Pedir um conselho fica mais difícil a cada dia. Parece que ninguém quer dar, todo mundo foge de uma certa responsabilidade na vida de outra pessoa – ou sai batendo os dentes tagarelando pra todo mundo aquele segredo que bem, se fosse pra publicar, você teria twittado, e não conversado.

O problema é que, num meio cristão, o suportai-vos uns aos outros, significa também, aconselhar, estar junto, como pressupõe a própria comunhão. Como sair dessa?

O fato é que todo mundo que pede um conselho já sabe o que quer – mas não sabe que sabe ou não quer fazê-lo. Quando uma pessoa pede conselho ou ela está confusa ou ela quer uma desculpa para fazer algo que ela sabe que não é certo, mas não quer reconhecer. O problema de apoiar esse tipo de decisão é que opiniões mudam – e você pode acabar como o malvado da história

Eis então um manual super-prático dos principais pedidos de conselho mal-intencionados e como fugir deles (para sua própria segurança!).

1-      APRESENTAR UM SÓ LADO DA HISTÓRIA (claro, adivinha de quem?)

Você acreditou que o Mário está certo e sai matando todo mundo pelo caminho. Será que ele falou a verdade?

Principalmente em casos de final de namoro – sempre o outro lado que errou. Ah, ele é incompreensivo, ele é bobão, só quer ficar com os amigos; ela é dramática, ciumenta, ela acha tudo que eu faço errado, ela prefere sair com as amigas – e a pessoa que tá te contando é sempre a incompreendida, que faz de tudo, mas não consegue sustentar o namoro sozinho. E isso está acabando com a vida.

VACINE-SE! Lembre a pessoa de alguns momentos que ela errou, e como o(a) namorado(a) foi compreensivo, e abriu mão de alguma coisa pra ficar tudo bem. Afinal, ninguém é perfeito e todo mundo erra. Claro, há situações e situações, mas na hora de aconselhar lembre-se que é improvável que só uma pessoa tenha errado e que a revolta da pessoa é momentânea. Dar um conselho ativo (vá e termine; vá e mostre como é injusto; resolva isso) pode resultar em frustração pra pessoa e culpa pra você.

2-      DRAMATISMO DOSTOIEVISKIANO

É meio hollywoodiano - o fim do mundo sempre está próximo

Sempre tem aquele comentário “Ela fez isso – VOCÊ ACREDITA?” Quando você vê o isso é algo como desligar o telefone durante uma reunião, falar com um conhecido, ou quiçá, imagine só – ter pedido pra esperar no telefone. É um caso de abuso sem fim – e nunca a pessoa vai ser capaz de superar aquilo. É um asco tão grande, que cada vez que se lembra do ocorrido, o estômago embrulha, a pressão cai e só não se acerta uma voadora com os dois pés na pessoa por falta de coordenação motora momentânea. Porque se conseguisse, hum. Na cara.

VACINE-SE! Não fale nada. Quanto menos você falar, melhor – esqueça completamente a dica anterior.

3-      PERGUNTAS RETÓRICAS (com alto teor de imposição incluso)

"Algum dia vou parar de fazer perguntas retóricas?" Buttom que ajudaria a ignorar certas pessoas, como os da Herbalife

“Eu sou boba demais, você não acha?” É aquela pergunta feita pra você aceitar a opinião da pessoa, e dizer exatamente o que ela quer ouvir – “Cara, atrasou mais de meia hora é porque não tá querendo saber do negócio, certo?”. Geralmente surge pela omissão da outra parte (seja por não ter feito nada, seja por não ter feito o que deveria, ou não dar satisfações), e se você parar pra pensar é algo que pode ser explicado em menos de três frases, como um pneu furado, acidente de carro, alguém hospitalizado com urgência ou ‘meu celular acabou a bateria na estrada’.

VACINE-SE! Continue calado. Se insistirem em perguntar sua opinião diga que alguma coisa deve ter acontecido. Não dê muitas opções que possam irritar mais ou preocupar a pessoa. Aconselhar não é mole não.

4-      SÍNDROME DA CULPA COM VIDA PRÓPRIA

Merda acontece. Todo o tempo.

A culpa é de todo mundo.  Hora é dele, hora é dela, hora é minha, hora é de fulano, depois de beltrano. A pessoa não sabe a quem culpar, e no desespero momentâneo, acaba colocando a culpa em tudo, na má-sorte ou em Deus. É o famoso caso de vários pequenos erros que levaram a um grande erro fatal no fim da história. A pessoa, ao pedir conselho não consegue entender que a culpa não foi 100% dela, ou de outra pessoa.

VACINE-SE! Geralmente a pessoa quer assumir a culpa completamente, como única responsável pelo resultado final. Tente apontar que os erros tanto dela, como dos outros foram desculpáveis e responsáveis pelo resultado, e culpar-se (ou culpá-los) não vai levar ninguém a lugar algum.

5-      O INCOMPREENDIDO

Ele só queria ajudar. Claro.

Aquela pessoa que, provavelmente, você conheceu a pouco tempo e/ou não tem muita intimidade, que começa a desabafar, te pega de surpresa e o discurso é cheio de auto-piedade, a pessoa carrega dentro de si algo que ninguém no mundo é capaz d compreender, até mesmo você (Então porque diabos esse ser tá falando comigo? – é a pergunta que não quer calar). De qualquer modo, a incompreensão dos outros invariavelmente é causada pela coisa mais óbvia – falta de comunicação. E adivinha qual a solução? Pois é.

VACINE-SE! Sim, você vai ter que falar pra pessoa se comunicar – dizer o que está acontecendo e como está se sentindo, além de perguntar o que os outros estão pensando e estão sentindo. Por mais que pareça óbvio, nem todo mundo sabe disso, ou nem a todo momento nós pensamos nisso.

TOP 5 Pedidos de Conselho Mal-Intencionados (e como fugir deles)

Categoria: Utilidade Pública
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