Acordou com estômago embrulhado, revirando – até com a visão meio turva. Sentia-se mal, com aquele gosto de paçoca velha na boca (se você não sabe como é, continue só imaginando), como se tivesse com o gosto dos últimos acontecimentos no seu paladar. Acordou com a moral mais acabada do que a roupa da noite anterior, jogada no canto do quarto, ainda úmida da chuva que tinha pegado no caminho pra casa. Se levantou com a força e a vontade de um labrador obeso de 12 anos, enquanto tentava decidir se ia comer algo ou escovar os dentes direto – com as duas voltas e meia que o seu estômago deu no esôfago, resolveu não fazer nenhum.

Mal conseguia processar uma meia dúzia de comandos mais simples – como calçar o tênis certo, não colocar meias de pares diferentes e continuar a respirar normalmente sem que a cabeça começasse a doer tanto quanto deveria doer um chip AMD se ele não esquentasse daquela maneira.

Se aquela briga toda tinha provocado aquela revolta estomacal nele, não queria nem pensar no que aconteceria mais tarde, quando as últimas figurinhas fossem trocadas. Com um suspiro de desânimo, resignou-se. Existem coisas que se pode escolher, e existem as consequências por escolhê-las. Chegara a um ponto que não estava mais preocupado com as consequências, só tinha que fazer o certo, uma vez na vida. Estava quase saindo, mortificado com os pensamentos, quando teve uma ideia brilhante. Podia funcionar, quase esperançoso.

Voltou pro quarto, abriu uma porta, e se aliviou. É, às vezes era só estomacal mesmo.

Tátudubei, agora.


Tátudubei

Categoria: Contos de Domingo
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