Opinião



O Turmenistão é um país que viveu durante muitos anos debaixo de uma ditadura ferrenha. Execuções sumárias, profundas crises sociais e disputas de poder entre generais que se matavam com uma facilidade e frequência tão alta que as camadas populares mal sabiam dizer quem era o atual governante do país.

Nessa época, uma ONG construiu um túnel profundo e secreto, pelo qual conseguiam retirar pessoas injustamente procuradas pelas polícias, bem como levar informações e principalmente alimentos e remédios para a população carente. Durante anos, esse túnel permaneceu secreto aos governantes, e só após a queda dessa ditadura ele foi revelado a todo país.



Com a queda do governo ditatorial, a democracia estabelecida no país, a principal função do túnel se desfez, e ele acabou sendo, pouco a pouco, abandonado. Os custos de se mantê-lo, tão profundo e precário, não tinha mais justificativa. Claro, algumas pessoas ainda o utilizavam, principalmente aqueles que queriam andar sem serem vigiados. De salvação popular durante a ditadura a esconderijo durante a democracia.

Não demorou muito à primeira denúncia. Há quatro anos houve a primeira denúncia de um bando de pequenos ladrões que batiam carteira e estavam se escondendo no túnel, onde trocavam os produtos do furto por entorpecentes e outros produtos ilegais – bem como novas saídas tinham surgido. Um ano atrás, uma escrava sexual foi liberta por uma ação conjunta entre polícias, ministério público e a agência de inteligência do país, e caiu a bomba no colo do país – traficantes de pessoas estavam aproveitando o túnel para sequestrar pessoas para dentro e fora do país. A falta de vigilância, bem como as possíveis novas saídas construídas tornaram o túnel uma rede de transporte que ninguém tinha controle.

O governo então abriu uma ampla investigação, visando compreender e controlar a quantidade de crimes praticados com a ajuda dos túneis. Audiências públicas foram realizadas, especialistas foram convocados e a antiga ONG intimada a comparecer. Mas… o que aconteceu com a ONG nos últimos anos?



Bom, a ONG Livre Caminho, com a falta de necessidade repentina do túnel, fruto da democracia, ficou esvaziada. Condenada à falência, um grupo de amigos empresários, tomou a sua diretoria, e começaram a trabalhar em cima do túnel e suas outras possibilidades não tão humanitárias assim. Quando o governo começou a questionar a legitimidade de uso do túnel, a Livre Caminho, já plenamente convertida em empresa, se defendeu com a melhor estratégia possível: a propaganda.

O problema para o governo é que o túnel era um símbolo de liberdade – e a empresa aproveitou esse potencial para ligar a ideia antiga do túnel a esse ideal: limitar o acesso às entradas, vigiar o túnel não era uma questão de segurança: era uma medida antidemocrática, um ataque à liberdade de ir e vir. Era o governo opressivo voltando à ditadura, invadindo a privacidade das pessoas.

A Livre Caminho se recusou a prestar depoimentos. Não foi à justiça, não respondeu os quesitos. Ao invés disso, foi à imprensa. Denunciaram a atitude antidemocrática do governo de fechar os túneis. Disseram à imprensa que era impossível instalar câmeras em todo túnel, e que isso geraria uma insegurança gigante – e se as imagens caíssem nas mãos erradas? Pessoas poderiam correr risco de vida caso grupos de sequestradores pudessem ver as imagens e planejar emboscadas. O máximo que eles poderiam fazer é guardar registros de quem entrava no túnel em que portal e que horas isso tinha ocorrido.



Apesar das explicações não fazerem o menor sentido nem jurídico nem lógico, a população, já acostumada a usar os túneis para ir de um local a outro (a rua tem sol, tem vendedores, tem sinais de trânsito) comprou a propaganda da Livre Caminho – o túnel era gratuito, e sempre esteve lá. Os crimes sempre ocorreram, seja na rua, sejam nos túneis. Como culpar uma empresa que facilitava o transporte das pessoas sem cobrar nada por isso pela ineficiência do governo?

O Judiciário resolveu então, mediante a falta de explicação da Livre Caminho, fechar os túneis – pelo menos as portas conhecidas. Não adiantou justificar com o tráfico de pessoas. Não adiantou demonstrar por A+B que a empresa estava com argumentos falhos, além de ter desrespeitado o Poder Público. As pessoas foram às ruas. Fizeram petições. Lutaram para o estabelecimento de Projetos de Lei que impedissem o bloqueio aos túneis. E toda decisão que fechava algumas portas dos túneis era logo derrubada.

O túnel ganhou. A Livre Caminho ganhou. E a questão no Turmenistão não era o fechamento dos túneis. Ninguém era a favor de se fechar os túneis e impedir que as pessoas caminhassem por ele: mas estabelecer parâmetros seguros. Dar segurança às pessoas que usassem os túneis, bem como impedir o cometimento de crimes através deles.

É claro que ninguém é a favor do cometimento de crimes, sejam onde for. Mas as pessoas, no Turmenistão ou não, defendem empresas como se defendessem a liberdade que essas empresas dizem vender.

 



[Este texto é uma ficção. Não existe Turmenistão (só no universo do Dr Who s.10).
Qualquer semelhança entre a Livre Caminho e o Whatsapp digo, empresa, é meramente
inspiração coincidência. Não me processem, sou um estudante, não tenho como pagar]

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Aproximadamente 500 milhões de telefones em todo o mundo têm WhatsApp (o que dá pra encher 11.100 Morenões, numa comparação nível jornalístico-campograndense) – e boa parte dos usuários brasileiros começou a entrar em pane desde que o serviço começou a cair e apresentar mau funcionamento depois que foi comprado pelo Facebook. Foi nesse momento também, que começou a cair a ficha na maioria dos usuários que o WhatsApp não é de graça: você só está usando um trial que dura um ano. E aí, pagar pra ver ou mudar antes que seja tarde?

Seja por medo de uma mudança radical no aplicativo, ou querendo garantir um pouco mais de sua privacidade, muitos estão procurando serviços alternativos ao WhatsApp, e você conhecê-los-á aqui, agora!


(1) Viber

Fonte da imagem: http://showmetech.band.uol.com.br/viber-e-lancado-para-android-faca-ligacoes-voip-para-outros-android-e-iphone-de-graca/

De longa data, o Viber apresenta várias funções que fazem dele um aplicativo muito mais completo que o WhatsApp e, pela ironia do mercado (aquela mesma que levou o MSN a ser mais famoso que toneladas de outros programas muito melhores e mais estáveis), nunca teve tanta fama quanto seu concorrente direto.

Usuários mais antigos reclamarão que o aplicativo era um pouco pesado, demorando a rodar em celulares mais antigos e com qualidade de vídeo duvidosa – mas muitos desses bugs foram resolvidos e, nos celulares atuais, roda perfeitamente. O maior ponto positivo para o Viber é que ele conta com uma plataforma de uso no PC e você não precisa fazer nenhuma gambiarra pra poder utilizá-lo enquanto está longe do celular. Ponto para o roxinho!


(2) Voxer

Fonte da imagem: http://reviews.cnet.com/software/voxer-walkie-talkie-ios/4505-3513_7-35813071.html

O Voxer transforma seu celular num Walkie-Talkie, pra quem nunca teve infância. A proposta do aplicativo é exatamente trabalhar mensagens de voz, imagens e vídeos, deixando o texto de lado (embora haja a possibilidade de enviar texto, não se engane!). Pode parecer meio estranho para quem está acostumado a digitar desde… bem, desde que pegou o primeiro celular na vida, mas a qualidade do áudio e a intuitividade do aplicativo surpreende e conquista seus usuários – que podem escolher ouvir a mensagem enquanto ela ainda está sendo gravada (sem ficar naquele drama esperando o “gravando áudio” sumir do status). Serve bem para quem tem mania de conversar só por áudio no whatsapp.


(3) Tango

Fonte da imagem: http://www.ilifegeeks.com/the-top-5-apps-for-mobile-video-calling/

O Tango traz algo que as empresas de telecomunicações tentam fazer há anos mas não conseguem – videochamadas práticas, fáceis e de qualidade. Claro, se o seu celular não tem câmera frontal ou você faz uma gambiarra conversando no banheiro com as pessoas ou você fica mostrando o chão pra pessoa, mas é um aplicativo que vale a pena testar, nem que seja pelo design prático (que vai te prender a ele como nenhum outro aplicativo dessa lista).

O segredo do Tango pra lutar contra ele mesmo, o Skype, é simples: você não precisa de uma conexão excelente (3G já basta) e ele faz chamadas grátis para telefones. Sim, isso mesmo, através da 3G o Tango faz ligações para números de telefone, assim como o Skype, só que grátis. Já correu pra baixar?


(4) Line

Fonte da imagem: http://goodkindofgeek.com/2013/02/08/line-app-reviews/

O Line faz sucesso no Japão. Isso já deveria soar como uma espécie de aviso para qualquer usuário, mas a gente explica ainda mais. Junto com o aplicativo, já vem uma série de stickers (porque vocês ficam inventando nomes novos para emoticons?) no pacote e você pode baixar ainda mais uma infinidade quando já estiver usando o aplicativo. Super-fofo né? Pois é, exatamente isso. No Line você vai definitivamente lembrar porque você detestava aquele monte de carinhas no MSN e pessoas que conversavam com letras coloridas e piscantes (embora não esteja tão ruim a situação).

Mas calma, nem tudo é tão triste e vileiro no Line: o aplicativo conta com uma timeline que você pode usar como eram os status do MSN (o que pode ser bem prático muitas vezes) e são interativos (ao contrário dos do Whatsapp, que são apenas mensagens estáticas que ninguém olha) e o aplicativo também faz chamadas grátis para os usuários asiáticos (bom, você sempre pode ir pra Indonésia de vez em quando né).


(5) Telegram

Fonte da imagem: http://www.phonearena.com/news/Telegram-secure-instant-messaging-app-review-encrypted-speed_id52251

O mais novo queridinho da web é o Telegram. Apresentado como solução definitiva por ser open-source (o código fonte é público, qualquer um pode vê-lo), foi abraçado por quem ama software livre e divulgado como se fosse “200% seguro” – há até um prêmio de alguns milhares de dólares para quem conseguir hackear o aplicativo.

Tá, mas beleza, qual o ponto da boniteza do Telegram? Lembra do Snapchat, aquele app que você pode mandar fotos e vídeos que vão ser auto-destruídos depois de visualizados? Você pode configurar o Telegram para fazer isso com conversas inteiras, algumas mensagens ou até mesmo fotos. O ponto chateante do aplicativo é que ele não tem suporte para mensagens de voz – e nem está nos planos dos seus desenvolvedores.


Já escolheu o seu?