Eu tenho muitos medos – quem lê esse blog regularmente sabe disso. Não porque eu seja medroso, ou que a mudança me assuste. Mas porque as pessoas não acreditam mais em nada. Fés e princípios são construídos como viadutos em anos eleitorais – e abandonados como projetos de sustentabilidade após a vitória nas urnas.

Com isso não existem valores universais, e conceitos se misturam – até o ponto que ninguém sabe o que a outra está dizendo, e discussões enormes são montadas paralelamente ao que é importante ser dito por causa de uma confusão conceitual.

Quer um exemplo? Religião. Não é mais religião, é cristianismo. Não é mais ser crente, é ser evangélico. Não é ser evangélico, é ser protestante. –Não, eu sou diferente, sou cristão. Não sou gospel, sou cristão.

Política. Não é esquerda, não é direita, não é conservador nem tradicional. Não é progressista, nem democrata, quiçá republicano.

Eu sei que nessa confusão conceitual toda, a liberdade de expressão virou pretexto para xingar as pessoas – e dizer o que quiser sem pagar as consequências. A censura não é mais você esconder aquilo que é negativo, mas qualquer tentativa de punir aquele que te calunia, te difama ou fala mal de você de qualquer maneira.

Meu amigo, você pode não gostar do candidato à prefeito da sua cidade, mas fazer um blog chamando-o de ladrão, cretino ou puta não é o melhor meio de fazer uma campanha negativa – é o melhor meio de ser processado (e esse processo não é censura).

Ao invés de colocar mil opiniões pessoais sobre a candidatura e a pessoa do candidato, exponha fatos – demonstre como aquela pessoa, quando deputada, colaborou para que houvesse aumento salarial dos deputados, como beneficiou empreiteiras e gastou mal as verbas de gabinete. Mostre documentos que estão disponíveis ao público sobre os bens da pessoa e o valor declarado por eles (tipo uma cobertura na Barra por R$20 mil) – e mostre como essa pessoa é desonesta.

Não diga, mostre. E deixe que os atos do candidato (e suas reações) mostrem ao público quem ele realmente é.

Censura na política e a pretensa liberdade de expressão

Categoria: Opinião
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