Eu lembro das festas de final de ano quando era mais novo – as arrumações antes de juntar na casa dos parentes, a obrigatoriedade do banho a ser tomado, perfume a ser passado (o mesmo perfume todo ano, uma vez por ano), cabelos penteados e camisetas/calças horrorosas que não tínhamos coragem de usar em público.


Apesar de toda a correria, as discussões com os pais e alguns tapas pra aprender a respeitar e obedecer, era genial. Encontrar os primos todos arrumados também, a família inteira em volta de uma mesa toda pronta – mas que ninguém podia encostar antes da meia-noite, a ansiedade pelos presentes, a paciência pra ir conseguindo permissão pra fazer as coisas com o tempo –primeiro ficar perto com os primos, depois abrir o refrigerante, daí poder ligar a TV e de repente já tava todo mundo correndo um pra cada lado, alguns com controles de videogame, cartuchos do Mario Kart e Street Fighter.

Até que, pontualmente em algum momento entre as 23h e 23:30, juntavam-se todos para trocar os presentes de amigo secreto (carrinhos de controle remoto, vasilhas, camisetas, cocos falsos, e no máximo do desespero, caixas de bombom) –cara, isso era muito divertido, até que exatamente à meia-noite, a ceia era liberada – e todo mundo comia junto. À meia-noite. Celebrando natal.

E de repente, tudo se foi. Pode ter sido o tanto de gente criticando o natal, pode ter sido a correria do dia-a-dia, afinal, dia 24 todo mundo trabalha até tarde e no dia 26 já está todo mundo no batente de novo. Pode ter sido eu, que cresci e não sei mais admirar o que é o Natal, ou que me prendo a tradições vazias, ou sou só mais um cara com ideias retrógradas e antibíblicas por gostar do natal.


Talvez seja tudo isso junto. Mas no meio de todas essas dúvidas, quando eu vejo a incredulidade dos meus primos mais novos quando ninguém dá valor pro relógio virar meia-noite, o meu coração se enche de novo – e todas aquelas sensações do passado voltam.

Esse ano, eu tive um natal com meus primos, enquanto todos comiam. E lembrei como o natal era divertido – se existe um verdadeiro sentido no natal, eu não sei. Mas não importa. Já não importa mais.

Festas, boas festas.

Categoria: Opinião
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