Opinião

Todos nós nos identificamos com Jessica. Este pode ser, claramente, um dos maiores ganchos para a série fazer tanto sucesso. Ao contrário dos quadrinhos e super-heróis em geral, Jessica tem algo muito mais humano do que Batman, Homem-Aranha, o Coisa ou o próprio Demolidor.



Sim, como circula o texto pela web, Jessica Jones não é sobre super-heróis. Jessica Jones é sobre abuso, das mais abrangentes e diversas formas possíveis. Abuso físico, abuso sexual, abuso psicológico. E assim como toda vítima de abuso, Jessica se sente co-responsável por todos que passaram pelo caminho dela e sofreram com as consequencias.

Jessica é gente como a gente. Não é como um super-herói que não se preocupa com as pessoas que estavam no prédio que caiu durante a briga entre ela e o super-vilão. Jessica sente a morte de cada uma das pessoas que estavam no caminho entre Kilgrave e ela. Ela não entende o conceito de dano colateral, de bem maior. Jessica é como cada um de nós somos, lá dentro: procurando a auto-punição por erros que cometemos – sejam eles responsabilidade nossa ou não. Jessica Jones é uma série transparente, que mostra como tudo que acontece conosco tem profundas consequências em todos aspectos de nossa vida. Como toda série, vai ao absurdo – o abuso pelo controle da mente.

O problema é que Kilgrave, em sua essência, também é gente como a gente. Não é preciso controlar a mente de alguém para que essa pessoa faça a nossa vontade. Fazemos isso o tempo todo. Joguinhos psicológicos, frases soltas na lata, torturamos os outros a todo o tempo. Torturamos para não sermos torturados. Levantamos nossas defesas no dia-a-dia, tentando fugir do controle alheio. Usamos de desculpas esfarrapadas, como um trauma antigo ou uma decepção nova, para nossas atitudes mesquinhas e ególatras. Queremos controlar o que acontece à nossa volta, mas não por uma falsa sensação de segurança: é pelo poder.

Somos tão Kilgrave quanto nossos egos nos levam a ser; somos tão Jessica quanto nossa consciência permite. A diferença é que, bom, esta é a vida real, e a gente pode fazer o ciclo de abuso parar. O que fizeram a nós não é desculpa pelo que fazemos aos outros.



(resolvi colocar a foto do David Tennant como o 10º Dr Who porque não consigo assistir JJ sem lembrar dele)

Utilidade Pública

Não existem paralelos numa discussão entre desiguais. Se você parar pra pensar, até que os desiguais consigam se encontrar em um piso comum para não serem mais tão desiguais, não há como uma conversa, um debate, ter frutos.

Não, não é que as pessoas precisem discutir só entre seus pares (o que nem chega a ser discussão, mas uma grande masturbação coletiva), mas na verdade a gente precisa sempre entender os contextos alheios – o que, é claro, é muito mal visto. Tentar compreender o contexto alheio não é sororidade, compaixão ou humanismo. Não é colocar a pessoa humana acima das ideias: é relativismo.



Relativismo, o grande pecado para a igreja contemporânea, o pior erro de um justiceiro social, o único meio de se aproximar dois extremos para impedir de ver o outro (o estranho, o diferente) como um pária, mas sim um indivíduo. Não podemos ser relativistas, não podemos debater com pessoas que discordam de nós. Ah, Deus não existe? Fora do meu feed. O quê, contra o aborto? Block nele! Acha que o liberalismo vai salvar a economia do país? Seu conservador liberalóide leitor de veja! Acredita que o governo ainda deve manter as ações do Banco do Brasil e Petrobrás? Seu comunistinha de merda!
O relativismo só é visto como erro quando as suas idéias são mais importantes que os outros indivíduos. Seja a sua fé, a sua ideologia ou o seu conceito de, veja só, o que o governo deve investir no que diz respeito à educação pública, tudo isso deve ser encarado de uma forma a compreender que bom, o outro pode discordar dessas coisas.
E discordar não precisa necessariamente ser ruim, como todos nos disseram, seja no seminário de formação política, seja na escola dominical. Quem discorda das suas brilhantes não é burro, alienado ou perdido. Apenas tem concepções diferentes das suas, viveu e experimentou situações que moldaram quem ele é hoje. Você não precisa mudar a sua opinião, votar num plebiscito a favor da ditadura comunista (ou militar), ou aceitar qualquer um na sua concepção de paraíso (seu universalista!) – mas aceitar que nem todo mundo entende assim e que as pessoas podem ter opiniões e conceitos diversos dos seus, e nem por isso você precisa matá-las ou cortá-las da sua vida.


Ouvir e compreender a opinião alheia, discutir em pé de igualdade e respeitar (pra recair nas falas de DCEs) a vivência alheia. Não estou falando que você precisa ouvir desaforos, que você precisa sentar calado respeitando um racista, um misógino, por exemplo. Mas até chegar nesse extremo, há milhares de pessoas que simplesmente discordam de você em menor grau que, se estiverem tão comprometidas com você a encontrarem um ponto comum (ou a menos compreender aonde vocês querem chegar), a discussão caminhará e o respeito, o pássaro do respeito não precisará morrer.
Pode parecer engraçado, mas muitas feministas querem igualdade. Muitos neros quem igualdade. Muitos cristãos, muçulmanos, árabes, indígenas, produtores rurais, políticos, empresários, comunistas, policiais e até mesmo muitos aventureiros da justiça social só querem construir um lugar melhor para todos.

Mas pra chegarem lá, precisam se lembrar que as pessoas para as quais esse mundo precisa ser melhor são mais importantes do que o caminho ou a ideologia seguida para construção desse mundo. Se não, é demagogia.



Opinião

Cada dia mais se torna mais difícil (e ingrato) produzir conteúdo. Você pesquisa um tema, lê sobre ele, corre atrás, entrevista e conversa com várias pessoas, produz o material, faz o tratamento, publica e no final das contas ninguém quer saber daquele conteúdo tão preciosamente refinado – só de quem está falando.



Vejo cada vez mais pessoas próximas sendo seduzidas por uma dicotomia burra – direita/esquerda; feminismo é para mulheres; GLBT são para quem cuja sexualidade é oprimida pela sociedade. Vejo debates sobre quem tem mais poder de fala com os critérios utilizados pela Zambininha à sério, bem como afirmações estapafúrdias de que “homens não querem aprender”, “brancos só sabem oprimir” e “héteros são excluidores desde o nascimento”.

A luta de classes explicitada pelos estudos marxistas, a pedagogia do oprimido de Paulo Freire aplaudida pelo mundo se transformaram numa guerrilha de classes e na Revolução Francesa do Oprimido, levada a cabo por milhares de Robespierres sedentos por sangue. A nossa sede por transformar o mundo, por experimentar um pouco do gosto da mudança social é tão grande que não cansamos de torcer, distorcer, retorcer e inventar palavras e citações de um inimigo comum à nossa causa.

Assim como na época do fatídico plebiscito do Estatuto do Desarmamento, no qual ambos lados foram punidos por mentir ao público (e ambos utilizaram seu tempo para dizer que o outro tinha mentido, esquecendo das suas próprias mentiras e das suas próprias propostas), vivemos tentando fazer religiões pagarem impostos, proibindo mulheres de terem auxílio estatal para criar seus filhos, defendendo ataques a protestos políticos e apoiando a barbárie – só porque acreditamos que o locutor do momento não esteja de acordo com o estereótipo definido pelo grupo social.

Sim, estereótipo. Falar que um homem não serve para falar sobre o feminismo é apoiar-se em estereótipos. Falar que uma mulher branca não pode falar sobre a luta de mulheres negras é não só manter o estereótipo, mas reforçá-lo. Excluir heterossexuais da luta LGBTQQI é reforçar o isolamento social que deu origem a esses grupos de luta. Não sei exatamente quando surgiu essa aversão ao academicismo, ou quando histórias de vida, testemunhos e vivência começaram a se tornar tão auto-suficientes.

Na verdade, se houve um momento no meu contexto social que testemunhos se sobrepuseram e excluíram o academicismo, foi quando começaram a surgir denominações neopentecostais – sim essas mesmas que todos reclamam que formam um gueto cristão, excluindo-se da sociedade e criando aberrações como os políticos que temos hoje em dia e boa parte do senso comum deturpado acerca de sexualidade e outras causas sociais.

Não é uma questão de unidade do movimento – os neopentecas também tentam soltar essas contra nós: se trata de lutar pela justiça social. Sou um homem que está em lugar de fala. Um branco cristão debatendo assuntos que não me convém. Um heterossexual usurpando o protagonismo. Mas sabe por quê? Porque eu não vivo nessa sociedade para defender os meus direitos. Não estudei Direito para defender o meu umbigo. Não entreguei a minha vida a um Deus que eu acredito para ter a minha Salvação e tocar o foda-se pro resto do mundo.

Não vou subir no palanque. Não vou fazer guerrilha. Mas não ouse tentar me excluir dos debates. Não tente me retirar das conversas. Não venha me dizer o que eu devo ou não devo fazer. Venha conversar, venha debater.



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(Para quem não sabe, eu sou um homem que escreve n’O Feminista e um não-deficiente que escreve no Eficientes)

Utilidade Pública

É tão comum ter uma farmácia ao alcance das mãos que se virar sozinho sem ir em um médico tornou-se um hábito não só aceitável pelos seus amigos como recomendado. Você se queixar de uma dor de cabeça é um convite pra receber uma listagem de nomes incompreensíveis de remédios e fórmulas de laboratórios que você nem imaginava que existiam. Resfenol, Doril, Paracetamol, Neosaldina, Dorflex, Advil, Aspirina, Tylenol, Naldecon (que não é bem dor de cabeça mas serve) e mais uma infinidade de nomes bisonhos.



Cheguei na farmácia esses dias porque já estava há mais de 48h com uma dor atrás do ouvido e fui apresentado a um cardápio tão completo de remédios que me deixou até perdido – até que eu resolvi perguntar pra atendente qual daqueles remédios não tinha cafeína. Ué. Sim, a cafeína funciona como um estimulante, um catalisador da reação que faz o remédio ter efeito mais rápido, mas… a minha dor de cabeça era exatamente por falta de dormir. Tomar um remédio que vai me impedir de dormir por uma dor de cabeça que chegou porque não consigo dormir é, pelo menos, contraproducente.

No fim, consegui um. A velha dipirona – “vai demorar de uma a duas horas pra fazer efeito”, me alertou a moça como se eu fosse mergulhar numa piscina de água oxigenada depois de sofrer um acidente de moto.

Parando pra pensar, o aviso dela até faz sentido. Parte da auto-medicação é a necessidade urgente de se sentir melhor agora – nesse momento. Com as filas gigantescas para uma consulta médica pública, as dores de cabeça com convênios e os constantes atrasos em clínicas particulares, é compreensível que ninguém queira se submeter a uma consulta pra receber o mesmo diagnóstico do seu amigo hipocondríaco – é uma dor de cabeça (eu sei que é uma dor de cabeça, por isso que vim aqui!), e pegar a receita de um analgésico para tomar de 8 em 8 horas.

Você sabe que auto-medicação mata – tá, não é um Diazepam uma vez na vida que vai te dar esquizofrenia – mas vocês já ouviram os dados algumas vezes na vida:

  • 50% dos remédios vendidos no mundo são dispensáveis ou inadequados para o tratamento (OMS/2002               *);
  • Os medicamentos são os maiores responsáveis por casos de intoxicação no Brasil, seja pela superdosagem ou pela adesão a tratamento não-indicado por especialista (SINITOX/2000*);
  • 70% dos pacientes de UTI não conseguem absorver completamente os princípios ativos ministrados por terem se submetido à automedicação durante toda a vida (Fleury/2010*)
  • 20 mil pessoas morrem anualmente no Brasil por complicações decorrentes da automedicação (CASA GRANDE et al/2004*)

E, porque não, um vídeo feito pelo Conselho Federal de Farmácia sobre automedicação:

 



Referências (por ordem de aparição no texto):
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Promoción del uso racional de medicamentos: componentes centrales. Perspectivas políticas sobre medicamentos. Ginebra, 2002;
SINITOX – Sistema Nacional de Informações Tóxico – Farmacológicas. Estatística anual de casos de intoxicação e envenenamento: Brasil, 1999. Fundação Oswaldo Cruz/ Centro de Informação Científica e Tecnológica. Rio de janeiro, 2000;
FLEURY, Marcos. Os riscos da automedicação. Disponível em: <http://marcosfleury.wordpress.com/2010/01/23/os-riscos-da-automedicacao/>. Acesso em 02 de julho de 2012;
CASA GRANDE, E.F., GOMES, E.A., LIMA, L.C.B., OLIVEIRA, T.B., PINHEIRO, R.O. Estudo da utilização de medicamentos pela população universitária do município de Vassouras(RJ).Infarma,v.16, n.5/6, p. 86-88, 2004;

Opinião



Vivemos impelidos a fazer as coisas pelos resultados. Não basta aprender, precisamos passar no vestibular. Não basta passar no vestibular, precisamos passar em primeiro. Não basta passar em primeiro no vestibular, precisa ser da melhor faculdade. Precisamos estar na melhor escola. Fazer o melhor curso de inglês. Comer o melhor e mais saudável lanche. Ter o melhor relacionamento, com a melhor pessoa – se alguém falhou conosco, não podemos continuar juntos, não podemos perder tempo. A nossa diversão precisa ser a melhor, não há espaço para frustração ou erros quando se trata de nosso tempo livre, nós precisamos ser a vitória. E nós estamos matando o esporte.

Primeiro, porque queremos torcer sempre pro vencedor – se alguém perde demais, não basta abandonar, nós precisamos odiá-lo. Aprendemos a odiar Rubinho Barrichelo simplesmente porque ele não era o bastante. Desprezamos Felipe Massa, temos asco do Anderson Silva. Meligeni foi um breve desapontamento pra nós, que nunca mais lembramos que saibro era um tipo de quadra de tênis.

Segundo, porque cobramos demais. Cobramos demais a nós mesmos, e aqueles por quem torcemos – nós somos o time, o lutador, a equipe que torcemos. E se alguém ganha de nós, ah meu amigo, coitado de quem ganha de nós, ou fica feliz quando estamos derrotados. É nosso adversário. Nosso rival. Arqui-rival. Inimigo.

Aparentemente, os times com torcida mais sanguinária são os times mais vitoriosos – e que conseguem mais adeptos e novos religiosos radicais, também conhecidos como torcedores. Não adianta culpar a instituição das organizadas – é como culpar a Igreja pelos pecados de seus membros. Não adianta culpar o Ministério Público. A polícia. O resultado. O futebol.

Terceiro, porque nem tudo é lado A ou lado B. A vida não é um baile funk dividido ao meio cinco segundos antes da porrada comer. Votar no partido A ou B, acreditar em um ou em outro, não é tão grave como parece ser. Quantas das nossas convicções políticas, religiosas e ideológicas em geral não vieram da vontade única de estar certo e fazer as coisas do que acreditamos ser nosso jeito (por menos que tenhamos algo a ver com a construção desse ideal que compramos).



Só precisamos levar a vida menos no preto-e-branco. Lembrar que nem tudo é uma disputa, nem tudo merece tanta atenção assim. A pretensa melhor faculdade nem é tão boa assim. O já estigmatizado melhor time nem consegue se sustentar vitorioso por tanto tempo. A nossa obrigação, nosso sofrimento pode ser apenas parte do que era pra ser nossa diversão.E talvez, apenas talvez, estejamos errados acerca da correta quantidade de água necessária para salvar alguém do inferno.

Daí quem sabe, possamos ter amigos menos falsos, relacionamentos mais duradouros e sermos mais auto-confiantes nas nossas escolhas.

No dia 22 de dezembro, a presidente reeleita Dilma Rouseff disse, em coletiva aos jornalistas “Vocês terão, nesses dias que tem pouca matéria, vocês terão – pode ser duas levas – vocês terão muita matéria” – mal sabíamos que ela realmente estava sendo exata em suas palavras.

Na entrevista, disponibilizada na íntegra pelo Palácio do Planalto, a presidente anunciou alguns dos futuros Ministros que tomarão posse de seus cargos no novo governo, a ser inaugurado no dia 1º de janeiro. Algumas pessoas, porém, são… discutíveis. Vamos à (preocupante) lista dos Sujos & Mal-Lavados de Dilma para 2015!



Aguinaldo Ribeiro (PP) – Ministério da Integração Nacional

  • Em 2010, foi acusado de dispensar licitações fora das hipóteses legais, porém o processo foi extinto por prescrição, não havendo julgamento de mérito;

Armando Monteiro (PTB) – Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

  • Acusado de dano ao erário público em 2006, ao lado do presidente Lula e Renan Calheiros. O processo foi extinto por incompetência do STF, sem julgamento de mérito;
    • Dano ao Erário Público (Art.10, Lei 8.429/92): Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres de entidade que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de órgão público bem como daquelas para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com menos de cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita anual.
  • Acusado de levar esposa e filho em avião da FAB para Cuba, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República em fevereiro de 2013. A denúncia foi arquivada porque considerou-se que a carona não gerou custos ao governo federal.

Ricardo Berzoini (PT) – Ministério das Comunicações

  • Como Senador, embora não haja dados de suas participações em sessões (nem pleárias nem de comissões), gastou 1.015.722,38 da verba parlamentar, praticamente 45% com passagens e despesas de locomoção e hospedagem.



Cid Gomes (PROS) – Ministério da Educação

  • Acusado em 2009 por nepotismo ao contratar Ivo Ferreira Gomes em cargo de confiança; o processo foi arquivado pela demissão de seu irmão;
    • Nepotismo (Súmula Vinculante Nº 13, STF): É vedada a nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.
  • Em 2011, enquanto governador do Ceará, ao enfrentar uma greve de quase um mês de professores da rede estadual, afirmou que professores deveriam trabalhar por amor, não pelo salário.

Edinho Araújo (PMDB) – Secretaria de Portos (tem status de Ministério)

  • Foi condenado por improbidade administrativa em 1ª instância por atos cometidos enquanto prefeito de Sâo José do Rio Preto. O acusado entrou com recurso até o STJ, que ainda não foi julgado;
    • Improbidade administrativa (jus): ato ilegal ou contrário aos princípios básicos da Administração Pública, cometido por agente público, durante o exercício de função pública ou decorrente desta.
  • Das mais de 900 sessões (plenárias e de comissão) que deveria ter participado, faltou sem justificativa a apenas 3 (0,32%), tendo utilizado R$1.083.592,35 da cota parlamentar e verba indenizatória;

Eduardo Braga (PT) – Ministério de Minas e Energia

  • Acusado em 2008 por utilizar a máquina pública para promoção pessoal e improbidade administrativa. O Ministério Público do Amazonas não apresentou provas consideradas suficientes para caracterizar os crimes durante o processo, que foi extinto;
    • Improbidade administrativa (jus): ato ilegal ou contrário aos princípios básicos da Administração Pública, cometido por agente público, durante o exercício de função pública ou decorrente desta.
  • Acusado em 2007 de contratação irregular de aproximadamente 3000 (três mil) trabalhadores temporários, entre professores e auxiliares administrativos, alguns há mais de 10 anos em serviço –  o valor da causa é de R$1.000.000,00(um milhão de reais). O processo ainda corre;
  • Acusado em 2009 de promover edital de contratação irregular de pouco mais de 150 trabalhadores temporários, entre médicos e odontólogos, com valor de causa, novamente, de R$1.000.000,00 (um milhão de reais). O processo ainda corre;
  • Acusado em 2011 de dano ao erário público, ao construir um monumento que, logo depois, seria destruído para construção de anel viário no local. O valor de causa é de R$5.545.474,80 (cinco milhões, quinhentos e quarenta e cinco mil, quatrocentos e setenta e quatro reais e oitenta centavos). O processo ainda corre;
    • Dano ao Erário Público (Art.10, Lei 8.429/92): Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres de entidade que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de órgão público bem como daquelas para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com menos de cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita anual.
  • Acusado em 2009 de contratação temporária irregular de mais de 60 trabalhadores temporários – o valor de causa é de R$1.000.000,00 (um milhão de reais). O processo ainda corre;
  • Acusado em 2009 de promover, irregularmente, funcionários do Corpo de Bombeiros, com valor de causa de R$1.000,00 (mil reais). O processo ainda corre;
  • Acusado, em 2009, de utilizar revista Labaredas para fazer propaganda de Governo, com valor de causa de R$1.000,00 (mil reais). O processo ainda corre;
  • Acusado, em 2010, de promover edital de contratação irregular de 729 trabalhadores temporários para a Secretaria de Saúde, com valor de causa de R$1.000.000,00 (um milhão de reais). O processo ainda corre;
  • Acusado, em 2012, de desordem eleitoral pelo Inquérito 3521/2012, cujo processo corre no STF;
  • Como Senador, embora não haja dados de suas participações em sessões (nem plenárias nem de comissões), gastou R$785.690,55 de cota parlamentar, pouco mais de 70% com passagens.



Eliseu Padilha (PMDB) – Secretaria de Aviação Civil (tem status de Ministério)

  • Acusado de contratar uma funcionária fantasma no inquérito INQ-3552/2012, arquivado pelo STF por se tratar de produção ilegal de provas. Não houve sentença de mérito ainda. A investigação continua por peculato.
    • Peculato (Art. 312, Código Penal): Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio:
      Pena – reclusão, de dois a doze anos, e multa.
      § 1º – Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário.
  • Condenado em 1997 pelo TCE-RS ao pagamento de multas por irregularidades durante a gestão na Secretaria de Trabalho, Cidadania e Assistência Social, no Processo Nº 003804-0200/96-2;
  • Acusado de improbidade administrativa pelo MPF no Escândalo dos Precatórios, ainda em julgamento pelo TRF-1;
    • Improbidade administrativa (jus): ato ilegal ou contrário aos princípios básicos da Administração Pública, cometido por agente público, durante o exercício de função pública ou decorrente desta.
  • Acusado de lavagem ou ocultação de bens, direitos ou valores, formação de quadrilha, corrupção passiva e ativa, entre outros, ainda em julgamento pelo TRF-4;
    • Lavagem ou ocultação de bens, direitos ou valores (Art. 2º, Lei 12.683/12): Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal;
    • Formação de quadrilha (Art. 288, Código Penal): Associarem-se 3 (três) ou mais pessoas, para o fim específico de cometer crimes;
    • Corrupção ativa (Art. 333, Código Penal): Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício;
    • Corrupção passiva (Art. 317, Código Penal): Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem.
  • Acusado de corrupção passiva no Inquérito INQ-2097/2004, que está há 10 anos no STF, esperando julgamento;
  • Das pouco mais de 500 sessões (plenárias e de comissão) que deveria ter participado enquanto deputado faltou sem justificativa a apenas 35 (7%), tendo utilizado R$ 1.352.510,21 da cota parlamentar e verba indenizatória;

George Hilton (PRB) – Ministério do Esporte

  • Acusado, em 2005, de evasão de divisas no PET-3581, o qual foi apensado ao ao INQ-2248, que ocorreu em segredo de justiça;
    • Evasão de divisas (Art. 22, Lei 7.492/86): Efetuar operação de câmbio não autorizada, com o fim de promover evasão de divisas (saída de dinheiro) do País.
  • Foi expulso do PFL, em 2005, após ter sido flagrado no aeroporto de Belo Horizonte transportando dinheiro proveniente de doações de fiéis da igreja Universal;
  • Das pouco mais de 700 sessões (parlamentares e de comissão) que deveria ter participado, faltou sem justificativas a 83 (12%), e gastou R$ 1.603.335,04 de cota parlamentar.

Gilberto Kassab (PSD) – Ministério das Cidades

  • Acusado em 2010 por improbidade administrativa, juntamente com  o falecido ex-prefeito de São Paulo, Celso Roberto Pitta, por violação aos princípios administrativos. O processo está correndo no STF;
    • Improbidade administrativa (jus): ato ilegal ou contrário aos princípios básicos da Administração Pública, cometido por agente público, durante o exercício de função pública ou decorrente desta.
  • Acusado por crimes contra a flora em 2004, arquivado a pedido do Procurador-Geral da República;
  • Acusado de aliciamento eleitoral em 2002, ao divulgar doações com fins eleitoreiros, o processo foi extinto por prescrição, não havendo julgamento de mérito;
    • Aliciamento eleitoral (jus): tentativa de convencer o eleitor, utilizando-se de meios ilegais, a votar em candidato ou partido diferente daquele em que naturalmente votaria.
  • Acusado em 1996 por dano eleitoral qualificado, o processo também foi extinto por prescrição, não havendo julgamento de mérito;
  • Responsável pela violência e trulência da PM-SP durante as manifestações de julho de 2013, que levaram à eclosão de protestos em todo o país;
  • Responsável, juntamento com governos estaduais anteriores, pela crise da água enfrentada atualmente pelo Estado de São Paulo;
  • Alvo de um pedido de impeachment que corre na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Helder Barbalho (PMDB) – Ministério da Pesca e Aquicultura

  • Incluído em 2008 na lista dos ficha-suja da AMB (Associação dos Magistrados do Brasil), por responder a um processo de improbidade administrativa por veicular informes publicitários pessoais na mídia com utilização de recursos públicos, de quando era prefeito de Ananindeua, desejando à população feliz natal e ano novo, o qual foi arquivado (SENTENÇA);

Jacques Wagner (PT) – Ministério da Defesa



Kátia Abreu (PMDB) – Ministério da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento

  • Acusada, em 2014, de cometer crime contra a fé pública, através da utilização indevida do brasão da República em cobranças do Conselho Nacional da Agricultura, enquanto senadora, pelos inquéritos: INQ-3830, INQ-3834, INQ-3843 e INQ-3861, todos arquivados por falta de provas que liguem diretamente a senadora ao crime em questão;
  • Eleita, pelo Greenpeace, Miss-Desmatamento, razão pela qual, processou o Greenpeace, não obtendo êxito;
  • Eleita, pelo jornal britânico The Guardian, a congressista brasileira mais perigosa, pelo papel na flexibilização do Novo Código Florestal Brasileiro;
  • Como Senadora, embora não haja dados de suas participações em sessões (nem pleárias nem de comissões), gastou R$1.125.264,50 da cota parlamentar, quase 48% com aluguel de imóveis para escritório político e aquisição de material de consumo para eles.

Miguel Rossetto (PP) – Ministério da Integração Nacional

  • Acusado de nepotismo enquanto vice-governador do Rio Grande do Sul pelo Ministério Público, razão pela qual processou o MP exigindo danos morais – e perdeu;
    • Nepotismo (Súmula Vinculante Nº 13, STF): É vedada a nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.

Pepe Vargas (PT) – Ministério da Defesa

Ricardo Berzoini (PT) – Secretaria de Relações Institucionais (tem status de Ministério)

  • Em 1999, enquanto Prefeito de Caxias do Sul, foi acusado de ilegalidade ao utilizar slogans partidários nas publicidades da administração;
  • Acusado, em 2004, enquanto Prefeito de Caxias do Sul de ser responsável pela demolição de casa aonde ainda haviam bens e mercadorias de valor de um indivíduo, sob pretexto de que esta estaria abandonada;
  • Multado, em 2007, pelo Tribunal de Contas do RS enquanto Prefeito de Caxias do Sul, relativo à prestação de 2002, na qual haveria um débito de, segundo o TCE, R$ 1.008.860,98 (um milhão, oito mil, oitocentos e sessenta reais e noventa e oito centavos), entre pagamentos irregulares a servidores e irregularidades em contratos diversos. O processo ainda corre;
  • Acusado, em 2012, de irregularidade na prestação de contas relativa ao período entre 1998 e 2000, no qual haveria um débito de R$21.135,45 (vinte um mil, cento e trinta e cinco reais e quarenta e cinco centavos). O processo ainda corre;
  • Como Deputado Federal, faltou sem justificativas a 5% das sessões (plenárias e de comissão) que deveria frequentar, tendo gasto R$ 1.129.062,44 como verba parlamentar.



Opinião

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“Essa geração é a geração mais burra de todos os tempos. Não sabem fazer nada sozinhos, dependem sempre de alguém ou alguma ferramenta que faça por eles. Não sabem se virar, estão cada vez mais dependentes da tecnologia e de alguém para ensiná-los. Cadê a curiosidade? Cadê a vontade de ser independente? Mas não, eles só pensam neles mesmos e naquelas coisas que carregam para todos os lados”


Virou lugar-comum falar dos jovens. São dispersos. Não respeitam nada. Não querem aprender. Se esqueceram do que é importante. Eu imagino que isso deve ter acontecido várias vezes durante a história da humanidade, e, por incrível que pareça, essas novas gerações cada vez mais burras têm sido cada vez mais eficientes. Quer dizer, o homem descobriu técnicas novas de conseguir energia que não precisasse transformar todas as árvores do mundo em lenha. Descobriu maneiras diferentes de guardar um texto escrito sem precisar transformar toneladas de madeiras vivas em papel (com uma durabilidade muito maior!). Como chegar mais longe, mais rápido de maneira mais segura e gastando menos combustível. Como alimentar mais pessoas, produzindo mais comida num menor espaço que agride ainda menos o meio ambiente.

Quer dizer, toda vez que uma geração se torna mais burra, na verdade ela está se adaptando a um novo paradigma e os reclamões – que nem sempre são mais pessoas velhas, apenas pessoas novas apegadas a velhos conceitos, não vejam o panorama geral – e a gente pode desenhar cinco situações simples pra compreender como isso funciona hoje (e como provavelmente funcionou alguns anos atrás), se liga comigo:

(1) Essa geração não sabe escrever!

Novas reformas ortográficas, contrações, aportuguesamentos de palavras estrangeiras que já existiam no Brasil ou seriam facilmente adaptáveis com um pouquinho de boa-vontade dão calafrios nos níveis intelectuais mais altos. No anúncio desses eventos, algumas pessoas tendem a agarrar o seu primeiro exemplar de Camões e a chorar no cantinho escuro do quarto, em posição fetal.

O engraçado (ou pelo menos interessante dessa história toda) é que as línguas nunca foram estáticas. Quer dizer, o latim não foi pra UTI do dia pra noite, quando deu luz à diversas linguazinhas que seriam suas descendentes. O latim foi sendo estrupado com o passar do tempo, através de péssima ortografia, falta de semântica e uma provável conjugação verbal de matar o latino dono da padaria (afinal, o português, ao menos linguisticamente falando, é latino).

Mas essa geração que escreve akivc, tu vaiqq se kerqqr um está matando a indústria panificadora inteira de uma vez só – e isso não necessariamente é ruim. Imagino a cara dos grandes fazendeiros ao ver seus filhos transformarem o vosmecê em você, assim, sem nem pedir autorização nem completar a palavra. VOCÊ, cara. Que palavra horrível. Mais ainda: imagino a cara dos colonizadores portugueses vendo aquele bando de filhos de seus compatriotas com as índias, se achando completamente europeus e falando vosmecê como um bando de caipiras tentando falar vossa mercê. Um bando de analfabetos funcionais.

E não pára por aí – não basta não conseguirem falar direito, esses moleques não sabem escrever direito! Quer dizer, eles mal conseguem usar papel e caneta, tudo eles fazem com ajudinha do computador. Não tem memória nenhuma, por isso não aprendem nada. Querem tudo fácil, tudo na mão, tudo digitando e escorregando o dedo no Swype. Exatamente a mesma coisa que o pajé, analfabeto, pensava do português que, pra não esquecer de algo, precisava ficar escrevendo e escrevendo e escrevendo. Onde já se viu um povo sem tradição oral? Sem que todo mundo soubesse sua história, de cabo a rabo, puxando pela memória de viver e de ouvir falar? Os portugueses, esses sim, eram um povo mais frágil, sem todo o desenvolvimento intelectual de um aborígene americano. Não conseguiam nem lembrar de uma conversa se não dependessem de um pedaço de papel higiênico, quem dirá achar o caminho de casa depois de uma batalha – inúteis. Sempre dependentes de papéis. Carregam pra lá e pra cá e vivem entretidos com aqueles montes de blocos em branco enquanto a vida acontece à volta deles.


(2) Essa geração tem tudo na mão!

Tudo. tudo tudo – exatamente tudo está na internet. Fritar um ovo? Tá lá, em textos, imagens e vídeos. Dar um presente? Tá lá, em diversos tamanhos, preços e prazos de entrega. Fazer um curso? Tá lá, em diversos sites, quantidades de vídeo-aulas e certificados de quantidades impressionáveis. Satisfazer o sexo oposto? Tá lá, das maneiras mais conservadoras (fazendo um chocolate) até as mais ousadas (se colocar morango vira sorvete napolitano). Eles não encontram dificuldades, por isso não vão saber lidar com problemas na vida futura – imagine que a crise de um pré-adolescente hoje é ficar sem celular – ou pior ainda, sem internet (celulares sem internet são inúteis pra essa galera).

Por isso tanta gente mimada. Não precisou fazer um curso de datilografia. Quer dizer, de caligrafia. Quer dizer, aprender o ofício com o pai. Quer dizer, plantar e colher no mato, com as mãos nuas. Quer dizer, a caçar sua própria comida – não, pera! As necessidades mudaram. Ninguém nas cidades precisa, há um bom tempo, saber fazer fogo com duas toras de madeira pra fazer uma refeição. Na verdade, há alguns anos, ninguém precisa fazer fogo com um fósforo em muitos lugares do planeta. São seres menos desenvolvidos por nunca terem esfregado dois galhos secos de uma árvore? Terão depressão por nunca terem gastado uma caixa inteira de fósforos até que a lenha perdesse a umidade e pudesse pegar fogo?

Acho difícil. Os desafios são outros. O caminho para a liderança da matilha é outro. A forma de dominação e subjugação é outra. Nos anos 90, você chegava ensanguentado depois de apanhar do coleguinha mais forte. Nos anos (dois mil e)10, você chega sabendo que é a pessoa mais escrota do universo e não conseguirá nunca ser alguém na vida. Além de ser gordo, idiota, burro, feio, babaca e retardado mental. Mas para as crianças que já nasceram velhas, isso tudo é frescura. Não existe bullying. Bullying é apanhar na escola. Bullying é ser morto pelo lobo-alfa da matilha. O resto é frescura.


(3) Essa geração não dá valor em nada!

Não se faz mais as coisas importantes na vida (seja lá quais forem). As pessoas não tem mais rituais de passagem. Anos atrás, você tinha a passagem para a puberdade, que o pai, carinhosamente ensinando ao filho as relações familiares de afeto, carinho e o que prezar num relacionamento, levava o filho a uma casa de tolerância para entender o que realmente é uma mulher de verdade. Não é mesmo?

Antigamente, as crianças passavam a noite inteira, soltas na selva, molhados, nus e só com uma lança e só eram aceitos de volta na sociedade se voltassem após matar um tigre ou um urso, o que parecesse mais aterrorizante.  Hoje esses meninos estão aí, sem saber o que fazer com suas genitálias, sem saber chegar numa mulher por causa disso! Saudades Piteco, ele sim sabia lidar com o sexo feminino como ninguém.

Meninos não viram homens, meninas não viram mulheres e essa geração não respeita nada.  Não tem um pingo de discernimento entre o divertir e o trabalhar. Querem trabalhar se divertindo, querem divertir-se trabalhando. Onde já se viu isso? Trabalho precisa ser chato, por isso começa com TRA de TRAnstorno por um motivo, amiguinho! Trabalho, pra última geração, precisa ser chato, precisa ser tedioso, precisa ser maçante – pra dar dinheiro. O trabalho que dá pouco dinheiro, mas é divertido, é sagaz, nos faz bem não vale. Essa nova geração tem um racha gigantesco entre pessoas que querem ganhar dinheiro desesperadamente, pulando de um emprego pra outro e acumulando freelas e pessoas que só querem ter… bom, na verdade nem estão tão preocupados assim em ter, é mais aquela coisa de trabalho-barzinho-cinema-casa. Sabe, de gostar da rotina, economizar pra viajar uma vez por ano? Então, quem tá acostumado a bater ponto no escritório não consegue entender esses estilos de vida.


(4) Essa geração só pensa naquilo. É isso aí mesmo, que você tá pensando!

Cresceram sexuais. Usam maquiagem desde pequenas (às vezes até desde pequenos), dançam funk até o chão em festas de aniversários que o cajuzinho ainda é aquele docinho feito realmente de caju e só querem conhecer e pegar alguém – com certeza irão engravidar antes dos 15. Aparentemente quem fala isso pulou direto de 1930 para 2014, porque não viveu o É o Tchan nos anos 90 ou Menudo nos anos 80, com letras e coreografias que passavam bem longe da moral e dos bons costumes – e não adianta falar que era restrito a uma classe social.

Crianças sempre tentaram parecer adultos. Por isso que a menina insiste tanto em tentar pegar a maquiagem da mãe (mesmo que não saiba como usar) e meninos já pensam logo em suas profissões. Todo mundo quer crescer, ser maior, fazer mais coisas sozinho sem depender dos outros. É isso que nos move, que move a sociedade, que move os cientistas e inventores. Fazer mais, fazer melhor. Ir mais longe, como indivíduos e como raça. Uma criança antes da puberdade que quer parecer adulto não está pensando em transar, está pensando em ser independente. Como, no fundo, todos nós fazemos até hoje quando chegamos à noite e deitamos na cama.

Mas porque então de repente tudo que os adolescentes fazem parece estar ligado ao sexo? O maior problema é o alcance. Antigamente, tudo que acontecia entre dois adolescentes ficava entre eles, ou um grupo de amigos em comum. No máximo no máximo toda a escola ficava sabendo de alguma bobice que eles fizeram quando não tinha ninguém vendo. Agora, qualquer bobice está ao alcance de qualquer pessoa com 3G na mão – e isso é muita gente. Não precisa conhecer uma pessoa pra ver suas fotos íntimas circulando no Whatsapp, não precisa ir ao clube pra ver aquela garota de biquíni – e não precisa ser amigo de ninguém pra saber quanta gente essa pessoa já pegou. É tudo domínio público já – talvez a noção do fim da vida privada que assuste mais os mais velhos do que as bobices feitas pelos ouvintes do Jonathan da Nova Geração (que já tá bem antiguinho, por sinal) – mas fazer bobice sempre foi mainstream.


(5) Essa geração não sabe o que quer!

Antigamente, você terminava o que começava. Entrava numa faculdade, não gostava? Ia até o final, oras. Vai fazer coisa malfeita? Entrava num namoro, tava ruim? Tentava melhorar. Arrumava um emprego que o chefe é chato? Lidava com isso. Hoje não: todo mundo quer desistir de tudo. A pessoa começa 5 faculdades e não completa nenhuma, porque não gostou. Namora e separa três meses depois porque descobre incompatibilidade de gênios. Qualquer carão que leva do chefe já tá com a carteira de trabalho na fila da Caixa pedindo seguro desemprego.

Engraçado essa falta de direito ao arrependimento. Não gostei de um curso na faculdade vou ter que ficar mais três, quatro, cinco anos estudando algo que detesto pra trabalhar numa coisa que odeio só porque aos 16, 18 anos eu não sabia direito o que ia querer da vida (se é que houve escolha)? Descobri que namoro uma pessoa completamente insana e tenho que ficar com ela porque, oras, porque sim? A liberdade de hoje incomoda quem já foi muito preso – não porque acha que todos precisam sofrer como as gerações anteriores sofreram, mas porque tiveram sonhos, desejos e vontades tão oprimidos que começaram a acreditar naquilo que seus opressores diziam.

Quando alguém da velha guarda diz que esses jovens precisam é de uns sopapos pra consertar a vida, é porque levou tanto tapa na cara quando novo que só sabe reproduzir o sistema. É por isso também que é um absurdo pra alguém com mais de trinta anos abandonar a faculdade – ou pior, trocá-la por um curso técnico de outra área. O diploma é sagrado (vide item 03), o relacionamento também e tudo que você pensar em fazer precisa necessariamente cumprir, senão algo de muito ruim pode acontecer (e acredite, vão usar qualquer coisa, qualquer mesmo)!


O aprendizado é simples: da mesma forma que você não é tão bobo quanto seu tio acha que você é, seu sobrinho não é tão besta assim. Vocês viveram contextos diferentes durante a juventude – por mais que você tenha vontade de falar juventude leite com pêra (leite com pêra deve ser horrível por sinal), para quem nasceu nos anos 70 você parecia bem mimadinho. Se quem nasceu nos anos 2000 é piá de prédio, você era chamado de moleque do asfalto.

Opinião

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Quando você perguntava a um estudante de Comunicação o que o tinha atraído pra sua área de estudo, o que ele mais tinha gostado e queria fazer, você invariavelmente ouvia a resposta – a redação jornalística. Mistificada por milhares de filmes e produções dos anos 80 e 90, em que super-heróis viviam em meio a colegas jornalistas e gente como a gente destruía governos e corporações, a ideia de redação como ela foi criada, já desapareceu há muito tempo: e só há dois tipos de pessoas que insistem em não perceber isso: estudantes de jornalismo e sindicatos.

Estudantes não quererem perder a visão romantizada de um jornalista correndo atrás de uma pauta com nada mais do que o seu bloquinho (nos últimos anos o smartphone) e um faro apurado para notícias  é perfeitamente compreensível. Todo estudante ou profissional em começo de carreira romantiza a profissão: estudantes de Direito fantasiam suas defesas em Tribunal de Júri, estudantes de Medicina sonham em salvar a vida de um caso perdido, ou pegar um parto impossível e conseguir salvar a mãe e o bebê, estudantes de Engenharia sonham com construções megalomaníacas – tudo isso faz parte. O que não dá pra entender é porque os sindicatos e associações de jornalistas estão fazendo até o momento.


Vamos aos casos:

Dá pra entender, pelos nomes envolvidos e pelas circunstâncias, que não é uma crise de mercado. A Folha passa muitíssimo bem.  O Portal Terra nem se fala. Mas porque essas demissões? E mais importante: Porque as associações de jornalistas estão tão provincianas quanto a OAB? Reserva de mercado pra um mercado que não existe?

O que os jornalistas não perceberam ainda é que não adianta lutar pra obrigatoriedade de diploma e exclusividade de jornalistas em redação – até porque não adianta ter um diploma se não há nenhuma redação para trabalhar. Aí eu te pergunto: porque os Sindicatos de Jornalistas batem tanto na “obrigatoriedade de diploma”? Porque você não ouve nenhum pronunciamento oficial sobre as demissões e sobre “perspectivas de futuro”? Será que o único modo de se fazer jornalismo continua sendo atrás de uma mesa, sendo pago por um único chefe e entregando todas as notícias pra ele, alcançando o sonho da CLT?

Se assim o fosse, o jornalismo não estaria morrendo de pouco em pouco. O que jornais (e aparentemente jornalistas) não entenderam é que sociedade da informação exige um pouco mais do que o mercado de trabalho nos anos 80. Se isso é bom, se é ruim, depende de o que nós vamos fazer com as informações que temos e como vamos planejar o futuro do jornalismo – e isso se faz desde logo, em sala de aula e em assembleias de sindicatos. Preparar alunos para um mercado de trabalho inexistente é hipocrisia, fingir para associados que os velhos tempos vão voltar é sacanagem com quem tá começando agora e tem milhares de sonhos. Não dá pra ensinarmos empreendedorismo? Freelancer? Fazer cursos de reciclagem e aprendizado em equipe? Dinamismo? Precisamos mesmo que todos os jornalistas dependam financeiramente de alguém e não consigam sobreviver como PJs? Se essa é uma possibilidade de futuro, porque não ensinamos isso -dentre várias outras coisas0 aos estudantes, ao invés de fazer a eterna discussão ‘vontade de publicar’ vs ‘medo de perder o emprego’?

Ou é sério que vocês vão ficar todos parados olhando isso acontecer e debatendo em sala de aula como o mundo é injusto?

Opinião

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O patinho feio ficou bonito. A órfã pobre se tornou princesa. Crescemos e amadurecemos ouvindo histórias sobre pessoas completamente perdidas, no fundo do poço, que se reergueram. O adolescente que sofria bullying e era trancado no armário da escola se tornou um multi-milionário. A mulher com obesidade quase mórbida que é triatleta. Nos inspiramos nessas histórias do ensino básico ao superior. O jovem advogado que pegou uma causa milionária quase perdida e fez sua fortuna de primeira. O gestor que revolucionou a empresa onde trabalha e quadruplicou seus ganhos pessoais numa trajetória ascendente fenomenal. O ator de uma peça da esquina que tropeça e cai num musical da Broadway.

À nossa volta as pessoas estão sempre ganhando, vencendo. Perdeu 35kg usando Herbalife e foi pago por isso. Investiu 100 dólares no eToro e hoje tem retornos semanais que beiram os quatro dígitos. A riqueza, a beleza, a vitória, todas elas ao nosso alcance. O mito capitalista da meritocracia vive forte, mas vive tão forte a ponto de fazermos questão de fingirmos que acreditamos nele – e de tando fingirmos que acreditamos, acabamos acreditando mesmo. Acreditamos piamente que tenhamos que vencer, independente do que seja esse algo, e que uma vez vencendo, seremos melhores daqueles que nós ultrapassamos pelo caminho. Na riqueza, na beleza, na santidade, nos relacionamentos.

Nos enganamos dizendo que iremos começar a dieta, que iremos economizar dinheiro, que iremos fazer isto ou aquilo, mas no fundo no fundo, ficamos chateados por não estarmos lá no fundo do poço para podermos subir na vida. Se não somos ricos, pelo menos é mais belo ser miserável do que ser medíocre. O miserável conseguiria se reerguer, o medíocre tem medo de perder o que já conquistou na tentativa de ganhar mais.

Conseguimos tornar a mediocridade o pecado mais sujo da pós-modernidade. É mais feio ser o cristão de banco do que o cristão glutão, ou o cristão prostituído – um apelo contra a rigidez da igreja consegue muito mais adeptos do que um apelo contra a insensatez de seus membros, ou contra a violência doméstica. Porque mais do que ter medo que descubram nossos defeitos, temos medo de sermos reconhecidos como conformados.

Nessa gincana pela vida mais bonita, mais vencedora, alçamos à cargos maiores na igreja, buscamos ir mais profundamente nos nossos relacionamentos, damos voltas e voltas para conseguir uma melhor posição no mercado de trabalho, fazemos dívidas para ir um pouco mais longe na viagem de férias (mesmo que tenhamos que vender quase metade dessas férias) e acabamos largando mão das frivolidades da vida.

Na busca pela vida melhor que a dos meus vizinhos, um sorvete não é apenas um pote de sorvete. São 17 reais a menos na conta poupança, são 3cm a mais na cintura, são 18 likes a mais no instagram. Ao postar uma foto de namoradinhos, são cento e tantos likes, uns 16 comentários e 3 ou 4 pedras do recalque alheio das inimigas. Uma foto de estudos, já são pelo menos umas 80 curtidas e 7 ou 8 mensagens de força, além de todos os pontos ganhos em respeito e confiança alheios. Vivemos uma vida de RPG. Fazemos nossas escolhas frente ao nosso destino como rolamos os dados para o Mestre que comanda o que acontecerá. Fazemos escolhas baseadas em benefícios e retornos sociais. Esquecemos que somos, vivemos, convivemos, namoramos e criamos seres humanos. Não estatísticas. Não reais. Não quilômetros viajados. Não memórias – muito menos as falsas, que insistimos em plantar em nós mesmos.

Um apelo à mediocridade, como única salvação em contraponto a uma sociedade utilitarista. A uma sociedade de vencedores. A uma sociedade de vidro.

Um apelo à mediocridade, como única reveladora do nosso verdadeiro caráter. Da nossa verdadeira face. E que uma vez reconhecidos como medíocres, possamos nos ajudar a caminhar, uns aos outros, uns com os outros, uns como os outros. Todos os patinhos feios que não eram cisnes, mas apenas patos de péssima aparência física. Todos os quatro-olhos espinhentos que não eram gênios, nem se tornaram milionários, mas quatro-olhos com rostos esburacados e famílias comuns. Todos os advogados com carro popular que, advogando, conquistaram novos carros populares com o passar dos anos. Todos atores suburbanos que apresentaram peças não-tão-boas assim para um público não-tão-grande-assim e não-tão-refinado-assim. Mas que consigamos olhar a vida que temos com orgulho do que fazemos. Das pipas que soltamos, quando pequenos, mesmo que por 5 minutos. Das vezes em que não perdemos de maneira nã0-tão-humilhante assim no MMORPG, e da fase 78 no Candy Crush. Da paçoquita de sobremesa e das mãos que nos recebem quando encontramos alguém que nos tem como queridos. As amizades conquistadas, todas tão medíocres como nós, e o passado que não-nos-dá-tanto-orgulho-assim.

Sejamos felizes conosco mesmos. Pelos 100 gramas que perdemos em dois meses. Pelo bombom da Erlan que ganhamos de um tio. Pelo lugar vago no coletivo. Pela linha de código que salvou o dia no trabalho. Pelos sorrisos conquistados entre a saída de casa e o retorno. Sejamos felizes com nossa mediocridade. E que ela nos leve aonde nós vamos, e queiramos de fato, ir. Não empurrados, constrangidos. Mas livres.


Utilidade Pública

Evil Abed

Noruega proibiu a Arábia Saudita de financiar mesquitas

Se não há igrejas na Arábia Saudita não haverá mesquitas na Europa. A Noruega proibiu a Arábia Saudita de financiar mesquitas, enquanto não permitirem a construção de igrejas no seu país. O governo da Noruega acabou de dar um passo importante na hora de defender a liberdade da Europa, frente ao totalitarismo islâmico. Jonas Gahr Store, ministro dos Negócios Estrangeiros, decretou que não seriam aceites os donativos milionários da Arábia Saudita, assim como de empresários muçulmanos para financiar a construção de mesquitas na Noruega

Segundo o referido ministro, as comunidades religiosas têm direito a receber ajuda financeira, mas o governo norueguês, excepcionalmente e por razões óbvias, não aceitarão ofinanciamento islâmico de milhões de euros.

Jonas Gahr Store argumenta que: Seria um paradoxo e anti-natural aceitar essas fontes definanciamento de um país onde não existe liberdade religiosa. O ministro também afirma que a aceitação desse dinheiro seria um contra-senso»,recordando a proibição que existe nesse país árabe para a construção de igrejas de outras religiões.

Jonas Gahr Store também anunciou que a «Noruega levará este assunto ao Conselho da Europa», donde defenderá esta decisão baseada na mais estrita reciprocidade com a Arábia Saudita.

Via Midia Gospel


A internet, meus caros, é um grande telefone sem fio. Por exemplo, essa notícia, acima, da proibição de mesquitas na Noruega – todo mundo lembra a preula que deu quando um cartunista dinamarquês resolveu que seria uma boa ideia desenhar o profeta Maomé (maior profeta reverenciado pelos muçulmanos) usando um turbante-bomba, há cinco anos atrás. Surgiu então, na minha timeline um link, de um blog aparentemente duvidável, falando sobre a suposta proibição da construção de mesquitas na Noruega. Fui pesquisar. Uma das notícias que apareceu nas pesquisas é essa acima, e acreditem, apesar do nome do site, é uma das referências mais concretas com a notícia.

Quando li a notícia, percebi três erros crassos:

(1) O suposto ministro de “negócios estrangeiros” (embora a tradução oficial seja Assuntos Estrangeiros) saiu do cargo em 2012; 
(2) Não é de competência nem do Ministro de Assuntos (ou Negócios) Estrangeiros legislar sobre o tema, nem mesmo do Ministro da Economia/Fazenda Pública (cargo que ele ocupa hoje), mas do Parlamento;
(3) Só tem essa notícia em blogs cristãos (que não são bem conhecidos pela sua imparcialidade.

Fui à pesquisa. Como não encontrei nenhuma referência concreta à proibição seja de financiamento de mesquitas pela Arábia Saudita (o governo saudita investiria recursos públicos na construção de mesquitas no exterior? Como se proibir particulares de gastarem seu dinheiro em objetos específicos sem causar um incidente internacional?), resolvi mudar o foco da pesquisa. Fui procurar a proibição saudita de se construir/plantar/fundar novas igrejas no país. Cravando resultados no Google, encontrei mais notícias estranhas. Segue:

Destruição de igrejas católicas é exigida por autoridade islâmica

Meca (Segunda-feira, 26-03-2012, Gaudium Press) O grão-mufti sheikh Abdul Aziz bin Abdullah, alta autoridade clerical da Arábia Saudita, exigiu a destruição de todas as igrejas existentes na região do Golfo Pérsico. A decisão do governo do Kuwait de proibir a construção de novas igrejas no país, foi elogiada pelo sheikh, mas segundo ele a medida é pouca, pois é necessário destruir as igrejas que já existem. A exigência de Abdullah só não seria aplicada à Arábia Saudita, pois ali, não existe qualquer local de culto não muçulmano e qualquer outra manifestação religiosa já está proibida.

 

Além de ser a mais alta personalidade do clero da Arábia Saudita, o grão-mufti da Arábia Saudita foi considerado o 14º muçulmano mais influente do mundo pelo Real Centro Islâmico de Estudos Estratégicos, no ano de 2011. Nos países do Golfo Pérsico os cristãos são uma minoria, sendo sobretudo imigrantes. Em países como a Jordânia, Palestina, Iraque, Egito, Líbano e Síria, há comunidades cristãs significativas, mas o clima de perseguição religiosa tem aumentado também nesses países. (EPC)

Com informações da Rádio Vaticano.

Fonte: Associação Religiosa N. Sra. das Graças

Ok, vamos lá. Então nem repentinamente a Arábia Saudita começou a proibir a construção de Igrejas, nem a Noruega impediu coisa alguma – na verdade eu não sei o que a Noruega tem a ver com a história até agora. Mas uma coisa nesse link me chamou a atenção: a fonte. Fui então pesquisar no Gaudium Press, site dito como referência no início do texto, porém nenhuma das pesquisas retornou resultado.

Mesmo assim, eu já tinha uma história a seguir. Alguém tinha dito alguma coisa no Oriente Médio (tá vendo o problema da mídia cristã?). Foi então que encontrei o site da Agência Oficial de Notícias do Vaticano. Explico: por mais que Vaticano seja a sede da Igreja Católica, ainda assim é um país, e tem uma reputação a zelar (ou pelo menos deveria) no que tange à relações internacionais. Na NEWS.VA, há uma notícia que diz “O xeque Abdul Aziz bin Abdullah, Grão Mufti da Arábia Saudita (…) declarou que “é necessário destruir todas as igrejas da região”. A notícia continua:


A declaração do mufti foi feita depois que um parlamentar kuaitiano, Osama Al-Munawer, anunciou no mês passado, na rede social “Twitter”, a intenção de apresentar um projeto de lei para a construção de novas igrejas e lugares de culto não islâmicos no Kuwait. Recentemente, por ocasião da consagração de uma Igreja católica nos Emirados Árabes, os cristãos locais auspiciaram “a abertura de negociações para construir uma Igreja na Arábia Saudita”, visto que no Reino Saudita, segundo estimativas, vivem de 3 a 4 milhões de cristãos, trabalhadores imigrantes que desejam ter uma Igreja. Em junho de 2013, o Card. Fernando Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos povos, consagrou a nova Igreja de Santo Antônio nos Emirados Árabes Unidos, nas proximidades de Dubai , e uma nova Igreja dedicada a São Paulo está sendo erguida em Abu Dhabi. No início de 2013, o Rei de Bahrein doou à comunidade cristã um terreno para a construção de uma nova Igreja, a Catedral de Nossa Senhora da Arábia.

Fonte: News.Va

Então já temos um contexto: Após um parlamentar do Kuwait dizer que gostaria de fazer um projeto de lei para liberar a construção de igrejas no país, alguém disse que deveriam destruir todas as igrejas da região, e não construir mais. Só nos resta a pergunta: quem raios é Grão Mufti Abdul Aziz bin Abdullah? O site da Rádio do Vaticano (que tinha sido citada anteriormente), explica: Grão-Mufti é uma alta autoridade clerical, que pode emitir fatwas. Fatwa (ou fátua, abrasileirado) é um pronunciamento legal da religião islâmica – assim como Papas emitem Bulas Papais, que são consideradas leis religiosas para católicos e assim como Assembleias e Conselhos Eclesiásticos determinam doutrinas aos fiéis evangélicos, as Fatwas são ordenamentos aos muçulmanos, geralmente vindos de interpretações do Alcorão. Transportando para uma realidade ocidental, é como se um pastor evangélico dissesse, no morro carioca, que deveriam fechar todos os centros de umbanda e terreiros de candomblé. Não que isso seja realidade, é apenas uma suposição que pode coincidir com histórias reais.

Mas calma, não vamos discutir sobre a justiça ou injustiça desses ordenamentos religiosos. A internet é sim, um grande telefone sem fio. Um líder religioso da Arábia Saudita disse que precisavam destruir igrejas. Um líder da Arábia Saudita disse que precisavam destruir igrejas. Arábia Saudita vai destruir igrejas. É nesse ponto que entram pessoas mal-intencionadas, nessa bagunça de repostagem e mídia 2.0, o jornalismo que não é jornalismo e por isso não precisa de credibilidade, e acrescenta uma história  completamente bisonha, como essa da Noruega impedir financiamento de mesquitas. Em tempo: sim, na Arábia Saudita, assim como no Kuwait, é proibida a manifestação pública de outras religiões senão a muçulmana (nesse momento, um líder evangélico candidato nessas eleições coça sua barbixa enquanto pensa no paraíso que poderia criar com esse poder), como informa relatório do Departamento de Estado dos EUA:

The government claims to provide for and protect the right to private worship for all, including non-Muslims who gather in homes for religious services. This right was not always respected in practice and is not defined in law. Moreover, the public practice of non-Muslim religions is prohibited, and the Commission for the Promotion of Virtue and Prevention of Vice (CPVPV) and security forces of the Ministry of Interior (MOI) continued to raid private non-Muslim religious gatherings. Although the government also confirmed its stated policy to protect the right to possess and use personal religious materials, it did not provide for this right in law, and the CPVPV sometimes confiscated the personal religious materials of non-Muslims. Religious leaders and activists continued to face obstacles in expressing their views against the religious establishment.

Fonte: US Departament of State

“O governo diz que provê e protege o direito de culto privado para todos, inclusive não-muçulmanos que se reúnem nas casas para prestarem cultos religiosos. Esse direito não foi sempre respeitado na sua prática, e não está definido em lei. Além disso, a prática pública de religiões não muçulmanas é proibida e a Comissão para a Promoção de Virtude a Prevenção do Vício (CPVPV) e as forças de segurança do Ministério do Interior (MOI) continuaram a fazer batidas policiais em reuniões privadas de não-muçulmanos. Embora o governo também confirme a sua política de proteger o direito de possuir e usar acessórios religiosos, não há legislação nesse tema, e o CPVPV costuma confiscá-los de não-muçulmanos. Líderes religiosos e ativistas ainda enfrentam obstáculos em expressar suas visões contra o status quo religioso.”