Pegue Sócrates e Jesus, vamos manter nesses dois caras. Os dois foram expoentes que mudaram completamente as suas áreas. Sócrates modificou totalmente a filosofia com seu método didático de produzir conhecimento, Jesus revirou a teologia dando uma nova percepção à lei judaica.

Mas as semelhanças não param por aí – ambos sabiam que o que estavam propondo era além do que os sábios de sua época iriam aceitar, e nem perderam tempo escrevendo ou teorizando justificativas para suas proposições. Ao invés disso, a praticaram – mas se não escreveram teoricamente nem deixaram um passo-a-passo do que pretendiam e como chegar lá, como sabemos hoje do Messias cristão e do método socrático, como podemos conhecê-los cientificamente, já que tudo que temos são relatos de pessoas impressionadas com o absurdo que estavam a ver e ouvir?


Não temos. Tanto para Sócrates como para Jesus, tudo o que temos hoje é mais pessoal do que científico – por mais que os discípulos de Sócrates tentassem manter a racionalidade e o método a dissertar sobre seu mestre tagarela. Tanto os discípulos de Sócrates quanto os apóstolos escreveram sobre o que viam de seus respectivos mestres de uma maneira pessoal, tangível, carnal – humana. Não imparcial e genérica como se propõe a ciência.

O que eu quero dizer? Que a filosofia de Sócrates e a teologia cristã não são ciências? Claro que são. O problema é que o método científico não basta, não é suficiente para apreender todo o conhecimento filosófico e teológico.

Tanto a filosofia como a teologia tem por fim mudar o homem – uma a partir de uma reflexão sobre si mesmo partindo para todas as coisas(de dentro pra fora), outra a partir de uma reflexão sobre todas as coisas e seu surgimento para si mesmo (de fora para dentro).  Ambas visam mudar o seu objeto – que por acaso, é o próprio pesquisador/pensador/observador.

E isso é mais do que ciência.

Um diálogo de Sócrates e Jesus.

Categoria: Igreja
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