O problema das redes sociais já foi diagnosticado várias vezes como em sendo o excesso de informação sem qualidade, assim como uma pancada de pessoas sem conhecimento no assunto falando como se fossem especialistas.

Discordâncias à parte, é por esses argumentos que querendo ou não, a mídia tradicional (1.0, velha mídia, seja lá como preferir o nome) ainda é tida com um pouco de respeito apesar dos #GloboMente e outros gritos de guerra dos manifestantes sem partido – afinal, quem está na mídia tradicional, como jornalista, fez quatro anos de uma faculdade de jornalismo, teve aulas de redação, de neutralidade, de pesquisas e de como-fazer-uma-notícia-sem-ela-ficar-parecendo-um-texto-de-um-blogspot.

Ou não.


Em dois parágrafos que juntos não dão 5 linhas de Word, o UIPI resolveu toda a questão sobre quando começa a vida debatida tão ferrenhamente há sabe-se lá quantos anos pela medicina, teologia, filosofia e psicologia – e definiu que não só isso, mas a pílula do dia seguinte é abortiva.

Esse texto foi publicado ontem e ainda está no ar, como você pode ver. O interessante de uma reportagem que, como toda notícia deve informar, você pode reparar quais foram os especialistas que apontaram os reais efeitos da pílula do dia seguinte, assim como quais são esses reais efeitos da pílula do dia seguinte.

Ainda podemos ver, na continuação do brilhante estudo conduzido pelo repórter chamado UIPI,  que a notícia foi baseada num comunicado da Pontifícia Academia para a Vida (que, de uma maneira até engraçada, só tem maiúsculas nas duas primeiras palavras do seu nome).

Como você, meu leitor, já pode imaginar a PAPV  é uma instituição neutra como toda instituição científica deve ser com seus cientistas abertos a verificar os fenômenos de seus experimentos, fundada por um.. Papa!  – está aí uma instituição completamente neutra no tema vida e aborto. É quase como pedir um estudo ao Marco Feliciano sobre a homossexualidade – a diferença é que eles vão falar isso sem parecer babacas (porque eles não são).

Mais surpreendente que isso é que o último comunicado oficial (documento científico sobre o qual se baseia a reportagem do Portal UIPI, que faz parte do SBT) lançado pela egrégia PAPV foi publicado no ano de 2007 (como você pode ver aqui).

A coisa tá ficando estranha? Calma, ela piora: no comunicado oficial em pauta, que é este último de 2007 (em português, pode ler), a PAPV diz: “No campo da prática médica, uma menção específica merece o caso da “contracepção de emergência” (em geral, realizada mediante descobertas químicas), recordando em primeiro lugar a responsabilidade moral daqueles que tornam possível a sua utilização a vários níveis, e a exigência de recorrer à objecção de consciência na medida em que os seus efeitos são abortivos (antinidatórios ou contragestativos); é bom reiterar inclusive o dever moral de oferecer ao público informações completas sobre os verdadeiros mecanismos de acção e os efeitos de tais descobertas. Naturalmente, subsiste o dever de opor a própria objecção de consciência diante de toda a intervenção médica ou de investigação que preveja a destruição de vidas humanas.”

Ou seja: precisamos estudar mais, o que é bem diferente de pílula do dia seguinte mata, conforme diz a reportagem do SBT regional. Mas que isso cara – foram quatro anos de jornalismo. É a mídia tradicional. A informação de qualidade.

Às vezes eu que sou errado e acredito que as informações oficiais devam ser publicadas junto com as informações oficiais.


UIPI, SBT e o Jornalismo de Verdade™

Categoria: Utilidade Pública
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