Por mais chavão que seja e menos sentido que tenha, a ideia de “menos religião, mais Jesus”, pegou em quase todas as igrejas. Religiosidade, farisaísmo, doutrinas judaizantes tem sido combatidas todos os dias, dentro e fora de templos e prédios.

Condena-se o uso de microfone, a disposição de cadeiras em auditórios, a sacralidade dos hinários, o uso de palavras excessivamente formais e o tratamento de Deus pela 2ª pessoa do plural (a saber, Vós). Até o uso de roupas sóbrias e estilo de cabelo virou estigma de religiosidade – andar com a bíblia debaixo do braço então, é coisa que nem se pensa.


O chato de ser contra a religiosidade através dos estigmas representados por ela é que a religiosidade não está em atitudes. Não é a atitude do fariseu de guardar o sábado em prol do Senhor que o tornava um religioso, e não foi por guardar o sábado que ele foi condenado por Jesus.

O farisaísmo não é, ao contrário do que se acredita e se prega, um conjunto de ações, mas de intenções e crenças deturpadas. Se guardar o sábado era um mandamento, o farisaísmo está em guardar o sábado com a convicção de que guardar o sábado me fará equiparado ao Senhor, e que apenas quem guarda o sábado será salvo.

Dessa forma, o problema não está em não assistir TV e ir em todas as reuniões da igreja – o problema é a motivação pela qual você faz isso. Não existe, portanto, uma liturgia que esteja a salvo da religiosidade, ou do farisaísmo, por mais descolada que ela seja. O farisaísmo está embutido em nós, na nossa falsa percepção ocidental de crença.

Usar camisetas com dizeres gospel, não ouvir música do mundo não traz nada de bom nem de ruim – são opções que cada um, na sua fé faz, e muitas vezes, a contracultura protestante tem sido muito mais farisaica em sua negação ao gospel e às tradições do que o movimento tradicional.

Não adianta ser livre para depilar as axilas se essa liberdade se volta contra quem não depila – e se torna uma obrigação de depilar. Não adianta ser livre para escutar música secular se nessa liberdade, há a pressão social que vai contra a música sacra tradicional – ou gospel.

Ser contra uma tradição apenas para fundar outra que seja de gosto pessoal, mas que continue a não refletir os ensinamentos divinos para a Igreja é tão ruim quanto permanecer sob uma tradição torturante.

Todo mundo luta contra a religiosidade

Categoria: Igreja
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