Opinião

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Esqueça o viver de glória em glória. O máximo que a gente faz hoje, é escorregar de treta em treta, tentando sobreviver e não fazer muita besteira no meio desse caminho. A vida feliz, completa, satisfatória que nos prometeram mostrou ser mais do que um simples caminho estreito. É uma ponte bamba, escorregadia e sem nenhuma cordinha lateral para se equilibrar – e a queda, além de perigo constante, provou-se humilhante.

Pode ter sido por influência da TV, como sempre tem uma galera ávida por culpar algo superior e exterior por todos os problemas do universo, mas nos acostumamos a viver como se estivéssemos dentro de seriados. Vivemos uma vida cheia de dramas, pontos altos e baixos, numa montanha-russa inebriante que precisa constantemente de atualização e reformas para não ficar repetitiva e cancelarem no meio da terceira temporada por falta de audiência. Queremos viver Californication. Queremos ser a pária de The O.C. ou a mente malévola de Revenge.

É estranho perceber que em boa parte do tempo as pessoas estão preocupadas com problemas que já foram resolvidos ou que não podem ser solucionados. É impressionante a quantidade de voltas que damos para evitar um simples constrangimento de foi mal, cara, eu realmente não curto o que você escreve, então vou te dar unfollow, mas a rua é nóiz. Tudo, para nós, precisa ter algo a mais.  Nos tornamos os paranoicos que veem ameaças escondidas em notícias de jornal.

Precisamos de segundas, terceiras opiniões – e de segundas opiniões sobre as terceiras opiniões que nos deram. Somos o centro do universo: tudo conspira para nos derrubar. Fulano não deu bom dia com sorriso? Tem treta aí.

Devo dizer que minha vida melhorou bastante quando eu percebi que eu não era um personagem de série. Quando me disseram que eu não precisava me meter em todos os problemas, eu não entendi. Mas quando eu vi que as tretas só vinham até mim porque eu era o personagem principal da trama, eu abri mão do roteiro e abandonei o estúdio de filmagem.

Você não é Jackson Teller. Você não é Ryan Atwood. Você não está apaixonada Hank Moody, nem é Louis Lane. Então tire esse peso das suas costas e perceba que você não precisa salvar o mundo. Não a atacado.  Comece a viver isso, o pouco, e você verá que existe um viver de glória em glória. Provavelmente não te dará uma coroa de louros, mas te dará uma família pela qual vale a pena lutar.


Respeite seus limites, saiba que brigas comprar, e principalmente: saiba quando você está lutando uma batalha perdida, e como sair dela. Se existe uma série que você poderia atuar, é Community. Mas só pelas guerras de paintball.

Nós não ensinamos os homens. Depois de rebater vários argumentos feminazis, de entrar em discussões que sempre achei sem nexo e relativizar muitas questões, cheguei à mesma conclusão que todas as feministas já chegaram:  nós não ensinamos os homens.

Foi a pesquisa “Chega de Fiu-Fiu” feita pela Karin Hueck, editora da Super Interessante, que me fez repensar um pouco e algo, que considerava exceção vi tornar-se a esmagadora maioria. Quem corre por aqui e pelo twitter já viu diversas discussões sobre a falta de postura dos homens, em relação, principalmente ao contexto evangélico e relacionamentos – mas mesmo assim, estamos falando de 20% do total de homens desse país – e mesmo nesse meio nós vemos abusos à torto e à direito cometido por membros que são abafados dentro da própria comunidade.

Se aos homens evangélicos falta iniciativa construtiva – no sentido de construir um relacionamento, de lidar com os problemas dele e de assumir suas responsabilidades, no homem-médio brasileiro não falta iniciativa destrutiva. O papo aqui nem é sobre relacionamento, responsabilidades ou cristianismo: é sobre vida mesmo.

Eu, pessoalmente, achei que quando o verbo pedreirar fora atribuído ao ato de mexer com desconhecidas todos nós (ou pelo menos a maioria de nós) já tivéssemos entrado em consenso que isso não se faz – apesar de todas implicações e generalizações más que isso traz com a classe dos pedreiros. Caso não tenha ficado claro, cantar, dar em cima ou elogiar desconhecidas não é algo agradável. Não deveria nem ser discutido isso mais.

Não é errado cantar uma amiga sua. Não é errado elogiar uma conhecida sua. Não é errado dar em cima de alguém. Claro que não. O problema é exatamente a contextualização da situação. Não é só com contextos literários que as pessoas tem problema, e não sabem interpretar um texto completamente – muitos tem problemas em contextualização social.

Mas por que exatamente pedreirar? Por que não lavrar, frentistar ou advogar? É simples: temos num imaginário social, o pedreiro como o nível mais baixo de moral – é aquele homem bárbaro, que anda sujo, não tem bens, ensino nem cultura. Ok, antes desse texto sair completamente do estilo de escrita do blog e recair numa vala de feminismo exagerado ou de politicamente correto (sobre o qual eu realmente acho que vocês deveriam ler esse texto), concluo: o pedreiro, assim como outros operários manuais, é aquele cara que não tem nada a perder.

Socialmente, ele não tem para baixo – tudo que vier é lucro. A figura do pedreiro, então, como aquele cara sujo, inconveniente e tarado é a visão que todo homem tem de seu próprio nível mais baixo. Porque mesmo que pedreirar seja o pior nível que um homem pode chegar, ele ainda é um nível tido como viável, dependendo das circunstâncias.

Ora, o que teria eu a perder ao elogiar uma garota bonita que passou por mim na rua? Nada, afinal, minha namorada, meus pais nunca saberiam – essa mina nem me conhece. Vai que ela sorri. O que teria eu a perder ao passar relando na guria no ônibus? O ônibus tá cheio mesmo, acontece, tô no lucro. Esse pensamento, meus caros, evolui.

Como uma mulher, indo sozinha do ponto de ônibus pra casa, à noite, se sente quando passa um homem e fala que delícia! (e olha que “que delícia” nem é tão mal visto assim)? Ela é um objeto pra ele – algo que ele gostaria de ter, que ele poderia ter se quisesse pra se satisfazer, e o que ela tem como garantia que aquilo é somente um elogio e ele não vai decidir que ele merece ter um pouco de prazer? Exatamente: nada. Por que? Porque ela não faz ideia de quem seja aquele cara.

O ser humano – e acrescento agora as mulheres nesse balaio – evoluiu? Nem um pouco. Fazemos o que é socialmente certo porque somos socialmente obrigados. E machucamos, exploramos e tornamos a vida para os outros o mais difícil possível o máximo que pudermos.

Afinal, para muitos homens, a mulher nada mais é que um cuspidor de esperma.

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Nasci nos anos 90. Somos um tipo de geração que não tem história pra contar. Não participamos de nada importante – o Brasil tinha um governo democrático, estava se estabilizando economicamente, a corrupção já fazia parte do sistema, as coisas já estavam praticamente todas encaminhadas. Somos uma fase de transição: não deu certo, mas ainda não deu errado.

Acostumamos então a não fazer nada, a esperar. Acreditamos que o amanhã será melhor, que a cura para a violência, a desigualdade e toda sorte de enfermidades será magicamente criada por uma solução genial que não vai causar nenhum impacto negativo nas nossas vidas, e nos opomos a tudo aquilo que nos tire do status quo que nossos pais conseguiram conquistar nessa classe média tradicional brasileira.

Nós acostumamos a olhar para baixo, para os mais pobres, marginalizados, mais fracos e mais desprezíveis, nos assustando quando eles começam a chegar perto, e quando a classe C, nova classe média, começa a consumir produtos e ter um padrão de vida que era restrito à nós e aos ricaços, nos assustamos e pedimos por ajuda: não porque queremos alcançar os ricos e melhorar o padrão de vida, mas porque os pobres estão chegando no nosso nível – e toda boa classe média de verdade tem horror a pobre.

O que fazemos, então, nessa vida medíocre e sem sentido? Ouvimos a história de quem lutou contra e a favor da ditadura, vemos os egípcios e sírios colocarem o país de cabeça para baixo lutando pelo direito de mandar nas próprias vidas e no próprio governo, vemos uma política de relações internacionais meio esquizofrênica do país e – ficamos carentes.

Nós queremos ter histórias para contar, queremos ser importantes, pelo menos por um pouco de tempo. Todo mundo tem histórias. Até o avô bancário tem histórias emocionantes pra contar de uma época em que as coisas eram mais difíceis e nós estamos aqui, vivendo um dia após o outro. Essa vontade de ter uma história pra contar é tão forte, e nos deixa tão carentes que molda toda a nossa vida.

Entramos em religiões buscando experiências sobrenaturais, ignorando o conhecimento científico da teologia a que dizem se filiar; fomos pra manifestações buscando experiências sociais e querendo participar de algo que fosse maior que a gente, seja lá o que for esse algo; viajamos e fazemos mochilão não para nos divertir, mas buscando experiências loucas e bizarras pra contar pra todo mundo e mostrar como somos diferentes; queremos preencher esse vazio – essa necessidade de parecermos importantes no mundo.

Isso nos traz consequências igualmente preocupantes quanto todo esse paradigma: na busca por nos encher com experiências, cada vez mais corremos atrás de ações que não nos enchem porque… não estamos lá de verdade. Estamos buscando um jeito de ir mais longe, de documentar que estamos ali, de buscar algo interessante pra poder aparecer, nem que seja para nós mesmos.

É triste ver que não temos futuro –e não temos porque não queremos.


História do Sorvete


Você está exagerando, Yashar Ali. Sem correr o risco de ser rude ou cínico, você realmente exagerou em alguns pontos do seu texto – e esse é apenas um contraponto, para entrar na discussão.

Yashar Ali publicou, essa semana, um texto intitulado Por que as mulheres não estão loucas, a íntegra você encontra no Papo de Homem (e realmente indico a leitura). O texto entra numa discussão importante (como várias postagens do site) dentro dos relacionamentos – o choque entre pessoas emotivas e pessoas racionalistas. Combati, também há pouco tempo, o posicionamento racionalista que está na moda – os sentimentos e emoções são afogados e tidos como fracos aqueles que simplesmente não engolem algumas coisas.

Mas digo que você exagerou, Ali, porque muito (aliás, quase tudo) do que você disse é verdade (tecnicamente é isso que significa a frase, embora não seja bem esse o uso) – muitas mulheres são, de fato, oprimidas ao expressarem pensamentos e opiniões que não são importantes não só diante de seus namorados/maridos, mas diante de todas as outras pessoas, inclusive outras mulheres já calejadas pela pressão em ser racionalista (por gaislateadores) – você está exagerando, tem que focar no que é importante, no seu objetivo.

Esse pensamento maquiavélico (como eu descreveria o gaislatearismo proposto por você) pode ser fruto de uma sociedade patriarcal? Pode, mas eu não acredito nisso. Não é o patriarcalismo o culpado – assim como não são apenas mulheres que sofrem com as consequências dele. A meritocracia faz muito mais o seu dever ao impor objetivos e metas inalcançáveis de maneira sã, e é aí que entra a morte das emoções.

Mulheres não só podem ser, como de fato já têm sido, em número cada vez maior, responsáveis por essa mesma pressão sobre homens – sejam seus homens ou seus filhos.  A pressão para ser racionalista, ser objetivo e por uma miopia seletiva é um apelo social, não sexista.

 Quando digo que você está exagerando, Ali, é porque às vezes, as pessoas simplesmente estão exagerando. Não sei eu outra forma de alertar pessoas sobre comportamentos inconvenientes a não ser com este aviso (posso estar mal-acostumado), mas pensemos então na seguinte hipótese:

Um homem (só para variar um pouco e provar este ponto) tem uma crise em relação à mulheres. Acredita entrar em todas friendzones possíveis, e se considera vítima de um movimento feminino que visa apenas usar os bons homens como ele como alicerce entre um relacionamento falido e outro.

Casos assim estão cada vez mais comuns na sociedade, nos quais homens, emotivos, põem seu pensamento/bem-estar acima do das outras pessoas – um tanto quanto inconveniente, e que gera brigas, confusões, perdas de amizades e muita treta. Como mostrar para a pessoa a inconveniência de suas atitudes sem falar Cara, você está exagerando? Eu realmente não sei.

Da mesma forma, se fosse uma mulher – peguemos um caso tão comum quanto. Digamos que uma mulher ultrapassa qualquer limite saudável dentro de ciúmes. Coloquemos ainda um background: ela saiu de uma casa em que o pai traía a mãe repetidas vezes, viu seu irmão mais velho pisar em várias garotas que o amavam de verdade e com isso, desenvolveu uma postura amargurada em relação aos homens (um fator externo que pode tê-la oprimido, de fato, sem ser diretamente relacionado à ela).

Oprimida já quase que por natureza, em todos seus outros relacionamentos, ela entra em um namoro com uma postura passivo-agressiva como você descreveu em seu texto. O namorado, um dia, pega no celular e vai falar com uma garota qualquer, e ela explode em ciúmes – independente de ser a irmã ou prima dele. Como conversar com essa garota sem começar com um Calma, você está exagerando?

Concordo contigo, Ali, não se engane: existe uma forte opressão contra pessoas emotivas (independentemente de sexo), e o Você está exagerando é mal empregado (geralmente as pessoas usam sozinhas, sem dar uma justificativa ou entrar numa conversa mais profunda sobre os sentimentos e fatos relacionados ao suposto exagero) – mas não é o vilão da história, assim como mulheres não são as únicas vítimas.

Um abraço, Ali!


É, monera. Sou seu.

O dia de São Valentim é uma data totalmente capitalista, criada pelo imperialismo norte-americano querendo enfiar os valores consumistas nos países de terceiro mundo – nós já temos nosso dia dos namorados, pra que precisamos de outro?


O Halloween é uma data totalmente capitalista, criada pelo imperialismo norte-americano querendo enfiar os valores consumistas nos países de terceiro mundo – nós temos o folclore brasileiro, viva o Saci! Viva Curupira!

O Natal é uma data totalmente capitalista, criada pelo imperialismo norte-americano querendo enfiar os valores consumistas nos países de terceiro mundo. O dia das mães. O dia dos pais. O dia das crianças. Os aniversários. A fada dos dentes.

Essa militância contra o capitalismo me lembra muito a militância evangélica contra o mundo. Se tal coisa é utilizada pelo mundo, é satânica – se tal coisa é usada pelo capitalismo, é imperialista. A mania de ver o mal, o satanás, a sementinha da discórdia em tudo que nos rodeia é aquela síndrome de querer manter uma pureza que não existe nem dentro de nós.

Tentamos resgatar o verdadeiro sentido do Natal escrevendo mensagens de ódio e recusando presentes, tentamos trazer luz ao verdadeiro sentido da Páscoa detestando coelhinhos brancos que põem ovos de chocolate, e tentamos trazer o amor desconsiderando todas as datas que possam ser consideradas especiais. Tá, você pode falar que é preciso amar seu(ua) namorado(a)/mãe/pai/avós todos os dias do ano, mas não é odiando os dias comemorativos que você vai conseguir chegar lá.

Não quer gastar dinheiro porque não tem, ou porque acha um desperdício? Não gaste. Mas não estrague um dia que todo mundo resolve viver numa vibe melhor gritando sobre hipocrisia natalina. Não estraguem o dia dos namorados dos outros porque você especialmente não curte – vai ficar trancado no seu quarto em posição fetal no escuro, meu amigo!


Deixe os outros se divertirem. Deixe os casais saírem. E comece a pensar se a pessoa que você está junto não gostaria de se sentir um pouco especial também. Não precisa ser hoje, dia dos namorados, uma data do capital imperialista – pode ser amanhã, ou depois.

Afinal, a esperança de um dia pode fazer bem para todos nós.

Deram umas voltas na internetê um texto do HypeScience falando sobre 13 sinais para você saber que se está apaixonado. O engraçado é que (quase) todos as razões são daquelas paixões pré-adolescentes, que nascem e morrem em algumas semanas, aquele amorzinho safado e egoísta, quando a gente ainda acha que precisa se desdobrar pelas pessoas.


É a verdade? Não, claro que não. É só a minha impressão pessoal do que rolou desde o meu primeiro namoro, há oito anos atrás até hoje, com meus ignóbeis 22 anos de idade quando acho que já aprendi alguma coisa sobre a vida – nem que seja alguma coisa pra não se fazer daquele jeito.

É estranho ver como se apaixonar, com o tempo, se torna algo muito mais fácil de lidar e mais racional com o tempo – e a gente sempre sonha com aquele mito do primeiro amor/primeiro romance.

Quer ver os pontos negativos da paixão adolescente mostrada pelo HypeScience? Embarca aí!

Nesse tipo de paixãozinha, não existe mais nenhuma outra pessoa no mundo – não é nem pra namorar, é que não existe mesmo. Todo mundo já fez ou teve amigo que quando se apaixonou, trocou completamente as companhias, esqueceu os amigos e só falava da namorada. Quando a outra pessoa é a única do universo, tudo tem que ser feito com ela, por ela e para ela, maior nível endeusamento –e isso leva ao próximo ponto:

Não tem erro – de verdade. Tudo tem algum motivo, alguma desculpa ou uma boa razão pra ter acontecido. Pode ser a pressão, os pais, os amigos, a vida, TPM, TOC e uma miríade (adoro essa palavra) de siglas que geralmente não tem nada a ver com o problema – nem com as consequências. Tornar o outro perfeito é não tentar melhorá-lo, deixá-lo no estado que está como se não houvesse para onde crescer. Inevitavelmente isso leva a um… desastre emocional.

Praticamente um Romeu e Julieta homoafetivo.

Ora, quando a pessoa é perfeita, todos os problemas do relacionamento decorrem, então de: mim. Se o outro é perfeito, todos os problemas do mundo são culpa minha, e eu não mereço tal pessoa na minha vida, é demais pra mim. E começam as crises a cada briga, as decepções consigo mesmo e a tristeza de isso vai acabar mais cedo ou mais tarde.

Saber que a pessoa é perfeita, que o relacionamento pode acabar a qualquer momento quando ela cair em si e ver como eu não sou tão bom pra ela. Daí rola aquele lance obsessivo – precisamos agradar ao outro. É questão de vida ou morte (do relacionamento, e consequentemente nossa, porque nunca no mundo vamos encontrar alguém tão bom).

Se é pra agradar, preciso ficar junto com ela o dia inteiro. Pra poder fazer o máximo de coisas que conseguir com essa pessoa e para essa pessoa – pro resto da minha vida, eu dedico a você.

É claro que esse estado não dura muito tempo; ninguém consegue continuar assim sem entrar em crise. E quando entramos em crise tudo vai por água abaixo. E cara, vou te dizer uma coisa – existe uma maneira mais saudável de se ficar apaixonado. Existe uma maneira melhor de passar por uma paixão e chegar ao amor. Você vai entender, fica tranquilo – e quanto mais cedo se desgarrar dessa insanidade toda, mais cedo você vai conseguir aproveitar melhor seu relacionamento, e vai fazer seu companheiro mais feliz sem precisar morrer por isso.


Promessa de Abigo.

Já leu esse texto aqui? Ótimo, então você já viu uma parte do programa do Malafaia e a gente discutiu alguns pontos de teologia pura. Agora para falar sobre homossexualidade, eu gostaria muito, de todo meu coração, que você lesse esse texto aqui, logo antes do que você tá lendo agora, onde eu coloco um pouco dessa discussão de surgimento da homossexualidade, dou minha opinião e peço pra você colaborar comigo pra eu ter uma ideia melhor desse tema.

Então vamos à segunda parte do programa – e pra mim foi aqui que a Marília Gabriela se perdeu. Esqueça que é o Silas Malafaia. O que o Silas Malafaia reclama da PL-122 é o maior problema jurídico dela, não o que alguém acredita. Em momento algum o Malafaia se disse contra os homossexuais– pode conferir o vídeo até de trás pra frente.


E aí vem a Marília Gabriela e diz “nem todas as pessoas tem a formação que você tem ou um tipo de esclarecimento”. Amiga Marília Gabriela – a resposta do Silas foi genial: “Então vamos cortar programas de televisão, vamos cortar filmes porque podem ensinar a matar”, e ela apelou dizendo que ele estava querendo tolher os direitos dos homossexuais, e entrou numa argumentação cíclica: os homossexuais precisariam de ter uma lei os defendendo porque eles tem uma lei os defendendo – LEMBRE-SE: eu estou falando de Direito, não de sociologia.

E aí ela partiu pro ataque pessoal por uns bons 10 minutos, e quando eu pensei que o menino Silas ia fechar bem quando disse “eu não estou aqui para condenar A, B, ou C, estou para condenar os pecados” – o qual é o papel dos profetas, e ele está certíssimo. O problema foi ele ter dito logo antes que Jesus falava mais de inferno do que de céu. Estatisticamente? Pode até ser, não parei pra contar. Teologicamente? E daí? Sim, não entendi o que ele quis dizer com isso. Deus é amor. Amor é justiça, justiça leva à retidão. Ponto.

Gabi ainda levantou outro ponto completamente inepto, dizendo que a bíblia proíbe o divórcio – outro mito. Leiemos Mateus 5:31-32 e 1Coríntios 7:15. A partir daí, eu não tenho mais nada a discutir. Silas Malafaia se mostrou muito mais são, racional, do que Marília Gabriela. “Eu posso ser o mais veemente possível para defender as minhas teses, mas isso não quer dizer que eu os odeie. […] [Se o meu filho fosse homossexual] Eu o amaria 100%, e discordaria dele 100%. Quem disse que pra amar precisa concordar?” E a Gabi responde “Você ia fazer o inferno dele” – ué Maria Gabriela, como assim?

“Você coloca homossexuais lado a lado com bandidos” – desculpa, Gabi, mas o direito diz que são iguais. Sim, são. Eu também sou igual a um homossexual, e a um bandido. E você também, Gabi! Poxa, você é melhor do que um bandido? Alguém aqui pode se dizer melhor do que o outro?

“O que a religião não pode fazer é tentar se enfiar pela goela das outras pessoas” Malafaia, Silas.

Sério que vocês tão xingando o Silas por causa disso? Desculpa, cristãos emergentes descolados, mas dessa vez, eu fiquei com o Malafaia, viu?



Quem nunca escreveu um bilhete romântico pra namorada, tentando a lembrar do amor alfa ômega, beta (não lembro o nome), e que se esmerou na sua mais bela caligrafia em papel de pauta universitário (que estranhamente é utilizado desde o ensino fundamental, num movimento de claro desprezo pelo nível do ensino superior), respirou fundo, fez cara de sério e escreveu, logo antes de passar o bilhetinho pra amada, durante aquela aula de Filosofia Pré-Socrática.

 ~escrevi saí correndo pau no ** de quem tá lendo~

Acho que ninguém nunca entendeu a profundidade dessa frase, e quais os significados diretos e indiretos dela na constância de um relacionamento. Oras, não podemos apenas interpretar o que nos convém, o que salta aos nossos olhos. É claro que ao escrever isso o autor não quis apenas ressaltar sua vontade de realizar um ato sexual anal com a parceira. Não sejam tão rasos assim. Existe mais coisa entre o lápis e o papel que o seu pequeno cérebro consegue compreender.

Quando você escreve isso, e dedica à sua amada, está, na verdade, se abrindo pra pessoa de uma maneira que poucas pessoas fariam, ao dizer saí correndo, explica que o que vai dizer a seguir é de tal importância e profundidade para ti, que acaba provocando um certo medo e ansiedade com a reação dela que beiram ao desespero, e a decisão mais sensata a se fazer é fugir;

Além disso, mais adiante, essa pequena declaração de amor demonstra como quer levar esse relacionamento para um próximo nível de intimidade, que já ultrapassa as próprias barreiras normais, e que a sua necessidade física de estar com ela, de estarem juntos é tão forte, tão grande que o sexo convencional já não basta –e você quer algo a mais com ela. Da mesma maneira que BIS, Kinder Ovo e Chiclet’s, isso não é algo que você compartilha com qualquer um.


Esse texto é uma tradução de Hello, We need to talk about Friendzone, do Yeti Detective.

Como isso foi existir? Eu sou um cara. Eu entendo. Mulheres podem ser assustadoras. Elas são iguaizinhas seres humanos, mas elas fazem coisas muito estranhas acontecerem entre as pernas. Deve ser bruxaria. Elas são o Gargamel do seja-lá-qual-Smurf-você-tiver-entre-as-pernas.

Tá, na verdade isso tudo é mentira. Mulheres são seres humanos normais, e eu tenho quase certeza que os Smurfs não são um tipo de órgão sexual masculino, apesar daqueles chapéus meio suspeitos. O problema é que quando você dá de cara com uma mulher o seu corpo vai no talo de Breaking Bad e começa a fabricar componentes químicos que, se não te fazem babar, pelo menos  te fazem tentar esconder a barraca que acabou de armar. É assustador, eu sei. Calma.

Antes de eu começar a falar sobre isso, preciso dizer: se você está no Ensino Médio e caiu na friendzone, não é culpa sua ser um idiota. Você tá passando por um bocado de merda agora, o seu corpo tá produzindo mais do que a 4ª temporada de Breaking Bad; quando você é um homem feito, fica mais pro nível da 1ª ou 2ª temporada. Mas vou te dizer uma coisa – ler este texto vai te fazer mais inteligente que seus amigos cabeçudos. PARE de imaginar que as mulheres são forças devastadoras da natureza e comece a vê-las como pessoas que são exatamente como você – exceto por algumas partes que ficam dentro das calças, e em muitas delas, dentro das blusas.


Se você já é um homem (leia-se: se tem 19 anos ou mais) e acaba caindo na friendzone, as próximas palavras são pra você, friendzoned:

Pare-com-isso. Como que isso acontece? De onde veio a friendzone? É algo meio assim:

1-     Você se sente atraído por uma mulher;

2-     Você é amigável com ela, na esperança que ela te mostre os seios;

3-     Ela confunde a sua amigabilidade e POMBAS, vira sua amiga, se negando a mostrar os seios pra você;

4-     Você age como um retardado grosso filho da mãe, colocando-se sempre fora do círculo de pessoas que ela poderia vir a mostrar os seios um dia;

5-     Você reclama sobre isso na internet, e 1000 outros caras desajustados entendem o que você está passando, e a sua misoginia é aprovada pela sociedade.

(fala sério, tem gente que merece)

Esse vai ser o nosso Cenário 01 porque existe uma outra possibilidade de acontecer a friendzone. O próximo vai ser chamado de (claro) Cenário 02 (esse primeiro já te dedurou, amiguinho? Seguraí, porque eu sou o mestre Jedi no seu treinamento para deixar de ser um idiota):

1-      Você se sente atraído por uma mulher;

2-      Você se torna amigo dela de uma forma passivo-agressiva somos nós contra o mundo ou algo do tipo;

3-      Ela te tolera porque é legal demais pra mandar você ir pra senhora sua respeitável mãe;

4-      Ela namora um cara que na verdade é até interessante, e veja só –tem uma personalidade;

5-      Eles, por algum fato da vida, terminam, e ela fica machucada;

6-      Você oferece o seu ombro pra ela chorar;

7-      Ela chora no seu ombro;

8-      Ela conhece outro cara interessante, e namora com ele;

9-      Você fica Como-assim-essa-vadia-fez-isso-comigo e vai tirar satisfações com ela;

10-   E ela reage com algo como “Eu achei que fôssemos amigos, seu cretino”

11-   Você conta pra internet que caiu na friendzone.

12-   A internet aprova sua misoginia.

E aí, o que há de errado? Você é um cara legal, né? Porque essas fdps não mostram os peitos pra você? Provavelmente porque… você é um cara legal. Você tinha que ser igual os idiotas que elas pegaram, que tinham outros interesses além de fingir ser amiguinho delas pra tentar tirar a roupa delas depois. Bom, boas notícias: Você JÁ É um idiota!

Pensa aqui comigo: imagine que eu, por um momento, seja um homem incrivelmente lindo, gentil, e esse mesmo eu, estivesse andando na beleza da minha santidade na rua, logo na sua frente. Eis que quando entro no banco, seguro a porta para você também poder entrar – olha como eu sou legal. Talvez você vire, como a pessoa educada que você é, e me diga “Obrigado cara. Isso foi realmente legal”.

E aí eu te responderia: “É, verdade. Agora você sabe o que fazer, né?” E abaixo minhas calças.

Quem ia se dar bem nessa história é esse cara aí

Você se sentiria desconfortável? Seria detestável viver num mundo em que toda vez que um cara fosse gentil com você, ele esperasse que você o satisfizesse sexualmente, né? REALIZA – isso é desconfortável para as mulheres também. Estranho, né? É como se elas fossem… o mesmo tipo de pessoas que você. EITA!

Não, na verdade não tem nada de estranho, ou surpreendente. Na verdade, as mulheres são mesmo o mesmo tipo de pessoa que você, e ter pessoas abaixando as calças em volta delas é tão assustador pra elas quanto é pra você. Então pare. Pare de abaixar as calças toda hora.

Essa é a verdade inconveniente, friendzoned. Você não é um cara legal. Você é um egoísta, patético, triste, tarado verme insignificante que tem tanto medo da rejeição feminina de dizer o que sente, que prefere ficar calado e se revolta quando ela não adivinha os seus desejos e não os satisfaz magicamente. Essa raiva que você sente, na verdade, nada mais é do que o desgosto que você sente pela sua própria covardia. Você acha que conseguirá sexo ao fingir que é amigo de mulheres porque elas são apenas um objeto sexual pra você. Para você, não existe uma coisa do tipo amizade sem interesses sexuais, porque pra você, elas não são pessoas de verdade.

E ela não pensa em namorar com você porque o seu medo te faz parecer uma pessoa desinteressante, ou sem nenhuma vontade desafiadora – ou porque a sua esquisitice é latente e bom, amedrontadora. Não, cara, não é estranho que elas não namorem com você.

Como você pode parar de ser tão idiota? Bom, eu sugiro que você tente fazer amizade com uma mulher. Tá, você vai precisar de uma mulher que consiga aguentar muita merda, porque é tudo que você tem a oferecer nesse primeiro estágio. Ela provavelmente terá que ser casada há muito tempo, ou já ter filhos. Invista seu tempo e energia nessa amizade SEM pensar nas várias formas e posições que você gostaria de fazer.

Uma vez que você tenha entendido que essa sua nova amiga tem pensamentos, sentimentos, esperanças sonhos E seios, olhe à sua volta. Olhe para o mundo à sua volta. Olhe para todas aquelas pessoas que tem seios. Elas são exatamente como sua amiga, e também tem pensamentos, sonhos, desejos e sentimentos. Até aquelas que você quer transar. Não é mágico isso?

Esse é meu último conselho, friendzoned. Pessoas (tanto homens como mulheres) são complexas, criaturas emocionais e quase todas são carentes. Se você for honesto consigo mesmo e honesto com elas, você poderá formar conexões de confiança com uma larga rede de humanos. Essa rede de humanos é chamada de amizade. E você estará em várias zonas de amizade (friend-zones). E você se tornará uma pessoa melhor. E alguém vai querer namorar (e até transar) com você. Confie em mim.

Não é só menina que quer fazer fama e ter seguidores que segue estereótipos forçados não. Muitos homens seguem esta mesma linha, mas ao invés de fama ou de uma lista de fãs, buscam só uma coisa – um pouco de atenção do sexo oposto. Se isso é válido, forçado ou fingimento, só em cada caso pra se avaliar, assim como no caso das punks que pintaram o cabelo de azul e se deram bem na vida por isso.

Assim como quase todo mundo gosta de um patinho feio, quase toda mulher após algumas desilusões procuram amigos mais sensíveis, que sempre mostram estarem chateados e com o coração quebrado de um relacionamento – bem parecido com elas mesmas.


Todo mundo conhece um dramaking. São aqueles que falam que mulheres querem um tipo de homem xis, que tentam convencer o mundo de que está tudo errado e só a visão deles está certa. Fatalistas, pessimistas e sem a menor autoestima.

Porque essa combinação dá certo? Porque é exatamente assim que elas estão se sentindo naquele momento. Agora se os opostos se atraem, se distraem ou os dispostos fazem alguma coisa que presta eu não sei – mas duas pessoas carentes se enrolam. Se dão bem, se satisfazem em suas carências e começam a ver o outro com muito mais carinho.

Mas é claro que tudo termina mal. Quando o relacionamento está para evoluir, alguém quer manter o pé atrás – seja por cansaço, por medo de evoluir, já que nunca passou daquilo, histórias mal-resolvidas pra trás ou até mesmo por ter entrado naquela história só pra se sentir bem, já que tava com a auto-estima lá embaixo.

Termina mal, todo mundo termina magoado e ele já parte pra outra com mais uma história de como foi rejeitado, maltratado e nenhuma menina no mundo é pra ele.  A tristeza do final de um relacionamento é só a isca para outro. Se é que pode se chamar isso de relacionamento.

E tudo começa de novo.