Quase ninguém curte Testemunha de Jeová, tanto que já virou piada no país inteiro, e uma das mais repetidas no Twitter, com a maior variação de contextos. Mas o problema do testemunha de Jeová não é querer pregar a Palavra de Deus, nem querer discutir sobre isso. O problema é o jeito.

Isso pode nunca ter acontecido com você, mas você já detesta os Testemunhas de Jeová porque eles batem na porta da casa dos outros em horários extremamente inconvenientes (tipo às 8h da manhã de um domingo que você ia dormir até mais tarde, matando a escola dominical) – você pode até nunca ter cruzado com um na sua vida, mas no momento que você ver um na rua, com aqueles panfletinhos, todo o ódio social pelos testemunhas de Jeová vai ser canalizado através de você naquele instante e você vai tentar fugir da presença dele o máximo possível.


Você fará, pelos próximos 15 passos o objetivo da sua vida: 1) não estabelecer contato visual com ele; 2) ocupar as suas mãos e seus ouvidos para que ele desista/não note sua existência; 3) acelerar o passo o máximo que puder. Você vai evitá-lo mais do que evitou qualquer panfleteiro em toda sua vida, e por mais que você esteja de saco cheio de dentistas e compro/vendo ouro, eles não chegam aos pés do que você sente por uma pessoa/religião que nunca teve contato.

Agora, porque que eu to falando isso? Ofensa gratuita aos testemunhas? (Por favor, não considerem como ofensa, na boa) Na verdade não. Eu estou falando isso porque tudo pode ser discutido. Sério, você pode falar de tudo, discutir e debater sobre tudo, questionar sobre tudo sem ser cretino. Eu juro.  Seja futebol, sexo, drogas ou rock’n’roll (Linkin Park é rock ou new metal?) tudo é debatível.

Mas na – preferimos ser chatos e pedantes. O protestante, por exemplo, é o próximo dessa lista – e está se tornando o chato da vez, mais do que o próprio testemunha (será que eles vão ver alguém de terno ou camiseta de Chessus e vão tentar evitá-los em alguns anos? O mundo dá voltas…). Mas protestantes, e não vou colocar apenas os tradicionais/neopentecostais no meio, a totalidade dos protestantes, até mesmo você, rapaz emergente que quer se afirmar como liberal, revisionista e se afastar dos outros protestantes (que são piores que você, claro) – amigo você é chato da mesma forma.

E, veja só, correndo lado a lado com os protestantes está uma não-religião! Isso mesmo, senhoras e senhores, o neo-ateísmo consegue ser tão ou mais chato que os protestantes e quase tão detestado quanto os testemunhas de Jeová. Tentar provar que as pessoas são ruins, contradições dos outros era bonitinho quando se tinha entre 13 e 15 anos e discussões eram acompanhadas de palmas e eu não deixava! NÓÓÓÓH! Sai dessa! depois disso ficou meio chato (inclusive fica aí uma dica pros debates eleitorais, já que agora tem gente vaiando e batendo palma a cada réplica).


Eu não sei, mas acho que o objetivo geral de todo mundo é pegar o trono de primeiro lugar entre os mais reconhecidos (nem que seja reconhecidamente chatos) do mundo. Não, o problema não é discutir, conversar, trocar ideias. Eu faço isso e adoro, quem acompanha o blog sabe (quem não acompanha, pode olhar todos os posts pra trás – esses dias rolou um dia inteiro de tretas no Twitter por causa de homossexualismo/homossexualidade, e ninguém morreu ou gosta menos do outro por causa disso). O problema é a sua inconveniência ao fazê-lo. Existem alguns comportamentos meio óbvios (alguém tem que falar do óbvio, já dizia o Rossatto) em discussões que num mundo ideal (e acho que todos querem chegar lá, por menos que acreditem em qualquer coisa), seriam levadas em conta, tanto para discussões religião VS ateísmo; tradicionais VS emergentes; e bom, qualquer outra designação sua.

1)      Independente do que você acredite, ou não acredite, em todas as religiões, o homem, ou o próximo é tão ou mais importante que você. A ética mesmo não tem religião, e esse é um dos pressupostos da cidadania (conceito laico) – então, decorrência lógica: seu argumento não é mais importante que alguém.

2)      Se você segue alguma religião e a pessoa tem outra, vou te dar uma dica: se a pessoa não acredita em inferno, não adianta ameaçá-la com ele, ou com maus-espíritos, ou trabalhos espirituais. Além da ameaça ser algo feio, que vai contra a primeira dica de bons costumes de um mundo ideal, bom, se a pessoa não acredita, é como te ameaçar com uma chifrada de unicórnio.

3)      Estabeleça muito bem o que você está atacando: a religião da pessoa ou as pessoas que seguem determinada religião. Esse é um problema gigantesco, principalmente quando se discute sobre as religiões abraâmicas (aprendi na Wikipedia, gente): islamismo não é a mesma coisa que Jihad; catolicismo não é a mesma coisa que celibato e padre pedófilo; protestantismo não é a mesma coisa que pastor ladrão de dízimo homofóbico e ateísmo não é a mesma coisa que PC Siqueira. Quer falar sobre como as pessoas distorcem os princípios de sua religião é uma coisa, quer falar sobre contradições da sua religião é outra. Um debate é sobre a prática, outro é sobre a teoria.

4)      Se uma pessoa segue uma filosofia/religião/ideal diferente do seu e é sobre ele que vocês estão debatendo, parta do princípio que, embora essa pessoa possa ter uma visão parcial do que ele segue, ela conhece mais daquilo que você. Ouça e aprenda, o máximo que vai acontecer é você ter ganhado um pouco de conhecimento, por mais absurdo que seja e você ter o que falar no boteco (ou na vigília) com os amigos (irmãos) – tipo o hippie que falou que os chineses eram predestinados a dominar o mundo e ele (o hippie, não o mundo) ia passar por cima do meu corpo com um trator (isso dá um post, né?).


Ah, ele tá cagando regra! Não, amigo, eu to só tentando te dar umas dicas pra você não vir depois falar que não dá pra conversar à sério no Facebook/Twitter/internet ou religião esporte política orientação sexual língua estrangeira xenofobia bullying  vida morte seu apelido escroto não se discute. Discute sim.

Testemunhização de Jeová dos debates

Categoria: Opinião
90 views