O que eu tenho visto é que, na verdade, o brasileiro tem um ótimo senso do que é certo e o que é errado, principalmente nas eleições. Brasileiro sabe que plaquinha de candidato é um inferno, sabe que boca-de-urna é pecado, que comprar votos é mais feio que bater em mãe, e que discurso vazio é quem ganha votos.
Sabe e condena isso. No quintal dos outros. Quando o assunto é em casa, ôh, rapaz!, tudo tem uma desculpa. Porque usar criança em propaganda eleitoral não é pra fazer um apelo ao público, mas é porque elas gostam dele e querem aparecer <3; Pastor fazer propaganda de político é empurrar o candidato pra que as ovelhas votem no ungido, mas na minha ingreja não! Na minha igreja é resultado de um processo consciente de escolha pelo melhor candidato. O fato do Zé Ruela estar no palco é apenas uma mera coincidência, ou, se der fé, é só um empurrãozinho do crente, pra ele estar na direção certa dos planos de Deus.

O candidato que fala mal dos outros é um desesperado que não sabe o que é política, mas quando o meu partido/amigo faz isso, ele está apenas mostrando ao mundo a verdade. Se o candidato de outro partido apresenta uma proposta que eu sei ser melhor que a do meu, eu não posso apoiá-lo. Vai contra o meu partido – é subversão; eu tenho que achar algum defeito, e, achando o defeito, eu não posso apenas mostrá-lo, eu tenho que colocar o dedo médio na ferida e escancará-la.
Porque o importante é que ele perca, e meu time ganhe. Porque o adversário é o capeta, filho do capeta ou pai do capeta. Porque o adversário não falar sobre um assunto é porque ele tem a pior opinião possível. Porque o concorrente nunca sabe o que quer, ele é desqualificado.
No fim das contas, a política só não é um jogo de futebol, pra quem está fora dela. Até mesmo se pegar as cores, dá um outro Inter VS Cruzeiro. Só que sem o companheirismo e a amizade que eu encontrei num estádio.

Como diz o Brito, é um bíssurdo!

É um BIssurdo!

Categoria: Opinião
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