Já viu aquele tanto de promoção no Facebook anunciando o novo iPhone do ano, antes mesmo dele ser lançado no Brasil? Fotos com caixas e caixas e um simples pedido – curta a nossa página e compartilhe essa foto pra concorrer ao iPhone [n]. Sempre foi assim, não sei bem dizer se desde o primeiro iPhone ou desde o começo do Facebook (sinceramente, você acha que os brasileiros são tão bons que só por aqui que existem essas presepadas? Os e-mails de banqueiros nigerianos virem em inglês é a prova de que hoax é muito mais do que brasileiro emporcalhando rede social, como vivem dizendo).


Falando em banqueiros nigerianos, vem à lembrança de que isso começou não foi nem em redes sociais. Foi nos e-mails, que a AOL e a MSN iriam dar 1 centavo pra cada email que fosse compartilhado (essa praga é antiga mesmo, rapá) por aquela família carente em algum lugar esquecido pelo mundo. Ou mesmo a foto de meninos desaparecidos que, bem, nunca nem saíram de casa direito.

A verdade é que sempre rolou esses hoax que, no fundo no fundo, só produzem lixo virtual. Ah, entope caixa de email, entope facebook, entope as minhas veias de tanto ódio de gente-que-acha-que-está-fazendo-o-bem-sem-levantar-a-bunda-da-cadeira, mas cara… Cedo ou tarde você vai aprender que a vida é assim.

Que as pessoas vão e vêm pelas suas necessidades. Necessidade de amizade, necessidade de romance, necessidade de sentir a consciência limpa diante de tantas mazelas; satisfazer essas necessidades é totalmente diferente de realizar essas ações.

Se declarar amigo de alguém é muito mais fácil do que realmente ser amigo dessa pessoa – e bater de frente com ela. Se declarar para alguém é muito mais fácil do que arregaçar as mangas e estar pronto pro que der e vier com elas, e fazer o seu tudo para continuar assim – ou até mesmo reconhecer os limites de cada um. Sentir a consciência limpa é algo que para muito aquém da ação de ajudar os outros. Participar de sorteios fake é muito mais fácil do que trabalhar e gastar milhares de reais com o novo iPhone.


Somos todos compartilhadores de sorteios. Somos todos replicadores de correntes de e-mails. Com preguiça, desacostumados a fazer o que nos propomos – ou só fingindo que nos propomos a algo para satisfazer ninguém além de nós mesmos.

Quando eu vejo alguém compartilhando sorteio dizendo Vai que é verdade, né?  eu penso em quão pobre de espírito eu também sou, agarrado à minha ilusão de que um dia algo vai cair do céu, e bom, vai que dá, né?

Todos nós compartilhamos correntes, todos os dias

Categoria: Opinião
0
41 views

Deixe uma resposta