Culpamos o politicamente correto por um monte de coisas. Pela hipocrisia, pelos discursos exagerados e pela chatice do mundo, o descaso com o meio ambiente, a má-fase do Rubinho na Fórmula 1 e qualquer outro evento tão trágico como qualquer um desses no mundo.

Acho um pouco vazio esse discurso de que a culpa é do politicamente correto, e as falhas dele se mostram óbvias em fatos que sucederam nos últimos dois dias. Pouco menos de 12 horas depois da confirmação de morte do Hugo Chávez, descobriram Alexandro Magno, o Chorão, morto em seu apartamento.


Dois eventos trágicos, dois eventos fortes e que mexem bastante com os ânimos brasileiros. Primeiro porque a morte de um político nunca é um fator biológico, mas político. Não demoraram a pular pessoas exaltando todos os momentos de esquerda de Hugo Chávez e menos ainda pessoas fazendo piadas acerca da morte. E no caso do segundo porque bom, Charlie Brown Jr. era uma banda bem específica, e como toda banda popular atraiu nos últimos anos uma porrada de haters – afinal, tudo que é pop, é ruim. Enquanto fãs choravam e lamentavam a morte, novamente milhares de piadas surgiram.

E toda morte é a mesma coisa. Gente chorando, gente que brinca e que ri, e gente que reclama de quem faz piada – e dessa vez, muitos dos que faziam piada com Chávez pediram respeito ao Chorão, e muitos que pediam respeito ao Chávez, fizeram troça com a morte do vocalista.

Será que existe um limite pra piadas? Existe uma linha divisória que mostre com o que se pode brincar e o que não se pode? Até onde vai a necessidade de se abster de comentários por causa de um respeito? Qual o limite pra buscar popularidade – e, talvez, o mais importante, o que separa uma piada de bom gosto de uma de mau gosto?


Não é fácil estabelecer uma linha. E nem é tão simples como dizer a internet é livre; ou as pessoas são assim mesmo; ou ainda apelar pro a morte é sagrada. Existem comentários que você vai rir, e vão parecer quase uma homenagem, dependendo de quem é o falecido. A questão é que sempre vai ter alguém que vai ser inconveniente – inconveniente a ponto de detestar qualquer piada, inconveniente a ponto de não ter tato e soltar alguns comentários mal-vistos.

Na dúvida, não faça nada na internet que possa te prejudicar. Não é raro pessoas serem demitidas ou processadas por comentários totalmente desnecessários no Facebook ou no Twitter. Teve uma sacada genial? Pense duas vezes. Mostre pra amigos. Se pá, se rolar, poste. Se não, fica com seus bróderes. Eles vão se chatear, mas logo passa. A internet pode até ser um lugar de liberdade que você pode fazer coisas que não poderia ou teria coragem de fazer ao vivo, mas isso não quer dizer que seja um lugar que não existem consequências.

Afinal, mais detestável que qualquer piada é a tiradinha comercial pra tentar captar clientes. Unhas fúnebres em homenagem ao Chávez e aproveitando para o Chorão é pegar muito mais pesado do que qualquer piadinha de mau gosto do Twitter gente, por favor.

Pelo outro lado, se você está em luto, ignore. As pessoas tem liberdade pra não gostar da pessoa que você gosta, e nem todo comentário é injusto ou sacana. Falar que Fulano nem era tão bom assim ou Não gostava das músicas/políticas/bafo dele não é falta de reverência para com um morto. Tenha menos mimimi e viva o seu luto no seu canto.

O Politicamente correto, o respeito e a morte.

Categoria: Opinião
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