia Gospel


A internet, meus caros, é um grande telefone sem fio. Por exemplo, essa notícia, acima, da proibição de mesquitas na Noruega – todo mundo lembra a preula que deu quando um cartunista dinamarquês resolveu que seria uma boa ideia desenhar o profeta Maomé (maior profeta reverenciado pelos muçulmanos) usando um turbante-bomba, há cinco anos atrás. Surgiu então, na minha timeline um link, de um blog aparentemente duvidável, falando sobre a suposta proibição da construção de mesquitas na Noruega. Fui pesquisar. Uma das notícias que apareceu nas pesquisas é essa acima, e acreditem, apesar do nome do site, é uma das referências mais concretas com a notícia.

Quando li a notícia, percebi três erros crassos:

(1) O suposto ministro de “negócios estrangeiros” (embora a tradução oficial seja Assuntos Estrangeiros) saiu do cargo em 2012; 
(2) Não é de competência nem do Ministro de Assuntos (ou Negócios) Estrangeiros legislar sobre o tema, nem mesmo do Ministro da Economia/Fazenda Pública (cargo que ele ocupa hoje), mas do Parlamento;
(3) Só tem essa notícia em blogs cristãos (que não são bem conhecidos pela sua imparcialidade.

Fui à pesquisa. Como não encontrei nenhuma referência concreta à proibição seja de financiamento de mesquitas pela Arábia Saudita (o governo saudita investiria recursos públicos na construção de mesquitas no exterior? Como se proibir particulares de gastarem seu dinheiro em objetos específicos sem causar um incidente internacional?), resolvi mudar o foco da pesquisa. Fui procurar a proibição saudita de se construir/plantar/fundar novas igrejas no país. Cravando resultados no Google, encontrei mais notícias estranhas. Segue:

Destruição de igrejas católicas é exigida por autoridade islâmica

Meca (Segunda-feira, 26-03-2012, Gaudium Press) O grão-mufti sheikh Abdul Aziz bin Abdullah, alta autoridade clerical da Arábia Saudita, exigiu a destruição de todas as igrejas existentes na região do Golfo Pérsico. A decisão do governo do Kuwait de proibir a construção de novas igrejas no país, foi elogiada pelo sheikh, mas segundo ele a medida é pouca, pois é necessário destruir as igrejas que já existem. A exigência de Abdullah só não seria aplicada à Arábia Saudita, pois ali, não existe qualquer local de culto não muçulmano e qualquer outra manifestação religiosa já está proibida.

 

Além de ser a mais alta personalidade do clero da Arábia Saudita, o grão-mufti da Arábia Saudita foi considerado o 14º muçulmano mais influente do mundo pelo Real Centro Islâmico de Estudos Estratégicos, no ano de 2011. Nos países do Golfo Pérsico os cristãos são uma minoria, sendo sobretudo imigrantes. Em países como a Jordânia, Palestina, Iraque, Egito, Líbano e Síria, há comunidades cristãs significativas, mas o clima de perseguição religiosa tem aumentado também nesses países. (EPC)

Com informações da Rádio Vaticano.

Fonte: Associação Religiosa N. Sra. das Graças

Ok, vamos lá. Então nem repentinamente a Arábia Saudita começou a proibir a construção de Igrejas, nem a Noruega impediu coisa alguma – na verdade eu não sei o que a Noruega tem a ver com a história até agora. Mas uma coisa nesse link me chamou a atenção: a fonte. Fui então pesquisar no Gaudium Press, site dito como referência no início do texto, porém nenhuma das pesquisas retornou resultado.

Mesmo assim, eu já tinha uma história a seguir. Alguém tinha dito alguma coisa no Oriente Médio (tá vendo o problema da mídia cristã?). Foi então que encontrei o site da Agência Oficial de Notícias do Vaticano. Explico: por mais que Vaticano seja a sede da Igreja Católica, ainda assim é um país, e tem uma reputação a zelar (ou pelo menos deveria) no que tange à relações internacionais. Na NEWS.VA, há uma notícia que diz “O xeque Abdul Aziz bin Abdullah, Grão Mufti da Arábia Saudita (…) declarou que “é necessário destruir todas as igrejas da região”. A notícia continua:


A declaração do mufti foi feita depois que um parlamentar kuaitiano, Osama Al-Munawer, anunciou no mês passado, na rede social “Twitter”, a intenção de apresentar um projeto de lei para a construção de novas igrejas e lugares de culto não islâmicos no Kuwait. Recentemente, por ocasião da consagração de uma Igreja católica nos Emirados Árabes, os cristãos locais auspiciaram “a abertura de negociações para construir uma Igreja na Arábia Saudita”, visto que no Reino Saudita, segundo estimativas, vivem de 3 a 4 milhões de cristãos, trabalhadores imigrantes que desejam ter uma Igreja. Em junho de 2013, o Card. Fernando Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos povos, consagrou a nova Igreja de Santo Antônio nos Emirados Árabes Unidos, nas proximidades de Dubai , e uma nova Igreja dedicada a São Paulo está sendo erguida em Abu Dhabi. No início de 2013, o Rei de Bahrein doou à comunidade cristã um terreno para a construção de uma nova Igreja, a Catedral de Nossa Senhora da Arábia.

Fonte: News.Va

Então já temos um contexto: Após um parlamentar do Kuwait dizer que gostaria de fazer um projeto de lei para liberar a construção de igrejas no país, alguém disse que deveriam destruir todas as igrejas da região, e não construir mais. Só nos resta a pergunta: quem raios é Grão Mufti Abdul Aziz bin Abdullah? O site da Rádio do Vaticano (que tinha sido citada anteriormente), explica: Grão-Mufti é uma alta autoridade clerical, que pode emitir fatwas. Fatwa (ou fátua, abrasileirado) é um pronunciamento legal da religião islâmica – assim como Papas emitem Bulas Papais, que são consideradas leis religiosas para católicos e assim como Assembleias e Conselhos Eclesiásticos determinam doutrinas aos fiéis evangélicos, as Fatwas são ordenamentos aos muçulmanos, geralmente vindos de interpretações do Alcorão. Transportando para uma realidade ocidental, é como se um pastor evangélico dissesse, no morro carioca, que deveriam fechar todos os centros de umbanda e terreiros de candomblé. Não que isso seja realidade, é apenas uma suposição que pode coincidir com histórias reais.

Mas calma, não vamos discutir sobre a justiça ou injustiça desses ordenamentos religiosos. A internet é sim, um grande telefone sem fio. Um líder religioso da Arábia Saudita disse que precisavam destruir igrejas. Um líder da Arábia Saudita disse que precisavam destruir igrejas. Arábia Saudita vai destruir igrejas. É nesse ponto que entram pessoas mal-intencionadas, nessa bagunça de repostagem e mídia 2.0, o jornalismo que não é jornalismo e por isso não precisa de credibilidade, e acrescenta uma história  completamente bisonha, como essa da Noruega impedir financiamento de mesquitas. Em tempo: sim, na Arábia Saudita, assim como no Kuwait, é proibida a manifestação pública de outras religiões senão a muçulmana (nesse momento, um líder evangélico candidato nessas eleições coça sua barbixa enquanto pensa no paraíso que poderia criar com esse poder), como informa relatório do Departamento de Estado dos EUA:

The government claims to provide for and protect the right to private worship for all, including non-Muslims who gather in homes for religious services. This right was not always respected in practice and is not defined in law. Moreover, the public practice of non-Muslim religions is prohibited, and the Commission for the Promotion of Virtue and Prevention of Vice (CPVPV) and security forces of the Ministry of Interior (MOI) continued to raid private non-Muslim religious gatherings. Although the government also confirmed its stated policy to protect the right to possess and use personal religious materials, it did not provide for this right in law, and the CPVPV sometimes confiscated the personal religious materials of non-Muslims. Religious leaders and activists continued to face obstacles in expressing their views against the religious establishment.

Fonte: US Departament of State

“O governo diz que provê e protege o direito de culto privado para todos, inclusive não-muçulmanos que se reúnem nas casas para prestarem cultos religiosos. Esse direito não foi sempre respeitado na sua prática, e não está definido em lei. Além disso, a prática pública de religiões não muçulmanas é proibida e a Comissão para a Promoção de Virtude a Prevenção do Vício (CPVPV) e as forças de segurança do Ministério do Interior (MOI) continuaram a fazer batidas policiais em reuniões privadas de não-muçulmanos. Embora o governo também confirme a sua política de proteger o direito de possuir e usar acessórios religiosos, não há legislação nesse tema, e o CPVPV costuma confiscá-los de não-muçulmanos. Líderes religiosos e ativistas ainda enfrentam obstáculos em expressar suas visões contra o status quo religioso.”


Utilidade Pública

header

Uma vez, era o Luciano Huck. Pinta de bom-moço, com alguma meia-dúzia de haters no bolso (mas isso é porque ele pegava a diva da infância deles), programinha de gincana estilo Xuxa na Globo com um quê de questionável, mas um cara sussa. Tranquilo, suave, não tinha falado mal de ninguém nem se envolvido em polêmicas. Tá, vamos ignorar o passado em programas apelativos, mas até aí convenhamos, nada que um trabalhador normal não faria pra garantir o leite das crianças e a cerveja do final-de-semana.


Mas isso lá vai uns quinze anos, o Caldeirão tá quase debutando e dançando valsa com papai-mamãe-titia-vovô e a pessoa que vai tirar sua virgindade (ou pelo menos vai poder dizer isso para todo mundo), e de lá pra cá, o bom-moço que queria fazer um programa legal em que ele ajuda as pessoas enquanto as faz de trouxas, uma diversão considerada muito saudável pela maioria da população brasileira, parece ter mudado um pouco seu estilo de vida.

Culpe o casamento, a sociedade, a pressão por metas e audiência ou a simples cultura da zuera o antigo bom-moço contratado pela Globo tem se revelado um Justin Bieber da meia-idade. Não foi apenas por toda a treta que o envolveu na demissão de Russo, que deixou a emissora com uma mão na frente e outra atrás depois de cinco pontes de safena (e foi receber ajuda da concorrência), ou as diversas tretas do Peixe Urbano que envolveram autuações do PROCON, ou pela desagradabilíssima ação de marketing que envolveu um negro, comer uma banana e lançar uma camiseta sobre isso.

Alguma coisa aconteceu de errado nesses últimos quinze anos – o apresentador do programa que estreou quase todo em gincanas beneficentes (e que inclui Russo, o que saiu pelas portas dos fundos, nas suas memórias) parece ter perdido o rumo de sua vida por aí.

Como toda mãe preocupada nos perguntamos: seriam as companhias? Teria o Luciano começado a ouvir aquelas bandas de rock pesado que incentivam os jovens a perderem a linha? Foram os videogames de violência? Será que o Huck está jogando Magic: The Gathering

Nem mesmo aquele tal cara que cheira bíblia pastor soube nos responder. Mas os novos fatos, o nosso amigo Daniel Vieira expôs no seu Facebook em termos que até mesmo os mais obtusos conseguiriam entender qual o problema.

Em tempos de campanhas contra Turismo Sexual e da tentativa de se conscientizar contra o tráfico humano, eis que o apresentador ex-boa pinta manda essa:


Escreve Daniel:
“atualmente temos um número absurdo de mulheres (e homens também) sofrendo com o tráfico de pessoas para exploração sexual. São pessoas que foram iludidas com falsas promessas, talvez promessas como essa feita pelo Luciano Huck, e são levadas para outros países para trabalhar com a venda do próprio corpo em função do dinheiro e prazer alheio.” (leia a íntegra e compartilhe essa mensagem)

Para não ficar apenas nesse vazio, indica-se a quem ainda tenha alguma dúvida ou queira saber mais o documentário brasileiro que tem sido apresentado nas sedes da Copa do Mundo FIFA pelo O Outro Lado da Moeda:

Pics

Eu sei que vocês sabem o óbvio. Afinal, nem teriam chegado onde estão se não soubesse. Revisar os textos, passar corretor ortográfico, conferir as imagens que vai postar, pedir para um terceiro olhar e ver se tá tudo nos conformes, mas… às vezes imprevistos acontecem. E exatamente por imprevistos acontecerem, todos vocês, sejam fotógrafos, social medias, enfim, qualquer produtor de conteúdo pra internet precisa estar atento.

Olha só o que aconteceu com este fotógrafo, com uma página até com número de seguidores bem respeitável. A foto? Bacana. O post? Legal. Mas na miniatura do celular… Abaixo temos (1) a foto na miniatura e (2) a foto completa.




Opa!
Esse sim foi um casamento animado!

 

 

 

Marketing Digital

(Esse texto é uma paráfrase/adaptação livre do conteúdo postado originalmente em inglês no site da Ignite Social Media por Jim Tobin; clique no link para prosseguir para o texto original)

Uma pesquisa do Ignite Social Media mostrou que o novo algoritmo utilizado pelo Facebook para montar o feed de notícias (as postagens na página inicial) nesse mês de dezembro está punindo páginas de marcas, independentemente de quantos fãs estejam interessados no conteúdo publicado por elas.

A análise feita levou em conta 689 postagens de 21 páginas (todas de grande relevância, de vários produtos) e descobriu que desde o começo de dezembro, o alcance orgânico (não-pago) diminuiu 44% em média (e algumas páginas viram seu alcance diminuir até 88%!).

E não só isso: com o efeito cascata, enquanto o alcance diminuía, o número de usuários engajados (envolvidos em postagens, curtindo, compartilhando, comentando) também caiu, numa média de 35% – com vales de até 76% em algumas.

Isso traz algumas mudanças nos discursos da equipe do Facebook: uma vez afirmaram que os posts de marcas alcançavam aproximadamente 16% dos seus fãs – hoje, com essas mudanças, mal passa dos 2,5% (uma notícia animadora para as empresas que investiram, hein?).

Ainda piora: uma pesquisa da Forrester and Wildfire mostrou que os usuários engajados (aqueles que o Facebook está distanciando das marcas), são, de fato, os melhores (e maiores) consumidores dos produtos: com menos usuários engajados, as empresas tem menos consumidores.

Neste vão deixado pelos usuários engajados, o Facebook oferece a compra de alcance para que as empresas promovam seu conteúdo, porém, essa mesma pesquisa demonstrou que os usuários orgânicos (os 3% alcançados normalmente pela empresa) são melhores, ou mais aptos a consumir que os 16% que foram alcançados através de anúncios pagos dentro da rede social.

A pergunta que todos estã querendo responder é qual deveria ser a postura das grandes marcas, se elas não conseguem alcançar nem mesmo aqueles que curtiram as páginas?

Com marcas investindo mais de US$6bi no Facebook, parece improvável que os impactos que essa mudança trouxe nos algoritmos fossem intencionais – até mesmo porque o modelo de negócios do Facebook é misturar o conteúdo orgânico com o pago.

O problema não é alterar as regras do jogo – Mark está certo em tentar otimizar a experiência do usuário. O problema é fazê-lo com base num chutômetro de que, de repente, todos os usuários acordaram com vontade de ver apenas o que seus amigos postaram, e não estão nem aí com as páginas que curtiram.

Os dados das pesquisas (tanto da Ignite Social Media como da Forrester and Wildfire) já foram entregues à equipe do Facebook, que está os revisando, e estamos otimistas quanto à sua aceitação. O problema é que essas mudanças vieram numa época delicada, quando agências estão planejando o orçamento de 2014, e uma mudança dramática no Facebook pode fazer com que agências mais conservadoras retraiam seus investimentos.

perfil2


Esse material foi desenvolvido para uso virtual, embora seus princípios possam ser aplicados à discussões a nível pessoal, sejam nas reuniões de família, na hora do cafezinho no trabalho ou no ponto de ônibus com aquela senhora de bengala e tendências levemente racistas que insiste em te achar rude se você não tirar os fones de ouvido para concordar com ela.

A questão é: como separar os assuntos que simplesmente não vão dar em nada, e a discussão vai só te dar dor de cabeça, encheção de saco e falta de vontade de olhar pra cara da pessoa depois disso tudo das conversas entre seres humanos?

Vamos pensar primeiro: como acontece uma discussão saudável?

Numa discussão saudável nós temos uma proposição e um argumento provocador que a rechaça, por exemplo:

ð  Propositor: O São Paulo nunca foi rebaixado.

ð  Provocador: O São Paulo foi rebaixado no Campeonato Paulista de 1991.

Temos então, alguns pontos em comum: o tema da discussão é se o São Paulo foi ou não rebaixado na sua história, e sobre a existência/validade do rebaixamento de 1991 neste tópico – num decurso normal de discussão, que embora boba, é saudável (há troca de ideias, apresentação de fatos e discussão de fatores objetivos e da validade da percepção subjetiva dos envolvidos).

Já uma discussão viciada é aquela que, por diversos motivos, não consegue manter uma temática (seja por malícia ou por desídia):

ð  Propositor: O São Paulo nunca foi rebaixado.

ð  Provocador: O São Paulo foi rebaixado no Campeonato Paulista de 1991.

ð  Propositor: Olha quem tá falando! Pague a série B, fluzinho!

Numa discussão viciada, o argumentum ad hominem (atacar a pessoa, ao invés de seus argumentos – afinal, o que tem a ver os rebaixamentos do Fluminense para definir se o São Paulo já foi rebaixado?); falsas induções (mulher de minissaia é piriguete); aplicações errôneas de regras gerais (todo homicídio é assassinato); uso da terceira pessoa do plural desconhecida (dizem que usar o celular causa câncer) e vários outros indicativos do uso de malícia.

INDICATIVOS DE MALÍCIA:

Lembramos que um indicativo de malícia é um momento de alerta para a possibilidade de malícia: nem sempre que forem utilizados os recursos, haverá malícia:

1)      Generalizações excessivas;

2)      Lutas contra uma classe (empresários, trabalhadores, manifestantes, etc) de maneira genérica;

3)      Não responder as perguntas propostas, mas realizar outras por cima (e exigindo respostas das perguntas próprias);

4)      Trazer diversos assuntos relacionados sucessivamente, com intuito de tirar o foco da discussão;

5)      Atacar a dignidade ou a honra de quem discorda ou questiona as premissas lançadas;

6)      Personalizar os questionadores, levando para o lado pessoal toda argumentação contra suas proposições;


As manifestações trouxeram uma multidão de novos olhares e percepções sobre o Brasil. Por bem ou por mal, pessoas em todos os cantos do mundo se surpreenderam com as revoltas que surgiram no país (quase inteiro), desde as menores cidades até as maiores, envolvendo uma turba que lutava por várias coisas.

Independente do que se conseguiu ou não, a informação foi um ponto crucial das manifestações – tanto a falta como o excesso. Se os comunicadores viviam à beira de um futuro que ia do controle extremo da informação de George Orwell (1984) até ao fluxo constante e indistinguível de informações incompreensíveis de Aldous Huxley (Admirável Mundo Novo), as manifestações no Brasil tiveram um pouco de ambos na sua formação – e foram essenciais para o seu surgimento, assim como foi o que as levou à ruína.


Boa parte dos brasileiros estava em casa naquela quinta feira, dia 14 de julho quando estourou o terceiro grante ato contra o aumento da tarifa em São Paulo. Deitados no sofá assistindo TV, navegando nas redes sociais sem se preocupar muito com as confusões que estavam tentando tomar conta da capital paulista.

No fundo, todos nós éramos um pouco a favor da redução, todos nós acreditávamos que R$3,20 era um preço muito além do abusivo para o serviço oferecido, mas nem todos nós tínhamos exatamente pelo que lutar – até que começou a pancadaria generalizada.

Um turbilhão de informações invadiu as redes sociais, tanto o Facebook como o Twitter, assim como os próprios sites de jornalismo, que em suas linhas do tempo começavam a mostrar a repressão policial sem algum motivo aparente.

Enquanto os âncoras e a equipe de jornalismo batia cabeça tentando entender se existia algo que tinha causado a fúria da PM, os repórteres in loco repetiam a cada minuto o que tinham visto: A Polícia Militar desceu o cacete numa manifestação pacífica, e começava a atacar a todos que estivessem por ali: manifestantes, lojistas, repórteres, moradores de rua, qualquer um que cruzasse seus caminhos.

Esse foi o estopim para todas as outras manifestações – e foi aí que nós, que não tínhamos até então pelo que lutar, ganhamos o que faltava: uma motivação. Mas não adiantava apenas uma motivação, precisávamos entender o que aconteceu até aquele terceiro ato, ir atrás pra descobrir quais tinham sido os dois primeiros e estabelecer uma linha de luta nas outras cidades.

Mas tudo que a mídia tradicional tinha a oferecer era, até então, um tratamento dos manifestantes como marginais, vagabundos e desocupados que queriam promover a bagunça. Foi aí que surgiram os primeiros grupos de mobilização e de informação. Nesse ponto tivemos o Mobilizados, a mídia ninja e vários outros grupos de apoio.

(1)    O excesso de informações (Aldous Huxley)

Esses grupos de comunicação foram o principal ponto de encontro para novas ideias e agregar novas pessoas ao movimento, além de possibilitar a troca de informações em tempo real.  Isso deu um poder de mobilização impressionante, além de trazer uma organização aos grupos em cada cidade que movimento social nenhum tinha visto – até mesmo grupos de ajuda e resgate foram formados (principalmente em Rio e SP) por socorristas voluntários.  Em muitas cidades, essas manifestações trouxeram recordes históricos de pessoas nas ruas, que dificilmente serão superados num futuro próximo.

Várias pessoas de ideologias diferentes, com histórias de vida diferentes – que a única semelhança que tinham era a cidade que viviam estavam lado a lado por alguns instantes pelo seu direito de manifestar – não era mais por 20 centavos. E foi aí que as primeiras rachaduras começaram a ser expostas.

(2)    O começo do fim

Depois dos primeiros dias, quando todo mundo foi às ruas pedindo várias coisas, os movimentos sociais mais antigos começaram a se preocupar com a efetividade das manifestações. Sem um caminho certo, uma lista de pautas, não conseguiriam trabalhar (eu falei sobre o atraso dessa visão aqui) e o movimento perderia força frente aos governos. Foi aí que começaram a se fechar em grupos menores e disputas entre esquerda e direita; progressistas e conservadores e assim por diante.

Esse clima de desconfiança, de debates intensos e de, muitas vezes linchamentos a filiados a partidos, instaurou uma crise – de repente, toda informação vinha com um QUÊ de perseguição, como se todos se tornassem inimigos uns dos outros.

(3)    O controle das informações (George Orwell)

Neste ponto os grupos se fecharam e deixaram de acreditar nas informações alheias. A velha mídia voltou a ser a vilã, e os vários dias de participação ativa no apoio às manifestações tornaram-se apenas uma faceta hipócrita para desmoralizar os movimentos. Os grupos de esquerda começaram a se afastar dos de direita, porque eles queriam apenas atrapalhar as manifestações com pedidos vazios, e os de direita começaram a se afastar dos de esquerda porque partidos não deveriam participar das manifestações, apenas pessoas.

Nisso, cada grupo começou a filtrar as informações que chegavam, não as divulgando e deixando a grande massa – aquela que fez a diferença e foi pras ruas no começo da história, alienada de tudo o que acontecia. Resultado – passividade, como a história de Orwell demonstrou.

(4)    Conclusão

As reflexões feitas sobre as duas obras sempre pecaram num ponto: elas eram absolutas. Ou aconteceria uma ou outra – e as manifestações no Brasil trouxeram à toda a possibilidade de ambas acontecerem simultaneamente, dentro de grupos diferentes de organização, mas em relação às mesmas pessoas.

Enquanto o manifestante era bombardeado de informações nas redes sociais e na TV, durante a manifestação e nos grupos de mobilização, ele era influenciado pelo grupo a ignorá-las, já que as discussões morreram e o dualismo era absoluto: ou você era x ou y, todo espaço para dúvidas, questionamentos ou individualidade tinham ficado pra trás, lá no começo.

A Revolta da Salada azedou.