Uma manhã como outra qualquer – daquelas que sair de moto sem casaco era possível, mas o casaco é tão gostoso que você acaba usando, só pra sentir a maciez dele na pele, enquanto dirige.

Uma manhã como outra qualquer – daquelas em que o trânsito pesado continua pesado e as pessoas buzinam uns 3 segundos antes do sinal abrir, porque viram o sinal de pedestres piscar como quem vai fechar.

Uma manhã como outra qualquer – daquelas que o ônibus lotado continua lotado, e as mais de noventa pessoas enclausuradas naquela caixa feita para quarenta caberem com pouco conforto torcem desesperadamente pra chegarem logo aos seus destinos.

Uma manhã como outra qualquer – que nós motoqueiros nos enfiamos em qualquer buraco que pareça caber pouco mais que uma moto e um suspiro de alívio de não ter batido nem ter sido jogado em canto nenhum da pista.

Uma manhã como outra qualquer – a não ser pelo fato de que eu conhecia o motorista do ônibus lotado, de anos atrás, quando eu ainda não tinha alugado minha alma pra entrar no consórcio dessa moto.

Uma manhã como outra qualquer – só que dessa vez buzinei cumprimentando o motorista, e acenei um breve tchau, me lembrando de todas as vezes que ele me esperou no ponto, enquanto eu corria.

Uma manhã como outra qualquer – a não ser aquele motoqueiro que além de se enfiar na minha frente, ainda buzinou e gesticulou, me xingando por não sair da frente dele, como se esses ônibus simplesmente freassem de uma vez.

Uma manhã como outra qualquer – com um acidente entre dois veículos que ninguém pode explicar, são aquelas coisas que aconteceram, lugar errado na hora errada. Ou só mais uma triste coincidência dessas manhãs, como outras qualquer.

Uma manhã como outra qualquer

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