Opinião

Todos nós nos identificamos com Jessica. Este pode ser, claramente, um dos maiores ganchos para a série fazer tanto sucesso. Ao contrário dos quadrinhos e super-heróis em geral, Jessica tem algo muito mais humano do que Batman, Homem-Aranha, o Coisa ou o próprio Demolidor.



Sim, como circula o texto pela web, Jessica Jones não é sobre super-heróis. Jessica Jones é sobre abuso, das mais abrangentes e diversas formas possíveis. Abuso físico, abuso sexual, abuso psicológico. E assim como toda vítima de abuso, Jessica se sente co-responsável por todos que passaram pelo caminho dela e sofreram com as consequencias.

Jessica é gente como a gente. Não é como um super-herói que não se preocupa com as pessoas que estavam no prédio que caiu durante a briga entre ela e o super-vilão. Jessica sente a morte de cada uma das pessoas que estavam no caminho entre Kilgrave e ela. Ela não entende o conceito de dano colateral, de bem maior. Jessica é como cada um de nós somos, lá dentro: procurando a auto-punição por erros que cometemos – sejam eles responsabilidade nossa ou não. Jessica Jones é uma série transparente, que mostra como tudo que acontece conosco tem profundas consequências em todos aspectos de nossa vida. Como toda série, vai ao absurdo – o abuso pelo controle da mente.

O problema é que Kilgrave, em sua essência, também é gente como a gente. Não é preciso controlar a mente de alguém para que essa pessoa faça a nossa vontade. Fazemos isso o tempo todo. Joguinhos psicológicos, frases soltas na lata, torturamos os outros a todo o tempo. Torturamos para não sermos torturados. Levantamos nossas defesas no dia-a-dia, tentando fugir do controle alheio. Usamos de desculpas esfarrapadas, como um trauma antigo ou uma decepção nova, para nossas atitudes mesquinhas e ególatras. Queremos controlar o que acontece à nossa volta, mas não por uma falsa sensação de segurança: é pelo poder.

Somos tão Kilgrave quanto nossos egos nos levam a ser; somos tão Jessica quanto nossa consciência permite. A diferença é que, bom, esta é a vida real, e a gente pode fazer o ciclo de abuso parar. O que fizeram a nós não é desculpa pelo que fazemos aos outros.



(resolvi colocar a foto do David Tennant como o 10º Dr Who porque não consigo assistir JJ sem lembrar dele)

Opinião

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Esqueça o viver de glória em glória. O máximo que a gente faz hoje, é escorregar de treta em treta, tentando sobreviver e não fazer muita besteira no meio desse caminho. A vida feliz, completa, satisfatória que nos prometeram mostrou ser mais do que um simples caminho estreito. É uma ponte bamba, escorregadia e sem nenhuma cordinha lateral para se equilibrar – e a queda, além de perigo constante, provou-se humilhante.

Pode ter sido por influência da TV, como sempre tem uma galera ávida por culpar algo superior e exterior por todos os problemas do universo, mas nos acostumamos a viver como se estivéssemos dentro de seriados. Vivemos uma vida cheia de dramas, pontos altos e baixos, numa montanha-russa inebriante que precisa constantemente de atualização e reformas para não ficar repetitiva e cancelarem no meio da terceira temporada por falta de audiência. Queremos viver Californication. Queremos ser a pária de The O.C. ou a mente malévola de Revenge.

É estranho perceber que em boa parte do tempo as pessoas estão preocupadas com problemas que já foram resolvidos ou que não podem ser solucionados. É impressionante a quantidade de voltas que damos para evitar um simples constrangimento de foi mal, cara, eu realmente não curto o que você escreve, então vou te dar unfollow, mas a rua é nóiz. Tudo, para nós, precisa ter algo a mais.  Nos tornamos os paranoicos que veem ameaças escondidas em notícias de jornal.

Precisamos de segundas, terceiras opiniões – e de segundas opiniões sobre as terceiras opiniões que nos deram. Somos o centro do universo: tudo conspira para nos derrubar. Fulano não deu bom dia com sorriso? Tem treta aí.

Devo dizer que minha vida melhorou bastante quando eu percebi que eu não era um personagem de série. Quando me disseram que eu não precisava me meter em todos os problemas, eu não entendi. Mas quando eu vi que as tretas só vinham até mim porque eu era o personagem principal da trama, eu abri mão do roteiro e abandonei o estúdio de filmagem.

Você não é Jackson Teller. Você não é Ryan Atwood. Você não está apaixonada Hank Moody, nem é Louis Lane. Então tire esse peso das suas costas e perceba que você não precisa salvar o mundo. Não a atacado.  Comece a viver isso, o pouco, e você verá que existe um viver de glória em glória. Provavelmente não te dará uma coroa de louros, mas te dará uma família pela qual vale a pena lutar.


Respeite seus limites, saiba que brigas comprar, e principalmente: saiba quando você está lutando uma batalha perdida, e como sair dela. Se existe uma série que você poderia atuar, é Community. Mas só pelas guerras de paintball.

A sociedade consumista impõe um padrão em que as mulheres precisam ser estéticamente perfeitas, com medidas consideradas ideais (Curiosidade: elas existem, e são: 85 busto, 60 cintura e 85 quadril, como você pode conferir aqui), propagandas de mulheres de biquíni exibindo o corpo sarado e agora homens sem pelos! É um absurdo que façam isso, em pleno século XXI, quando as pessoas buscam cada vez mais fugir da alienação e a publicidade continua por impor um padrão social! Eu não acredito nisso! Fora Gillette, eu gosto dos meus pelos, eles são genéticos e você não pode me considerar subumano! Fora Sukita, eu nasci há mais tempo que a menininha perfeita do 15º andar e ela pode gostar de mim pelo meu intelecto ou pela minha cara de retardado mesmo! Fora Rede Globo, Roberto Marinho é trafiNÃO, PERA.


Deixa o tio Abigo explicar uma coisa pra vocês: não é a propaganda que define o padrão de vida das pessoas. A publicidade é um reflexo da sociedade, e não o contrário. Quando você diz que a sociedade é consumista não é porque a propaganda foi lá e obrigou as pessoas a comprarem mostrando produtos charmosos. Não é a propaganda da Nike que faz a Nike ser cara ou uma marca mais famosa que Rainha, por exemplo. A propaganda é um reflexo disso.

Tanto é verdade que a propaganda bonitinha e politicamente correta da Dove é uma propaganda legal, mostrar a beleza de toda mulher e tal – mas não mudou nada: nas baladas, nas praias, nas ruas, a preferência ainda é a mesma. Não é a propaganda das praias do Caribe que fazem as praias do Caribe serem mais chiques e mais caras. É a sociedade. Eu estou dizendo que é imutável? NÃO, pelo amor de Deus. Deixa eu te contar um segredo (que não é tão secreto assim):

Você sabia que o padrão estético da sociedade nos anos 50 eram mulheres gordinhas, e as magrelas não eram consideradas bonitas?


Você sabia que pelos nos homens eram bonitos até os anos 90, e quem não tinha barba era considerado criança?

Você sabia que na Idade Média mulheres bonitas eram as que tinham ancas largas?

E você já reparou que todos esses conceitos estéticos mudaram? Adivinha só: as preferências da maioria mudam porque as pessoas mudam (ou morrem). Vamos ser sinceros aqui? Quem anda comigo sabe que eu não gosto de loira. Já namorei mulheres com cabelo claro, quase loiro, mas eu não gosto. É pessoal. Estou ofendendo alguém? Não, eu só não acho bonito – sabe o que uma loira faz quando dá de cara com isso? SEGUE A VIDA.

Desculpa, Britta, não vai rolar...

Existe público (e preferências) pra todo tipo de gente, amigo. Se tem até uma pá de gente que pegaria o Sidney Magal e o PC Siqueira, eu te garanto: tem público pra você. Se você não quer ficar malhado bombado e depilado, eu garanto: tem gente que vai gostar de você. E você não precisa ficar de mimimi porque a maioria tem preferências diferentes de você.

Quer um outro exemplo? Nerds. Todo mundo detestava nerds. No ensino fundamental da maioria que lê esse texto agora usar óculos era praticamente pedir pra sofrer bullying – hoje não, é hype. E eu não morri por isso, além de ter feito cirurgia pra curar a miopia há dois meses. Vou morrer? Não, pombas. Estética não é tudo no mundo. E se vocês não se importam com estética mesmo, deveriam se preocupar menos com quem se importa. Cada um tem suas preferências, não é mesmo? (:

Enquanto isso, e enquanto o mundo for mundo a publicidade vai reproduzir e oferecer propagandas baseadas no gosto da maioria das pessoas – e investir em nichos de maneira menor, naturalmente.

Já leu esse texto aqui? Ótimo, então você já viu uma parte do programa do Malafaia e a gente discutiu alguns pontos de teologia pura. Agora para falar sobre homossexualidade, eu gostaria muito, de todo meu coração, que você lesse esse texto aqui, logo antes do que você tá lendo agora, onde eu coloco um pouco dessa discussão de surgimento da homossexualidade, dou minha opinião e peço pra você colaborar comigo pra eu ter uma ideia melhor desse tema.

Então vamos à segunda parte do programa – e pra mim foi aqui que a Marília Gabriela se perdeu. Esqueça que é o Silas Malafaia. O que o Silas Malafaia reclama da PL-122 é o maior problema jurídico dela, não o que alguém acredita. Em momento algum o Malafaia se disse contra os homossexuais– pode conferir o vídeo até de trás pra frente.


E aí vem a Marília Gabriela e diz “nem todas as pessoas tem a formação que você tem ou um tipo de esclarecimento”. Amiga Marília Gabriela – a resposta do Silas foi genial: “Então vamos cortar programas de televisão, vamos cortar filmes porque podem ensinar a matar”, e ela apelou dizendo que ele estava querendo tolher os direitos dos homossexuais, e entrou numa argumentação cíclica: os homossexuais precisariam de ter uma lei os defendendo porque eles tem uma lei os defendendo – LEMBRE-SE: eu estou falando de Direito, não de sociologia.

E aí ela partiu pro ataque pessoal por uns bons 10 minutos, e quando eu pensei que o menino Silas ia fechar bem quando disse “eu não estou aqui para condenar A, B, ou C, estou para condenar os pecados” – o qual é o papel dos profetas, e ele está certíssimo. O problema foi ele ter dito logo antes que Jesus falava mais de inferno do que de céu. Estatisticamente? Pode até ser, não parei pra contar. Teologicamente? E daí? Sim, não entendi o que ele quis dizer com isso. Deus é amor. Amor é justiça, justiça leva à retidão. Ponto.

Gabi ainda levantou outro ponto completamente inepto, dizendo que a bíblia proíbe o divórcio – outro mito. Leiemos Mateus 5:31-32 e 1Coríntios 7:15. A partir daí, eu não tenho mais nada a discutir. Silas Malafaia se mostrou muito mais são, racional, do que Marília Gabriela. “Eu posso ser o mais veemente possível para defender as minhas teses, mas isso não quer dizer que eu os odeie. […] [Se o meu filho fosse homossexual] Eu o amaria 100%, e discordaria dele 100%. Quem disse que pra amar precisa concordar?” E a Gabi responde “Você ia fazer o inferno dele” – ué Maria Gabriela, como assim?

“Você coloca homossexuais lado a lado com bandidos” – desculpa, Gabi, mas o direito diz que são iguais. Sim, são. Eu também sou igual a um homossexual, e a um bandido. E você também, Gabi! Poxa, você é melhor do que um bandido? Alguém aqui pode se dizer melhor do que o outro?

“O que a religião não pode fazer é tentar se enfiar pela goela das outras pessoas” Malafaia, Silas.

Sério que vocês tão xingando o Silas por causa disso? Desculpa, cristãos emergentes descolados, mas dessa vez, eu fiquei com o Malafaia, viu?


Silas Malafaia se tornou famoso pelas suas pregações através da TV. Com seu jeito espalhafatoso, revoltado, seus gritos durante as pregações eram considerados um tanto quanto fortes demais, mas sempre disseram que valia a pena pela mensagem que ele passava. Com seu bigode e pastor de uma igreja tradicional, a Assembleia de Deus, Silas se tornou famoso.


Não acho que o seu jeito de falar seja pretencioso, ou que a sua argumentação muitas vezes violenta e em torno de voz alta seja um sinal de desrespeito. Ao final da entrevista o mesmo pediu desculpas pelo seu jeito, e disse que tem tentado mudar, mas que é difícil manter a compostura e a voz baixa no meio da zoeira que vira, por exemplo, quando ele é convidado a ir no Congresso falar sobre o PL-122. E nisso, eu concordo com ele – quando xingam sua mãe sua tia e sua avó, manter a voz baixa e tentar falar tranquilo não dá.

E então, alguns anos atrás, junto com uma cortada de Gilette atravessada, Silas se juntou a Mike Murdock e mudou alguns de seus pensamentos e doutrinas – nada contra quem faz isso, eu mesmo já mudei tantas vezes de ideia que leio alguns textos antigos (desse blog e de anteriores) e começo a rir de tanto que eu era meio bobo. Mas daí, com essa nova roupagem, desbigodada, Silas começou a mudar um tanto o foco das suas pregações, e de um dos pastores mais famosos, começou também a ser um dos mais controversos – por um dos pontos que até foi debatido no primeiro bloco do programa – a Teologia da Prosperidade.

Seja trocando Bíblias por ofertas 900 (e agora 1000) reais – com comentários mais distorcidos do que sala dos espelhos, seja xingando os seus opositores ou ainda com posições firmes acerca do homossexualismo/homossexualidade e todos seus aspectos.

Mas então o menino Silas, tendo abandonado seu bigode e entrado em pontos controversos do cristianismo protestante foi convidado a participar do De frente com Gabi, neste domingo (03.02). Quem não viu, pode conferir a íntegra do programa:

Vamos no ponto a ponto?

HEY, PSIU! Eu não vou entrar no mérito se Silas Malafaia tem 300 milhões ou 4 milhões como ele afirma dizer, isso pra mim tanto faz, não é o dinheiro ou a falta de dinheiro que vai provar o seu caráter. E quem fala Ah, ele podia dar tudo pros pobres, eu só cito Judas e a história da mulher que gastou todo o perfume com Jesus, sendo que podia ser dado aos pobres. Vamos ter cuidado com certas atitudes e julgamentos. Se ele tem mais de 300 milhões, amigo, que bom pra ele.

Mas eu não entendi porque ele fala (1:54) que ele é pastor a apenas dois anos e meio, e logo depois afirma que é pastor há trinta anos (4:25). Não, sério, não saquei qual foi a dele no começo, de desconsiderar todo período que esteve embigodado – só mostra que quando o tema é a sua credibilidade, principalmente a financeira, ele não sabe como se portar. Como ele já xingou todo mundo que fazia isso e tinha acabado de elogiar a Gabi, ele se enrolou.

Diz Malafaia que pastores devem ganhar um bom salário, e diz ele ter fundamentações bíblicas – que o pastor deve ser bem tratado. Amigos, eu não sei se vocês conseguem ver a diferença entre ser bem-tratado e receber um salário (independente dele ser de só mil e quinhentos reais, como ele afirma em 39:00). Quando uma visita vai à sua casa, ela é uma pessoa a ser bem-tratada, mas você não dá 500R$ na mão dela em agradecimento a ter visitado. Se você for uma pessoa muito bondosa, a trata bem, a ajuda com o que precisa, e até dá um quarto para essa visita – assim como uma certa história a partir de 1Reis 17:09.


Esse é um dos problemas da interpretação bíblica do Silas Malafaia – considerar os pastores/profetas como dignos de algum conforto, pelo seu papel de liderança (sempre vale lembrar a diferença entre o conceito de liderança meritocrático e o bíblico).

Logo em seguida, o Malafaia faz uma diferenciação muito importante (8:04): o besteirol da teologia da prosperidade e o que a bíblia fala sobre a prosperidade – ele faz uma distinção perfeita, mas incrivelmente cai em desgraça no próximo ponto, em sua interpretação de Salmos (112 e 01, nessa ordem) exatamente como se promete pelo que ele chamou de besteirol da prosperidade – quando diz das bênçãos de Deus, ele, assim como toda a teologia da prosperidade esquece a outra parte do mandamento, de pegar a sua cruz.

Mas CAUMA – ele ainda se salva em parte: “Sabe o que é prosperidade? Você tá aqui ganha mil reais, o da direita ganha 4 mil e o da esquerda 5 mil. Mas você vive melhor que eles, você tem alegria e paz na sua casa, não deve agiota. Isso é prosperidade bíblica” – e é mesmo.

Ele ainda comete mais um erro um pouco complicado (9:40), quando diz que ele tem pessoas de todas as classes sociais. Ôpa, pasto, você é o dono do rebanho, e da igreja? Calma lá, rapaz, você não tem aquelas ovelhas lá não, tá só cuidando delas enquanto o Dono vem.

Quando você pensa que o primeiro bloco não pode piorar, aos 10:45, Malafaia diz que Deus trabalha com uma forma de recompensa o tempo inteiro, por conhecer como funciona o homem – eu já acredito que não é bem assim. Exatamente por conhecer o homem, Deus não espera nada, e é só através do espírito dEle que conseguimos ter lapsos de bondade – e se é através dEle que somos bons, que mérito há nisso para sermos recompensados? Pô, Malafaia, aí pegou pesado!


Os próximos blocos vêm a seguir:

[Pausa] Homossexualidade e Igreja. Você já parou pra pensar (direito)?

Retratos de uma tristeza: Silas Malafaia vs Marília Gabriela e Repercussões na Internet. [Parte II]

Deus nos livre de um presidente que proíba o carnaval pelas consequências que um evento pode ter. Deus nos livre de você, Danilo, presidente deste país. Porque um presidente que proíbe o carnaval por causa de estupros, proibiria o funk pela objetificação da mulher e pela violência. Proibiria a TV pela alienação e pela extrema sensualização e pela extrema violência de alguns conteúdos – proibiria a internet porque é um campo de impunidade nos direitos autorais e serve de refúgio para uma série de pedófilos e sequestradores. Um presidente com essa mente tão fechada e ridícula proibiria a homoafetividade porque ela é promíscua, e fecharia as igrejas evangélicas porque elas são alienantes e guiadas muitas vezes por estelionatários.


Uma pessoa dessa, chegando à presidência, proibiria o rock por incitar à violência e ser contra a ordem pública. Daria ordem para as baladas só irem até à meia-noite e muniria os barmen com bafômetros, para que ninguém bebesse além da conta.

Um presidente desses seria a maior realização de uma teoria de Vigiar e Punir, além de qualquer coisa que Foucalt teria imaginado, um presidente como este jamais seria deposto. É Gentilli, em breve esqueceríamos o seu nome, te chamaríamos apenas de presidente, e você se tornaria um mito, produzido artificialmente por medidas que a maioria (seja quem for essa maioria) apoiou. Você se elevaria a um status de semidivindade e tentaria se aproximar de nós como alguém que cuida dos nossos interesses porque sabe o que é melhor para nós, como um irmão mais velho. Isso, um irmão mais velho. O Grande Irmão.


Então, Danilo, por favor, me poupe. Continue com seu programa que Agora é Tarde, e pare de tentar ser tão polêmico quanto seu amigo Rafael Bastos. Deixe ele fazer papel de moralista incompreendido.

Assistir novela é pecado, e alienação. Ouvir sertanejo universitário, funk, brega e axé music não é só mal-visto como é proibido por muita gente. Televisão aberta? Só falta falar que acredita no Jornal Nacional e ri do Pânico na BAND (afinal ninguém com cérebro acha Praça é Nossa engraçado).

Já viu que todos os programas de classe baixa são pecado, ou alienadores? ‘Nossa, assim você me mata’ é uma letra horrível, mas ‘eu quero dançar a noite inteira e ir pra festas todos os dias’ é construtivo e todo mundo deveria crescer ouvindo isso.


Pânico na BAND tem um humor maléfico que não tem sentido nenhum, mas, cara, na boa, você já viu o último Jackass? Novelas mexem com espiritismo e são coisa do capeta, não tem uma que preste pra cristão ver, mas eu vi ontem O Grito e cara, que demônios que assustaram, saca?

Leu Harry Potter? Mas que bela porcaria, hein? Uma história de bruxaria que não tem nada a acrescentar? Eu adoro As Crônicas de Gelo e do Fogo (mas chamo de A Guerra dos Tronos), é um livro puro e espiritual – só pode, né?

Porque o Orkut é horrível e o Facebook é lindo? Porque usar instagram sendo que o twitter tem um serviço integrado de postagens de fotos? Porque reclamar toda vez que um site disponibiliza seu conteúdo em português?

É muito exclusivismo – e nós nem somos tão excepcionais assim, pra reclamar dos outros.

Depois de tanto suspense, ontem finalmente consegui ver a novela do Seu Jorge. Fiquei chatiado por não vê-lo, mas como personagem principal ele deve aparecer pra salvar todo mundo do tédio. Ou pelo menos espero. Salve, Seu Jorge. São Jorge. Sei lá.

Tá, agora falando sério. Vi Salve Jorge ontem, novela que gerou um rebuliço tremendo (mais tremendo que o último acampamento de jovens) no meio gospel, unindo pastores que não se tratavam tão bem desde a última Marcha pra Jesus e encabeçada pelo Exército Universal (sério, isso é muito mais illuminati que muita teoria católica sobre Opus Dei), por ter uma suposta temática espírita.

Vamos devagar.


(#1) Jorge é um mártir cristão da época que os cristãos eram ainda perseguidos. A Santa Igreja Católica nem existia, quem dirá o Evangelho segundo Kardec.

O imperador Diocleciano tinha planos de matar todos os cristãos e no dia marcado para o senado confirmar o decreto imperial, Jorge levantou-se no meio da reunião declarando-se espantado com aquela decisão, e afirmou que os romanos deviam se converter ao cristianismo.

Todos ficaram atônitos ao ouvirem estas palavras de um membro da suprema corte romana, defendendo com grande ousadia a fé em Jesus Cristo. Indagado por um cônsul sobre a origem dessa ousadia, Jorge prontamente respondeu-lhe que era por causa da Verdade. O tal cônsul, não satisfeito, quis saber: “O que é a Verdade?”. Jorge respondeu-lhe: “A Verdade é meu Senhor Jesus Cristo, a quem vós perseguis, e eu sou servo de meu redentor Jesus Cristo, e Nele confiando me pus no meio de vós para dar testemunho da Verdade.”

Como Jorge mantinha-se fiel ao cristianismo, o imperador tentou fazê-lo desistir da fé torturando-o de vários modos. E, após cada tortura, era levado perante o imperador, que lhe perguntava se renegaria a Jesus para adorar os ídolos. Todavia, Jorge reafirmava sua fé, tendo seu martírio aos poucos ganhado notoriedade e muitos romanos compadeceram-se das dores daquele jovem soldado, inclusive a mulher do imperador, que se converteu ao cristianismo. Finalmente, Diocleciano, não tendo êxito, mandou degolá-lo no dia 23 de abril de 303, em Nicomédia (Ásia Menor).

Depois que o cristianismo se tornou a religião oficial do Imperio Romano, Constantino (o próprio dito, que aparelhou Igreja ao Estado), recuperou os restos mortais de Jorge para que o povo pudesse lhe prestar homenagens.

(#2) Espiritismo não é umbanda, assim como Corinthians não é Palmeiras, por mais que eles sejam da mesma cidade.

A Umbanda fundamenta-se em fenômenos produzidos por Espíritos desencarnados, aceita a reencarnação e faz caridade, mas diferente do Espiritismo tem culto material, rituais, vestimentas específicas, imagens, altares, pontos riscados e denominações totalmente especiais para médiuns (cavalos) e Espíritos (exus, preto-velhos, caboclos, ibegis), que não existem no Espiritismo. Além dessas abismais diferenças, a Umbanda não se rege pela Codificação de Kardec.

É a mesma coisa que falar que o cristianismo é a mesma coisa que o judaísmo, porque os cristãos aceitam e acreditam no Pentateuco.


(#3) A novela NÃO-FALA-DISSO

Procurado por diversas reportagens, os produtores da Globo afirmaram mais de uma vez que a novela não traz nenhum caracter espírita, umbandista, zoroastrista ou de alguma outra religião em especial (a não ser as retratadas cotidianamente) – mas fala do mito do cavaleiro, que é o padroeiro da cavalaria (e não é cavalaria de fogo) do exército que é o cenário da trama.

É igual falar que os evangélicos adoram o lambari, só porque colocam um peixinho nos seus carros.

Então, meus amigos. Só acho que queimar o Jorge é sacanagem, depois que decapitaram-no porque ele era mais cristão que a gente. Saca? Ademais fica só a lembrança de que mudar o canal é uma possibilidade bem plausível e realista, já que não se vê (muitos) abaixo-assinados e crises de pessoas boicotando programas evangélicos ou missas católicas.

Ah, quase esqueci de mais uma coisa: Salve Jorge não é dotada de Exu-Samara, logo não invade a sua casa.


Fontes: Folha de SP; Povo de Aruanda; Fórum Espírita; Umbanda x Espiritismo.

Eu gostaria de entender algumas coisas da humanidade. Há algumas coisas nessa gente que eu não entendo. É muito fácil apontar o dedo e dizer que está tudo errado, sendo genérico. É muito fácil assistir meia dúzia de noticiários, ver sérios candidatos à Datena esbravejando em jornais locais, e ler editoriais de revistas semanais e jogar tudo pra cima e desistir.

Não tá fácil acreditar que temos muito futuro. São todos os tipos de crise, entre homens, entre homem e natureza, entre homem e universo, entre homens e o cosmo. Até mesmo Seiya teria problemas pra elevar o cosmo no seu coração se lesse um jornal de capa-a-capa, o Capitão Planeta entraria em depressão, e os Ursinhos Carinhosos fugiriam com medo da extinção.

Mas eu não entendo o que faz uma pessoa, no meio de todas as crises, todas estatísticas de roubos, assaltos, estupros e mortes por motivos fúteis (ou sem qualquer motivo), parar a moto, numa madrugada de sexta feira, pra perguntar pra algum desconhecido, alto, de jaqueta e mochila, que está segurando uma moto, se está tudo bem e precisa de alguma ajuda. Pode ser alguém que roubou a moto e ela deu chabu, pode ser alguém fazendo uma pegadinha pra assaltar, pode ser um cara que acabou de ver a mulher chifrando-o e está louco pra caçar confusão, ou pode ser um E.T. que vestiu a primeira roupa de ser humano que encontrou no caminho – ou qualquer outra coisa que ouvimos falar durante toda nossa vida.

Mas não, é só um cara que saiu do trabalho e ficou sem gasolina, porque a moto está sem marcador.

Eu não sei o que faz um cara, no meio da estrada, ao encontrar um carro com três homens tatuados, de portas abertas, com todos sentados e deitados no asfalto, parar e ver se precisam de algo. Pode ter acontecido uma briga, pode ter sido confusão por causa das drogas que carregavam, pode ser um acerto de contas, ou até mesmo uma isca para sequestro – quem garante que não é a hora que vai aparecer um caminhão com motorista furioso cujo único objetivo de vida é atropelar todos e torturá-los durante dias e dias numa casa escondida no meio do nada?

Mas não, é só um grupo de amigos que furou 2 pneus no meio da estrada, e não tinha sinal de celular pra pedir socorro.

Não sei o que acontece com a humanidade, não faço realmente a menor ideia. Só sei que, enquanto essas coisas acontecerem, há trabalho para a Igreja, há esperança para as almas perdidas e ainda há uma janela de tempo antes do apocalipse. Essa é a minha fé. Esse é o motivo pelo qual trabalho.

Já ouviu falar do tanto que antigamente, a TV era melhor, né? Antes do surgimento da Globo, geralmente, ou durante a existência da Manchete. Talvez, quem diga isso afirme que TV boa era antes da Tupi, quando ela não existia.

Mas é legal alguns comentários que sempre aparecem por aí – principalmente quando o assunto é a programação infantil (se sair em blog cristão então, rapaz, é uma diversão só). São tantas análises psicológicas dos personagens do desenho, que, quem leva isso a sério começa a acreditar em muita teoria conspiratória, inclusive em Hercóbulus.

Reclamam de todos os aspectos. Que os desenhos atuais são violentos, só falam de vitória, guerra, batalha, ganhar, vencer, poder; que os desenhos de hoje tem personagens malvados, dissimulados, e os heróis que se voltam para o lado negro da força mais vezes que deveriam.