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Esqueça o viver de glória em glória. O máximo que a gente faz hoje, é escorregar de treta em treta, tentando sobreviver e não fazer muita besteira no meio desse caminho. A vida feliz, completa, satisfatória que nos prometeram mostrou ser mais do que um simples caminho estreito. É uma ponte bamba, escorregadia e sem nenhuma cordinha lateral para se equilibrar – e a queda, além de perigo constante, provou-se humilhante.

Pode ter sido por influência da TV, como sempre tem uma galera ávida por culpar algo superior e exterior por todos os problemas do universo, mas nos acostumamos a viver como se estivéssemos dentro de seriados. Vivemos uma vida cheia de dramas, pontos altos e baixos, numa montanha-russa inebriante que precisa constantemente de atualização e reformas para não ficar repetitiva e cancelarem no meio da terceira temporada por falta de audiência. Queremos viver Californication. Queremos ser a pária de The O.C. ou a mente malévola de Revenge.

É estranho perceber que em boa parte do tempo as pessoas estão preocupadas com problemas que já foram resolvidos ou que não podem ser solucionados. É impressionante a quantidade de voltas que damos para evitar um simples constrangimento de foi mal, cara, eu realmente não curto o que você escreve, então vou te dar unfollow, mas a rua é nóiz. Tudo, para nós, precisa ter algo a mais.  Nos tornamos os paranoicos que veem ameaças escondidas em notícias de jornal.

Precisamos de segundas, terceiras opiniões – e de segundas opiniões sobre as terceiras opiniões que nos deram. Somos o centro do universo: tudo conspira para nos derrubar. Fulano não deu bom dia com sorriso? Tem treta aí.

Devo dizer que minha vida melhorou bastante quando eu percebi que eu não era um personagem de série. Quando me disseram que eu não precisava me meter em todos os problemas, eu não entendi. Mas quando eu vi que as tretas só vinham até mim porque eu era o personagem principal da trama, eu abri mão do roteiro e abandonei o estúdio de filmagem.

Você não é Jackson Teller. Você não é Ryan Atwood. Você não está apaixonada Hank Moody, nem é Louis Lane. Então tire esse peso das suas costas e perceba que você não precisa salvar o mundo. Não a atacado.  Comece a viver isso, o pouco, e você verá que existe um viver de glória em glória. Provavelmente não te dará uma coroa de louros, mas te dará uma família pela qual vale a pena lutar.


Respeite seus limites, saiba que brigas comprar, e principalmente: saiba quando você está lutando uma batalha perdida, e como sair dela. Se existe uma série que você poderia atuar, é Community. Mas só pelas guerras de paintball.

Você não está numa série. E se tivesse, não seria o personagem principal.

Categoria: Opinião
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